quinta-feira, 26 de julho de 2012

Bodas de Pinho no meu caminho, regado a muito vinho...

Exame de rotina. O médico pergunta ao paciente se está tudo bem. Quer saber se ele sente algum incomodo, e aproveita pra fazer outros questionamentos pertinentes à consulta.
- Qual sua idade?
- Acabei de completar 58 anos.
- Ótimo. Novo, muito novo – diz o médico, bem mais jovem que o paciente. E acrescenta – Casado?
- Casado. Por coincidência, estamos fazendo hoje 32 anos de casados.
- TRINTA E DOIS ANOS DE CASADOS?!?! – diz, entre assustado e incrédulo, o jovem doutor, como se tivesse lendo resultado tenebroso de um exame de laboratório.
- E tem mais, doutor...
- Mais...?
- A gente se ama até hoje. Como se fôssemos recém-casados...
- Bom, então, acho que o senhor procurou o médico errado. O senhor deveria ter procurado um psiquiatra...

* * *

Se tal diálogo tivesse acontecido comigo, o médico teria ouvido poucas e boas. No mínimo, iria ouvir que quem precisa realmente de um psiquiatra seria o próprio. Ou teria lembrado a ele, os versos de Vinícius de Moraes: “... que seja eterno enquanto dure”.
Melhor pensando, teria pedido a ele que lesse o texto que escrevi, em 2011, sobre o passar dos anos em um casamento. Esse mesmo texto, reproduzo abaixo com algumas atualizações, em função de termos chegado, este ano, às convidativas Bodas de Pinho. Melhor seria se o pinho, nesse caso, fosse sinônimo de violão.
PS - A Stela me lembrou que nos casamos no dia de Santana (26 de julho), e que é ela quem nos abençoa. Confesso que desse departamento, eu entendo muito pouco. Mas, lembro que Santana, como o próprio nome indica, era a protetora de minha avó Ana Alencar e padroeira de Uruaçu. 



O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso


O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores,
Fez-se duro como madeira
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... Todos esses anos,

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana?
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Ah... Como passam os anos...
Novos e novos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que serão Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria: Bodas de Cristo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Escritor é homenagem à sensibilidade e ao talento


Escritor é quem escreve palavras certas pelos caminhos tortuosos da vida. É aquele que nos ensina a pensar, a observar o mundo e as coisas que nele acontecem, utilizando-se de palavras que nos dão uma visão crítica, humanista e social da vida. Palavras são palavras, nada mais que palavras, mas, muitas vezes, nos entristecem, outras vezes nos enchem de alegria, e até em alguns momentos nos confortam; mas, sempre, conscientizam e nos fazem evoluir.
O homem começou a usar a escrita depois da “revolução neolítica”, com a utilização da linguagem pictórica, correspondente aos desenhos ou pictogramas, que não estão associados a um som, mas à imagem que se quer representar. Houve também a fase da linguagem de ideogramas, que são os símbolos gráficos, como os sinais de trânsito da nossa época. A fase alfabética é a da utilização de símbolos (letras), que buscavam uma representação meramente fonográfica. Os especialistas alertam que não se pode seguir uma linha rigorosamente cronológica no desenrolar dessas três fases.


Depois de tantos anos usando a linguagem escrita, a humanidade produziu obras maravilhosas e fundamentais para o desenvolvimento das ciências e das artes. O conhecimento se propagou e se popularizou por meio dos livros, depois da invenção da imprensa por Gutenberg.
Em todo esse contexto, amiúde esquecemos que nem todos os homens dominam a linguagem escrita. Algumas pessoas de famílias de baixa renda mal conseguem assinar o nome, ou, no máximo, são capazes de listar algumas palavras e escrever bilhetes curtos.

“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. 
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso. ”
(Fernando Pessoa)

O telefone, quando surgiu, diminuiu o interesse pela escrita. O hábito de escrever cartas foi substituído pelo bate-papo, fone a fone. As redes sociais, na Internet, voltaram a valorizar a linguagem escrita. Os escritores estão de volta, mesmo que com certo desprezo pelas regras gramaticais e valorização exagerada de abreviaturas e códigos pessoais e de grupos.
Impossível imaginar que alguém, depois de ler um clássico como Crime e Castigo, de Dostoiévscki, diga ao final: não gostei. Impensável. Assim como é impensável que alguém não consiga se deliciar com as obras de Machado de Assis e tantos outros escritores brasileiros, que hoje merecem ser homenageados.


“Escritor: não somente uma certa maneira
especial de ver as coisas, senão também
uma impossibilidade de as ver
de qualquer outra maneira.”
(Carlos Drummond de Andrade)

A humanidade deve muito àqueles que escrevem com engenho e arte, sejam seus romances, suas poesias, seus roteiros de cinema, peças teatrais, reportagens jornalísticas, editoriais, petições, sentenças, livros técnicos, cartas de amor, bilhetes, cartinhas, telegramas...
Não precisamos de muitas palavras para render nossas homenagens aos escritores. Basta uma palavrinha mágica: obrigado!

PS - O dia 25 de julho foi escolhido como o Dia Nacional do Escritor no ano de 1960, por decreto, logo após a realização do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União dos Escritores Brasileiros, que à época era dirigida por João Peregrino Júnior (presidente) e Jorge Amado (vice-presidente).

sábado, 21 de julho de 2012

Recursos públicos tiram o espírito irreverente do Pacotão



Em fotos de Elza Fiuza, o Pacotão em duas épocas distintas
Recebi e-mail do amigo e jornalista Luiz Joca, alertando para mais uma falcatrua em nome do Pacotão. Nos últimos anos, alguns elementos, dizendo-se representantes da Sociedade Armorial, Patafísica e Rusticana, popularmente batizada de Pacotão, têm participado de reuniões e aceitado recursos financeiros do Governo para, supostamente, financiar o desfile.
Tem razão o Joca. Não podemos aceitar mais essa maracutaia – um afronta ao verdadeiro espírito que norteou a criação do bloco: o de ser contrário a qualquer governo, sair às ruas pela contramão, ter o senso crítico aguçado e falar mal da mãe de qualquer cidadão, principalmente da genitora dos políticos.
Hoje, não. O Pacotão do Paraguai, como é conhecido o bloco sustentado por recursos públicos, só consegue zombar de si mesmo. Na prática, sai às ruas pela mão, acompanhando a maré de qualquer governo, seja ele de direita, de esquerda ou de centro.
Charles Preto, o verdadeiro fundador do Pacotão, psicografou mais uma mensagem para que o companheiro Joca produzisse e divulgasse um pré-release, alertando o governo, a sociedade e principalmente os jornalistas.
Reproduzo, abaixo, o recado de Charles Preto, via Luiz Joca. Quem duvidar da verdade do conteúdo deve procurar um pai de santo, um centro espírita ou um terreiro de macumba e checar o recado diretamente com o verdadeiro folião de raça, o incorruptível Charles Preto!
Pra homenagear o Carnaval e o tradicional Pacotão, segue abaixo um vídeo do sempre irreverente Tom Zé.
Saravá!

Charles Preto não aceita dinheiro
do governo para o “Pacotão”

(Brasília – 21.07.2012)  - Charles Preto, presidente, ditador vitalício e plenipotenciário do bloco PACOTÃO (Sociedade Armorial  Patafísica e Rusticana) determinou a mim que divulgue para Brasília, o Brasil e o Mundo, que ele não aceita dinheiro do  governo de Brasília ou federal  para sua agremiação.
Nesta segunda ou terça-feira, pelo que se sabe, a Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal vai reunir representantes de blocos e entidades carnavalescas para definir a liberação de verbas a serem gastas no carnaval de Brasília.
Charles Preto soube que algumas pessoas - que já fizeram isso no passado - pretendem ir à reunião se dizendo representantes do PACOTÃO e tentar abocanhar grana do governo.
Desta maneira, pede a todos – em especial aos jornalistas – que denunciem a falcatrua e alertem as autoridades para não liberarem verba que seria para o bloco.
“O PACOTÃO, desde que foi criado, teve iniciativa popular, anárquica, contrária a qualquer governo e, assim, para ser coerente, não pede e não quer grana de qualquer governante. Sempre fomos à rua, na contramão, e às nossas custas populares, vendendo camisetas, fazendo correr a sacolinha, democraticamente” – declara Charles.
 Desta forma, pede que todos divulguem esta determinação ao Governador, ao Secretário de Cultura e aos envolvidos na liberação de verbas. E mais, divulguem à imprensa os nomes de pessoas e empresas que queiram montar este “roubo ao bolso do povo”.(Luís Joca).


quarta-feira, 18 de julho de 2012

No tempo dos trovadores, de casais e dos lampiões de gás


O trovador é uma figura em desuso nos dias atuais. A era moderníssima, dos supercomputadores interligados em tempo real, com comunicação on line, entre pessoas próximas ou distantes (fisicamente, ou não), certamente, não nos permite imaginar um trovador romântico, a percorrer ruas enluaradas, a enaltecer o amor ou a lamentar a ausência dele.
O dia 18 de julho é reservado para se comemorar o dia nacional do trovadorismo, que já foi popular em Portugal, espalhou-se pela Europa e influenciou artistas em diversos países, no Brasil, inclusive. Catulo da Paixão cearense era um menestrel convicto, capaz de transformar em versos qualquer paixão vivida, ou até mesmo os desamores sentidos.
Evaldo Gouveia e Jair Amorim encarnaram o espírito do artista trovador. Chegaram a compor uma marcha-rancho com o nome de Trovador, que reproduzo abaixo na bela voz de Altemar Dutra – outro que ajuda a perpetuar esse espírito trovadoresco. E como falei de Catulo, tem Rolando Boldrin a declamar a história do Lenhador (o dia 17 de julho é dedicado à preservação das Florestas).
O trovador, na verdade, está na nossa alma, no sangue que herdamos dos portugueses. Camões foi um grande trovador, a cantar os feitos e as conquistas de seu povo por mares nunca dantes navegados.
No Brasil de hoje, existem associações que procuram preservar a figura do trovador. Algumas delas são propostas interessantes, que merecem respeito e precisam ter apoio do poder público e da iniciativa privada.
Valorizar nossas raízes culturais e não deixar que elas desapareçam é uma boa política. A frase de Jorge Amado sobre a importância da trova e do trovador é simplesmente definitiva:
"Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais".
Eu, cá com meus botões, fiz algumas quadras em forma de Trova - apenas para ajudar nesse esforço de preservação da nossa cultura.

Trovador
José Carlos Camapum Barroso

Trovador faz poesia
Pra exaltar o amor.
Transforma noite em dia,
Põe riso no lugar da dor...

Retira do fundo da alma
Tristeza que ainda restou,
Paixão que nunca acalma
A vida do sonhador.

Pelas ruas enaltece:
Paixão que não lhe é dada,
Amor que não ousa ter,
Dor que traz emprestada.

Abre a voz na madrugada
E declama apaixonado,
Numa noite enluarada,
Sonhos nunca sonhados.

Dedilha, violão em riste,
Acordes em tom menor...
Menestrel de voz triste,
Uma dor que sabe de cor

Antes do dia amanhecer,
Põe-se firme a cantar,
Pois sente que o anoitecer
Chega antes do sol raiar.

Trovador é um poeta
Que na rua não há mais...
Hoje é só navegador,
Amante de redes sociais.

Pobres casais de agora...
De alma triste a soluçar,
Coração apenas chora,
Sem trovador a trovar.

Vida segue vazia...
Noite fria, sem luar,
Poeta era quem dizia
O tempo do verbo amar.




terça-feira, 17 de julho de 2012

A luta nossa de cada dia pela preservação das florestas

O desmatamento cresceu assustadoramente no Mato Grosso...
...Mas continua sendo uma prática comum também em Santa Catarina
Quase 1.500 municípios brasileiros estão hoje de alguma forma sujeitos ao processo de desertificação, em nove estados do Nordeste, na região do norte de Minas Gerais e do noroeste do Espírito Santo. Isso corresponde a 1,3 milhão de quilômetros quadrados ou quase 16% do território nacional. É assustador pelo fato de que toda a nossa região do semi-árido corre o risco de virar deserto no curto prazo de apenas 60 anos.
Precisamos divulgar e destacar esses dados nesta data de hoje, 17 de julho, reservado no calendário como Dia Internacional de Proteção às Florestas, que são as nossas proteções contra o avanço da desertificação e, na realidade, sinônimos de vida. E não basta apenas preservá-las. Temos que trabalhar intensamente no sentido de recuperação das áreas degradadas.
Não podemos nos esquecer da importância das florestas brasileiras para a humanidade. Em termos de diversidade biológica, por exemplo, o Brasil tem uma situação ímpar no mundo. Cerca de um terço da biodiversidade mundial está localizada em nosso país, em ecossistemas únicos como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, os cerrados, áreas úmidas e ambientes marinhos, entre tantos outros.
No ano passado escrevi aqui sobre a saga da Amazônia, lembrando o canto e a luta do mestre Vital Farias na defesa de nossas florestas. Já enalteci também a arte de Elomar Figueira de Melo, cantador baiano, poeta e menestrel, que tem dedicado boa parte de sua vida a exultar o sertão – sua flora, sua fauna e sua gente.


Na região do pantanal mato-grossense, também de vital importância para o meio ambiente, o violeiro Almir Sater (foto acima) tem feito um trabalho relevante e que precisa ser valorizado. Mais ainda em virtude do vertiginoso crescimento da destruição de florestas na Amazônia mato-grossense. O estrago provocado por motosserras dobrou de agosto do ano passado a março deste ano, com o surgimento de 637 quilômetros quadrados de desmatamento na região.
E pra enfrentar tanto poder destruidor incentivado pela bancada ruralista no Congresso Nacional, resolvi convocar também a voz aguda e sonora de Tetê Espíndola, conterrânea de Almir Sater e parceira na luta pela preservação das florestas nacionais. Sater canta sua bela canção Ando Devagar. E Tetê interpreta de maneira mágica Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda.
Essa luta – que não é apenas dos artistas engajados, mas de todos nós, brasileiros – continua companheiro!



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sexta-feira 13 e o Dia Mundial do Rock - bom demais!


Neste Dia Mundial do Rock in Roll é importante ressaltar ser esse um gênero musical que não respeitou qualquer tipo de fronteira ou barreira e, talvez por isso mesmo, tornou-se universal. Hoje a comemoração acontece em plena sexta-feira 13, que para muitos é dia de azar e maus presságios, mas há quem o considere como dia da sorte.
A verdade é que o Rock’n Roll existe, resiste e persiste, independentemente dessa, daquela ou de quaisquer outras intempéries. Tem atravessado gerações, estilos e tendências as mais diversas. Gerou frutos os mais variados; foi acolhido e amado e odiado de diferentes maneiras, em distintas regiões deste planeta.

O rock surgiu na década de 50 do século passado, nos Estados Unidos. De maneira ainda bem ingênua, influenciado pela música dos negros sulista e do country americano, à base de guitarra elétrica, bateria e baixo. Tempos de Bill Haley, Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard, com alta vendagem de discos e a explosão inicial da indústria fonográfica.
Os anos 60 são revolucionários, não apenas pelo surgimento de bandas como os Beatles e Rolling Stones, mas também pelas manifestações pacifistas, contra a guerra do Vietnã, o movimento hippie e Woodstock. Época também da guitarra genial de Jimmy Hendrix e a voz incrível de Janis Joplin. Como se tudo isso não bastasse, surgem bandas como The Mamas & the Papas, Animals, The Who, Jefferson Airplane, Pink Floyd e The Doors. Ou seja, rock’n roll pra todo gosto e qualquer nível de loucuras.

A batida começa a ficar mais forte e mais rápida do que os corações extasiados. Surge nos anos 70 o heavy metal do Led Zeppelin (paixão do colega de Banco do Brasil, Ozanam), Black Sabbath (paixão da colega de jornalismo, Elina) e Deep Purple (que era a razão de viver do colega de BB, Carlos Alberto Lima Cruz, de quem perdi completamente o contato). Mas, era também época para os ritmos dançantes de Frank Zappa, Creedence Clearwater, Capitain Beefheart, Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie. Anos do videoclipe e dos grandes shows de Pink Floyd, Genesis, Queen e Yes, bem como dos shows-rituais de Alice Cooper. Haja coração!

A década de 80 é a da democratização ampla e irrestrita. Os mais variados estilos convivem sob a batuta da MTV, que se dedica a divulgar mundialmente cantores e bandas. No estilo pop e dançante, além das bandas new wave, surgem com amplo sucesso Michael Jackson e Madonna.
Confesso que a partir desse momento e dos anos 90, comecei a sentir-me um pouco velho para tantos estilos gerados pelo rock’n roll. A beleza e a pujança desse gênero musical continuaram a rolar pelo mundo afora. O rock britânico seguiu a produzir bandas como Oásis, Green Day e Supergrass. O rap e o funk conseguiram agradar até mesmo algumas trupes de roqueiros.

A história do rock’n roll no terceiro milênio precisa ser registrada e analisada pelas novas gerações. Passo essa tarefa aos meus filhos, Ramiro, que tem gosto mais eclético, e Jordano, que é radicalmente metaleiro.
O rock’n roll é muito forte para se abalar com uma sexta-feirazinha 13. Ademã que ele vai em frente!




segunda-feira, 9 de julho de 2012

Aniversário: passar do tempo ou nascimento de um novo dia?

O que dizer no dia do seu aniversário, além dos agradecimentos pelas felicitações de todos que se manifestaram de alguma forma? Agradecer, de coração, aos amigos reais, manifestantes pelas vias virtuais das redes sociais, é o óbvio e o mínimo que podemos e devemos fazer.
Aniversário é aquilo que normalmente não se quer, mas como viver sem fazê-lo? Então melhor é vivê-lo intensamente e esquecer que representa apenas o passar dos tempos. Representa muito mais. Diriam os otimistas de plantão que traduz sabedoria, acúmulo de experiência, conquistas e outros prazeres.
Nos tempos em que comemoravam meu aniversário, como diria Fernando Pessoa, "eu era feliz e ninguém estava morto". Tinha uma saúde de dar inveja e o passar dos anos era sempre uma conquista digna de ser registrada nas folhas de um diário. Se fizermos como o poeta Carlos Eduardo Drummond e formos ao dicionário, a definição de aniversário é burocrática, desprovida de emoções, pesada, como geralmente é pesado o “pai dos burros”.

Mas, leve e poética é a definição que ele mesmo deu ao vocábulo:

"Aniversário: espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."

Eu até arriscaria dizer algumas palavras em versos:

Meu aniversário é perda de tempo...
Melhor seria passá-lo ausente,
Distante de tudo, dos fatos e fotos,
Do angustiante cantar dos parabéns,
Das palmas agudas e alucinantes...
Entre apagar de velas e dos tempos...
Mas, como dar-lhe essa forma contraída
Se o que representa é a própria vida!

Pois é, amigos, pior do que o passar dos anos é a ausência deles. De certa idade pra frente, deixamos de fazer anos, mas passamos a durar, teimosamente. E não há motivo para não comemorar o aniversário. Ele é apenas o renovar da felicidade de viver, com todo o esplendor que a vida traz em si mesma.

Ou, como diria poeticamente Fernando Pessoa:

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”

E para terminar, faço minhas essas palavras do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uruaçu, aos 81 anos, é o bóson de Higgs do futuro


O bóson de Higgs, responsável pela existência da matéria que compõe o meu corpicho, está nessa catedral de Uruaçu, que ontem (04 de julho), uma data histórica para a humanidade, completou 81 anos de existência. Além de ser o dia da fundação dessa joia rara, maravilha de cidade, o ponto mais central do Brasil, do planeta Terra e quiçá do Universo, o dia de ontem – que também serve para os americanos comemorarem sua independência – foi também escolhido para que dezenas de cientistas anunciassem a detecção da partícula de Deus, nome popular dado ao bóson de Higgs.
Pronto. O dia 4 de julho passa a ser a data das grandes realizações, das descobertas capazes de mudar o rumo da ciência e, portanto, do caminhar da humanidade. Para o bóson de Higgs convergem-se todas as atenções da comunidade científica. A Física, com certeza, ganhará novos contornos e são incalculáveis os desdobramentos que virão nos campos da eletrônica, da ótica, da biologia e os avanços nas áreas tecnológicas e de computadores.

Uruaçu, além de riquezas minerais e culturais, tem hoje o segundo maior lago do Brasil em espelho d’água e o primeiro em volume de água, que é o da Serra da Mesa. A cidade está à margem de uma das principais rodovias brasileiras: a BR- 153, que liga Brasília a Belém. É de Uruaçu que sai a BR-080, rodovia que liga toda a região central e boa parte do norte do país a Brasília. A futura ferrovia Leste-Oeste vai cruzar com a ferrovia Norte-Sul lá em Uruaçu, claro, por ser justamente o ponto mais central do Brasil, como dito acima.
Essa equidistância de tudo e de todos os pontos do Brasil e do mundo, talvez também do Universo (isso ainda carece de demonstração científica), faz com que Uruaçu seja o polo cultural do futuro. A energia que existe solta no ar daquele pequeno município nos leva a crer que o Big Bang deve ter ocorrido por lá, ou em algum local muito próximo, talvez no Muquém, uma região sagrada (para ler, clique aqui). Se a comunidade científica soubesse de tudo isso, teria instalado o colisor de partículas na divisa dos municípios de Uruaçu e Niquelândia – a partícula de Deus já teria sido isolada há muitos anos.

Os cientistas não gostaram muito desse nome dado ao bóson de Higgs. Eu adorei. Partícula de Deus é teológico, filosófico e nunca deixará de ser científico. A ciência vai conseguir desvendar os mistérios do surgimento do Universo, da matéria e de outras polêmicas que há séculos atormentam os pensadores. Os mistérios da criação, no entanto, vão continuar a permear as mentes humanas, sempre muito férteis quando o objetivo é preencher os vácuos deixados pelo conhecimento, ou então, para aplacar o medo dos fenômenos naturais.
Se o físico inglês Peter Ware Higgs permitir, e a comunidade científica concordar, os uruaçuenses estamos dispostos a ceder o nome de Uruaçu para batizar a tão badalada partícula. Ficará assim: o “bóson de Uruaçu”, o “pássaro grande” que deu origem à partícula subatômica. O lugar onde a vida começa e nunca termina.
O resto é vã filosofia.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ronaldo Silva rompe fronteiras e vai expor sua arte no Canadá


Ronaldo Silva, nosso querido amigo e talentoso fotógrafo, também conhecido aqui no blog como Ferreirinha, rompeu as fronteiras do Distrito Federal e até mesmo as do Brasil. Seus registros fotográficos começam a ser expostos nesta sexta-feira, em Toronto no Canadá, como parte da segunda bienal Expressions of Brazil, na qual se comemora os 26 anos de intenso movimento de imigração Brasil/Canadá.

O fotógrafo Ronaldo Silva apresenta a capital do Brasil, Brasília, como "Patrimônio Cultural da Humanidade - UNESCO". O seu colega catarinense Daniel Babinski participa mostrando que o carnaval de Santa Catarina, no Sul do Brasil, também arrasta milhares de foliões.

Considerado o maior evento do Brasil em Toronto por reunir diversas atividades num único ambiente e por ter a chancela do Harbourfront Centre, o Expressions é lazer totalmente gratuito, além de servir como instrumento para fortalecer a carreira dos artistas e contribuir na  divulgação da Marca Brasil. O foco do evento são artistas brasileiros que moram fora do país e outros, canadenses e americanos que vem construindo plateia internacional para a cultura brasileira.


Ronaldo Silva leva na bagagem a Brasília Monumental, com sua arquitetura marcante de Oscar Niemeyer, horizontes inesgotáveis e a urbanização moderna de Lúcio Costa. Inseridas nesse contexto também estão fotos da nossa vegetação, como a beleza dos ipês, dos finais de tarde, que eu já tive a oportunidade de postar neste espaço (clique aqui), e também a Brasília festiva, com o colorido de balões em um céu intensamente azul.


Sua capacidade de observação vai além dos monumentos já consagrados e tão explorados pelas lentes dos fotógrafos sob os mais diversos ângulos. Com muita sensibilidade, Ronaldo captou uma beleza toda especial na obra do estádio Mané Garrincha, ainda em construção e que vai abrigar a abertura da Copa das Confederações e alguns jogos da Copa do Mundo de 2014.


O sucesso da exposição de Ferreirinha no Canadá está garantido também por essa bela foto do alvorecer em Brasília, captado a partir do Congresso Nacional. Esse esplendor do Céu de Brasília está registrado em poesias e canções, como a Linha do Equador de Djavan, postada abaixo.
Brasília com suas belezas monumentais, tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade, merece essa homenagem. E Ronaldo Silva faz juz ao espaço que vem conquistando gradativamente, mas com muita segurança.