quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O sonoro e ritmado Jackson do Pandeiro

  Alguém conhece José Gomes Filho? Sabe que ele foi famoso? Provavelmente, muitos dirão que nunca ouviram falar nesse “artista”. Mas se dissermos que é o nome de batismo de Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo, todos saberão de quem estamos falando. Uma figura ímpar da música popular brasileira, dono de um suingue impressionante, capaz de colocar a voz com precisão invejável e com recursos infinitos.
Jackson do Pandeiro é paraibano da cidade de Alagoa Grande, onde nasceu em 31 de agosto de 1919. Se estivesse vivo, estaria hoje fazendo 92 anos de idade e de muito ritmo na voz e no pé. Sua paixão na infância era a sanfona, mas por ser um instrumento muito caro, optou pelo pandeiro que recebeu de presente de sua mãe, Flora Mourão, a quem desde pequeno o menino ouvia cantar coco, tocando zabumba e ganzá.
Transferiu seu amor pela sanfona para a voz, que manuseava com extrema facilidade, imitando os requebros do instrumento de sua paixão. Dominguinhos dizia que ele era um verdadeiro “sanfoneiro de boca”. Como cantava muito em cabarés, pode também desenvolver seus dotes jazzísticos.
Jackson era inimitável, inigualável. Fazia malabarismo com a voz, dividindo a frase musical de várias maneiras.  Às vezes, esticava o verso ou uma palavra e compensava tudo lá na frente, dando brilho e entusiasmo à interpretação. Isso fica muito claro no vídeo postado aqui, no qual ele interpreta Sebastiana, de Rosil Cavalcanti, a primeira música que gravou em sua carreira.
Ficou órfão de pai muito cedo. Sua família mudou-se para Campina Grande, onde morou por cerca de seis anos, trabalhou como engraxate, entregador de pão e fazia pequenos serviços. Em 1948, mudou-se para Recife, onde foi trabalhar na Rádio Jornal do Comércio, período em que, por sugestão do diretor, trocou o apelido de infância de Jack do Pandeiro, para Jackson do Pandeiro, por ser mais sonoro e para causar mais efeito quando fosse anunciado no microfone.
Trocando em miúdos, José Gomes Filho sempre teve a história de seu nome, sua voz, as mãos, os pés e o corpo ligados diretamente ao ritmo. Casou-se com Almira Castilho de Albuquerque, que durante muitos anos dançou ao seu lado, inclusive aparecendo em várias cenas de filmes nacionais.
Depois, Jackson do Pandeiro mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Rádio Nacional, fazendo grande sucesso com músicas como O Canto da Ema, Chiclete com Banana - de autoria do genial compositor baiano Gordurinha, que reproduzimos no vídeo abaixo -, Um a Um e Xote de Copacabana.
Jackson do Pandeiro é orgulho nacional. Adorado em todo o país, principalmente no Nordeste. Em Campina Grande, recebeu até estátua (foto ao lado), com seu tradicional chapéu de coco, o pandeiro e muita ginga no pé.
Sua discografia compreende mais de 30 álbuns no formato Long Play, o tradicional LP, que gravou durante os seus 29 anos de carreira. Fez escolas entre cantores que têm facilidades com o ritmo, como Alceu Valença, Xangai, Gilberto Gil e tantos outros.
Nós brasileiros, podemos gritar bem alto e forte, com sonoridade e ritmo: Viva Jackson do Pandeiro! O paraibano merece.
    

domingo, 28 de agosto de 2011

O passar do tempo pelo olhar feminino

Maura Charlotte Vilela, a Maurinha (essa gatinha na foto abaixo), minha sobrinha e também jornalista, fez um bonito texto sobre a passagem do tempo, seus altos e baixos, mas com um olhar atento para as grandezas que existem em cada um de nós. Um olhar feminino, de quem sabe não apenas mirar-se no espelho, diariamente; mas também ter uma visão crítica sobre o papel que cabe a cada um de nós neste mundo. Acho que ela foi feliz em suas considerações e conclusões, além de muito inspirada. Confiram abaixo e depois façam seus comentários.

 A vaidosa e o tempo
Charlotte Vilela

O processo é lento, mas extremamente eficaz. Não falha, jamais! Até os 20 anos de idade, estamos em fase de crescimento. Depois... Bem, depois, começamos a dar adeus às ilusões! Mas, sinceramente, não é motivo para perder as estribeiras e vir lá das alturas, ladeira abaixo, rolando, fazendo escândalo, batendo em pedra, enroscando em arbustos, atropelando animais, pendurando em galhos... É possível, sim, caminhar com elegância rumo ao que não tem volta, traçar um roteiro mais altivo, e até apreciar a vista (altamente recomendável para quem não pretende perder a viagem!). Ah, o tempo... Assustador!
O tempo... Os anos trazem ruguinhas, levamos espetadelas, escutamos “ô, tia!”. A primeira vez que o “parente” se manifesta é sempre traumática. As seguintes descem, atravessadas, mas depois passam a ser engraçadas. Por fim, dependendo de quem for o “sobrinho”, é até desejável ser a “tia”.
A pele já não tem aquela textura acetinada. Pior, começa a sobrar. E os cabelos brancos? Os infames são fortes, sedosos, brilhantes e revolucionários. Quando chegam, é para tomar sua cabeça. O tempo passa... O tempo cobra seu preço, o tempo ensina, o tempo amolece. Ninguém pode com ele. Ah, o tempo... Implacável!
Dia desses, estava sendo atendida pelo dentista, um rapaz muito competente e bem mais jovem do que eu, quando ele comentou que determinada coisa na minha boca (calma, gente, eu não uso dentadura!) não é feita mais daquela forma. É que a tal técnica, que foi usada em mim, explicou, “só se fazia antigamente”. Num primeiro momento achei engraçado, mas depois fiquei desconcertada e, como já estava de boca aberta, permaneci naquela posição, meio embasbacada, tentando assimilando o papel de mulher antiga, preocupada se não estaria andando por aí, arrastando teias de aranha, exalando cheiro de naftalina...
Tá certo que nasci no século passado. Bem, digamos, no milênio passado! Mas, “antigamente”, magoa a gente. Credo! Mas é assim mesmo. De susto em susto, e a cada surpresinha que a gente detecta no espelho, a vida vai seguindo e o jeito é dar risada, com tanta bobagem. Ah, o tempo... Sacana!
Há também sofrimento, naturalmente. Por conta de umas taxas esquisitas que mancharam a reputação dos meus exames de sangue, que foram excelentes até meus trinta e poucos, levei uma dura do médico, que me mandou para a academia aumentar o bom colesterol, porque para o mal, o tratamento seria de choque. Resignada, com medo de ficar doente, e incomodadíssima pelo fato de já apresentar taxas alteradas pela idade (o corpo da gente começa a pagar as duplicatas dos excessos), passei a acordar cedinho para malhar. Gostei! É impressionante como o corpo responde a estímulos e no meu caso ficou claro que os 12 anos de dança deixaram marcas, boas.
Mas, uma cena que vi no espelho, na manhã de hoje, deu-me uma tristeza, um desânimo... Lá estava eu, e mais cerca de 40 mulheres na aula do Almyr Barros, famoso por esculpir corpos em Brasília. Uma barra de 30 quilos sobre as costas e uma caneleira de 10 quilos presa à cintura, parecendo uma terrorista com bombas amarradas ao corpo, fazendo agachamento. Almyr colocou uma música vibrante e berrava: Deixa arder! Deixa queimar! E as pernas e a bunda ardiam, queimavam, tremiam. Olhei no espelho, o rosto vermelho e a constatação: Meu Deus! Vai ser assim para sempre? Eu vou passar por essa tortura voluntária para o resto da minha vida? Por que a gravidade não tira férias, ó Pai? Mas, ainda que tire, chegará o momento que não vai resolver mais, e só ginástica não vai adiantar...
Será que vou encarar o bisturi, ou terei recursos menos invasivos à disposição? Muita verdade e preocupação para as 8h30 da manhã. Ainda bem que a tal da endorfina, misturada à sensação de dever cumprido, colocou-me para quietar. Mas, ficou o incomodozinho, lá no fundo, doido para me dar rugas de preocupação. Sempre rondando, esses oportunistas, pés de galinha do cão (sem ofensas aos animais, que não têm nada disso na cútis)! Ah, o tempo... Bandido!
            Naturalmente que o correr dos anos não traz só desgaste. Há coisas interessantes. Você acaba se convencendo, finalmente, de que não importa o que faça (e eu não faço muita coisa mesmo), nunca terá o corpo da Elle Macpherson. E quer saber? Isso é libertador! Os peitos já não são arrogantes como no passado, mas o uso do silicone ainda não virou lei, ou virou? Aquela menina linda de 20 anos, a quem hoje você faz um elogio sincero – sem ficar dizendo a si mesma que ela teria espremido um tantão de celulite debaixo daquela sainha –, não te ameaça em nada, porque você não quer ser como ela, não quer competir com ela e, pensa bem, não trocaria de lugar com ela nunca!
Deus me livre de voltar a ter 20 anos. É estranho, porque ao mesmo tempo em que acho que o tempo poderia pegar um pouco mais leve, andar mais pianinho, não tenho a menor vontade de voltar nele, mesmo se me fosse dada essa dádiva-armadilha. É daqui para frente! Andar para trás só se for no transport da academia, uma beleza para endurecer glúteos e pernas. Ah o tempo... Inexorável!

Mais uma tragédia abala o Rio de Janeiro

 
O acidente com o bondinho de Santa Teresa, que matou sete pessoas e feriu 57, é mais uma tragédia do belo e encantador Rio de Janeiro (para ler sobre a anterior, clique aqui). Além das sete pessoas que morreram, alguns dos feridos estão em estado grave, aumentando o sofrimento de dezenas de famílias que acompanham ansiosas o noticiário. O bondinho é uma referência da cultura carioca, por toda a beleza bucólica do passeio e as inúmeras atividades artísticas e culturais que cercam o bairro.
Tivemos a oportunidade de fazer esse passeio por várias vezes e já o recomendamos a vários amigos. O bondinho sai da estação do Largo da Carioca, passa por cima dos Arcos da Lapa e segue pelas ruas sinuosas de Santa Teresa, propiciando-nos uma viagem pelo tempo ao Rio de antigamente.
Lá estão a Igreja e o Convento de Santa Teresa, pertencentes à Ordem das Carmelitas Descalças, abrigando religiosas que vivem isoladas e têm pouco contato com o mundo exterior. A Rua Almirante Alexandrino é a mais antiga do bairro e nos propicia uma visita à Casa Navio, de arrojado valor arquitetônico, e uma vista surpreendente do Castelo de Valentim.
No centro, ou no coração do bairro, está a vida boêmia, com barzinhos e restaurantes tradicionais, como o Bar do Arnaudo, o Bar Mineiro e a Adega do Pimenta. Nunca tivemos a oportunidade de viver o agito da noite por lá, mas, dizem, é muito interessante, com artistas, intelectuais e muita gente bonita andando pelas ruas, ao som de muita música popular brasileira.
O turismo cultural é recheado por oportunidades de visita a locais como o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, o Museu Casa de Benjamim Constant e o Museu Chácara do Céu, com seu acervo maravilhoso de obras de artes modernas – destaque para Portinari, Di Cavalcanti, Guinard, Picasso, Matisse e Salvador Dalí, além das pinturas, gravuras e aquarelas de viajantes do século 19, como Debret e Tunay.
As autoridades do Rio, e também o Governo Federal, devem dar todo apoio às famílias envolvidas nessa tragédia, mas também precisam recuperar o bondinho e fazê-lo voltar a circular, com segurança e conforto, dentro das normas técnicas e com a lotação adequada.
O Rio, o Brasil e o mundo não podem perder essa beleza turística e cultural, que é o passeio por Santa Teresa no bondinho. Uma tradição que vem do século passado, quando começaram a circular, movidos por tração animal e depois a energia elétrica. Quem nunca teve a oportunidade de fazer esse passeio, pode ter uma pequena ideia da sua beleza pelo vídeo abaixo.


sábado, 27 de agosto de 2011

Sabiá cantou lá no quintal... É chuva? Primavera?

Agosto está chegando ao fim, mas não finda esse clima do cerrado brasiliense – seco e quente de dia, frio e seco de madrugada, muito vento e poeira. Os ipês amarelos estão ficando raros, já não brilham mais na imensidão do Planalto. De belo, o alvorecer, o por do sol, os últimos raios de sol na névoa seca... Enfim, agora, o canto divino do sabiá-laranjeira, a anunciar a chegada, ainda longe, da Primavera. É prenúncio de chuva? Talvez, ainda não... Mas traz uma paz pro nossos corações, alguma inspiração poética e a bela canção de Tom Jobim e Chico Buarque, vencedora do Festival Internacional da Canção, de 1968, na voz inesquecível de Elis Regina, que diz, com seu sorriso ancho: "Vou voltar, sei que ainda vou voltar..." Quem sabe, a esperança é a última que morre.

O cantar do Sabiá
(José Carlos Camapum Barroso)

Sabiá cantou no quintal,
Depois de um longo
E tenebroso inverno...
Era fim de tarde,
Ou início de manhã?
Não sei... Sei apenas
Que o mundo mudou:
Veio o ar da Primavera,
O gosto seco de chuva...

O vento de setembro
Pôs fim ao de agosto.
Sabiá-laranjeira,
Ave do peito-roxo,
Canto de primeira.
Som de Altamiro
Carrilho na flauta...
Meu sabiá, bandeira,
Brasão infinito de um
Brasil brasileiro.

Sabiá-ponga,
Sabiá-piranga,
Meu Caraxué!
O sabiá-laranja
Cantou um canto
Triste no terreiro?
Barriga-vermelha,
De um canto fino,
Um cantar sovina,
Bem brasileiro.

Sabiá, sabiá
Não me leve a mal...
Vem cantar de novo
Aqui no meu quintal.


Sabiá
Tom Jobim e Chico Buarque
Voz: Elis Regina

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O sigilo eterno e o "Saber dos Arquivos"

Pronto. Era só o que faltava. Parecer do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Melo garante o sigilo eterno aos documentos considerados ultra-secretos. O relatório da Fênix das Alagoas – aquela figura mitológica que renasceu das cinzas dos usineiros alagoanos – foi apresentado esta semana na Comissão de Relações Exteriores do Senado e deve ser votado na semana que vem.
Para que a balança do assunto não descambe tanto para esse lado obscuro, felizmente, foi lançado na semana passado o livro Saber dos Arquivos, coordenado pelo professor da Faculdade de História e Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marlon Salomon (foto). Um tema fundamental para a história e memória das sociedades, que infelizmente vem sendo discutido de forma superficial.
A proposta collorida retira poderes da Comissão que foi criada para reavaliar a classificação dos documentos. Inclusive aqueles ultra-secretos, que ficariam lacrados por 50 anos, renováveis infinitamente, o que lhes garantirá a eternidade, na versão de Collor. O parecer diz que a comissão só poderá propor as reclassificações, e não decidi-las. Pelo menos, garante o amplo acesso aos arquivos do regime militar ao proibir qualquer restrição a documentos que versem sobre violação de direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades.
No final do ano de 2009, com a iniciativa do Papa Bento XVI de retomar o processo de beatificação de Pio XII, líderes israelenses pediram a abertura dos arquivos do Vaticano referentes ao período da Segunda Grande Guerra Mundial, quando Pio XII teria sido omisso na condenação ao nazismo, embora tivesse conhecimento do que ocorria nos campos de concentração com o povo judeu.
No Brasil, a luta das famílias dos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar (1964 a 1985) vem desde os anos 70. O que se busca, neste caso, é apenas o direito das famílias realizarem os seus lutos, de legitimar a expressão pública da dor. Só agora, 26 anos depois da redemocratização, uma luz surge no fim do túnel para os familiares dos mortos e desaparecidos. Tudo indica que estamos caminhando para a abertura desses arquivos, que poderão revelar a pais e mães o que de fato aconteceu com seus filhos.
Saber dos Arquivos (capa ao lado) aprofunda a discussão sobre esse tema, tendo como colaboradores pesquisadores europeus e de Israel, que nos revelam suas opiniões e experiências vividas em seus países. Como matéria fundamental da história, os arquivos são pensados nessa obra em outra perspectiva. Na visão de Marlon Salomon “o arquivo é algo que reverbera em todo o campo do conhecimento, tornando-se uma questão social e política”.
Assinam os textos dessa obra Sonia Combe, Marlon Salomon, Antonella Salomoni, Adi Ophir e Philippe Artières. O livro chama a atenção também pela modernidade e ousadia da capa e da tipografia de Ana Laura Campos. Saber dos Arquivos é fundamental para todos que querem uma luz precisa e adequada sobre um tema tão importante para as sociedades democráticas.
Por falar em assunto importante para nós brasileiros, que tal relembrarmos Milton Nascimento e Chico Buarque cantando O Que Será Que Será (À Flor da Pele), de 1976. Ajuda a começar bem o fim de semana e a esquecer os colloridos da vida.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os Acordes da Vida e as vozes de 50 crianças

Apoio, incentivo e patrocínio à cultura devem ser sempre elogiados. Quando se apresentam embalados em um projeto de cunho social, melhor ainda. Foi exatamente isso que tivemos a oportunidade de conhecer no projeto Acordes da Vida, do Instituto Jerônimo Candinho, com apoio financeiro da Caesb, a Companhia de Saneamento Ambiental do DF. A assinatura do contrato foi feita no último sábado, dia 13, no belo Teatro Águas Claras, na sede da Caesb, com a presença do governador em exercício do Distrito Federal, Tadeu Filippelli.
O projeto agrega crianças e jovens de até 18 anos, que recebem aulas de flauta, teclado, violão ou violino e participam de um coral regido pelo maestro Luís Alan. São 50 crianças e adolescentes de famílias carentes que passam a ter uma formação musical e a conviver em um ambiente saudável, educativo e culturalmente enriquecedor.
O projeto, que está começando a sua terceira edição, precisa e merece ter vida longa. É exultante ver a felicidade estampada no rosto daqueles jovens quando executam seus instrumentos. Ver a postura de um adolescente de baixa renda empunhar um instrumento como o violino, é bom demais! O sorriso das crianças, quando estão cantando, é maravilhoso e foi registrado pelo talento do fotógrafo Marcos Antonio Peixoto, o Marquinho, na foto acima. Quem já teve a oportunidade de ver a alegria desses meninos e meninas, durante a execução do coral, sabe do que estou falando. Os que ainda não tiveram essa chance, devem fazer uma visita ao projeto Acordes da Vida, no instituto Jerônimo Candinho – o telefone é 3591.3458 e o pessoal, extremamente atencioso.
O Instituto desenvolve trabalhos sociais há 22 anos. Foi fundando por José Miranda de Oliveira Filho e um grupo de amigos preocupados em ajudar famílias carentes. Graças a todos eles – e também a empresas como a Caesb, que tem visão social –, esses jovens podem usufruir de uma escola de ensino fundamental (jardim de infância à 9ª série) e ainda contam com o apoio de programas como o Acordes da Vida e também o Jovem Aprendiz.
O maestro Luís Alan tem vasta experiência, além de talento, no universo musical. Com licenciatura em música pela UnB, em seu currículo constam formação em canto erudito e regência de coral. Já atuou em outros corais em Brasília, como o Madrigal e o coral da Legião da Boa Vontade (LBV). Além de tudo isso, tem facilidade para lidar com crianças e adolescentes, o que requer talento e sensibilidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nelson Rodrigues seria hoje um menino de 99 anos

Como ninguém é perfeito, o escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues (foto) tinha um defeito: era torcedor do Fluminense. Fora isso, era genial, e tem lugar de destaque na literatura brasileira pelo que produziu de peças teatrais, crônicas, romances e contos. Tinha uma inspiração invejável e ficou conhecido pelas frases que cunhava com engenho e arte.
Nelson Rodrigues foi um realista em plena época do modernismo, sem deixar de inovar. Sua obra criou a tragédia carioca, carregada de erotismo e sempre mostrando o lado sórdido da sociedade de sua época. Ele dizia, muito apropriadamente, que sempre foi um menino que via o amor pelo buraco da fechadura: “Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino)”.
Tinha apenas quatro anos de idade, quando uma vizinha invadiu sua casa dizendo para sua mãe: “Todos os seus filhos podem freqüentar a minha casa, menos o Nelson”. Em seguida, explicou: Vira o Nelson aos beijos com sua filha de três anos, com ele deitado sobre ela, numa atitude assim, assim... Tarado!
Quando tinha oito anos, participou de um concurso de redação em sala de aula. O tema era livre e o melhor texto seria lido em sala de aula. Terminada a aula, as redações foram entregues. A professora quase teve um desmaio ao ler a redação de Nelson: a história era sobre um adultério. O marido chega em casa e encontra a mulher nua, na cama, e o vulto de um homem fugindo pela janela. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois, ajoelha-se e pede perdão. O texto era perfeito, mas a professora inventou um empate e leu a outra redação.
Tricolor, um raro defeito de Nelson
Nelson era pernambucano de Recife e o quinto de uma família de 14 filhos. Foi para o Rio de Janeiro ainda criança e, se estivesse vivo, seria hoje, dia 23 de agosto, um menino de 99 anos de idade.
Começou sua carreira jornalística como repórter de polícia do jornal A Manhã, aos 13 anos de idade. Impressionava os colegas pela capacidade de dramatizar fatos corriqueiros. Conviveu com figuras ilustres como Apparício Torelly, o Aporelly, que mais tarde se denominaria “Barão de Itararé”, além de Danton Jobim, Orestes Barbosa e Joracy Camargo, entre outros.
No dia 27 de dezembro de 1929, com apenas 17 anos, presencia o assassinato de seu irmão Roberto Rodrigues, na redação do jornal Crítica – fato que iria marcar pra sempre sua vida de escritor. O jornal publicara no dia anterior uma matéria, escrita por Orestes Barbosa, com ilustração de Roberto, sobre a separação de Sylvia Serafim e João Thibau Júnior. Sylvia entrou na redação procurando por Mário Rodrigues. Não o encontrando, procurou Roberto e acertou um tiro em seu estômago, com uma arma que acabara de comprar.
O irmão de Nelson Rodrigues morreu alguns dias depois e seu pai, deprimido e inconformado, faleceu seis meses após a tragédia. Todos esses fatos moldaram o olho com o qual Nelson passou a enxergar a realidade, e não apenas o amor, pelo buraco da fechadura. Os ingredientes da sexualidade e da sensualidade sempre estiveram presentes em suas obras, desde a infância.
Nelson Rodrigues morreu aos 68 anos de idade, numa manhã de domingo, vítima de complicações cardíacas e respiratórias. Naquele mesmo dia, à tarde, ele faria treze pontos na Loteria Esportiva, num bolão com seu irmão Augusto. Deixou um pedido que foi prontamente atendido pela esposa. Na lápide, foi escrito o nome dele e o de Elza, com a frase: “Unidos para além da vida e da morte. E é só”.
Nelson tinha também como irmão Mário Filho, que deu nome ao Maracanã, e era flamenguista. Mas, aí é outra história... Abaixo algumas frases de Nelson Rodrigues e um vídeo baseado em um texto de sua autoria. A mininovela, de apenas dez minutos, foi produzida pela escola de atores Wolff Maia. Dá pra matar a saudade de Nelson e comemorar seus 99 anos de talento-menino.

ALGUMAS FRASES:

“Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais”.

“O brasileiro quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte”.

“Só o inimigo não trai nunca”.

O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos”.

“O dinheiro compra até o amor verdadeiro”.


domingo, 21 de agosto de 2011

Agosto e os milagres da romaria do Muquém

Agosto costuma ser mês de presságios, notícias ruins, crise políticas. Quando o dia 13 de agosto cai numa sexta-feira, então... É um Deus no acuda! Essa crença foi alimentada por fatos como o suicídio de Getúlio, o atentado a Carlos Lacerda, a renúncia de Jânio Quadro e tantas outras tensões políticas que se sucederam através dos tempos.
Mas, para nós goianos, mais particularmente os de Uruaçu e de Niquelândia, agosto é um mês de fé, peregrinação e devoção a Nossa Senhora da Abadia do Muquém, cuja romaria é a mais antiga de Goiás. Começou no ano de 1748, período da escravidão e da mineração.
A missa solene de encerramento da romaria deste ano (foto ao lado) foi celebrada pelo arcebispo Messias dos Reis Silveira, da Diocese de Uruaçu. A festa começa no dia 05 de agosto com a saída dos romeiros de Niquelândia em direção ao Muquém, passando por várias estações da Via Sacra, com monumentos que representam o calvário de Cristo.
Uma das paradas fica na entrada da fazenda dos nossos amigos Valdir e Sônia. Ao casal, eu e a Stela estamos devendo uma visita - compromisso adiado para 2012. Nesta última romaria, a estimativa é de que mais de 300 mil romeiros visitaram o Santuário do Muquém, percorrendo os 45 quilômetros da Rodovia da Fé.
Existem algumas versões para o surgimento da romaria. Uma delas, talvez a mais romantizada e poética, foi dada pelo escritor Bernardo Guimarães em O Ermitão de Muquém. Conta a história de um jovem chamado Gonçalo que teria assassinado um companheiro pelo amor de uma moça. Isto no século XVIII, na cidade de Goiás. Foragido, acaba ficando na tribo dos xavantes, onde se casa com uma jovem indígena e se torna um dos líderes guerreiros. Em uma batalha, flecha por engano sua mulher. Itagiba, irmão dela, inimigo de Gonçalo, lança uma flecha em direção ao peito dele, que é salvo por uma medalha de Nossa Senhora que carregava. Arrependido de sua vida de crimes, Gonçalo torna-se um ermitão dedicado a Nossa Senhora do Muquém.
Dezenas de histórias de cura e milagres existem em torno da romaria do Muquém, que, quando não cura os males físicos, pelo menos  ameniza as tensões políticas, em pleno mês de agosto, como na foto ao lado, que registra um abraço fraternal entre Iris Rezende, ex-governador, e Marconi Perillo, atual governador de Goiás, logo após o término da romaria deste ano.
Outro milagre é contado em versos na canção sertaneja Nossa Senhora da Abadia, de Mineiro e Maduzinho, que reproduzimos abaixo.  Em seguida, a canção que talvez melhor represente o espírito das Romarias dedicadas a Nossa Senhora, na voz inesquecível de Elis Regina. Claro que se trata de Romaria, de autoria de Renato Teixeira. Bom agosto para todos.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

João Bosco, suave e técnico, sem perder a emoção


O disco novo de João Bosco é tudo do universo sonoro que ele sempre nos propiciou, com seu talento, sua sensibilidade musical de intérprete, compositor e instrumentista. Voltou a compor a dupla irretocável que, durante muitos anos, fez com Aldir Blanc, letrista de refinada percepção musical, mas não deixou de lado seu parceiro e filho Francisco Bosco. Pelo contrário, cinco canções da dupla no novo CD revelam uma evolução significativa.
João Bosco mostra um domínio pleno, impressionante, da técnica que lhe deu o título de um dos grandes violonistas da escola brasileira, tão bem representada por João Gilberto, Baden Powel, Rafael Rabelo e Luiz Bonfá – aqui em Brasília ainda temos o Gamela, professor de tantos talentos da música brasileira.
João Bosco esbanja criatividade ao cantar com surpreendente suavidade, sem perder sua capacidade de malabarista da voz, mas sem abusar dos improvisos e colocando emoção na dose certa.
Brinca com as palavras e com o fraseado na canção Jimbo no Jazz, que compôs com Nei Lopes. Na canção Navalha, supera todas as expectativas que foram criadas para o retorno da dupla de compositores João Bosco e Aldir Blanc. As duas estão postadas abaixo. Peço atenção especial para o contraponto do violão de Ricardo Silveira, em Navalha.
O CD “Não vou pro céu mas já não vivo no chão” é mais uma comprovação do que eu venho dizendo neste blog: a música e os músicos brasileiros de qualidade estão de volta. Nos últimos anos, compositores e cantores de talentos também surgiram na nossa MPB, a exemplo de Teresa Cristina, para ficar apenas em  um exemplo.
A música brasileira vive e sobrevive, enriquecida, fortalecida pelas influências diversas, sem preconceitos e sem perder suas origens culturais. João Bosco mostra isso e muito mais, com gosto do barroco mineiro, de influências do jazz e das nossas raízes africanas. O disco é realmente lindo, suave, técnico, sem perder a emoção. Jamais!
 
 




terça-feira, 16 de agosto de 2011

O renascimento musical de Milton em belo CD

O último CD de Milton Nascimento é jóia rara. Ao ouvi-lo tive a sensação de um Milton Nascimento revigorado, eu ousaria mesmo dizer: renascido. O cantor e compositor mineiro andava meio sumido, um pouco apagado. Há tempos, eu não ouvia um disco dele capaz de encher nossos ouvidos e a alma de contentamento.
E a Gente Sonhando” é um CD belíssimo, em que Milton Nascimento resgata seus bons tempos de cantor, compositor, arranjador, além de agregar novos cantores, juntar os amigos mineiros e valorizar os trabalhos artísticos de compositores talentosos, como Vítor Ramil, Cristovam Bastos e Aldir Blanc, Tunai, Márcio Borges, João Bosco e Francisco Bosco, Fernando Brant, Lulu Santos, Paulinho do Cavaco e outros.
Milton enfrentou problemas sérios de saúde, no final da década de 90, ao adquirir Diabetes do Tipo 2, que provoca emagrecimento súbito. Sofreu com o tratamento, mas venceu a doença e voltou a compor e a cantar. Esse CD, lançado no ano passado, mostra um cantor recuperado plenamente, com um timbre de voz bonito.
Milton Nascimento é o coração do Brasil. Mineiro até na alma, traz dentro de si influências de várias regiões do país. Sua música e seu canto foram influenciados pelas serestas, pelo jazz e pelo rock dos Beatles e de Bob Dylan. Os latinos, principalmente Mercedes Sosa, estão presentes na sua obra.
Sempre soube buscar e valorizar parceiros, compositores e cantores. No CD “E a Gente Sonhando”, apresenta logo na primeira música, que dá título ao disco, o jovem cantor Bruno Cabral, dono de uma voz belíssima. Em outras faixas, tem Ismael Tiso Júnior, Paulo Francisco (Tutuca) e o maravilhoso coro de Três Pontas.
A música popular brasileira dos últimos anos está realmente em alta. Além dos CDs de Chico Buarque, lançado este ano, e o do Milton, de 2010, ainda tem o de João Bosco, que traz de volta a parceria com Aldir Blanc, em quatro canções. Mas, isso é assunto pra outra postagem.
Hoje, vamos ouvir duas belas canções do disco de Milton Nascimento: Estrela, Estrela, que Vítor Ramil fez para o cantor mineiro há muitos anos, mas ainda não havia sido gravada; e a gravação de Resposta ao Tempo, essa obra-prima de Cristovam Bastos e Aldir Blanc, com a participação do coral de Três Pontas. São duas canções pra se ouvir em paz, em silêncio. Depois é só dormir..





O renascimento musical de Milton em belo CD

O último CD de Milton Nascimento é jóia rara. Ao ouvi-lo tive a sensação de um Milton Nascimento revigorado, eu ousaria mesmo dizer: renascido. O cantor e compositor mineiro andava meio sumido, um pouco apagado. Há tempos, eu não ouvia um disco dele capaz de encher nossos ouvidos e a alma de contentamento.
E a Gente Sonhando” é um CD belíssimo, em que Milton Nascimento resgata seus bons tempos de cantor, compositor, arranjador, além de agregar novos cantores, juntar os amigos mineiros e valorizar os trabalhos artísticos de compositores talentosos, como Vítor Ramil, Cristovam Bastos e Aldir Blanc, Tunai, Márcio Borges, João Bosco e Francisco Bosco, Fernando Brant, Lulu Santos, Paulinho do Cavaco e outros.
Milton enfrentou problemas sérios de saúde, no final da década de 90, ao adquirir Diabetes do Tipo 2, que provoca emagrecimento súbito. Sofreu com o tratamento, mas venceu a doença e voltou a compor e a cantar. Esse CD, lançado no ano passado, mostra um cantor recuperado plenamente, com um timbre de voz bonito.
Milton Nascimento é o coração do Brasil. Mineiro até na alma, traz dentro de si influências de várias regiões do país. Sua música e seu canto foram influenciados pelas serestas, pelo jazz e pelo rock dos Beatles e de Bob Dylan. Os latinos, principalmente Mercedes Sosa, estão presentes na sua obra.
Sempre soube buscar e valorizar parceiros, compositores e cantores. No CD “E a Gente Sonhando”, apresenta logo na primeira música, que dá título ao disco, o jovem cantor Bruno Cabral, dono de uma voz belíssima. Em outras faixas, tem Ismael Tiso Júnior, Paulo Francisco (Tutuca) e o maravilhoso coro de Três Pontas.
A música popular brasileira dos últimos anos está realmente em alta. Além dos CDs de Chico Buarque, lançado este ano, e o do Milton, de 2010, ainda tem o de João Bosco, que traz de volta a parceria com Aldir Blanc, em quatro canções. Mas, isso é assunto pra outra postagem.
Hoje, vamos ouvir duas belas canções do disco de Milton Nascimento: Estrela, Estrela, que Vítor Ramil fez para o cantor mineiro há muitos anos, mas ainda não havia sido gravada; e a gravação de Resposta ao Tempo, essa obra-prima de Cristovam Bastos e Aldir Blanc, com a participação do coral de Três Pontas. São duas canções pra se ouvir em paz, em silêncio. Depois é só dormir..





sábado, 13 de agosto de 2011

O Dia Nacional das Artes. Com muito orgulho!


O dramaturgo e poeta alemão Berthold Brecht é autor de frases lapidares sobre os mais diversos assuntos. Uma delas nos chama a atenção pela sua profundidade e merece ser resgatada por ter sido ontem o Dia Nacional das Artes. Não passou despercebido. Comecei a escrever este texto, mas não pude continuar por absoluta falta de tempo. Segue hoje, com as devidas desculpas aos amigos.

Com a propriedade de sempre, disse o dramaturgo alemão: “Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes: a arte de viver”. O que são as nossas manifestações artísticas – literatura, artes plásticas, teatro, cinema, música – senão uma forma de buscarmos sentido para a vida.
A arte é expressão de um povo, de uma época, de um pensamento, utilizando a beleza da subjetividade, dos eufemismos, dos diferentes recursos das inúmeras formas de comunicação, com sutileza, engenho e criatividade. Isso tudo com o objetivo de se fazer entender e de dar um sentido maior para a vida.
Este blog, nos seus quase cinco meses de existência, tem procurado valorizar as diversas manifestações artísticas do povo brasileiro, sem deixar de ressaltar os trabalhos de artistas de outros povos e as diferentes correlações entre aquelas e a nossa cultura. As influências que recebemos dos colonizadores portugueses, dos negros africanos, da cultura indígena, dos imigrantes de diversas regiões do mundo e dos nossos vizinhos latino-americanos, deram-nos essa riqueza cultural e artística de que tanto nos orgulhamos.
Orgulhamos-nos, sim, de artistas plásticos como Cândido Portinari (ao lado), Tarsila do Amaral, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Jean-Baptiste Debret, Lasar Segall, Carlos Scliar, Sirón Franco e tantos outros. Nosso teatro que começou com o padre José de Anchieta, passando pelo talento do ator João Caetano, Gonçalves de Magalhães, Martin Pena, que abriu as portas para a comédia de costumes, Cacilda Beker, Bibi Ferreira, José Celso Martinez, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Oduvaldo Viana Filho, Ariano Suassuna, Paulo Pontes e muitos outros.
Nosso cinema foi ousado com os diretores do cinema novo: Glauber Rocha, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos, Walter Lima Júnior, Miguel Faria Júnior. Esteve decadente com a pornochanchada, mas reergueu-se nos últimos vintes anos a partir de filmes como Central do Brasil e Cidade de Deus, graças ao que ficou chamado de “retomada”.
Nossa música de Vilas Lobos, Carlos Gomes, Ernesto Nazaré, Pixinguinha, Tom Jobim, Radamés Gnattalli, Noel Rosa, Ari Barroso, Chico Buarque, Baden Powel, João Gilberto, Dorival Caymmi, Zequinha de Abreu, Cartola, Luiz Gonzaga...
A nossa literatura de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Manoel Antonio de Almeida, José de Alencar, Mário de Andrade, Oswaldo de Andrade... E dos nossos poetas Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Mário Quintana, Augusto e Haroldo de Campos, Cora Coralina, Gregório de Matos...
A todos eles, e a muitos outros não citados, devemos a riqueza artística e cultural brasileira. Temos orgulho da nossa mistura de cores, sabores e ritmos.
Embora com um dia de atraso: Viva o Dia Nacional das Artes! Com poesia e música, claro, porque hoje é sábado!

Ah! Os Relógios 
Mário Quintana

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Música é terapia. Quando é Bach, então...

A música não tem valor apenas pelo prazer que ela nos propicia. Não é só diletantismos. Serve também para curar doenças, como terapia para distúrbios diversos e até como estimulante para o desenvolvimento e tratamento de bebês. Pesquisas recentes comprovam que os bebês, recém-nascidos, que recebem acompanhamento musical apresentam desenvolvimento mais acentuado, em vários aspectos.
Pesquisa realizada na Universidade de Toronto, no Canadá, comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas. Ficou também comprovado que a música ajuda a aliviar a dor, a superar o estresse e a amenizar as angústias que tiram o sono dos adultos.
Uma pesquisa, feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), constatou que a música pode ser um bom recurso terapêutico para auxiliar na reconstrução da identidade e ajudar a melhorar a qualidade de vida de portadores de doenças crônico-degenerativas.
Uma clínica de sono, no Canadá, está usando música como tratamento para insônia. Diferentemente das pesquisas tradicionais, os canadenses propõe a criação de músicas personalizadas para conseguir um resultado melhor com os pacientes. Para criar essas músicas, eles estudam as ondas cerebrais de cada pessoa para determinar o padrão rítmico e tonal. O tratamento tem obtido bons resultados e tem a vantagem de não causar dependência química, tão comum na maioria dos medicamentos usados para estimular o sono.
Existem dezenas de outros estudos e pesquisas sobre os poderes da música em tratamentos contra o estresse e outras doenças. Acho que todos nós já vivenciamos um pouco desse poder dessa arte que eu aprecio tanto.
Por tudo isso, e muitas outras coisas, que tal ouvirmos a bela ária Erbame Dich, da ópera Paixão Segundo São Matheus, de Johann Sebastian Bach, na voz maravilhosa da mesa soprano parisiense Delphine Galou (foto acima). Duvido que ao final alguém não tenha conseguido livrar-se de pelo menos alguns de seus males. Façam o teste, depois os comentários.