segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O Rio de Janeiro continua lindo e 2013 será regido por Iemanjá

Estamos na cidade Maravilhosa, em plena Ipanema, na Nascimento e Silva, pertinho do número 107, que Vinícius de Moraes tornou imortal nos versos “Rua Nascimento e Silva, 107/ e você ensinando pra Elizeth/ as canções de canção do amor demais”. O poetinha estava se referindo ao endereço onde morava Tom Jobim, parceiro de tantas canções, e que na imaginação fértil de Vinícius estaria por lá ensinando canções do amor demais pra divina Elizeth Cardoso. Para o nosso deleite, estamos aqui na mesma rua, no número 37, que até rima com os versos do poetinha.
O Rio de Janeiro continua lindo e as cariocas mais bonitas ainda. Daqui a algumas horas estaremos no ano de 2013, regidos pela Iemanjá Ogunté, ou seja, aquela que contém Ogum e luta ao lado dele. Iemanjá é considerada a mãe da vida e a mãe de todos os orixás. Como acredito que ela mora nas águas, próximo de pedras e de arrecifes, fui lá perto do Arpoador jogar flores pra rainha do mar.
Esse dia também é especial porque foi num dia 31 de dezembro que eu e a Stela começamos a namorar. Era aniversário do mestre Itaney, poeta e desembargador que tanto já contribuiu para esse blog. Estávamos na bela e inesquecível Uruaçu, aquela cidade que é o Bóson de Higgs do futuro – portanto temos muito a comemorar em mais essa passagem de ano.
O Rio de Janeiro continua lindo, mas ainda sem o bondinho de Santa Teresa, depois daquele acidente provocado por falta de manutenção para ler, clique aqui). As ruas de Ipanema e a praia estão lotadas de gente cheias de alegria e ansiosas por Ano Novo prenhe de realizações. Como é bom andar pelas ruas do Rio de Janeiro, com seus barzinhos convidativos e acolhedores, seus restaurantes, lanchonetes e padarias tão receptivas.
Desejo a todos os amigos e leitores aqui do blog um feliz 2013, com muita paz, saúde e alegria, com as bênçãos de nossa orixá-mãe e do Cristo Redentor, que está bem ali de braços abertos sobre a Guanabara, o Rio de Janeiro, o Brasil, o planeta Terra e todo o Universo que nos abriga.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Apocalipse Now: último artigo antes do fim do mundo

Escuto essa história de que o mundo vai se acabar em tal dia, ou em determinado ano, desde os tempos de criança. Com o passar dos anos, aprendi que isso estava mais pra conto de carochinha do que para previsão baseada em estudos astrológicos, visões místicas ou mesmo em algum delírio profético. Várias delas foram caindo por terra e viraram anedotas.
Lá pelos anos de 1960, sentado na calçada em frente à casa de meu avô, que lutava para vencer um câncer de garganta, ouvimos de um adolescente aquela célebre frase: “mil chegará, mas de dois mil não passará”. Em outras palavras, tratava-se da badalada previsão de que o mundo iria se acabar no ano 2000. Com certeza, acabou para milhões e milhões de pessoas, inclusive para meu avô, que não resistiu ao câncer.
Antes disso, antigos estudiosos do Apocalipse garantiam que o mundo iria se acabar mil anos após o nascimento de Jesus Cristo. Depois, mudaram a previsão para mil anos após a morte de Cristo, no ano de 1033, com o mundo sendo consumido por labaredas de fogo. Como também não se confirmou, um profeta do anabatismo (movimento religioso protestante), chamado Melchior Hoffmann, resolveu estender essa previsão para um milênio e meio depois da morte de Cristo, portanto no ano de 1533. Como o planeta não pegou fogo, Hoffmann escapou por pouco de morrer queimado na fogueira, sendo condenado apenas a prisão.
Os astrólogos também andaram metendo a colher nesse mundo do catastrofismo. Previram que o mundo chegaria ao fim no dia 1º de fevereiro de 1524, mas, dessa vez, o planeta Terra se transformaria em um grande aquário. A inundação começaria por Londres. No dia marcado, na capital inglesa, não caiu uma gota de água.
Essa previsão do calendário Maia, registrada numa pedra e que decretaria o fim do mundo para o dia 21 de dezembro de 2012, portanto amanhã para nós que vivemos no lado ocidental do planeta (os Maia também viviam), virou piada antes mesmo de se saber se será ou não concretizada. Na verdade, antropólogos e historiadores dizem que lá não está previsto nada com relação à hecatombe final, mas sim, pelo contrário, fala da vinda de um senhor dos céus, tendo em vista o fim de um ciclo numérico.
Pra aumentar ainda mais a confusão, na pedra está registrada a data de 23 de dezembro de 2012, referindo-se ao Bactum XIII, que significa o início de uma nova era, segundo o pesquisador José Luís Romero, subdiretor do Instituto Nacional de Antropologia e História do México.
Por causa dessa e de tantas outras confusões, que vieram se sucedendo através dos séculos, o melhor mesmo é confiar desconfiando, amar intensamente, viver cada minuto como se fosse o último, e acreditar que se o mundo não acabar amanhã, estaremos iniciando um novo ciclo numérico, cheio de prosperidade, solidariedade e companheirismo. Talvez, por entender dessa forma, uma grupo muito grande de pessoas resolveu aguardar o fim do mundo em Alto Paraíso, Goiás.
Outra possibilidade é ironizar todas essas maluquices e fazer como o compositor Assis Valente, que, em 1938, às vésperas de eclodir a Segunda Grande Guerra, compôs o choro E o Mundo Não Se Acabou, gravado por Carmen Miranda, recentemente regravado por Adriana Calcanhoto, em estilo bem diferente.
Se sobrevivermos, vamos continuar analisando as próximas profecias... Uma hora dessas, os profetas do apocalipse acertam.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Blog chega a 100 seguidores e já começa a sonhar com o 1000°

Este blog chegou ontem ao número de 100 seguidores, justamente no dia em que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, faria 100 anos se ainda estivesse vivo (veja post abaixo). Parece pouco, mas não é. Cem pessoas, diariamente conferindo tudo aquilo que você escreve na página, fazem com que a nossa responsabilidade aumente muito. Acrescente-se a isso, os mais de 300 leitores que passam por aqui diariamente, responsáveis pelo número de visualizações de páginas ter superado a casa dos 145 mil, desde aquele 16 de fevereiro de 2011.

O número 100 é significativo. Todos nós sonhamos chegar aos 100 anos, ou seja, um século de vida. Poucos, como o arquiteto Oscar Niemeyer, conseguem superar essa marca, vivendo com lucidez e em paz consigo mesmo. A nota 100 é almejada pelos alunos. O cem (com “c”) é tudo se comparado ao sem com “s”. Ou seja, o número 100 dá uma ideia de completude.
O blog continua a investir em cultura. Espera sugestões, opiniões, críticas, e elogios também são bem-vindos. Quem sabe ainda chegaremos ao número de 1.000 seguidores, que é simplesmente dez vezes o número 100.
Enquanto isso não acontece, vamos curtindo o número 100, ouvindo essa bela salsa Número 100, com Tito Puente e sua orquestra, com a participação de vários cantores, entre eles Oscar D’ Leon e Célia Cruz.
Nota 100 para esses músicos.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Cem anos de Luiz Gonzaga e muita estrada ainda pela frente

Posso até estar equivocado, mas acredito que o Brasil inteiro hoje, de alguma forma, fez referência a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que nesta data faria 100 anos. Do Oiapoque ao Chuí, do Recôncavo Baiano a Ji-Paraná, no Mato Grosso, passando obviamente por Uruaçu (a cidade que fica no centro do Universo), alguém ouviu uma música do Lua, ou cantarolou um baião de sua autoria, ou dançou um xaxado em homenagem a sua doce figura.
Luiz Gonzaga nasceu, viveu e morreu como artista. Foi um apaixonado pelo seu povo, o nordestino pobre e sofrido. Amou o sertão, a caatinga, os gerais e o litoral desse Brasil tão imenso quanto desigual. Conciliou e reconciliou famílias afastadas por brigas sem pé nem cabeça. Ajudou músicos novos, como Dominguinhos, Fagner e tantos outros.
Gonzagão era pai de Gonzaguinha e filho de Januário, músicos de extraordinário talento. Januário fazia chover com sua sanfona de apenas oito baixos. E Gonzaguinha mostrou um Brasil novo, rebelde e inconformado com as injustiças sociais.
Luiz Gonzaga do Nascimento é Luiz porque nasceu no dia de Santa Luzia. Gonzaga porque este é o segundo nome de São Luiz Gonzaga. E Nascimento porque o menino nasceu no mês do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um cidadão com essa história e o talento musical que carregava na algibeira só poderia se tornar um fenômeno da música brasileira.
Mas, nesse centenário de Gonzagão, o ideal mesmo é ouvir o próprio Luiz contando sua história, numa entrevista à TV Cultura, que teve a participação do filho Gonzaguinha. Um vídeo raro e especialíssimo.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A arte de costurar uma poesia e as lembranças que ela nos traz


O psicólogo e poeta Ítalo Francisco Campos já foi citado mais de uma vez neste blog e entrevistado sobre as reações de uma mãe ao conteúdo de um poema (para ler, ou reler, clique aqui). Agora, ele acaba de lançar mais um livro, chamado Elegia, e nos presenteou enviando o poema Corte e Costura, que reproduzimos abaixo, acompanhado da bela canção Carrinho de Linha, na interpretação extraordinária de Teresa Cristina.
Esse tema da costura sempre me deixou fascinado. Desde criança, quando observava minha mãe costurando, junto à velha máquina Singer, que eventualmente se transformava em carrinho dirigido pelos sonhos de criança. O volante era a imensa roda que fazia funcionar a máquina, e o assento do carro era a placa que servia de pedal – nas máquinas antigas, os pedais, grandes, suportavam uma criança, sentada, confortavelmente.
A vida, como diz o poeta, é arte de costurar nossos panos e nossos planos, em meio aos nossos sonhos e esperanças. As costureiras, com seus trabalhos e suas artes, fazem parte do nosso imaginário. Levamos a vida, como diz o poeta Itaney Campos, irmão do Ítalo, “costurando, costurados, encostados nos cós, encalhados nos caos, de nossos casulos e nós...”.
Ítalo Campos lançou sua Elegia em Vitória, Espírito Santo. Vamos esperar que ele nos presenteie com o lançamento de mais esse livro aqui pelo Centro-Oeste, quem sabe em Goiânia, em Brasília, ou na nossa saudosa e sempre fulgurante Uruaçu.
Enquanto isso não acontece, vamos seguir costurando a vida, procurando acertar os pontos da melhor maneira possível...

Corte e costura
Ítalo Campos

Vivo de corte e costura
Dos meus panos e planos;
Indo como patho
Ao fundo do fundo,
Do lago que me reflete.

Vivo de corte e costura
Da letra que o ferrão
Me fez:  ifc, fic, cif,
Cfi, fci, amarrados
Entre si.
Refrão de sentidos
Enrolados em carretel.

Vivo de corte e costura
E, se mais costuro,
Mais me prendo,
Em camisa de força.
Remendo.

Se tudo corto,
Resto-me solto,
Sem nenhum sentido.
Bordeando o abismo.

Vivo de corte e costura,
Em ensaio, em treino,
Em artesanato.
Vivo em rastro, resto
E pathos.
Vivo por um fio.

Vivo costurando
Planos e panos,
Refletindo no lago
O que me reflete.

Vivo costurando,
Fazendo nós
Em borda e cós,
Estirando carretel.

Vivo de cortar sentidos
Amarrados em mim,
Remendando
Para não sumir.

Vivo bordando palavras,
Escrevendo sentidos,
Belos e sofridos
Amarrados por si.

Vivo pisando rastro,
Vivo costurando restos,
Vivo roto e pathos,
Equilibrando no fio