Ressaca causada por qualquer bebida é insuportável. Na verdade, ela é consequência primeira e maior do excesso de álcool no organismo. Portanto, beber com moderação é mais do que um conselho. É na verdade uma ciência, ou uma sapiência. Aliás, trata-se da única maneira aceitável de realmente se apreciar uma bebida. Ficou tonto, perdeu a razão e o paladar vai embora junto.
Cachaça é um exemplo clássico dessa afirmativa. Quem não sabe beber bem, melhor não se aventurar a bebedor desse produto genuinamente brasileiro, como o samba. Cachaça, Carnaval e Futebol fazem um tripé profundamente arraigado na cultura do nosso povo. Quem não bebe cachaça, não tem samba no pé e não sabe quem foi Mané e Pelé, bom sujeito não é.
A marvada da cachaça, que depois virou bendita, surgiu em meio aos escravos, adquiriu a pecha de bebida de gente desqualificada e sem classe. Foi manipulada pelos nossos colonizadores para estimular o trabalho dos escravos e depois proibida porque podia estimular rebeliões. Ao ser proibida, ficou melhor ainda e virou orgulho nacional, obrigando os portugueses a voltar atrás na proibição.
A produção de cachaça
foi se aperfeiçoando com o passar dos tempos. Minas Gerais ainda é o maior e o
melhor celeiro desse produto, principalmente na região de Salinas e Montes
Claros (deve ser por isso que os mineiros dessa região vez por outra sentem a
terra tremer). Mas existem também boas cachaças no Nordeste, no Espírito Santo
e em Goiás.Recentemente, descobri ótimas cachaças do Rio Grande do Sul. Uma delas é a Casa Bucco, produzida e envelhecida no Vale do Rio das Antas, região da Serra Gaúcha, desde 1925. Outra maravilha é a Weber Haus, que está lançando um blend produzido a partir de cachaças extra-premium que passaram seis anos em barril de carvalho e depois seis anos em barril de bálsamo. Quem quiser conhecer um pouco sobre essa maravilha é só assistir ao terceiro vídeo abaixo.
Em outras palavras, temos ótimas cachaças produzidas a partir da cultura dos negros e dos colonizadores portugueses e também de imigrantes alemães. Essa mistura brasileira é de enlouquecer qualquer sulista dos Estados Unidos. E tem diversos sotaques, como o caipira de Inezita Barroso, em Marvada Pinga, ou o samba com solo de guitarra do velho e bom Erasmo Carlos, em Cachaça Mecânica.
Depois de tudo isso, é possível dormir em paz, apesar do risco de acordar amanhã de ressaca, mesmo sem ter bebido. Mas, amanhã já não será mais o Dia da Ressaca e, então, poderemos iniciar um novo ciclo.
Saúde a todos! Antes que eu me esqueça, “beba com moderação”, e, “se beber, não dirija”.
PS – conheçam o site Mapa da Cachaça, que é muito bom, no endereço www.mapadacachaca.com.br.






