sábado, 25 de janeiro de 2014

São Paulo, aos 460 anos, esqueceu-se do Som Paulo caipira

                                                           Foto de Fernando Donasci / FolhaPress
Alguém aí sabe me dizer se o Som Paulo caipira ainda existe? Aquele Som Paulo – dos tempos de Alvarenga e Ranchinho, Raul Torres, Zé Fortuna, Nhô Bento, Barreto, Tonico e Tinoco e tantos outros que fizeram estrada na música verdadeiramente sertaneja – ainda existe? Faço essa pergunta pelo fato de o São Paulo de agora fazer hoje 460 anos e ter se transformado num verdadeiro país dentro do Brasil. Tem um mundo dentro de si e carrega, como consequência, problemas que são inimagináveis pra essa cabecinha, aqui, lá do interior goiano...
São Paulo tem quase a idade do descobrimento do Brasil e sua história se confunde com a do país. A cidade tem tudo no âmbito da indústria, comércio, diversão, artes e cultura. Os problemas também são muitos e com a dimensão de uma megalópole. Mas, seus atrativos são grandiosos e nos deixam entusiasmados.
Estar em São Paulo é se sentir amplo, realizado. As possibilidades são tantas que nos consideramos parte delas. Nossos sonhos crescem junto com a dimensão da cidade e tudo o que ela nos oferece.
Senti isso de forma mais relevante quando conheci a Vila Madalena e suas opções de boemia tão tradicionais e admiradas. A começar pelos nomes poéticos das ruas: Paulistânia, Harmonia, Purpurina, Girassol, Original, entre outros. De repente, você se encontra na esquina da Harmonia com a Purpurina. Nomes que foram sugeridos por estudantes anarquistas que frequentavam o bairro.
Mas, não tenho visto ser ostentado por aí, com grandeza e orgulho, a cultura caipira, que Som Paulo fez nascer e cultivou por tantos anos. Existem, sim, sertanejos oportunistas como esse tal de Daniel, que fez dupla com João Paulo, e outros do mesmo nível, de uma pobreza artística impressionante. Quem desbravou o universo caipira foi o paulista Cornélio Pires, que, se ainda estivesse vivo, não permitiria esse vácuo na cultura secular de São Paulo. Tudo isso está muito claro nos belos versos de Nhô Bento, resgatados por Rolando Boldrin, como abertura da música Paulistinha, composição de Barreto, que reproduzo abaixo apenas com áudio.
São Paulo continua aí a desafiar qualquer raciocínio lógico, abrigando gente de todas as partes do país e do mundo. Caetano Veloso teve uma sensibilidade extraordinária ao compor Sampa, que fala da beleza impressionante e assustadora da cidade, de sua Rita Lee e de tantas outras realidades.
Viva São Paulo e Som Paulo! Dos caipiras até os dias de hoje, passando por Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa e tantos outros de saudosa memória! A cidade é rica culturalmente e não apenas no sentido financeiro.
 

 
 

2 comentários:

  1. OLá amigo José Carlos, que alegria receber a sua visita no letra e fel! Olha, eu vou, mas eu volto!!!! (risos)...
    Parabéns pelo post sobre São Paulo, foi uma delicia escutar a fala caipira e rememorar (via imaginação) essa São Paulo que ainda não tinha sofrido tanto com a despersonalização da vida moderna... Mas, a cidade continua linda, rica e em movimento... Abraços dessa poeta capixaba... RB

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    1. Obrigado, amiga Renata. Suas passagens pelo blog sempre nos enchem de alegria.

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