quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dia do músico ao som de Albinoni e Luiz Bonfá - bom demais!


Minhas homenagens aos músicos no dia de hoje vai por meio desse vídeo maravilhoso postado abaixo. Nada mais, nada menos, do que o belo Adágio em Sol Menor de Tomaso Giovanni Albinoni, compositor barroco, italiano de Veneza, que viveu de 1671 a 1751, reconhecido pelo sua extraordinária capacidade de compor belas melodias, chegando a ser tão popular quanto Corelli e Vivaldi.


No universo da música popular, minhas homenagens seguem por essa apresentação inigualável de Luiz Bonfá, um dos nossos maiores músicos e instrumentistas, que conquistou o mundo, graças exclusivamente ao seu talento. Quem ainda não sabe disso, ou quem ainda tem alguma dúvida sobre a genialidade desse músico, basta “perder” pouco mais de dez minutos para entender porque os americanos valorizaram tanto esse brasileiro.
Hoje não é dia de ler muito, mas sim de ouvir bastante, por isso, deixo as amigas e os amigos do blog com esses dois vídeos, que falam por si só. Quem tiver um pouquinho mais de paciência, pode rever o post do ano passado, clicando aqui. O primeiro vídeo abaixo foi uma dica do músico Gamela, que é um instrumentista e amigo de grande valor.
Viva os músicos!


domingo, 18 de novembro de 2012

Poesia para acalmar o espírito e suavizar a passagem

Este poema veio em virtude de um momento muito especial que estamos vivendo. Talvez, outras pessoas, nesta mesma época, estejam vivendo algo semelhante. Um momento em que alguém que a gente ama esteja muito próximo de passar desta para outra vida, quem sabe mais glorificante e mais radiante do que esta. Uma passagem sempre difícil de aceitar, embora saibamos que seja inevitável.
Mas deixemos que os versos falem por todos nós. Um bom domingo, com muita paz no coração.

Duas vidas
José Carlos Camapum Barroso

Não nos deixes assim, desalmada,
Como água a correr pelos dedos
Fria e indiferente aos olhares
Atônitos e aos suplícios mil.
Não nos deixes assim, cansada
De lutar pela vida, que sem medo,
Segue indiferente a seus pares,
Suplicantes, como cordeiro vil.
Não nos deixes agora, nesta hora
Tão atordoante e atordoada
Em que ecoam sinos de Natal –
E nossa voz, angustiada, sumiu.
Não nos deixe! Nos leve embora!
Seguiremos pela mesma estrada
Sobre trilhos do bem e do mal
A cantar o que ninguém ouviu.

Amanhã, então, ao acordares
Sentirás que, em nossos olhares,
Correm lágrimas de adeus.
Mas estarás em outra vida...
E nossa alma, ainda entristecida,
Te enxergará mais perto de Deus.

(Brasília, 18.11.2012)


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Terça é dia de café, cultura e luta pelos Direitos Humanos

Nossos amigos maranhenses, sempre muito atentos para as questões culturais, tiveram uma ideia que eu considero brilhante. Criaram, por meio da Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos (SMDH), o Café com Direitos Humanos, uma atividade que visa conciliar cultura com a luta dos companheiros maranhenses, residente em São Luís ou em Brasília, pela dignidade da pessoa humana.
Amanhã, a partir das 18h30, em Brasília, no Balaio Cultural Café, na quadra 201 Norte, o evento vai homenagear a memória de Vladimir Herzog, morto nos porões da ditadura militar, no ano de 1975. Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura em São Paulo, quando foi preso e assassinado, covardemente. A atividade desta terça-feira inclui exibição de filmes, debates, exposição e apresentação musical de Nelson Oliveira, o nosso amigo Nelsinho (foto), sobre quem já escrevi neste blog (para ler, clique aqui).
Nelson estará acompanhado de Guilherme Oliveira e Davi Hoffmann, revezando entre violões e guitarras, e o vocal de Rose de Paula. No repertório, que for ao Balaio, poderá ouvir músicas engajadas, que remetem à luta contra a tortura, a miséria, a violência e a opressão, entre elas Estado Violência (Titãs), La Carta (Violeta Parra) e Knocking on Heaven’s Door (Bob Dylan).
Segundo os organizadores dos Cafés com Direitos Humanos, essas atividades têm buscado, e conseguido, aliar a discussão de diversos temas em direitos humanos a apresentações culturais. Esta edição, além do show de Nelsinho e sua turma, contará com exposição fotográfica e de matérias jornalísticas acerca de torturas e violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar brasileira, além de exibição de filmes do projeto Marcas da Memória, em articulação com a Comissão da Anistia do Ministério da Justiça. Estudiosos do tema e representantes de organizações de direitos humanos se farão presentes para os debates.
Quem estiver em Brasília nesta terça, deve aproveitar a oportunidade para participar dos debates, deixar contribuições e ainda se deliciar com músicas, filmes e fotografias. Tudo isso com entrada gratuita. Ponham na agenda que vale a pena.
Abaixo, um vídeo com a música La Carta, de Violeta Parra, na voz de Mercedes Sosa, com imagens da ditadura militar no Uruguai, que refrescam nossa memória e nos ajudam a ter a certeza de que não podemos deixar de lutar pelos direitos humanos, aqui ou em qualquer outro lugar do mundo.



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O zizizi da Tia Zizi e o pliplipli do Mestre Plínio

O zizizi do violino de tia Zizi e o pliplipli do bandolim de Plínio, acompanhados pelo violão de Odeni, compõem essa foto de uma sonoridade nunca antes ouvida, muito menos vista. Tenho uma grande paixão por fotografia, mais ainda quando ela mexe com a nossa memória cultural. Quem viveu, ou conheceu Uruaçu dos anos de 1960 e 1970, entrando pela década de 80, sabe muito bem a que estou me referindo.
Era uma cidade deliciosamente musical. Já escrevi sobre o amigo Kubitschek (para ler, clique aqui), filho do mestre Plínio, inspirado por uma foto colocada no Facebook. Hoje, descubro, na página da minha querida prima Odeni, essa foto histórica. Nela aparece o próprio Plínio – um dos maiores instrumentistas da história musical de Goiás – e tia Zizi, que tocava violino divinamente. Ambos já trocaram esse palco da vida por um mais sublime e celestial. A prima Odeni os acompanha no violão, que aprendeu a tocar com a mãe.
Tia Zizi, cujo nome de batismo era Odete, sempre foi uma pessoa doce, suave, de uma mansidão inigualável. Quase se tornou freira, mas trocou a vocação pelo amor que tinha por tio Nicanor. No convento, além dos princípios religiosos e a devoção por Cristo, aprendeu música. E tocava com a alma.
Lembro que certa vez escrevi uma poesia para tia Zizi. Ao recebê-la, ela disse carinhosamente: “muito obrigada, meu filho, mas será que eu mereço isso tudo”. Na verdade, merecia muito mais. Foi uma pessoa caridosa durante toda a sua vida. Cuidou da minha avó como se fosse sua própria mãe.
Plínio era um músico do mundo e da vida. Desenvolveu seu talento pelas ruas e bares de Uruaçu, sempre acompanhado de Diogo (violão e voz), Aleixo (sanfona), Bidoro (violão e bandolim), Chicão (voz e caixinha de fósforos) e tantos outros de uma geração fantástica. Logo, logo nos aproximamos deles e aprendemos muito sobre música, principalmente Kubitschek, Iliomar, Jorginho e Zé Renato (filho do Aleixo).
Plínio se aproximou do Clube do Samba, em Goiânia, que tinha uma turma de músicos de altíssimo nível, entre eles Quietinho, um gênio no violão de sete cordas. Essa turma chegou a se reunir e a tocar em Uruaçu, pra nosso deleite.
Depois fomos afastando-nos um dos outros. Alguns mais apressadinhos nos deixaram mais cedo do que o combinado. Restaram nossas memórias, muitas saudades e essa foto que Odeni guarda com carinho no seu álbum de retratos.