quinta-feira, 27 de junho de 2013

Podem desligar os aparelhos, Mandela continuará vivo


Nelson Rolihlahla Mandela, ou simplesmente Mandela, carinhosamente apelidado de Madiba, ou ainda apelidado pela imprensa de Pimpinela Negro nos tempos em que era ferozmente perseguido pela polícia sul-africana, é aquele cidadão que não irá morrer nem mesmo quando desligarem os aparelhos que o mantêm vivo. Embora já tenha sido considerado morto por diversas vezes, mais amiúde neste mês de junho, depois que foi internado vítima de infecção pulmonar.
Seu estado é considerado crítico e o anúncio de sua morte não será surpresa nem para os familiares, nem para o povo pelo qual lutou e sofreu durante décadas. Mandela é mais do que um ser que nasce, cresce e morre.
Na verdade, Nelson Mandela é muito mais do que a África do Sul, mais do que um continente dividido pela segregação racial, implodido pelo sangue de Sharpeville e reconquistado pela sua extraordinária capacidade de liderança, depois de enfrentar 27 anos de prisão.
Mandela é universal. Foi e continuará sendo sempre a voz de um povo que sofreu durante quase meio século de existência do regime conhecido como apartheid. Viveu a luta, a prisão, a vitória e conheceu o poder sem perder a ternura jamais, embora nunca tenha deixado de ser firme, quando precisou sê-lo, e nem de conciliar quando o destino do povo sul-africano exigiu que assim procedesse.
Madiba só deixou de ser unanimidade quando presidiu a África do Sul, de 1994 a 1999, e optou por criar a Comissão da Verdade e Reconciliação - encarregada de apurar, mas não punir, os fatos ocorridos durante o apartheid -, empenhando-se em assegurar à minoria branca um futuro no país. Evitou, assim, a guerra civil, mais derramamento de sangue e incertezas quando aos dias que viriam.
Dúvidas essas que foram afastadas naquela época, mas voltam a permear o cenário político com a perspectiva de sua morte. O legado de Mandela é forte, a democracia está em pleno vigor na África do Sul, mas as desigualdades sociais são imensas – a renda média de um lar branco é seis vezes o de uma família negra. As comunidades se misturam, mas de maneira bastante limitada. Analistas dizem que pode fazer falta, daqui pra frente, uma voz conciliadora nas esferas mais alta do sistema.
O povo africano vai chorar a morte de Mandela. Mas, na verdade, não teme pela sua ausência e sim pelo risco de que o seu legado venha a se perder. Anunciar a qualquer momento a morte de Nelson Mandela será apenas uma formalidade. O que os sul-africanos – negros e brancos – não querem é ficar sem o sonho de que é possível construir uma sociedade democrática, mais justa e multirracial.
O fim desse sonho será um pesadelo muito mais cruel do que a morte do Pimpinela Negro.



terça-feira, 25 de junho de 2013

Até empresários de ônibus já manipulam movimento das ruas

Rodoviários iniciaram a paralisação na área central de Brasília...
... e nada fizeram para conter a fúria de alguns dos "manifestantes" 
Já escrevi aqui e no Facebook minhas preocupações com alguns aspectos do movimento popular que saiu às ruas. Os ganhos aconteceram e o País acordou do sono alienante que atingia principalmente os mais jovens. Agora, juntos, precisamos refletir sobre alguns aspectos do movimento que transborda oportunismo. Em Brasília, em função da manifestação de ontem, dia 24 de junho, realizada na rodoviária do Plano Piloto, a manipulação da onda de protesto ficou muito clara. Se não, vamos aos fatos:

1)    Os rodoviários, sem a participação do sindicato que é reconhecidamente atuante, decidiram fazer uma paralisação e protesto contra um possível desemprego no novo sistema de transporte que será implantado no decorrer do segundo semestre deste ano. O sindicato percebeu que os empresários de ônibus – leia-se Vagner Canhedo e Valmir Amaral – estavam por trás do movimento, pelo simples fato de que perderam a licitação e vão ter que deixar o sistema depois de quase 50 anos à frente do (péssimo) transporte público do Distrito Federal.
2)    Os próprios rodoviários, apoiados por algumas pessoas, conduziram o movimento para o quebra-quebra, partindo inclusive para a tentativa de queimar ônibus. Paralelamente a tudo isso, os ônibus sumiram de circulação, deixando milhares de pessoas sem condições de voltar pra casa – quem mora no lado sul do DF teve que se espremer nos vagões do metrô. Tudo muito bem orquestrado entre manifestantes e empresários.
3)    O quebra-quebra só não se concretizou em maior dimensão graças a ação da polícia, inclusive a da tropa de choque. Por coincidência, os primeiros novos ônibus do novo sistema de transporte do Distrito Federal começam a chegar a partir desta sexta-feira. Os atuais empresários – alguns deles não puderam participar da licitação porque são devedores de impostos – vão gradativamente ter que largar o osso em que estão grudados há décadas. Não aceitam essa realidade e querem criar um clima de confronto para impedir que o novo sistema seja implantado. O que vão fazer os manifestantes daqui pra frente? Vão quebrar os novos ônibus que virão para beneficiar a população, principalmente os mais pobres?
4)    Também por coincidência, nos últimos dias circulou pela internet uma “mensagem”, atribuída ao GDF, dando conta de que o preço das passagens em Brasília seria aumentado em R$ 0, 20. Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que isso não é verdade. Tudo foi articulado pra criar o clima favorável à manifestação de ontem na rodoviária, que deveria terminar em quebra-quebra. Prontamente, o GDF veio a público negando peremptoriamente qualquer possibilidade de reajuste das passagens até o fim da atual gestão.
5)    Além de as passagens não aumentarem, os usuários de ônibus coletivo do DF terão, gradativamente, ganho real com a implantação do transporte integrado por meio do bilhete único – ônibus novos com ônibus novos, ônibus novos com metrô e ônibus novos com ônibus da TCB (empresa pública do DF). Importante lembrar que os estudantes do DF têm passe-livre nos ônibus. No final do ano, serão três mil novos veículos em circulação. Tem muita gente torcendo para que isso não se torne realidade!
6)    Juntam-se aos interesses desses empresários que patrocinaram a manifestação de ontem, a má-fé de alguns rodoviários em disputa pelo sindicato da categoria, a falta de escrúpulos de alguns políticos locais já de olho nas eleições do ano que vem e também a falta de seriedade de alguns colegas jornalistas (por motivos os mais diversos).

Por tudo isso e por muitas outras coisas que ainda virão, volto a insistir, como fiz no texto que escrevi no Facebook e aqui no blog: é preciso saber por qual motivo se está indo para as ruas! Ninguém pode se tornar massa de manobra de interesses espúrios e estranhos aos verdadeiros anseios de quem realmente quer mudar este país. Os oportunistas de plantão, certamente, estarão presentes na manifestação que está sendo convocada para amanhã, dia 25, na Esplanada dos Ministérios. Aliás, quem está convocando e quem vai liderar o protesto desta quarta-feira? Sinceramente, volto a insistir sobre aquilo que disse antes: está sobrando ação e faltando reflexão. O risco é muito grande.
Não custa nada lembrar que até a canção de Geraldo Vandré, Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, atualmente toca em passeata de grupos ruralistas...


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Noite fria, mas o Inverno começa quente e confuso no Brasil



O Inverno começou frio, de madrugada, às 2h04, com termômetro marcando 13 graus. Mas a noite foi uma das mais quentes da história do Brasil desde que acabou a ditadura militar. Manifestação em todas as capitais e várias cidades do interior, com centenas de milhares de pessoas nas ruas, sendo que em pelo menos 13 capitais ocorreram violência e ação de vândalos. Um jovem de 18 anos morreu atropelado na cidade de Ribeirão Preto.
Enquanto o mundo todo assistiu vários movimentos populares para derrubada de regimes ditatoriais, chamados de Primavera e outras estações do ano, aqui no nosso país, infelizmente, o movimento ganha contornos de um Inverno triste, cinzento, nublado, tirando qualquer possibilidade de podermos enxergar uma luz no fim do túnel.
As lideranças do movimento, talvez pelo fato de serem muitos jovens, inexperientes, erraram ao não definir mais claramente quais são os objetivos que querem atingir e as bandeiras que de fato estão ostentando. Cometeram também o equívoco de desvalorizar, chegando a tripudiar em cima dos partidos políticos. A crítica genérica e ostensiva à atividade política não contribui para o movimento, muito menos para a democracia.
Como disse lá no Facebook – a ferramenta mais eficaz da rede social –, o momento é muito sério e por isso mesmo exige reflexão, e menos ação, principalmente regada a tanto destempero. Quem critica os gastos com a Copa do Mundo não pode ir para as ruas destruir o patrimônio público que foi construído a duras penas. Aqui, na capital da República, estão depredando monumentos como o Palácio do Itamaraty e a Catedral de Brasília. Não acredito mais que seja apenas ação de uma meia dúzia de baderneiros. Nas imagens da frente do Itamaraty é possível ver centenas de pessoas e ninguém aparece tentando reverter a situação. Pelo contrário, aparecem aplaudindo o vandalismo.
Não existe liderança capaz de aglutinar e aproveitar o que o movimento tem de bom, talvez, pelo fato de os partidos políticos terem sido rejeitados pelos manifestantes. Os prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e a própria presidente da República estão todos perplexos e demonstram fraquezas nos pronunciamentos a respeito do que está ocorrendo. É preciso ação firme, mas não violenta, e um discurso claro e objetivo, mas desprovido de interesses pessoais, demagógicos e eleitorais. Caso contrário, ninguém sabe onde tudo isso irá acabar.
Eu continuo preferindo o Inverno do Meu Tempo. Aquele do mestre Cartola, que escreveu uma música genial – talvez a melhor, ou pelo menos, uma das melhores de seu repertório. O Inverno é frio e, ao mesmo tempo, está quente! Vamos trabalhar para que o que tem de bom no calor e no lampejo dessa geração seja realmente capitalizado rumo a um novo caminho.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Dia do Químico, mágicas e alquimias através dos tempos


No dia escolhido para homenagear os profissionais da Química, é bom lembrar que os políticos desse nosso imenso Brasil são verdadeiros alquimistas, principalmente em anos de eleição. Devemos estar sempre preparados para o imenso besteirol que se divulga na propaganda eleitoral como se fossem conquistas e melhorias alcançadas pelo povo brasileiro. Essa capacidade de transformar tudo que toca em ouro não é privilégio só dos políticos que estão no poder. Também os oposicionistas são capazes de nos surpreender, sempre.

E se esses políticos vivessem na Idade Média não seriam considerados químicos, com certeza. Na verdade, não seriam nem mesmo alquimistas. Pela Igreja Católica, a cada vez que se manifestasse, cada um deles seria tomado por um bruxo. Correria o risco de morrer queimado na fogueira, enforcado, decapitado ou afogado. Tem político que é favorável à pena de morte. Aliás, tem político que é "favorável à tortura". Pasmem!

Pois era assim que a poderosa Igreja de então tratava as pessoas, principalmente as mulheres, que se aventuravam a produzir suas porções ou elixires. Em dois séculos daquela Era, mais de 50 mil mulheres foram assassinadas por terem sido consideradas bruxas.

Na verdade, o que faziam era misturar extratos de flores de Dedaleiras, com sapos secos e extratos de raízes de Serpentina no óleo de amêndoa. Estava pronto o Elixir do Sono Profundo, que adormeceu Branca de Neve, a Bela Adormecida e até Julieta, de William Shakespeare, na imortal paixão por Romeu. Sócrates foi condenado a morrer envenenado pela Cicuta. Na idade média, as “bruxas” sabiam produzir o elixir da morte à base de semente de Cicuta, misturada com extrato de semente de Estricnina, cujo principal alcaloide é a estricnina, e mais uma vez o sapo seco – tem-se aqui o Elixir da Morte. 

As alquimistas de então também faziam o Elixir do Amor, que misturavam em óleo de amêndoa, raízes de Mandrágora (narcótico e afrodisíaco), com flor de Meimendro (alucinógeno), nozes de Areca e Cânhamo-Amarelo (pura adrenalina). Diziam que essa poção servia para elevar o bem-estar.

Elas produziam coisas mais interessantes ainda. Inclusive um unguento que era passado na vassoura para que pudessem voar até a floresta – diziam as más línguas que era aonde iam participar de diabólicas orgias. Nessa poção fantástica, elas adicionavam Beladona, folhas de Dama da Noite, extrato de raízes de Mandrágora e misturavam tudo no óleo de amêndoa e gordura de bebê – de preferência recém-nascido ainda não batizado.

Assim os poderosos da época faziam a química de misturar verdades com mentiras e transformar as alquimistas de então em bruxas. Tudo isso acabava na fogueira, infelizmente, em nome de Deus. Foram os artistas de então, por meio da poesia, literatura e libelos, que fizeram frente a tamanha desumanidade. Hoje, os chargistas enfrentam o fundamentalismo sanguinário e pagam com a vida. Há também os que querem utilizar a draconiana Lei de Segurança Nacional, da ditadura militar, contra chargistas e humoristas. 

Os políticos, acima mencionados, fazem suas poções mágicas com extrema facilidade e desfaçatez. Mas não são capazes de tirar o brilho dos profissionais de Química, que merecem nossa sincera homenagem no dia de hoje. A eles os nossos parabéns, e também as nossas esperanças de que um dia, quem sabe, consigam encontrar a fórmula mágica capaz de espalhar, aos quatro ventos, sabedoria, discernimento, bom-senso e amor próprio.

Fiquem com Deus, com a ciência e com Jorge Ben Jor...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fernando Pessoa faria hoje 125 anos e seria uma criança

Em 2011, aqui no blog, escrevi algumas palavras sobre Fernando Pessoa pelas comemorações do 123º aniversário do seu nascimento (para ler, clique aqui). Para mim é um dos maiores poetas da humanidade. Pelo menos é o que me toca mais fundo por toda a beleza que construiu em versos. Fernando Pessoa é tudo que se possa imaginar no mundo da poesia.
Cantou o amor, o sonho, a esperança. Foi simples e sofisticado. Brincou com a literatura e a filosofia. Soube ser enigmático e ao mesmo de tempo de uma clareza poucas vezes igualável. Era ao mesmo tempo "médico", "engenheiro", "professor" e, sempre, poeta.
Recebeu influência do simbolismo e do futurismo e, em algumas partes de sua obra, é possível perceber certo niilismo, talvez pela influência de Nietzsche e de Schopenhauer. Mas, era bucólico, monarquista e defensor da cultura latina, em Ricardo Reis. Ao mesmo tempo, um lorde inglês, em Álvaro de Campos; sem perder a simplicidade, em Alberto Caeiro.
Faço questão de transcrever aqui um comentário ao texto que escrevi em 2011. Foi postado pelo sobrinho (por afinidade), poeta, cronista, contista e diplomata Matheus Carvalho, atualmente morando em Buenos Aires. Disse ele sobre Fernando Pessoa:
“Na minha opinião, ele é o maior poeta que já teve sua sombra projetada no chão deste mundo. Tanto o sonhar como uma simultânea desilusão com o futuro, tanto a contemporaneidade quanto o classicismo, tanto a poesia livre quanto a metrificada, tanto a epopeia quanto o lirismo, tanto a filosofia quanto a recusa à filosofia, tudo habita na obra deste que é um dos meus grandes ídolos.
Matheus assinou isso embaixo do meu texto. Hoje, eu assino embaixo de suas palavras.
Se estivesse ainda entre nós, Fernando Pessoa estaria fazendo hoje 125 aninhos. Uma pena que tenha morrido tão novo, vítima de cirrose hepática, com apenas 47 anos de idade. E produziu essa grandiosidade toda, pura arte, obra prima.
Nossa singela, mas sincera, homenagem ao Poeta Maior, com esses pretensiosos versos em forma de um soneto. E, claro, nada melhor do que ouvir Nau Martins e Os Argonautas interpretando Mar Português, de Pessoa.



De Pessoa a Portugal
José Carlos Camapum Barroso

Habito num mundo pobre de sonhos
Que nem poetas arriscam mais sonhar.
E, numa rua de olhares tristonhos,
Quem vê pedra, não enxerga o mar.

Este mar por onde navegou Camões
Nada (nada!), nem sal nos serve mais...
Apenas ondas de doces ilusões
Versos quebrados, parados no cais.

Portos que um dia ouviram Pessoa
Dizer sonetos, canções imortais,
Ouvem apenas uma onda que ecoa

Murmúrios e soluços banais.
Nem a revolução nos abençoa...
E cravos não são flores, são jornais.




terça-feira, 11 de junho de 2013

Dia dos Namorados, de ficar ou namorar, menos sozinho...


Sou do tempo em que namorar era namorar mesmo! Esse negócio de ficar nem existia, nem muito menos fazia qualquer sentido! A gente ficava era com os amigos, na pracinha da avenida principal, tocando violão, cantando, aquecendo a voz com a bendita água que até passarinho hoje em dia bebe, aguardando a hora de fazer serenata para a namorada. Ficar... Imaginem!
Imaginem também se naquela época a gente levava namorada pra boate. Aquele lugar escurinho, barulhento, geralmente animado por música ruim, que não dá pra conversar, onde não se ouve nem murmúrio ao pé do ouvido. Boate, quando raramente se ia, não era para ficar, mas sim pra arrumar alguma coisa, podendo ser até mesmo uma namorada pra quem estivesse totalmente descompromissado.
Outro termo completamente em desuso. Descompromissado... Hoje, ninguém tem compromisso com mais nada. No máximo se dá atenção para a namorada pelas redes sociais. O Dia dos Namorados é um sofrimento hoje em dia. O garotão tem que largar o computador pra sair com a namorada, encontrar com os amigos, com as amigas dela, sentar todo mundo em volta de uma mesa, cada um municiado de seu celular, smartphone, iPad, iPhone, Tablet, todos de última geração e interligados entre si. De vez em quando, um vira pro outro e pergunta: E aí, véio?
Claro que nem todos são assim. Há aqueles que preferem levar a namorada para o cinema, assistir A Hora do Pesadelo 16 – O 16º Retorno de Freddy Krueger. Mas, há também os jovens, bem jovens, que levam suas namoradas para um restaurante, ou fazem em casa um jantar à luz de vela, ouvindo boa música, recitando poesias e levando um bom papo. Pasmem, mas existem!
Na verdade, há espaço para tudo e para todos os gostos nesse mundo de hoje, moderno, globalizado e interligado 24 horas por dia: do ficar a namorar, do desligamento ao ligamento romântico, da indiferença à presença constante, atenciosa e carinhosa. Não existem regras fixas, pré-estabelecidas, preconceituosas. Nesse sentido os jovens de hoje estão anos luzes na frente das gerações passadas.
Fico aqui escrevendo todas essas coisas e amanhã, Dia dos Namorados, estarei passando mais um dia 12 de junho distante da minha namorada! Ano passado, digitei mal traçadas linhas sobre esse dilema de passar o Dia dos Namorados distante da pessoa amada (para ler, ou reler, clique aqui).
Agora, a história se repete e ainda não consegui resolver um dilema tão elementar, depois de quase 33 anos de namoro oficial e de mais uns cinco anos ficando, extraoficialmente. Realmente, os jovens de hoje são muito mais bem resolvidos. E eu que achava que ficar era mais complicado...

O Amor
Fernando Pessoa

O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 

Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de dizer. 
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer. 

Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr'a saber que a estão a amar! 

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar.

sábado, 8 de junho de 2013

Preservação dos oceanos ganha força a cada 8 de junho


A imensidão do mar é assustadora. Sentimo-nos pequenos e irrelevantes diante da grandeza dos oceanos. Desde os primórdios de nossa civilização, o homem enfrenta a força das ondas, as correntes traiçoeiras, a dificuldade de localização, tempestades indescritíveis, em busca de novas conquistas, tesouros, terras, alimentos, conhecimento. Dois terços da superfície do planeta são ocupados pelos oceanos.
Mas, mesmo assim, somente em 1992, portanto há apenas duas décadas, os homens resolveram celebrar os oceanos. Foi durante a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre ambiente e desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro. Em 2008, há cinco anos, a ONU oficializou o dia 08 de junho como o Dia Mundial dos Oceanos com o objetivo de chamar a atenção para a importância dos mares na preservação das espécies e da biosfera. O tema deste ano é “Juntos Temos o Poder para Proteger os Oceanos”.
Nossos oceanos não estão ameaçados apenas pela poluição. Também a pesca exagerada e a superexploração estão degradando as costas, corais e recifes. A população mundial está chegando a nove bilhões de pessoas, fazendo crescer o universo de gente que trabalha e se alimenta graças aos oceanos. Suas águas são a principal fonte de oxigênio, ajudam a regular o clima e suas formações costeiras servem para proteger povoados de tempestades e outros desastres naturais. Hoje, 85% das áreas de pesca do planeta já estão classificadas como totalmente exploradas, superexploradas ou mesmo esgotadas.


Como se tudo isso não bastasse, ainda há a previsão de aumento significativo do nível do mar ao longo deste século, como consequência do aquecimento global. A conscientização dessa realidade abre as portas para mudanças, busca de soluções e valorização dos nossos mares.
Recentemente, um estudante holandês desenvolveu projeto para construção de uma máquina capaz de retirar mais de sete milhões de toneladas de plásticos dos oceanos. Boyan Slat deu ao seu invento o nome de Ocean Cleanup Array (OCA) e garantiu que o equipamento pode retirar todo o material flutuante e limpar os oceanos em apenas cinco anos.
Ou seja, nem tudo está perdido e muito coisa importante ainda pode ser achada. Como hoje é sábado, e também porque hoje é sábado, nada melhor do que ouvir duas belas canções que nos ajudem a pensar positivamente.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dia do Meio Ambiente não passou, não passará, No Pasáran!


Não deixei passar em branco, nem amarelei no dia 05 de junho pra falar do Dia Mundial do Meio Ambiente. Tenho escrito sempre sobre as questões ambientais, as ameaças que são tantas à preservação das florestas, da qualidade do ar que respiramos e da água que nos garante a vida. Tenho sempre preocupado em mostrar tudo isso vinculado às artes, à cultura, ao trabalho dos músicos e à ousadia dos poetas. Foi assim que falei de Tom Jobim, Vital Farias, Elomar, Almir Sater e Tetê Espíndola - pra rever cada post é só clicar nos respectivos links.
A inspiração definitiva para o dia de ontem só se completou no dia de hoje, ao ver uma belíssima foto feita pela cidadã uruaçuense Sinvaline Pinheiro, que postou essa obra prima lá no Facebook. Nada mais, nada menos do que um por de sol no nosso exuberante lago da Serra da Mesa, em Uruaçu, claro.
Essa foto acima é responsável pelos versos abaixo.

Meu mundo é aqui
José Carlos Camapum Barroso

Lago da Serra da Mesa
É essa proeza toda
Posta aos nossos olhos
Como cartão-postal.
Árvores distorcidas
Brotam de um lago,
Embranquecido pela vida,
Amarelado pelo Sol,
Adormecido pela Lua.

Um cerrado que flutua
Sobre nossas cabeças,
Desafiando o homem
Na ânsia do progresso.
Água cristalina paira
No horizonte do amanhã,
Relembrando o passado,
Investindo no futuro...
Gotas turvas, com a chuva,
Trazem recordações,
Tristezas mergulhadas
Em águas tão profundas.
Alegrias que se dissipam
Pelos dedos, liquefeitas,
Desfeitas e refeitas
Na imaginação juvenil.

Somos tão frágeis
Ante tanta natureza...
Nossas pernas tremem,
Nossos olhos embaçados
Mal distinguem o bem
E se perdem no infinito.
Isso é mais que Uruaçu,
Bom demais, esse Goiás!
Isso é Brasil, América,
Terra e água do Universo
Colorido pela mão de Deus.
Isso é a natureza posta
Em seu próprio habitat.
Isso é Serra da Mesa!
Que beleza...
  

domingo, 2 de junho de 2013

Carros e motos levam o caos a Goiânia - cidade vai parar


Toda vez que eu vou a Goiânia volto com a sensação de que qualquer dia a cidade vai parar em definitivo. O caótico trânsito da cidade tornou-se um problema sério e sem qualquer perspectiva de solução em médio prazo. A capital de Goiás já deveria estar executando um projeto de implantação de metrô ou de veículo leve sobre trilho, acompanhado de uma melhoria substancial no sistema de transporte público por meio dos ônibus. Mas, nada disso está em andamento ou mesmo em discussão.
Goiânia tem do ponto de vista proporcional a maior frota de veículos e o mais expressivo número de motocicletas nas ruas, em comparação com todas as capitais do Brasil. São mais de um milhão de veículos circulando, numa proporção de 1,2 carros por pessoa, e mais de 350 mil motocicletas nas ruas da cidade.
Estudo feito pelo Observatório das Metrópoles, com base em números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) constatou que, em dez anos, de 2001 a 2011, a frota de veículos em Goiânia aumentou mais de 100% e a de motocicletas simplesmente triplicou. As causas principais são o aumento do poder aquisitivo da população, os incentivos fiscais dados pelo Governo Federal e a facilidade de obtenção de créditos junto às instituições financeiras. Tudo isso estimulado por transporte público de baixa qualidade que não convida ninguém a deixar seu veículo em casa.
Soma-se à falta de planejamento claro e preciso para melhorar o sistema de transporte coletivo o fato de que, diante de um aumento dessa dimensão da frota de veículos e de motocicletas, é impossível viabilizar um projeto sem que se faça um redesenho amplo da cidade, o que teria um custo social muito alto.
Esse é um quadro nada desejável vivido pela população brasileira em todos os grandes centros urbanos. Mas, a situação em Goiânia é particularmente assustadora, pois está chegando a um ponto insuportável de forma rápida e sem que as autoridades apresentem uma solução planejada para a população. A cidade não tem um quilômetro sequer de metrô e terá que implantá-lo daqui pra frente a um custo altíssimo.
Exponho essa preocupação porque tenho uma grande admiração pela capital goiana, principalmente pelos seus valores culturais, pela vida noturna cheia de opções, bons restaurantes, ótimos barzinhos, e um povo bastante acolhedor. Goiânia não é uma cidade isolacionista como Brasília. Lá, quando você sai de casa, sente-se perto das pessoas. Elas estão ali, nas calçadas, nas praças e, quando os motoristas e motoqueiros permitem, também nas ruas.
Goiânia precisa acordar rápido para a gravidade dessa situação antes que, definitivamente, seja tarde. Aliás, já estamos bem perto do caos. Falta muito pouco para a cidade parar. Depois não adiantará ficar repetindo o refrão: “Goiânia parou! Parou por quê?”.
Parou por culpa de todos nós e não apenas pela incompetência e desinteresse das autoridades.