quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quando a poesia consola e os anos tentam aplacar a dor

Meu tio e padrinho Batista Barroso é uma pessoa exemplar. Figura doce e querida por todos da família, pelos amigos e também por quem o conhece. Lá em casa, todos os quatro irmãos temos por ele uma admiração muito especial, pois sempre foi um verdadeiro pai para nós e um grande irmão, conselheiro e amigo para nossa mãe Iracema Barroso.
No ano de 2006, Batista sofreu um baque daqueles impossíveis de serem superados. Perdeu um filho de maneira inesperada e repentina. Graças ao extraordinário valor espiritual que possui, vem, ao lado de sua Marília, enfrentado a dura realidade e procurando levar a vida de acordo com os desígnios de Deus.
No ano de 2007, durante as comemorações dos 50 anos de seu casamento, meu padrinho revelou mais uma qualidade na sua formação: a de poeta. Escreveu um poema relatando todo o drama que estava vivendo e, com voz embargada, leu o texto para todos os que foram prestigiar as Bodas de Ouro.
Como esse cantinho é jornalísticos, artístico e cultural - por todos esses e outros motivos -, reproduzo abaixo o poema de João Batista Coelho Barroso, o nosso querido e amado Batista Barroso, desejando a ele saúde, paz e que continue a nos iluminar com a sua presença e sensibilidade por muitos e muitos anos.
Quem sabe esse poema também ajude a consolar os pais e mães que perderam seus filhos na triste tragédia de Santa Maria, ocorrida na madrugada do último dia 27. Só quem passa por um drama desses pode retratá-lo em toda a sua dimensão. Com a palavra meu tio, padrinho e poeta Batista Barroso. Logo a seguir, Chico Buarque de Holanda com a sua extraordinária Angélica, acompanhado do violão de Miltinho do MPB-4.

O ser e o nada
Batista Barroso – 08/03/2007
Eu sou,
A brisa que beija e balança a copa florida e perfumada das árvores.
Eu sou,
O murmúrio das águas cristalinas que desce em cascatas nas cachoeiras cantando uma canção de ninar.
Eu sou,
O canto sonoro do sabiá apaixonado que desperta a natureza com sua sonata saudosa do alvorecer.
Eu sou,
O sorriso meigo da criança que ainda tem esperança de um dia chegar ao esplendor de seu sonho.
Eu sou,
O irmão pedinte que vaga maltrapilho implorando caridade.
Eu sou,
O amor que consola a criança que chora.
Eu sou,
O bem maior que dá equilíbrio ao universo.
Eu sou,
O asteroide desgarrado do planeta mãe, vagando na imensidão do cosmo em busca de luz.
Eu sou,
O sonho do sono que não desperta.
Eu sou,
A porta sempre aberta esperando você chegar...
E agora...
Que faço do meu coração
Que está partido em pedaços
Desde  que você se foi?
E agora?
Estás em tudo
E não te encontro em nada!
E agora?



Angélica
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Concentra Mas Não Sai antecipa o Carnaval dos Amigos



O Concentra Mais Não Sai (foto acima) botou pra quebrar no último sábado, em Goiânia, na Pracinha das Missões, como parte da sequência de eventos para esquentar o Carnaval dos Amigos. Vi as fotos e morri de inveja por não ter participado. Mas não faz mal, tudo aconteceu na mais perfeita harmonia e com a garantia de que este ano o Carnaval dos Amigos, no próximo sábado, dia 02 fevereiro, será maravilhoso.
Pra manter a pegada, não perder o ritmo e continuar esquentando os tamborins, o ZecaBlog publica abaixo o texto poético e sensível de nosso amigo Renato Pinto, um dos idealizadores e organizadores do Bloco dos Amigos – o Big Bang de toda essa festa, que é o melhor Carnaval do Centro-Oeste. Renato já escreveu neste espaço, no ano passado (para reler, clique aqui). Logo abaixo do artigo, uma música que tem tudo a vem com circo, blocos carnavalescos, palhaçadas e tudo o mais: Todo Mundo Vai ao Circo Menos Eu, de Batatinha, na voz de Maria Bethânia.
Vamos em frente, gente! E que Iemanjá este anos nos proteja!



Carnaval dos amigos da festa
Por Renato Pinto, Procurador da Fazenda Pública

Quis o bom destino que a gente compartilhasse o dia 2 de fevereiro com a rainha das águas salgadas e das ondas do mar... A alegria baiana com Iemanjá coincide, imodestamente, com o nosso Carnaval dos Amigos, onde também se trilha a celebração diante de um mar de gente feliz. Onze anos passados e o verão aquece o clima do nosso carnaval tropical de 2013.
Respeitável público!...
O Carnaval dos Amigos monta a sua lona na cidade mais uma vez e convida para o picadeiro toda a gente boa que se assanha e se embala no repique das marchinhas, nas paradinhas dos sambas-enredo, nas ousadias do frevo e em tudo mais que houver de bom.
Senhoras e senhores! Hoje tem espetáculo!...
Se tem palhaçada, não tem marmelada no nosso circo verdadeiro, que desembarca solene. Talvez tenha malabarismo para estacar a lona firme no chão dessa terra boa. Se não tem pipoca, vai ter chope pacas, que eleva a turma da espuma ao mundo da lua e da mágica, garantindo a diversão para essa tribo de foliões inebriados brincarem sob os aplausos de nós mesmos.
Quem quer fantasia, vai de palhaço mascarado e maquiado com todas as cores possíveis, ou vai de cetro e coroa na cabeça bancar de rei momo sem trono e com graça.
A banda chega à festa e a festa se enfeita ainda mais, vira jardineira, aurora, bandeira branca e pastorinhas...
 - Ó abra-alas, que a gente vai de “trenzinho” pelo salão afora, puxando a galera do apito ensurdecedor da meninada cheia de brilho, suor e encantamento nos olhos.
Onze anos se passam como frevo eletrizante, que agora puxa o cordão para dentro desse circo inventado e plantado como algodão-doce no coração dos amigos, cantando o passado e o presente, atiçando a lembrança repetida de menino curioso com a vibração melódica que vinha e vem dos mais variados salões festivos que povoam a nossa memória.
Essa turma animada é pura louvação quando se entrega no salão, empunha a bandeira do bloco e, debaixo de sol e chuva, desce as ruas enfeitadas de gente que sorri com magnetismo brilhante.
A energia que traz de volta todos os anos essa nossa gente de toda idade para brincar carnaval tem todo sentido de vir ao mundo, tornar as pessoas mais felizes com a simplicidade das coisas que vêm da criatividade dos amigos do peito. Só resta gratidão ao bom destino, porque hoje o circo é de ouro e prata.
É Carnaval dos Amigos e pronto!



domingo, 27 de janeiro de 2013

Oração para as vítimas da tragédia em Santa Maria (RS)


    As duas fotos acima são de Deivid Dutra \ A Razão \  ABr
Foto colocada no Twitter pelo DJ pouco antes do incêndio
O que dizer de uma tragédia tão assustadora como a que ocorreu na madrugada de hoje, em Santa Maria, cidade incrustada na região central do Rio Grande do Sul? O mundo inteiro está chocado com a morte de 232 jovens, cheios de sonhos, de vida e alegria. Impossível imaginar a dor das famílias e dos amigos. Fiz uma singela oração, em forma de poema, que ofereço a todos os que sofrem, neste momento, de forma tão desesperadora com tamanha tragédia. Espero que ajude a confortá-los.

Oração do adeus
José Carlos Camapum Barroso

Santa Maria,
Mãe de Deus,
Quanta tragédia
Com filhos teus!
Quantos corpos, jovens,
Queimados na madrugada...
No silêncio da alvorada
Rompido pela dor.
Santa Maria
Rogai por eles...
Perdoai suas ofensas,
Seus delírios e rebeldia.
Lembrai da fé professada
Em um novo dia,
Finda antes mesmo de florescer.

Santa Maria,
Cidade dos sonhos,
De tantos jovens irmãos...
Filhos de um mesmo Pai!
De tantas esperanças,
De bem regada ilusão...

Quantos são...?
Importa ainda,
Se apenas já eram?
Se apenas ficaram,
Entre escombros,
Na memória dos pais
Amigos e irmãos.

Agora, são... números,
Estatística mundial,
Recorde de horror...

Santa Maria!
Dai-lhes paz,
Assim como os pais
Sempre lhes deram amor.
Dai alívio aos que ficam
Mergulhados na dor.

Santa Maria,
Dai-lhes a reencarnação
A vida eterna e o perdão...
Perdoaremos então
A todos que porventura
Os tenham ofendidos.

Amém!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

São Paulo busca a humanização aos 459 anos de existência



Samba triste.../ De São Paulo da neblina/ Da garoa muito fina/ Das luzes amortecidas/ Samba tão triste.../ Samba das almas vencidas.

Não consigo pensar em São Paulo, mesmo no dia do seu 459º aniversário, sem passar por alguma canção ou algum verso de Paulo Vanzolini. Esse cientista, que colocou tanta emoção e paixão nas suas letras, soube retratar a Pauliceia como ninguém. Vanzolini olhou São Paulo de noite, andando pelas ruas, madrugada adentro e afora, com ou sem neblina. Conheceu São Paulo pelos personagens que trabalham no decorrer do dia e perambulam pela noite.
Já escrevi aqui sobre a grandeza dessa cidade (para ler, clique aqui), seus problemas e seus encantos. Os desafios são tantos que temos dificuldade em acreditar numa São Paulo humanizada, com seus problemas ambientais solucionados, transporte coletivo sobrepondo ao individual, rios e córregos despoluídos e infraestrutura adequada para escoar tantos desafios.
Não existem soluções mágicas para os problemas da dimensão de uma megalópole como São Paulo. Mas hoje temos um motivo a mais para sonhar: os paulistanos estão mais conscientes e exigem dos governantes soluções adequadas para os problemas que mais os afligem. As pessoas estão viajando pelo mundo e percebem que outras cidades estão encontrando caminhos para mudar ou, pelo menos, amenizar a realidade típica das grandes metrópoles.
São Paulo continua rica em atividades culturais, vida noturna, barzinhos e restaurantes. Sofre atualmente com a escalada da violência, mas seus moradores são pacíficos, ordeiros e trabalhadores. Sonham com uma cidade mais humana e justa. Temos certeza de que gradativamente, a cidadania irá prevalecer. É o que o ZecaBlog deseja aos paulistanos, ao som de Samba Triste, de Paulo Vanzolini, na voz agradabilíssima de Ana de Holanda.
Salve Sampa, Salve!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ministro japonês quer dar guaraná com pesticida aos doentes

Não nos custa nada uma pequena reflexão, neste Dia do Aposentado, sobre a tsunâmica declaração do ministro das finanças Taro Aso, que já foi primeiro-ministro do Japão, assegurando que idosos e doentes deveriam ter permissão para abreviar a vida de forma a aliviar o peso que representam nas finanças japonesas. “Que Deus não permita que sejam forçados a viver quando querem morrer. Eu iria acordar sentindo-me incrivelmente mal por saber que o tratamento era totalmente pago pelo governo”, disse Aso.
Basta lembrar que esse gênio da raça humana, na última segunda-feira, disse aos jornalistas que tinha recebido um telefonema do presidente Bush, dos Estados Unidos, dando lhe parabéns pela esmagadora vitória do Partido Liberal Democrático (PLD), nas eleições legislativas do último domingo. Diante das risadas, corrigiu para Barack Obama.
No caso dos idosos e doentes japoneses, Taro Aso tentou amenizar suas declarações dizendo que foram apenas “opiniões pessoais” e que não quis sugerir como o tratamento de doentes terminais deve ser conduzido. Idiossincrasias à parte, ele mostrou o lado cruel do realismo de quem administra finanças públicas em um país como o Japão, seguidamente tragado por tragédias de grandes dimensões. Ao mesmo tempo, revelou o quanto é limitada e medíocre a sua capacidade de enxergar a vida pela dimensão humana, que nos permite viver em sociedade e construir algo que possa ser chamado de civilização.

O Japão já superou tragédias de todas as naturezas e espécies. Seu povo demonstrou capacidade, disciplina e talento para reconstruir o que restou do Japão pós-guerra, terremotos, tsunamis e outras tantas mazelas. Nascer e morrer tem um custo para o Estado que usufrui do fruto do trabalho de seus cidadãos por décadas. Essa conta gerada nos primeiros e nos últimos anos de vida das pessoas está muito bem paga pelas contribuições e impostos arrecadados, que não são poucos. Quando a conta não fecha, podemos ter certeza que as mazelas da corrupção e da falta de compromisso com o bem público são as grandes responsáveis pelo déficit.
No Japão, pelo menos, o político flagrado em pleno usufruto de desvio de dinheiro público faz a opção pelo haraquiri. No Brasil, não, os políticos flagrados querem ficar livres de qualquer punição, direitos mil e, salvo raríssimas exceções, riem da nossa cara nos bastidores e sonham em voltar ao poder.
Na verdade, essa turma quer tratar os doentes e os idosos como na bela canção de Luiz Gonzaga Júnior, nosso querido e saudoso Gonzaguinha. eles desejam mesmo é isolar os pacientes ao máximo possível, pois trazem perigo a “nossa” vida. Não aceitam dar-lhes guarida, preferem oferecer guaraná com pesticida – “pra acalmar minha dormida”.
Pra essa gente, qualquer investimento em saúde pública é dinheiro jogado fora. Pena que não tenhamos mais o senso crítico e aguçado de Gonzaguinha contra a pilantragem dessa turma. Mas a arte dele está entre nós, continua viva e pronta para ativar o nosso senso crítico.
Tá certo, Gonzaga.




Tá Certo, Doutor
Luiz Gonzaga Júnior

Dá licença, dá licença, ó o menino com meningite aqui, dá licença,
Afasta aí
Dá licença, dá licença, dá licença, dá licença

É um atentado à moral e aos bons costumes vigentes, um certo inconveniente
Deixar este homem doente perambular pelas ruas a cometer tais falcatruas
Incompatível com os estatutos dessa gafieira,
Dançar dessa maneira, desrespeitando o salão, desfigurando o padrão
Fere as normas do edital de formação da nossa firma atual

Esse homem está enfermo, nem precisa exame sério, seu mal está constatado
Depressa, põe no hospital!

Deve ficar bem isolado, em quarto bem fechado
Sem portas ou janelas, pois pode ser contagiante
Dieta mais que rigorosa, medicação bem adequada e muita observação
Pra que não haja agravantes

Em tempo hábil deve ir até o centro de controle para testar sua boa condição,
Se está fechada a ferida

Seu caso deve ser anotado, o seu mal ser vigiado e lhe requer muita atenção
Seu caso deve ser anotado, o seu mal ser vigiado e lhe requer muita atenção

Pois traz perigo à nossa vida
Não dou amparo, nem guarida
Dou guaraná, com pesticida
Pra acalmar minha dormida
Não tô afim de pôr em risco a minha condição

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Curta-metragem ajuda a mostrar dimensão poética de Florbela

O mundo artístico e poético que gira em torno de Florbela Espanca, poetisa portuguesa que toca fundo na alma brasileira, é sempre gratificante e cheio de surpresas. Há exatamente um ano, escrevi sobre o filme Florbela, do cineasta português Vicente Alves de Ó, lançado no ano passado, mas que ainda não apareceu nos cinemas de Brasília. Agora, pra meu deleite e graça, descobri um curta-metragem, documentário com o título “A Morrer”, produzido a partir de colagens de textos e de poemas da nossa apaixonante poetisa.
O roteiro, produção e direção é de Gabriela Caldas, com assessoria e narração a cargo da poeta e pesquisadora Maria Lúcia Dal Farra, que, no ano passado, ganhou o prêmio Jabuti de poesia. Maria Lúcia também é referência internacional nos estudos florbelianos e coordena um grupo de estudos sobre Florbela Espanca, criado pelo CNPq, em 2007, do qual participa a amiga, poeta e ensaísta capixabense Renata Bonfim.
O curta-metragem, de apenas 15 minutos, é emocionante e nos aproxima mais ainda da produção artística de Florbela Espanca. Usando uma técnica que se pode chamar de “bricolagem”, o documentário pontua várias fases da vida da poetisa, seus dramas e presença sempre assustadora da morte. Florbela tirou sua própria vida no ano de 1930, ao completar 36 anos de idade.
Vejamos o curta e deixemos que os versos da poetisa portuguesa falem por si só.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Carnaval em Goiânia ganha a proteção de Iemanjá este ano


O Carnaval dos Amigos – a maior festa carnavalesca do Centro-Oeste brasileiro – ganhou um charme a mais para este ano. A explosão de alegria vai acontecer no dia 02 de fevereiro, dia de Iemanjá, com as graças e as bênçãos de todos os santos e orixás que comandam o reinado de Momo. Goiânia, mais uma vez, vai parar no sábado anterior ao sábado de Carnaval, na 11ª edição da festa puxada e comandada pelo Bloco dos Amigos.
Tudo começou em fevereiro de 2003, quando um grupo de amigos criou um bloco para sair pelas ruas de Goiânia, anunciando o Carnaval oficial que viria uma semana depois. Surgia, então, o Carnaval dos Amigos, regado a muito chope, feijoada, frevo, marchinhas, confetes e serpentinas. 
O Bloco dos Amigos criou a tradição de se concentrar num salão – antes era no Flamingo, agora, no Oliveiras Place – do meio-dia até o final da tarde. Depois desce a avenida T-4, conduzido por uma tradicional bandinha carnavalesca, até desaguar no Vaca Brava, onde a festa entra pela noite adentro.
A brincadeira deu certo. Novos blocos surgiram, com o mesmo espírito carnavalesco, e a festa tornou-se tradição na capital goiana. Entrou para o calendário cultural de Goiânia, tem apoio dos meios de comunicação, da Prefeitura, e o desfile, pelas ruas, é acompanhado e aplaudido por moradores.
Faltam apenas 18 dias para o Carnaval dos Amigos. Ou seja, é pouco mais ainda há tempo de sobra pra preparar a fantasia, de preferência inspirada nos Orixás, que, sob a batuta da rainha dos mares, vai nos conduzir ladeira abaixo.
Axé, meu amigo, e que Iemanjá nos proteja e nos guarde! Enquanto isso, vamos ouvindo umas marchinhas carnavalescas pra esquentar os tamborins, na voz da talentosa e sempre querida Beth Carvalho.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O balé Quebra-Nozes, uma revista e o espírito natalino

A revista Plano Brasília chegou às bancas na virada do ano sob a batuta da jornalista Maura Charlotte, editando o exemplar Gente. A revista está linda, bem editada e promete ocupar um espaço muito promissor para o jornalismo brasiliense, que valoriza as pessoas, a moda, a cultura, as artes e a culinária.
Confesso que gostei e ainda tive a oportunidade de colaborar com um artigo sobre a apresentação do balé Quebra-Nozes, em Brasília, no início do mês de dezembro. O artigo está abaixo, mas para conhecer a revista basta buscar pelo endereço a seguir:
http://issuu.com/harisonsilva/docs/gente-6/5.



Quebra-Nozes e o espírito natalino
José Carlos Camapum Barroso

            Brasília ganhou um presente charmoso e inesquecível neste mês em que os cristãos comemoram o nascimento de Jesus Cristo. Presente que encantou crianças, jovens e adultos das mais diversas classes sociais pela beleza da música de Tchaikovsky e pela doçura da versão da coreógrafa Gisele Santoro para o clássico Quebra-Nozes, com regência do talentoso maestro Cláudio Cohen, responsável também pela direção executiva do projeto realizado pela Secretaria de Cultura, com patrocínio da Caesb, na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional.
            Um bom público prestigiou as seis apresentações realizadas na primeira semana deste dezembro, com a particularidade de ter sido o primeiro espetáculo com a música criada por Tchaikovsky executada ao vivo por uma orquestra sinfônica em Brasília. E com a execução a cargo da exuberante Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro.
            Quem teve a oportunidade de ver pode se deliciar com os encantos da conhecida história de amor entre Clara e seu quebra-nozes, que se transforma em gente e é transportado para os sonhos da menina. A beleza do espetáculo ganhou contornos especiais graças aos cenários montados pelo brasiliense Andrey Hemuche, que caprichou na montagem de uma bela árvore de Natal de nove metros, telas pintadas no estilo neoclássico e elementos que nos remetem à cultura russa, onde se passa a história. Pontos também para o trabalho do consagrado figurinista José Alfredo Beirão Filho.
            A fidelidade de Gisele Santoro à partitura da música de Tchaikovsky, e também a importância que a coreógrafa deu à interpretação dos bailarinos, em sua maioria brasilienses e crianças, nos remete ao mundo mágico do Natal – cheio de sonhos e fantasias. O público deixa o teatro feliz, encantado com o amor da menina Clara pelo brinquedo, que ela ganha do padrinho e passa a fazer parte de seus sonhos.


            Esse é o verdadeiro espírito do Natal, que entusiasma pessoas de todas as idades e tem-se perpetuado através dos tempos. Pouco importa se o nascimento de Jesus ocorreu, de fato, no dia 25 de dezembro, dada as confusões causadas pelas mudanças de calendários e pelos interesses da Igreja Católica em ocupar espaço entre as festas pagãs, que ocorriam justamente no solstício de Inverno. Importa mesmo é o espírito de congraçamento, de união, amor e paz, emanados dessa festa tanto pelas tradições cristãs quanto pelas não-cristãs, que foram se juntando ao espírito natalino com o passar dos tempos.
            Brasília, com seu Plano Piloto em forma de um avião, sua arquitetura do mestre Oscar Niemeyer e o urbanismo do saudoso Lúcio Costa, arborizada e cercada pelas águas do Lago Paranoá, lembra um grande presépio, moderno, cintilante, mas cheios de desafios. O principal deles talvez seja o de superar as desigualdades que saltam aos olhos nas cidades que cercam o nosso “presépio”.
            O espírito natalino e as festas de final de ano, com certeza, formam um bom momento para refletirmos sobre as coisas boas, as conquistas alcançadas, mas também sobre o muito que ainda nos resta construir. Esse espírito natalino às vezes funciona como um verdadeiro quebra-nozes a romper a carcaça que nos separa de uma realidade mais próxima de um pesadelo do que dos sonhos da menina Clara. A realidade é dura, mas os sonhos quebram nozes.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Rio de Janeiro inspira uma nova Carta a Tom Jobim e Vinícius





É... Meus amigos... Como consequência de estar no Rio de Janeiro, a cidade mais bela e inspiradora do mundo (depois de Uruaçu, claro), consegui fazer, neste início de ano novo, sob a inspiração de Iemanjá, uma paródia à clássica Carta ao Tom, feita por Vinícius de Moraes e postada, aqui no blog, ainda no ano passado (veja o post abaixo).
Espero que os amigos Jorginho e Nélio Bastos tenham a delicadeza de gravar esta paródia, de preferência lá no estúdio da empresa Som Pedro, de propriedade do meu afilhado Pedro Hildo – o maior e melhor empresário de som do estado de Goiás.
Carta a Tom e Vinícius serve para homenagear a dupla de compositores mais entrosada e produtiva da história da nossa música popular. Ajuda a render, também, mais uma homenagem a essa cidade maravilhosa, que ontem nos mostrou, em plena virada do ano, com o espetáculo da queima de fogos, porque é universal e se tornou paixão de todos que amam a natureza, a beleza e a cultura.
O blog reafirma o que pediu ontem: um ano maravilhoso para todos os amigos e leitores deste cantinho! Espero poder, em 2013, dedicar-me mais ainda ao nosso espaço e ter infinitas oportunidade de pertubá-los com novos textos, poesias, músicas, crônicas e tantas outras coisas desse universo infinito da cultura. Ah, sim, e que vocês também mandem mais colaborações.
Saudemos o Ano Novo!

Carta a Tom e Vinícius
(Paródia feita por José Carlos Camapum Barroso)

Rua Nascimento e Silva, 37
E eu rezando pra Elizeth
Não deixar de ser o nosso amor
Que coisa feliz
É ter saudade!
Ipanema inda é felicidade
Como se a gente morasse aqui...

A famosa garota então sabia
Que o mundo inteiro aplaudiria
Vinícius, Tom e o amor
Nossa tristeza hoje não é tão bela
Mesmo se vendo da janela
Um cantinho de mar e o Redentor

É... Ainda nos resta uma certeza
Vamos acabar com a tristeza
De perder quem nos amou

É... Meu amigo restará uma certeza
Foi Vinícius e sua beleza
O nosso mais nobre professor...

É... Então teremos a beleza
De encontrar na natureza
O que Jobim nos ensinou...