quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Baixinha e a Turma do Grao invadem o Quituart nesta sexta


A maior invasão cultural da história do Lago Norte vai ocorrer nesta sexta-feira, a partir das 21h00. Os músicos que tocam todo domingo à noite no Grao, o bar da Baixinha (às vezes, conhecida por Ivanise Ribeiro Santos), ingressarão, de instrumentos em punho, armados e afinados, no Quituart para participar de mais um evento em comemoração aos 25 anos de existência desse agradável espaço de lazer, cultura, artes e quitutes de Brasília.
O Dia D será comandado, obviamente, pela Baixinha, que há mais de cinco anos dirige sozinha o Grao, desde a perda do marido Fernando Grao, fundador do barzinho e, por consequência, do Espaço Musical Coqueiro, que ganhou esse nome numa homenagem ao talentoso bandolinista, que nos deixou mais cedo do que o combinado.
Baixinha é conhecida pela sua extraordinária capacidade de trabalho. Incansável, toma conta do bar, até tarde da noite, e acorda cedinho para abrir a banca de revista, em frente ao Grao. Varre e lava a calçada do barzinho, da banca de revista e, no embalo, limpa também as áreas dos vizinhos.
Eu geralmente acordo cedo pra comprar pão e leite. Ela já está no batente, firme e contente, vassoura e rodo na mão, balde no chão... e o cigarrinho entre os dedos ou nos lábios. Vez em quando um desavisado imagina ser ela também a proprietária do salão de beleza, da mercearia, da padaria. Outro dia, fui testemunha de uma cena inusitada. A Baixinha estava passando o rodo em frente ao salão de beleza. Uma madame aproximou-se e perguntou: “dona, as meninas já estão atendendo nesse horário? ”
Não satisfeita com sua expansão territorial pelo comércio da QI-13 do Lago Norte, a Baixinha participará da invasão, nesta sexta-feira, do espaço cultural do Quituart, devidamente escoltada, claro, por um exército de músicos, comandados pelo violão de Sanson Alhadef Junior. Lá, com certeza, estarão Índio (7 cordas), Rodrigo (flauta), Chico (percussão), Nivaldo (pandeiro), Otávio (violão de aço), Raul (guitarra baiana e bandolim), Murilo Grossi (sax), Walcir (maracas). Além de outros músicos e artistas que costumeiramente passam pelo Grao e dão uma canja do seu talento, como o cantor seresteiro Fernando Lopes, sobre quem já escrevi aqui no blog.
Assim, de invasão em invasão, de encontros musicais e outras quizombas culturais, o Lago Norte vai se firmando como um dos melhores ambientes musicais de Brasília. O vídeo abaixo mostra a turma do Grao executando o choro Diplomata, de Pixinguinha. Dá pra se ter uma ideia do valor da moçada.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Queijo na mesa e na sobremesa está na nossa cultura


Queijo também é cultura. Por isso mesmo, não poderia continuar ausente das páginas aqui do ZecaBlog. Principalmente depois dessa foto tirada ao lado do amigo Elmiro da Cunha Pinto, dono de uma banca de queijos e outros quitutes do Lago Norte, um conhecido feirante do Distrito Federal, especialmente na Feira dos Goianos. O queijo ostentado na foto foi produzido especialmente para atender um pedido do Elmiro. É da região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, e considerado por muitos especialistas o melhor queijo produzido no Brasil. Compro toda semana e a mineiríssima Stela Márcia, minha mulher, adora.
O queijo de Minas já é tombado pelo Iphan, como patrimônio cultural brasileiro, há cinco anos. E seu valor gastronômico é reconhecido em outros países. O primeiro cidadão estrangeiro a fazê-lo foi o pintor Jean-Baptiste Debret (tinha que ser um francês!), quando, em viagem ao Brasil, lá pelos idos de 1816, notou que tínhamos um produto diferente, servido ao final das refeições e conhecido por queijo-de-minas. Também no início do século XIX, foi exaltado por outro francês famoso: Auguste de Saint-Hilaire.


Tem um provérbio antigo que diz: "queijo com pão faz homem são". Genial. Eu faria apenas uma variação para dizer o seguinte: de queijo e pão todos os homens são. E é assim mesmo. Esses dois alimentos estão associados integralmente a história da humanidade. Melhor que esse casamento só o da goiabada com queijo, o famoso e delicioso Romeu e Julieta. Apaixonante até no nome.
O queijo está presente na mesa da humanidade há mais de 10 mil anos. Assírios, caldeus, egípcios e mais tarde gregos e romanos apreciavam o produto, utilizando-o bastante na alimentação dos soldados. No Brasil, surgiu na região do Serro Frio, Minas Gerais, produzido por portugueses que queriam um queijo semelhante ao tipo Serra, muito comum em Portugal. Ao invés do leite de ovelhas, aqui usaram o queijo de vaca, dando origem ao Queijo Minas.

Queijo Canastra, meia-cura, semelhante ao que compro toda semana
Certa vez disse ao Paulinho Hargreaves, filho do ex-ministro Henrique Hargreaves, que estava comprando queijo meia-cura da região da Serra da Canastra, importado de lá pelo nosso amigo Elmiro. Ele não teve dúvidas, e sentenciou com a autoridade da família que conhece do assunto: “você comprando o melhor queijo que tem no Brasil”.
Desejo a todos um fim de semana de muita chuva, menos calor e bastante queijo na mesa, um bom vinho, uma ótima companhia e uma música com a grandeza de Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, dois mineiros criados com queijo-de-minas e tantas outras maravilhas das Alterosas.



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Flores do Cerrado pra homenagear o talento de Fernando Lopes

Foto Divulgação
Entre o pequeno público dos idos de 1959 à calorosa plateia deste ano, no último mês de julho, existe em comum o talento, a simpatia e a paixão pela música a marcar a vida de um cantor de boleros e canções seresteiras. Lá, às vésperas da inauguração de Brasília, tinha o então presidente Juscelino Kubitschek entre os poucos e atentos ouvintes do jovem seresteiro Fernando Lopes, goiano de Piracanjuba. Mais de cinco décadas depois, uma multidão de amigos e admiradores, construídos e conquistados nesses 56 anos, comprimiram-se no aconchegante espaço do Feitiço Mineiro para matar a saudade de rever e ouvir Seu Fernando.
A amizade com o presidente bossa-nova permitiu a Fernando Lopes conviver com o mundo artístico, incluindo, entre outros, Sílvio Caldas, Dilermando Reis e Luís Vieira. Fez parte do primeiro cast de artistas da Rádio Nacional, em Brasília, e trabalhou em peças de teatro. Graças à sua sugestão e sensibilidade, o cerimonial da Presidência da República utilizou pela primeira vez na história, ao receber o presidente americano Eisenhower, um arranjo de flores secas do Cerrado.
Daqui mesmo deste Planalto Central, Fernando Lopes viu passar os tempos da bossa nova, jovem guarda, rock’n’roll, e outros gêneros, sempre fiel ao estilo de cancioneiro e seresteiro de um Brasil bem interiorano. Sempre cercado de amigos e admiradores apaixonados pela boa música. Foi assim que o conheci nas rodas de chorinhos e outras bossas no espaço musical do Grao, nas noites de domingo, no Lago Norte. E também nas noites de sexta-feira, no Quituart, dividindo um saboroso chope no Butequim do Tuim. De lá para cá, ficamos amigos e ele ganhou mais um admirador.
A volta de Seu Fernando aos palcos trouxe também o retorno de Tião Ribeiro, fundador do conjunto de baile Squema 6, um dos mais tradicionais do Centro-Oeste. O violonista Tião também é goiano, de Silvânia, e um excelente instrumentista. A produção e o roteiro musical receberam uma pitada do talento dos jornalistas Paulo Pestana e Luís Jorge Natal.
Deve pintar por aí um registro dessa página importante da história musical de Brasília, um consolo para os fãs que se acotovelaram na calçada do Feitiço Mineiro, mas não conseguiram o privilégio de ver e ouvir Seu Fernando ao vivo.
Bem ao estilo de jornalista fuçador do mundo virtual, pesquei três vídeos e os resgatei aqui para o ZecaBlog. Os amigos merecem esse deleite. No primeiro vídeo, La Barca, composição de Roberto Cantoral; na sequência, Tu Me Acostumbrastes, de Frank Domingues; e, por último, Quizás, Quizás, Quizás, de Oswaldo Farrés.