sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Incêndio em Memorial é mais um descaso com a cultura

 
Nesta sexta-feira, que felizmente não é 13, quase que um incêndio destrói por completo o Museu da América Latina, em São Paulo. Nove militares do Corpo de Bombeiros ficaram feridos, dois deles em estado grave, mas a tragédia poderia ter sido maior ainda se o auditório Simon Bolívar, com capacidade para 1.600 pessoas, estivesse lotado. Segundo informações dos meios de comunicação, todo o auditório ficou destruído e, no bojo dele, uma tapeçaria de 800 metros quadrados, de Tomie Ohtake (foto acima).
Essa é mais uma tragédia ocasionada pelo descaso e desinteresse pelas coisas da cultura. A brigada de incêndio do Memorial não conseguiu conter as chamas, provavelmente porque não estava suficientemente preparada e equipada para agir numa circunstância como essa. Tiveram que chamar o Corpo de Bombeiros, e aí se perdeu muito tempo. Além disso, existe a informação de que o alvará do prédio estava vencido.
O memorial é um projeto desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro, que morreu em 1997, com desenho do arquiteto Oscar Niemeyer, falecido no ano passado. A inauguração desse monumento foi em março de 1989, ano da primeira eleição direta, depois dos anos sombrios da ditadura militar. Que esses dois monumentos da nossa cultura nos perdoem por mais essa.

                                                               Foto de Leonardo Soares/Folhapress
As veias da América Latina sempre estiveram abertas para a exploração de impérios. Agora, essa cultura latino-americana, tão rica, está sempre sujeita ao descaso e à falta de investimentos. Isso sem falar na massificação da indústria cultural, com seus produtos descartáveis, feitos para consumo rápido, e anódinos.
Mas, relaxem. Fiquem calmos. Sentem-se em suas poltronas e aguardem, calmamente. Vem aí o Big Brother Brasil 2014. Quem perdeu a inscrição tem algo a comemorar. Segundo a produção do programa, os inscritos serão entrevistados na Cadeira Elétrica. Os escolhidos, privilegiados, vão participar do programa já com seus cérebros devidamente eletrocutados, ainda com aquele cheirinho de carne sapecada. Aí, sim, estarão aptos a ficarem expostos à curiosidade mórbida de milhões de brasileiros, que, com certeza, não têm nada de melhor pra fazer nessa vida.
Mas, estávamos falando de quê, mesmo? Ah, sim da combalida e abandonada cultura da América Latina, da qual honrosamente fazemos parte.
Que Atahualpa Yupanqui, com todos os caminhos de índios que construiu à base de muito talento, ao longo de toda sua vida, nos salve e guarde! E preserve nossa rica cultura latino-americana.
Ainda bem que hoje é sexta-feira, e não é dia 13.
 

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tia Tetê é a prova de que talento não escolhe lugar nem hora


Tia Tetê, também conhecida como Terezinha Barroso Vidal, é uma daquelas figuras marcantes da nossa infância e juventude uruaçuense. Por todo o universo de grandeza e curiosidades que cercam sua existência. Criou 15 filhos – todos estão vivos e bem encaminhados – naqueles anos difíceis das décadas de 1950 a 1980. Embala e curte seus 34 netos e 16 bisnetos. Com essa imensa família, vive feliz e mantém aquele sorriso nos lábios e simpatia na mesma casa, na mesma rua, da mesma cidade onde sempre morou – nossa pequena, porém descente, Uruaçu.
Nesses tempos de comunicação on line, graças às mídias sociais, descobrimos que tia Tetê continua “revolucionária” na sua humilde, mas relevante, existência  e passagem por este mundo. Aos 81 anos – vai fazer 82 no próximo dia 6 de dezembro –, mantém uma boa saúde, continua lúcida, cuida bem dos seus jardins e ainda virou artista plástica. Está pintando belos quadros, retratando a natureza – árvores, pássaros e objetos. Natureza, aliás, que ela curte e cuida muito bem e de forma descontraída, como mostra a segunda foto publicada no alto.
Tia Tetê continua com o mesmo charme, sorriso delicado e simpatia que sempre a acompanhou por toda essa trajetória de vida, que, com certeza, não deve ter sido nada fácil. Imaginem criar quinze filhos numa cidade do interior, em uma época de dificuldades, quando tudo tinha que ser feito à mão, durante todos os dias do ano, como os docinhos que ela prepara na foto acima.
Ela é uma prova viva de que o dom artístico não escolhe lugar nem hora para se manifestar. Pode ficar ali, por muitos anos, represado, contido, mas quando se manifesta vem como uma torrente de paixão, graças ao talento e à sensibilidade que a permeiam.
Salve tia Tetê! Salve a cultura, a arte e o talento que movem a humanidade. Milton Nascimento estava certo quando disse que todo artista tem que ir onde o povo está. E todos nós, pobres mortais, devemos ir onde os artistas estão, em busca da graça, do prazer e do contentamento. Principalmente quando a artista está ali, do nosso ladinho, bem guardada nos nossos corações.



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Três músicos, três corações do Brasil imensamente musical

Santa Cecília, a padroeira que inspira os músicos

Comemorar o Dia da Música e dos Músicos é bom demais da conta. Viver esse dia numa sexta-feira, melhor ainda. Músicos como os mestres Plínio Fernandes Teixeira e Sidney Barros, mais conhecido por Gamela, ambos de saudosa memória, e também o maestro e amigo Joaquim Thomaz Jaime, o Nega, são nomes ideais e a melhor  opção para se comemorar esta data e também para se reverenciar o talento de músicos brasileiros e de todos os recantos do mundo

Plínio do Cavaquinho de Uruaçu
Mestre Plínio nasceu em Nazário, Goiás, mas viveu boa parte de sua vida na nossa querida Uruaçu, terra de uma musicalidade invejável. Aprendeu a tocar cavaquinho aos 4 anos de  idade e, aos 7 anos, já se apresentava em festinhas de sua cidade natal. Em Uruaçu, juntou-se ao talento de músicos como tia Zizi (violino), Aleixo (sanfona), Diogo (voz e violão), Chico Alfaiate (violão e voz), Antenor Monturil (violão), e tantos outros que foram sendo atraídos pela sua simpatia e pelo prazer que nos proporcionava.

O cavaquinho que Plínio carregava cuidadosamente foi escolhido por ninguém menos do que Jacob do Bandolim. O instrumento está bem guardado pela família, no estojo original e com a nota fiscal da compra. Plínio também fez parcerias musicais com João Garoto, Paulo Amazonas e o a turma de Goiânia conhecida como Amigos do Samba, entre os quais o inesquecível Quietinho do violão de sete cordas. Ao Plínio ofereço, com muito amor e carinho, Pedacinho de Céu.



 Maestro Joaquim Jaime
Mestre Joaquim Jaime, o Nega, atualmente é maestro da Orquestra Sinfônica de Goiânia, depois de ter fundado e conduzido durante muitos anos a Orquestra Filarmônica do Estado de Goiás. Nasceu em Niquelândia, cidade de onde saíram as famílias que iriam fundar Uruaçu. Pra provar que esse mundo é pequeno, embora vasto, Plínio, nos tempos de solteiro, antes de conhecer dona Maria Luíza, com quem se casaria no ano de 1955, conheceu e namorou Marilu Jaime, musicista e a irmã que ensinou o Nega a tocar piano – isso lá pelas bandas de Nazário e depois, Pirenópolis. Ao maestro, vale a pena oferecermos Mozart.

Gamela, que poucas pessoas conheciam pelo nome de batismo, Sidney Barros, é um dos grandes instrumentistas da história musical brasileira. Infelizmente, resolveu partir bem mais cedo do que o combinado e nos deixou em maio deste ano. Era um exímio violonista e um professor dedicado e criativo - autodidata, criou o seu próprio método para ensinar violão. Foi o primeiro professor de harmonia de Rafael Rabelo e ajudou a formar músicos como Herbert Vianna, Cássia Eller, Dado Villa-Lobos, Zélia Duncan, Rosa Passos, Nelson Faria, Paulo Ricardo, Lula Galvão, Daniel Santiago, Hamilton de Holanda e tantos outros.

Gamela exímio violonista
Para que ninguém diga que somos bairristas, Gamela não nasceu em Goiás, mas sim em Barreto, São Paulo. Porém, sempre há um porém, veio muito cedo pra essas bandas, atraído pelo sonho da nova capital da República, Brasília. Constituiu família em Anápolis, onde tinha casa e veio a falecer em 16 de maio deste ano. Ao Gamela, a homenagem mais justa é por meio de Luiz Bonfá, de quem ele foi um grande representante no mundo. Abaixo, uma belíssima interpretação de Bonfá feita por Charlie Byrd.

Esses são os três músicos que este blog homenageia em nome de todo o universo musical. Pedimos a benção a Santa Cecília, padroeira dos músicos, para que derrame suas graças e continue a iluminar e a inspirar essa gente de tanta sensibilidade e talento.

Há dois textos neste blog sobre música e músicos que, de repente, até vale a pena ler ou reler. Clique aqui para o de 2011 e aqui para o texto de 2012.



  




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Talento de Jean-Marie vai do blog para a grande mídia


Depois de um agradável e prazeroso feriado e fim de semana na fazenda São José, no município de Rio Verde, tão logo chegamos a Brasília, na segunda-feira, tivemos uma agradável surpresa. Na edição de sexta, dia 15 de novembro, o jornal Correio Braziliense publicou uma página, no caderno de Cidades, com reportagem sobre Jean-Marie, o francês goiano, agricultor, desenhista e escritor, que foi revelado por este blog (para ler ou reler, clique aqui e também aqui).
Num belo texto do jornalista Renato Alves, com registro fotográfico preciso de Daniel Ferreira, a reportagem mostra a saga de um agricultor do interior da França que veio para o Brasil, com engenho e arte, ajudar na conquista e formação do cerrado goiano. E traz uma boa notícia: as tratativas para publicação do livro Rio Claro, ilustrado pelos desenhos de Jean-Marie, estão bem adiantadas, com boas possibilidades de que seja lançado no primeiro semestre de 2014.
Ficamos felizes em saber que este espaço, mais uma vez, atrai a atenção da grande imprensa para aspectos importantes da vida cultural brasileira. Jean-Marie disse-me que está feliz em ver o seu trabalho sendo reconhecido e ganhando visibilidade. É essa valorização dos trabalhos artísticos, seja de profissionais já reconhecidos, ou não, que o ZecaBlog vai continuar perseguindo por entender que a verdadeira libertação do homem acontece pelas atividades culturais.
Vamos continuar tentando traduzir esses trabalhos, realizações e empreendimentos naquilo que eles possam ter de sublime, artístico, situados acima e à parte das coisas "normais" do nosso dia-a-dia. Por esses caminhos, a humanidade pode buscar e encontrar o verdadeiro desenvolvimento.
Vamos em frente que a fila é grande e precisa andar.




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nas ondas do rádio é possível surfar com prazer e segurança


O rádio é uma das grandes paixões da minha vida. Passei a infância e a pré-adolescência com o ouvido colado num daqueles aparelhos tradicionais de rádio, que já nem se fabricam mais. Gosto das surpresas que vem pelas ondas sonoras, tanto no plano das notícias, quanto no das músicas e do humorismo. Acho prazeroso, por exemplo, colocar cinco discos e deixar tocar músicas aleatoriamente, recurso hoje sofisticadamente chamado de shuffle. Quando faço isso, os meninos lá em casa já zombam: "lá vem o saudosista do rádio...".
Boa parte das minhas recordações de infância tem alguma coisa vinculada ao rádio. Lembro que certo dia estava sentado numa cadeira, ao lado da mesinha do rádio, cumprindo meu ritual, quando entra o amigo de infância Zé Renato Pereira (de saudosa memória), dizendo: “seu avô morreu, tá sabendo que seu avô morreu!”.
Tinha morrido, mesmo. E o corpo de seu Antônio Camapum, mais conhecido por seu Toinho, já estava chegando a Uruaçu, vindo de Goiânia, depois de uma temporada tentando debelar um câncer na capital do Estado. Lembro um pouco do velório, as pessoas chorando muito e eu assustado com tudo aquilo. Depois, durante alguns dias, o rádio ficou coberto com um pano preto. E eu sem entender o que estava acontecendo. Além de perder meu avô, ainda não podia ouvir rádio? Explicaram-me que era preciso guardar luto.

Batista Barroso, radioamadorista em Uruaçu
Adorava ir para casa do tio e padrinho Batista Coelho Barroso, radioamadorista licenciado, que tornava as comunicações mais eficazes naqueles anos das décadas de 1950 e 1960, na pequena Uruaçu, encravada no coração do Brasil e do mundo - quiçá, do universo. Ele transmitia em PRK, um número tal, que já não me lembro, e com a deixa de Brasil-Guatemala-França. Sempre que falo do rádio, ou do radioamadorismo, lembro-me dele, que já nos deixou e foi surfar, com toda sua bondade e talento, em outras ondas desse imenso universo.
A comunicação via rádio é fácil, direta, objetiva. O seu poder de difusão e de penetração nas diversas classes sociais e pelo país afora é inestimável. Todos amam o rádio, sejam radialistas, jornalistas, comentaristas, músicos, e até mesmo, pasmem, os políticos!
Já temos três datas homenageando esse veículo de comunicação e seus profissionais. Uma dessas datas, o Dia do Radialista, em 21 de setembro, foi criado por Getúlio Vargas para comemorar a instituição do piso salarial da categoria; o outro Dia do Radialista, em 07 de novembro, foi instituído pelo presidente Lula, em 2006, para homenagear Ary Barroso, músico e locutor esportivo de raro talento; e o tradicional Dia do Rádio, que se comemora em 25 de setembro, criado para reverenciar Roquete Pinto – o pai do rádio no Brasil.

Até na criação do rádio tem dedo de brasileiro. O inventor, oficialmente, é o italiano Guglielmo Marconi, que criou o "telégrafo sem fio", um modelo inicial que se desenvolveu até o sistema que conhecemos hoje. Mas há também quem atribua essa invenção ao padre brasileiro Roberto Landell de Moura, que, em 1894, desenvolveu aparelho semelhante e efetuou a emissão e recepção de sinais a uma distância de oito quilômetros, do bairro de Santana para os altos da Avenida Paulista, em São Paulo. Religiosos fanáticos teriam destruído seu aparelho e anotações por se tratar de pacto com o demônio, o que atrasou o registro da invenção.
Ary Barroso, justamente homenageado com o Dia do Radialista, na semana passada, era uma figura ilustre e folclórica do mundo do rádio. Flamenguista apaixonado, narrava as transmissões dos jogos de forma bastante peculiar. Quando o time adversário se aproximava da área do seu clube, em jogada perigosa, ele gritava: “Não quero nem ver”. Se o Flamengo sofria um gol, então, ele narrava: “E deu-se a merda”.
Vale lembrar que o Radialista também é homenageado no dia 21 de setembro, data em que foi criado o salário base para esses profissionais, em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas.
No dia 25 de setembro é celebrado o Dia do Rádio, em homenagem a Edgard Roquette-Pinto, que nasceu nessa data no ano de 1884. Em 1923, ele criou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora do Brasil.
O rádio e os radialistas merecem nossas homenagens. É um veículo de comunicação fantástico, cheio de histórias curiosas e intrigantes. Nessas ondas, podemos surfar com segurança e tranquilidade. Elas não nos oferecem riscos, só contentamento.

domingo, 10 de novembro de 2013

Blog chega a 200 mil visualizações sem se "corromper"

                                                                     Álbum de família - agosto de 1998
Neste domingo, dia sempre reservado às graças, este blog atingiu o número de duzentas mil visualizações de páginas. Isso quer dizer que, nestes dois anos e nove meses de existência, algumas centenas ou talvez milhares de pessoas entraram 200 mil vezes para ler alguma coisa que foi postado nestas páginas. Parece pouco, mas é muito se levarmos em conta duas coisas: não é um blog voltado para assuntos fast foods e nem conta com qualquer apoio publicitário.
Então, imaginemos assim, quem passou por aqui tem afinidades com os temas culturais, gostam de músicas, poesias, literatura, teatro, cinema, pintura e todos os assuntos que dizem respeito ao mundo das artes.
Em sua maioria, as visualizações vieram do Brasil, mas os Estados Unidos estão em segundo lugar, provavelmente graças à nossa imensa colônia de brasileiros por lá. Nossos patrícios portugueses assumem o terceiro lugar em busca pelos textos do ZecaBlog, provavelmente estimulados pelas similaridades da língua.
E o quarto lugar, ocupado pela Alemanha, só posso atribuir a uma alemãzinha bem querida – a sobrinha Ana Laura, que deve gastar o alemão falando do Brasil. A Rússia em quinto lugar, podemos atribuir aos resquícios deixados por lá pelos uruaçuenses exilados nos anos da ditadura?
Já o Reino Unido em sexto é semelhante à situação dos Estados Unidos e a forte ocupação de brasileiros. Mas, não tenho nenhuma dúvida, que a França em sétimo lugar só pode ser obra e arte da sobrinha Raquel Campos e do nosso querido Marlon Salomon, que estiveram por lá um bom período – deixaram raízes. A Espanha está em oitavo, a Ucrânia (!), em nono, e o Canadá em décimo.
Os dez post mais lidos são os seguintes:











Foi assim e assim sempre será, desde aquele primeiro e fatídico passo, dado no dia 16 de fevereiro de 2016, com a belíssima poesia do mestre Itaney Francisco Campos, desembargador, poeta e acima de tudo um grande amigo (para ler ou relembrar, clique aqui). Estaremos sempre preocupados com o que há de novo no mundo das artes, da cultura e do saber. Não fugiremos do debate, muito menos da crítica, como ocorreu no post sobre o "talento" da filha do bispo Edir Macedo. Nem de criticar até mesmo a nossa querida Uruaçu pelo seu carnaval regado a música sertaneja e boate (pode?).
Também transitaram por aqui poetas-amigos e amigos-poetas - entre eles, destaco Maranhão Viegas, responsável por essa empreitada e padrinho desse blog -, pintores, escritores, contistas, desenhistas, romancistas, músicos compositores e instrumentistas, cantores e cantoras e tantos outros talentos conhecidos, reconhecido, ou não, no mundo das artes.
Ressaltamos a vida, a ausência de tantos que já nos deixaram; as tragédias que abalaram culturas milenares, como a do Japão; a beleza de festas como as proporcionadas pelo frevo, pelo carnaval ou pelo samba, seja por aqui, pela Europa ou pelas ilhas de Cabo Verde; as festas populares, de Minas, Goiás, do Nordeste, do Sul e de todos os lugares; o bom humor e o lado cultural do futebol também ganharam espaço nestas páginas...
E assim vamos vivendo e sobrevivendo, seguindo em frente sem esquecer o passado, mas de olho bem aberto para com as coisas do presente e com coração pronto para o futuro.
Pra coroar um domingo tão especial, nada melhor do que ouvir o mestre soberano Tom Jobim, na parceria maravilhosa com Vinícius de Moraes, em Chega de Saudades...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CD Vínculos pode ser a grande surpresa de Brasília este ano

CD Vínculos do pianista José Cabrera será lançado em dezembro
Final de ano é bom porque surgem novidades na área cultural, principalmente na música com lançamentos de novos discos. Recentemente, recebi e-mail do amigo Douglas Umberto de Oliveira, sobre quem já escrevi neste espaço (para ler ou reler, clique aqui), falando de um CD que será lançado em dezembro. Com o sugestivo título de “Vínculos”, o trabalho contempla doze canções de autoria do músico José Cabrera, sendo que oito delas em parceria com o Douglas.
O universo musical é brasiliense com a participação de bons músicos, como Paulo André Tavares, no violão, Oswaldo Amorim, no baixo, Sidnei Maia, flautas, Moisés Alves, trompete, Amaro Vaz, bateria e a bela e interessante voz de Laura Lobo, filha do Cabrera. O grupo também está gravando clipes de duas canções que estarão disponibilizados em breve.
Douglas me mandou uma pequena amostra grátis. Uma gravação provisória da valsa Nós Dois, dele e do José Cabrera, na voz da Laura e com acompanhamento do violão de Paulo André. Por essa música, dá pra sentir que vem coisa boa por aí. Vamos torcer para que o CD fique pronto antes do Natal. Será mais um opção para Papai Noel presentear os amigos.


domingo, 3 de novembro de 2013

Sobre catedrais, seus vitrais e tantos sonhos passados



As igrejas fazem parte das nossas lembranças dos tempos de criança, quando as frequentávamos cheios de sonhos, ilusões e esperanças. Era quando recebíamos os primeiros ensinamentos sobre moral, religião, mas também o momento de outras tantas descobertas. Não é por acaso que as catedrais são como castelos de areia, fazem parte de poesias, músicas, contos e crônicas sempre associadas a histórias fantásticas, românticas e algumas vezes permeadas de revelações e questionamentos sobre nossa passagem por esta vida.
Uma delas está em Trem noturno para Lisboa, de Pascal Mercier, que é um belo livro - e quem ainda não leu deveria ler. Nele há uma passagem muito interessante sobre as catedrais, os seus vitrais, e todos os questionamentos que um jovem intelectual consegue e pode fazer sobre as razões da existência humana. Enquanto somos jovens não há limites para críticas. A ousadia e a criatividade voam alto, iluminadas pela luz que enche de beleza os vitrais das catedrais.


Faço essas considerações porque hoje baixou uma saudade arretada daqueles tempos em que nossa existência gravitava em torno da Catedral de Uruaçu, a igreja matriz da nossa cidade, o colégio ali do lado e tudo que fazíamos era por ali. Como éramos felizes e todos os nossos amigos e pessoas queridas estavam vivos! Até os dissabores eram passageiros. Não duravam mais do que um raio de luz passando por um desses vitrais da igreja.
O que fica mesmo são as boas lembranças, momentos inesquecíveis como o de sentar nos degraus daquela catedral e ficar observando o tempo e as pessoas passarem, como tudo passa nessa vida. Uma conversa fiada, ao som de violões e sob a luz suave e macia do luar. Um namoro escondido ou uma escapada de uma cerimônia modorrenta que custa a chegar ao fim.
Os vitrais das catedrais são lindos de se ver, por dentro e por fora. Quem observa o conjunto da obra se contenta com o prazer estético, a arquitetura que muitas vezes se sobrepõe ao valor histórico. Do lado de dentro, sentimos mais forte a beleza da fé, o que há de grandioso nos ensinamentos das religiões e, sem os quais, muitas pessoas não conseguiriam o mínimo de equilíbrio pelos caminhos tortuosos da vida. A luminosidade dos vitrais é assim, vista do interior das catedrais é mística e nos enche de grandiosidade.


Catedral
José Carlos Camapum Barroso

 Passa-se o tempo
Como passa o vento,
Nossos sonhos e
Até pensamentos
Passam, na Catedral.

 Passa o momento
Que se supunha sempre!
E era tão fugaz...

 Vão se os amigos
A lugares distantes
Nunca alcançados
Em versos de saudades.

 Somos um vitral...
Apagado pelo tempo,
A refletir a luz ausente
De alguns luares.

 Somos a Catedral,
Cheia de sonhos;
Alguns alcançados,
Outros espalhados
Por remotos lugares.

 Catedrais e seus vitrais
São restos de ilusões,
E muito mais.

 

Catedral
Composição: Tanita Tikaran
Versão: Zélia Ducan

O deserto
Que atravessei
Ninguém me viu passar
Estranha e só
Nem pude ver
Que o céu é maior
Tentei dizer mas vi você
Tão longe de chegar
Mas perto de algum lugar

É deserto
Onde eu te encontrei
Você me viu passar
Correndo só
Nem pude ver
Que o tempo é maior
Olhei pra mim
Me vi assim
Tão perto de chegar
Onde você não está
No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei
Vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar
Solidão
Quem pode evitar
Te encontro enfim
Meu coração é secular
Sonha e deságua
Dentro de mim
Amanhã devagar
Me diz
Como voltar

Se eu disser
Que foi por amor
Não vou mentir pra mim
Se eu disser
Deixa pra depois
Não foi sempre assim
Tentei dizer
Mas vi você
Tão longe de chegar
Mas perto de algum lugar...