sábado, 30 de março de 2013

"Descendo a Escada" e subindo um degrau de felicidade

 
De vez em quando saio por aí a viajar pelos blogs dos amigos em busca de algumas dicas, inspirações e até mesmo por puro deleite. Vou com frequência ao Blog do Viegas, do jornalista e amigo Maranhão Viegas, o (i)responsável pela minha entrada nesse mundo da blogmania. Visito o blog do Matheus Carvalho, o Essays, pra ler um conto ou poesia, textos sempre muito literários. Não deixo de passar também pelo Letra e Fel, da poeta capixaba Renata Bonfim, de onde já pesquei várias dicas e temas para abordar aqui. Sempre vou tomar um cafezinho lá no Café&Conversa do radialista e jornalista Romoaldo de Souza.
Hoje, sábado de Aleluia, em uma dessas minhas andanças, topei com esse vídeo maravilhoso postado pelo Maranhão. Ele também recebeu a dica de um amigo, que colocou o seguinte título acima do vídeo:“Ouço sempre que quero ficar feliz”.Deu certo com o amigo do amigo, com o próprio Maranhão e comigo também. Por isso resolvi postá-lo por aqui, na esperança de distribuir alguns minutos de felicidade com os leitores do ZecaBlog. Tentem porque para mim valeu a pena.
O vídeo é uma produção “da pá virada” e foi gravado no estúdio “música de graça”. Os músicos são Rafael Altério, Adriana Sanchez, Guilherme Rondon e Bosco Fonseca, que se reuniram e gravaram de improviso a canção Descendo a Estrada, de Guilherme Rondon e Alexandre Lemos. A música é bonita, a letra agradável e os músicos cantam e tocam com alegria e paixão. Não tem como não ficar feliz diante de tanta beleza e arte.
Aleluia! Ainda bem que hoje é sábado e amanhã, domingo - que pede cachimbo e uma boa rede pra se deitar.
 
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Grandes espetáculos vão a SP mas não chegam a Brasília

Teatro Nacional, belo e agradável, precisa de reforma e de espetáculos 
Fico morrendo de inveja ao ler no Caderno 2, do Estado de S. Paulo, que os paulistanos têm opção, no intervalo de menos de uma semana, de assistirem a espetáculos musicais de alto nível. Nesta semana, um recital solo do violoncelista grego Dimos Goudaroulis e, na terça e quarta-feira da semana que vem uma das principais meios-sopranos da atualidade, a búlgara Vesselina Kasarova vai interpretar canções e árias de Mozart e Rossini.
Já escrevi no blog sobre a escassez de espetáculos culturais em Brasília, tanto no universo de músicas eruditas ou mesmo popular, apresentações teatrais, balé e óperas. Até que nos últimos dois anos, tivemos alguma coisa de relevante, como o Festival de Ópera. Mas é muito pouco para a capital da República que tem público em condições de apreciar e pagar por grandes espetáculos.
No caso de Vesselina Kasarova ainda é compreensível por ser a sua primeira apresentação no Brasil. O caso de Dimos é diferente. Ele abraçou o Brasil 17 anos atrás, já fez várias apresentações em solo nacional, portanto, pode a qualquer momento ser convidado para um recital no Planalto Central.
O secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, que vem fazendo um bom trabalho, precisa encontrar mecanismos que garantam recursos, investimentos, parcerias e patrocínios, de forma a colocar Brasília no roteiro desses grandes espetáculos. Se uma apresentação do nível das que foram citadas vem ao DF, isso abrirá portas para que se apresentem também em Goiânia, a menos de 200 quilômetros de Brasília e com uma vida cultural bem interessante.
Está faltando planejamento para que isso possa se tornar viável. Dos pequenos detalhes – como a redução de benesses para convidados do Governo, o que encarece as apresentações por aqui – até a formação de convênios com hotéis, empresas e universidades. E, claro, culmina com a necessidade de reforma urgente do Teatro Nacional Cláudio Santoro. A Secretaria de Cultura anunciou para junho deste ano o início da reforma dessa que é uma das belas casas de espetáculo do cenário cultural brasileiro.
Enquanto não conquistamos todos esses sonhos, e para que não fiquemos apenas morrendo de inveja, vamos assistir a dois vídeos maravilhosos desses artistas geniais, que se apresentam em São Paulo: Vesselina (Kavatine Rosina) e Dimos (Sonata for violoncello picollo). Para uma véspera de sexta-feira da Paixão, é um bom começo.



quarta-feira, 27 de março de 2013

Dominguinhos é mais forte que o forró que ele criou e cultivou


Nada neste mundo ocorre ou existe por acaso. E não foi por acaso que Dominguinhos passou mal durante um show em homenagem aos 100 anos de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, no final do ano passado. Até a noite desta quarta-feira, ainda lutava como nordestino forte que é pela sobrevivência. Gonzagão disse certa vez que Dominguinhos tinha inventado o forró e que, portanto, estava com a responsabilidade de perpetuá-lo.
E Dominguinhos cumpriu a missão à risca. Se o forró é forte hoje em todo o Brasil, e conhecido em várias partes do mundo, deve muito a José Domingos de Moraes, esse pernambucano de Garanhuns, nascido no dia 12 de fevereiro de 1941 – completou 72 anos no Hospital.
Dominguinhos não é apenas um exímio instrumentista, mas também um compositor de talento e cantor de timbre de voz forte e agradável. Gravou um dos discos mais belos da música popular brasileira com Sivuca e Oswaldinho, que recebeu o delicioso nome de Cada Um Belisca Um Pouco. Quem nunca ouviu esse CD não sabe o que está perdendo. É uma relíquia e foi todo dedicado a Luiz Gonzaga.
Dominguinhos completou 50 anos de carreira, colecionando prêmios como o da Música Brasileira de 2008 e o Prêmio Shell de Música, em 2010 – este pelas músicas De Volta pro Aconchego, Gostoso Demais e Tenho Sede, sendo que as duas canções primeiras foram em parceria com o talentoso Nando Cordel. Também conquistou o Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho.


Dizem que o nordestino é antes de tudo um forte. Mas, acrescento que é paralelamente muito talentoso, e que, se não o fosse, não sobreviveria. Dominguinhos é um exemplo clássico desse típico cidadão forte e talentoso do Nordeste brasileiro.
O forró é uma bela página da nossa MPB, por toda a sua autenticidade, ritmo gostoso, música ágil e dançante, com letras maliciosas. Dominguinhos deveria sobreviver ao câncer de pulmão que o acometeu, às arritmias que o perseguem desde que passou mal naquela noite histórica de shows em homenagem a Luiz Gonzaga. Deveria voltar a expressar aquele sorriso gostoso, simpático e comovente que acompanha suas interpretações.
Afinal, milagres existem e acontecem. Quem tem um DNAzinho que seja no Nordeste sabe disso e acredita que o grande milagre virá. Padim Ciço está a nos ouvir. Dominguinhos é forte e o forró que ele deixa para nosso deleite é mais robusto ainda. Ambos não morrerão, nunca.



Feliciano não conhece Mário nem vai sair do armário, ops

Manifestantes em mais um protesto contra Feliciano na presidência da CDH
O deputado Marco Feliciano – aquele que não rima com Direitos Humanos – ficou nervoso com a campanha movida contra ele pela opinião pública. Bateu o pezinho no chão, deu soco numa mesa de isopor e gritou com voz trêmula: Daqui não saio! Ninguém me tira desse armário! Mas corrigiu de imediato: dessa presidência da Comissão dos Direitos Humanos, que é uma conquista do meu Partido Social Cristão (PSC). Ou seja, a novela da permanência de um cidadão homofóbico e preconceituoso no comando de uma comissão tão importante ainda terá mais alguns capítulos.
Essa suposta reação do deputado Feliciano teria ocorrido depois que um jornalista perguntou se ele conhecia o Mário. Revoltado, o deputado-pastor disse que não tinha tempo para conhecer mais ninguém, pois está embarcando para a Bolívia, onde pretende ajudar, humanisticamente, os doze torcedores do Corinthians que se encontram presos.
Não adianta implorar ao Papa Francisco porque Feliciano é evangélico. Também não adianta recorrer ao partido do deputado. O PSC decidiu dar todo o apoio para Feliciano continuar na presidência da comissão. A única esperança agora é uma reunião que vai acontecer na próxima terça-feira, pós Semana Santa (momento oportuno para muita reflexão), entre os líderes partidários da Câmara dos Deputados e Feliciano. Vão tentar arrumar uma saída honrosa para que ele deixe o armário, perdão, a presidência da comissão em grande estilo.
Enquanto isso, nos estádios, já tem palmeirense cantando: “Feliciano, eu não me engano, esse Bambi é corintiano”. Ou seja, a esculhambação tornou-se geral depois que o humorista José Simão, muito bem informado, revelou que Feliciano aceita sair do armário, casar com o pastor Malafaia e passar a lua de mel na ilha de Micos, na Grécia, embalados por músicas da cantora Cher.
O pior capítulo dessa novela foi revelado pela mídia nesta semana. A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria, portanto, candidata a substituir Feliciano, é a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), que responde a inquérito por estelionato e acusação de caixa dois, compra de votos e abuso de poder econômico.
Bom, esse foi um capítulo ruim, mas, felizmente, ainda não foi o último. Pelo menos, temos a chance de continuar rezando e torcendo por um final feliz. E de gritar a todos os pulmões: Chamem a Janete Clair para arrumar essa história!
Enquanto isso, vamos continuar vendo vídeos e ouvindo músicas em busca de inspiração.



quarta-feira, 20 de março de 2013

Salvo engano, Feliciano não combina com Direitos Humanos

Não basta perguntar: que país é esse? Temos que entender e procurar saber que Congresso, qual Câmara dos Deputados ou Comissão dos Direitos Humanos, enfim, que instituições são essas que permitem esse descalabro de manter-se o deputado Marco Feliciano na presidência justamente da Comissão de Direitos Humanos? Se a eleição desse fanático já foi um desrespeito para com a sociedade brasileira, o que pensar então da manutenção dele no cargo por tanto tempo?
Hoje parece que começou a surgir uma luz no fim do túnel, com a interferência do presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, no sentido de convencer o Partido Social Cristão (PSC), de Marco Feliciano, a fazer o óbvio que já devia ter sido feito: solicitar ao deputado-pastor que deixe a presidência da Comissão e estanque o desgaste sofrido desnecessariamente por toda a instituição.
As declarações homofóbicas e preconceituosas lançadas por Marco Feliciano o desqualificam para presidir qualquer comissão do Poder Legislativo, quanto mais a dos Direitos Humanos. Só existe uma explicação para a insistência desse deputado em permanecer no cargo: quanto mais ele é criticado pela opinião pública, mais o seu eleitorado – que pensa igualzinho a ele – se apaixona pelo seu estilo desregrado de enfrentar os adversários.
Quanto mais apanha, mais Feliciano capricha no contorno das sobrancelhas e aquece as resistências do aparelho de fazer chapinha. Ao mesmo tempo, cresce a solidariedade de baixo calão, regada a termos chulos, do deputado Jair Bolsonaro. É o caso de perguntar: Ainda existe Comissão de Ética na Câmara dos Deputados? E o tal do decoro parlamentar ainda está na pauta?
Hoje dia 20 de março termina o Verão e começa o Outono Austral. Bom momento para o deputado Henrique Eduardo Alves conseguir abaixar a temperatura na Comissão de Direitos Humanos, que há um bom tempo não consegue exercer suas funções. Boa hora também para o partido do deputado Feliciano lembrar que carrega em seu nome a palavra Cristão, que não combina com preconceito e ódio.
E amanhã, dia 21 de março... Vixe, Maria! É Dia Mundial do Teatro... Já imaginaram se o deputado Marco Feliciano aparecer diante das câmeras, de braços abertos para a plateia, travestido de dom Pedro de Alcântara, gritando: Digam ao povo que FICO!...
Ninguém merece! Mas se for por falta de adeus...


 

domingo, 17 de março de 2013

Papa Francisco quer igreja pobre e para os pobres. Aleluia!


Papa Francisco saúda a multidão e, como cardeal, cumprimenta fieis
O tema religião ganhou destaque no noticiário dos últimos dias pela eleição do cardeal argentino Bergoglio a Papa Francisco. Rapidamente se formou a opinião de que ele é e continuará sendo uma figura simples não apenas pela escolha do nome em homenagem a São Francisco de Assis, nem apenas porque andava de ônibus e metrô pelas ruas de Buenos Aires e continuou a fazê-lo mesmo depois de eleito papa ao pegar carona no coletivo com os cardeais. Mas principalmente por deixar claro que deseja conduzir uma igreja “pobre e para os pobres”.
Questões como a da simplicidade, caridade e humildade são instigadoras e sempre nos levam a reflexões importantes – até já escrevi sobre humildade no blog (para ler clique aqui) e também sobre caridade (clique aqui). Mas discutir sobre o tema religião é mais complexo e, assim como sobre futebol, acaba sempre derrapando para o terreno das emoções. Prefiro observar que as religiões podem todas ser boas para as pessoas, desde que se distanciem do fanatismo e se aproximem mais da simplicidade e da humildade, construindo um plano de trabalho e de apoio para os cidadãos menos favorecidos.
Nesse contexto, é saudável ouvir a opção do papa por uma igreja pobre e para os pobres. Não sinto cheiro de demagogia nessas declarações pelo simples fato de que ele já está eleito e principalmente por serem elas coerentes com seu passado. Bergoglio diz que escolheu o nome Francisco ao ouvir do amigo e cardeal brasileiro (franciscano) dom Cláudio Hummes o apelo: “não se esqueça dos pobres”. Há harmonia e coerência no caminho de Francisco. Vamos torcer para que ele consiga levar adiante a sua missão de reformar a igreja e ajudar os mais necessitados.
Existe uma série de elogios ao livro Sobre el Cielo e la Tierra, em que Jorge Bergoglio relata um longo diálogo dele com o rabino Abraham Skorka. Tem pérolas como a de que o catolicismo precisa ser algo despojado, com bispos e padres tendo que sujar os pés de barro. Ou, então, a crítica aos meios de comunicação que simplificam as agendas, tornando-as irrelevantes e até mesmo insolúveis. Segundo o cardeal, esses veículos “desinformam”.
O colunista e jornalista Elio Gaspari refuta o título de conservador para um cardeal que deseja abrir os arquivos do Vaticano para que se estude o Holocausto. Também não o considera conservador por ser contra o casamento de homossexuais e o aborto, dois temas que fazem parte da doutrina da igreja. Bergoglio propõe tolerância zero para os pedófilos e chama o velho truque de transferi-los para outras paróquias de “estupidez”. Também, segundo o jornalista, no livro Bergoglio “critica a conduta da igreja, seu regalismo e a promiscuidade com afortunados que fingem fazer caridade”.
Diante disso, temos duas missões pela frente. Uma de acompanhar e torcer para que o novo papa siga realmente os passos de São Francisco, calçando as sandálias simples da humildade ou andando descalço mesmo. A outra é a de ler esse livro ainda em espanhol ou esperar que ele seja traduzido para o português, o que não deve demorar muito.
Aleluia e que venham novos tempos!



quinta-feira, 14 de março de 2013

Jesus Cristo é condenado novamente - desta vez em Planaltina

Não é justo! Condenaram Jesus Cristo mais uma vez. Agora foi por meio de Saulo Humberto Soares Gonçalves, 40 anos, ator que faz o papel de Cristo na encenação da Semana Santa de Planaltina, no Distrito Federal. O cidadão pegou 2 anos e 4 meses de prisão pelo crime de peculato. O que ele fazia? Pasmem: embalava e distribuía para instituições de caridade a sobra de alimentos do Centro de Ensino Fundamental 4, tendo como “cúmplice” uma funcionária de cozinha da instituição em que Saulo era diretor.
O “Jesus Cristo” de Planaltina garante que sempre viu alimentos serem jogados fora e não sabia que as sobras teriam que ser devolvidas para a Regional de Ensino da cidade. Saulo fez ao jornal Correio Braziliense – que publicou ótima matéria sobre o assunto – um raciocínio bem simples: “O governo paga pela comida, então, doar as sobras para pessoas com fome era uma forma de devolver esse alimento para a sociedade”.
O ator exerce o papel de Jesus Cristo há onze anos, mas está na Via Sacra desde 1991, atuando em papeis secundários como de soldado romano, João e Tomé, e também chegou a trabalhar como diretor de encenação. Figura simpática e bem quista pelos moradores de Planaltina e pela comunidade religiosa da Paróquia de São Sebastião, no Setor Tradicional de Planaltina, Saulo acredita que o sofrimento o aproxima de Jesus. “Deus tem um plano para mim, Ele não me daria tanta tristeza se eu não agüentasse”, afirma ao negar ter agido de má-fé.
Conheci Saulo o ano passado, antes da representação da Via Sacra de 2012. Ele e seus colegas de encenação nos procuraram para buscar apoio da Caesb, empresa em que trabalho atualmente como Assessor de Comunicação. Tive uma boa impressão dele, mas também não poderia ser diferente. O rapaz realmente lembra e encarna aquela figura consagrada pela Igreja Católica como sendo a de Jesus Cristo.
Não existe acusação de que ele tenha tirado qualquer tipo de proveito pessoal – financeiro ou político – do “desvio” da merenda escolar. Mas, tem-se a certeza de que os alimentos eram distribuídos para os mais necessitados. Saulo cresceu na Igreja de Planaltina e realizou trabalhos de caridade. “Desde muito novo, sempre se dedicou a ser uma boa pessoa e a dar amor a todos”, nas palavras do padre Paulo Renato. Um dos principais e mais antigos trabalhos dele é com moradores de rua.
Como não será afastado este ano da encenação, porque a Igreja não teria tempo para preparar outro ator capaz de representar papel tão importante, Saulo receberá, na Semana Santa, mais uma condenação, desta vez por tentar salvar a humanidade dos mais variados tipo de pecados. Será condenado à humilhação, percorrerá as ruas carregando uma cruz e depois morrerá crucificado.
Como Jesus Cristo, ressuscitará no terceiro dia. Como Saulo, o ator e cidadão comum sujeito às decisões cegas da Justiça, voltará à realidade assim que descer do palco. Pretende recorrer da decisão e pelo menos poderá aguardar o julgamento final em liberdade. Não sofrerá tanta humilhação...
Saulo foi profético ao encerrar o assunto: “Assim como o próprio Cristo que foi condenado, morto e ressuscitou, acredito que tudo isso vai passar”.
Vai passar, com certeza, como tudo passa nesta vida. Mas ainda dará a ele muita dor de cabeça. Inclusive a de perder o papel de personagem principal da Via Sacra de 2014, o que já se comenta nas paróquias.
Ainda bem que já Habemus Papam e é nosso vizinho!



terça-feira, 12 de março de 2013

Tom Zé, com autoridade, canta "Tropicalea, Lixo Lógico"


Tom Zé, na minha modesta forma de ver e ouvir a música popular brasileira, é uma das nossas maiores genialidades. Principalmente por não abandonar, nunca, a criatividade mesmo tendo um conhecimento musical que lhe permitiria deitar numa rede e descansar, como bom baiano que é. Mas Tom Zé, não, prefere trabalhar muito, criar sempre e procurar incansavelmente algo verdadeiramente novo para o seu (nosso) universo musical.
Acho que quem não sabe ouvir e apreciar Tom Zé, bom sujeito não é. Esse compositor baiano é um dos expoentes do movimento tropicalista, embora tenha sido afastado pelos conterrâneos Caetano Veloso e Gilberto Gil num daqueles tantos momentos de imbecilidade dos anos da ditadura (musical, inclusive).
Caetano, hoje, reconhece em artigo que o disco de Tom Zé, Tropicália Lixo Lógico, lançado em meados do ano passado, “é o melhor disco de Tom Zé desde que ele renasceu artisticamente, convidado a sair do esconderijo para onde nós o empurráramos nada menos do que por David Byrne, o mais elegante de todos os roqueiros”.

"A música de Tom Zé é diferente de qualquer música
brasileira que ouvi até hoje... Expande incessantemente os limites
da canção popular, adotando formas inesperadas,
que nos surpreendem e encantam, com percepção aguda
dos acontecimentos. Olha a grande cidade com olhos -- e ouvidos –
 de poeta. Descobre beleza em regiões estranhas.
[Sua música] nos dá esperança." David Byrne

Isso é verdade. Foi preciso um estrangeiro dizer que Tom Zé era um gênio da música brasileira para que todos passassem a aceitar o que na realidade era óbvio. David Byrne, ao participar de um festival de cinema em São Paulo, ouviu vários discos de música brasileira e ficou encantado ao conhecer Estudando o Samba, uma obra prima do compositor baiano.
Abaixo, uns versos para fazer uma pequena homenagem a esse genial músico brasileiro e uma das músicas mais interessantes de seu novo CD: Tropicalea jacta Est.
Ouçam com atenção e passem a conhecer uma bela página na nossa história cultural. Depois, será possível dormirmos em paz.


O tom do Zé
José Carlos Camapum Barroso

Tom Zé
É o que é:
Um tipo Mané
Cabeça em pé
Samba no pé
Sapato chulé
Roupa rapé.
Nordestino que é:
Fala com fé
E ouve até...

Esse é Tom Zé:
Mais que lelé
Leite com café
Uma voz cuité
Língua de sapé
Ideias de filé.
Cabeça em pé:
Esse é Tom Zé,
É o que é.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Filha de Edir Macedo dá aula de como se portar com o marido

A revista Veja desta semana traz uma reportagem interessante sobre Cristiane Cardoso, filha do bispo Edir Macedo, dono e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Cristiane ganha a vida e ajuda a engordar os cofres do reino de Deus escrevendo livros e participando de programas com conselhos às mulheres para garantir um casamento duradouro. O livro tem o sintomático nome de Casamento Blindado – O Seu Casamento à Prova de Divórcio, e o programa na TV Record, de propriedade do pai, tem a alcunha charmosa de The Love School – Escola do Amor.

A primogênita do homem que ostenta um império avaliado em 1,1 bilhão de dólares é casada com o bispo Renato Cardoso, com quem compartilha no livro e no programa pérolas como a de que o sexo antes do casamento é inaceitável, mas depois de casada a mulher deve fazê-lo sempre que o marido quiser – “e não me venham com essa história de dor de cabeça”!

Com cerca de meio milhão de exemplares vendidos, em menos de um ano, Cristiane quer acabar com essa história de a mulher moderna não ter prazer em cuidar do marido ou da casa. E afirma no capítulo 16 do seu Casamento Blindado: “E, quando ela chega em casa, não quer ter o trabalho de cozinhar, nem de limpar nada, então se chateia com o marido por jogar seu par de sapato no meio da sala”.

Não fica apenas nessas sugestões moderadas. No programa Escola do Amor, ela chegou a sugerir que a mulher não deve tagarelar quando o marido estiver cansado. E ela assume que quem faz a sua cabeça é o pai, sua maior fonte de inspiração e de exemplo, depois de Jesus, claro. E arrematou: “A mulher tem que oferecer a necessidade do homem de relaxar. Às vezes o marido chega em casa com cabeça quente. Não é hora de falar sobre problemas. Ela traz estresse em cima do estresse do trabalho”.

Ah, sim... vocês podem estar imaginando que o marido dela não deve ser assim tão radical... Erraram. Ele é parceiro dela no livro e no programa. E tem uma frase de auto-ajuda que está viajando pelo mundo afora: “Por que os homens se casam? Porque ele quer entrar na portinha da felicidade da mulher. Isso não faz dele um animal, só faz dele um homem. Se um homem só quisesse amizade, companheirismo, ele se casaria com um pastor-alemão, que dá muito menos trabalho”.

Além de muito rica, Cristiane é loira e bonita e os fieis seguidores a consideram uma mulher muito inteligente, o que derruba o preconceito de que mulher loira e/ou bonita só pode ser burra. Ela garante que o pai e o marido foram rigorosos para transformá-la na mulher virtuosa que ela é hoje - até já escreveu um livro chamado Mulher Virtuosa (veja a capa acima). Com suas próprias palavras, ela conta o que ocorreu no altar:

“Foi como se minha mão direita estivesse algemada à esquerda do meu pai, e no altar ele abriu a algema do pulso dele, colocou-a no do Renato, a fechou novamente e passou a chave para ele. Foram 5, 6 segundos de liberdade, cronometrados”.

Lindo, não? Isso é poesia pura. Chico Buarque de Holanda não conhecia versos tão maravilhosos quando escreveu e musicou Mulheres de Atenas.

Espero que Deus, pelo menos Ele, me perdoe por tratar desse assunto aqui no blog, porque tenho certeza que as mulheres de esquerda e feminista – que não lêem a revista Veja e por isso mesmo desconheciam tanta sabedoria – jamais irão me perdoar.

Ai, Deus do céu, por que eu não nasci na Idade Média...?



quarta-feira, 6 de março de 2013

Solidão é lava que cobre tudo e sorri dentes de chumbo


Solidão, como bem define a música de Paulinho da Viola, é “lava que cobre tudo”. Solidão nos faz lembrar um manto escuro, pesado, a nos envolver intensamente, nos escondendo e nos tornando pequenos diante de tudo que acontece no mundo e na vida. Diz a canção que ela é “amargura em minha boca” e “sorri seus dentes de chumbo”.
Nada mais pesado e ao mesmo tempo de uma beleza poética sem precedente para falar de um tema tão recorrente no mundo das artes. Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques, trata do tema por meio da história dos Buendía. Tornou-se um dos livros mais lidos e reconhecidos da literatura mundial – um ícone do realismo fantástico.
Esse tema da solidão é visitado, também, com frequência pelos poetas, que nos propiciam frases lapidares como a de Fernando Pessoa:

“Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Ou os versos de nosso querido e saudoso Vinícius de Moraes:

“A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta,
que se defende, que se fecha,
que se recusa a participar da vida humana.”

É isso. O remédio para a solidão é a vida. Vivê-la intensamente, sem desperdiçar as possibilidades que se nos apresentam. Ter alguém ao lado não basta. Necessário também estar de bem consigo mesmo para poder estar ao lado de alguém e, mais ainda, poder mantê-la sempre presente, participante e integrada. É o Stand By Me, a canção antológica do compositor e cantor de soul americano Ben E. King. Não fez sucesso mundo afora por acaso.
O vídeo abaixo mostra a canção cantada de forma harmônica por diversos países do mundo, unindo povos distintos, culturas diferentes num mesmo refrão: fique comigo! Logo em seguida, outro vídeo com a voz maravilhosa de Nana Caymmi para os belos versos de Vinícius de Moraes e a melodia impecável de Tom Jobim, em Eu Não Existo Sem Você.
Haja solidão para resistir a tanta poesia e tantos talentos.