Confesso que acordei com uma ressaca moral no domingo, com gosto de quarta-feira de cinzas na garganta, pois, pela primeira vez não pude participar do Carnaval dos Amigos, que ajudei a criar e pelo qual tenho orgulho. A ressaca piorou mais ainda quando comecei a receber os comentários sobre a festa e, também, pelas matérias estampadas nos jornais. O Carnaval dos Amigos passou a ter de tudo em seu repertório: rock, música sertaneja, Anitta, funk e outras músicas que nada têm a ver com o Carnaval.
No salão em que se
concentra o Bloco dos Amigos, no Flamingo ou no Oliveira’s Place, não se
tocava esse tipo de música, exatamente porque a proposta sempre foi a de resgatar a
tradição dos carnavais de salão e de rua, com bandas e as músicas
condizentes. Este ano, abriram as porteiras e o repertório foi contaminado por
músicas sertanejas e outras querelas que não têm identificação com o Carnaval.
A justificativa, se é que ela existe, dada pelos organizadores, é a de que o
Bloco dos Amigos se uniu ao do Zeferino, e este toca tais músicas.
A rigor, o bloco do Zeferino, ou qualquer outro, ao decidir participar do Carnaval dos Amigos deveria estar imbuído do mesmo espírito carnavalesco. Caso contrário, todos esses blocos deveriam e poderiam ter criado um outro carnaval, dentro de outros padrões e propostas. Nada contra. Poderiam imitar os carnavais de Salvador, com músicas baianas, axé, sertanejas, rock e um cordão de isolamento para cada bloco.
Esse lado triste e
empobrecedor da festa fica ainda mais notório, e decepcionante, quando olhamos as
fotos do Carnaval dos Amigos. Muita gente bonita, fantasiada, com fantasias
criativas, interessantes, bem dentro do espírito carnavalesco. Fico imaginando
todos esses personagens dançando no salão e nas ruas ao som de música
sertaneja, rock’n’roll, Anitta...
Não dá. É muito triste e decepcionante. E eu fico me perguntando, cá com meus botões: tem solução para as próximas jornadas? Pouco provável, mas, fica o desafio para todos nós, admiradores, organizadores, participantes e todos aqueles que amam e curtem o verdadeiro carnaval.
Vamos refletir juntos? Antes tarde do que nunca.






