sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Quem diria, Blog já tem até o seu dia internacional


Pronto. Já existe até o Dia Internacional do Blog, que por acaso é hoje. Dizem os primeiros historiadores desse tema que os blogs começaram a surgir na segunda metade da década de 1990. Nessa fase inicial, eram lugares reservados para se escrever sobre atividades diárias. Tarefas cotidianas passaram a ser publicadas naquele espaço para os amigos e pessoas próximas.
Em 1997, o norte-americano Jorn Bargem desenvolveu um sistema para que as pessoas escrevessem na internet sobre tudo o que achassem interessante. Ele nomeou essa atividade de “weblog”. A internet ainda estava na sua fase inicial e não existiam tantos serviços disponíveis. Mesmo assim, o weblog foi considerado um sucesso.
Foi somente em 1999 que o blog se transformou em uma febre. Após um tempo, as plataformas ficaram mais completas, e isso fez com que blogar se transformasse em uma atividade respeitada.


O Blogger (hoje pertencente ao Google) foi uma das primeiras empresas a fornecer sistemas automáticos de publicação de blogs. A principal inovação estava no fato de que qualquer leigo em ferramentas tecnológicas poderia aprender e começar a escrever rapidamente.
Em 2000, uma mudança tornou as postagens mais dinâmicas. Nesse ano, o Blogger transformou cada post em uma página única. Dessa forma, as pessoas poderiam divulgar uma nota facilmente. Essa inovação foi chamada de “permalink”, nome que permanece até hoje.
Unido aos comentários, os permalinks transformaram os blogueiros em escritores. Os textos não eram mais um amontoado de frases soltas, mas algo em que as pessoas prestavam atenção. Nesse momento, os primeiros haters nasceram, além de pessoas condenando o conteúdo postado ou mesmo corrigindo erros de português.
Por fim, outra novidade importante foi o feed de notícias. Ainda existente, ele é uma ferramenta que permite aos leitores assinar um blog e acompanhar as suas novidades. Dessa maneira, as pessoas poderiam se conectar facilmente com os seus blogs favoritos.
Atualmente, as pessoas preferem escrever sobre temas mais complexo e interessantes…
No Brasil, Nemo Nox é reconhecido como o 1º blogueiro. Em 1998, ele criou O Diário da Megalópole, no qual escrevia sobre as suas ideias e as suas experiências.
Diferentemente do principal uso no exterior, ele não inseria conteúdo sobre a sua vida pessoal, mas principalmente sobre atividades culturais. Mesmo naquele tempo, já apareciam pessoas discordando das suas publicações, o que o levava a conversas mais profundas.
Estimulado pelo jornalista e amigo Maranhão Viegas, virei blogueiro em 2011, voltando o foco para o universo cultural, jornalístico e de lazer. O pontapé inicial foi dado, e não podia ser diferente, por meio da poesia (para ler clique aqui). De lá pra cá, foram muitos textos, fotografias, músicas, crônicas, notícias, poemas e poesias. Estamos chegando a 360 mil visualizações de páginas, com uma média diária de 150 visualizações. O maior número de leitores é do Brasil, seguido pelos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Rússia, França, Ucrânia, Polônia, Reino Unido e Espanha.
O nosso sonho é estimular a produção cultural, valorizar os artistas e seus trabalhos, num país em que a cultura tem sido relegada a segundo ou terceiro plano. Vamos continuar nossa missão, árdua, mas, acima de tudo, prazerosa.
Salve a cultura, o blog, os blogueiros e os apreciadores dessas páginas!


domingo, 26 de agosto de 2018

Glaucia Foley lança CD com belos arranjos de samba

Depois de Meu Canto, CD lançado em 2010, a juíza-cantora-compositora Glaucia Foley volta a nos agraciar com mais um disco de samba com sabor carioca, mineiro e brasiliense. São as raízes dela e o apego pela música que fazem Essa Moça ser um disco bonito e um tributo louvável ao samba e aos sambistas brasileiros.

O CD ganha cores de um belo arco-íris graças aos arranjos impecáveis de gente como Rildo Hora, Paulão 7 Cordas, Fernando Brandão, Fernando Melino e Carlinhos 7 Cordas. Canções já consagradas ganham novas roupagens e as inéditas chegam com cara de que vieram para ficar. Mais riqueza ainda com a participação de Nelson Sargento, Breno Alves e o violão de Ernesto Dias, em Mestre de Obras, uma composição dele com o meu amigo Douglas Umberto de Oliveira.

No repertório, que nos faz viajar pelo mundo do samba de Brasília e Rio de Janeiro, estão  músicas como “Teatro da Vida” (Délcio Carvalho/Wanderley Monteiro); “Homenagem ao Mestre Cartola” (Nelson Sargento); “Nada Mais” (Moacyr Luz/Wanderley Monteiro); “Sinfonia Imortal” (Nelson Sargento/Agenor de Oliveira) e “Amor, dono do meu caminho” (Sereno/Moacyr Luz).


O CD também contempla as inéditas “Até Quando” (Sergio Magalhães); “Dança do Bastão” (Kiki Marcellos/Alexandre Chacrinha/Wagner Nascimento); “Essa Moça” (Toninho Nascimento); “Mestre de Obras” (Jaime Ernest Dias/Douglas de Oliveira) e “Volta” (Branka/Carlinhos 7 Cordas). Além das autorais: “Vila Planalto” (Gláucia Foley) e “Deixa Falar” (Gláucia Foley e Toninho Nascimento).

Toninho Nascimento é um dos responsáveis por essa obra que nos enche de contentamento da primeira a última música. Sobre como surgiu a ideia do CD, ele conta que levou a moça para conhecer a Portela, mas, “antes passamos na rua Manacéia e eu lhe apresentei Dona Neném, viúva do autor de Quantas Lágrimas”. Na quadra, conta Toninho, “a moça disse no pé a ginga elegante e graciosa de uma porta-bandeira”.

Sobre Glaucia Foley, seu talento e profissionalismo tanto na Justiça como na arte de cantar e de compor, já escrevi aqui no blog (para ler clique aqui). Recomendo o disco a todos que gostam de boa música e amam o samba. Nesse vídeo, uma palinha do que pode e alcança Essa Moça.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Violão de Yamandú e violino de Herz fazem um belo CD


Mais um belo CD instrumental está na praça. Yamandú Costa, violão de sete cordas, e Ricardo Herz, violino, juntaram todo o talento que Deus lhes deu em disco que leva o nome do dois. Lançado pelo selo Bagual, em abril, o álbum pode ser considerado um dos mais belos deste ano. Todas as músicas são de composição dos dois músicos, sendo três de Herz e seis de Yamandú, e duas parcerias.
Não é fácil a interação de violão com violino, principalmente sem a presença de outro instrumento. O talento de um gaúcho regional com o de um paulista universal permitiu que enfrentassem e superassem esse desafio. Uma outra razão para isso pode ser atribuída ao fato de não abusarem do virtuosismo, embora seja uma característica de ambos.
Yamandú mostra nesse CD que o seu talento como compositor é cada vez mais público e notório, merecendo ser aplaudido tanto ou mais do que como o já consolidado extraordinário intérprete. Chamou-me a atenção a música Reencontro, bela, grandiosa, com ares e acordes que lembram grandes composições musicais para filmes. As músicas Meiga, Mimosa e Matutinho, todas de Yamandú, lembram trabalho de grandes violonistas brasileiros, como Banden Powell e Marco Pereira, entre outros.


Herz mostra virtuosismo também para compor. Mourinho, que abre o CD, tem um fraseado bonito, interessante, e, segundo o violonista foi inspirada em Mourão, de Guerra Peixe. O músico também assina Inocente, de rara beleza.
De um modo geral, Yamandú faz a função de acompanhante, deixando o parceiro bem à vontade para o solo. As posições invertem-se em Chamaoquê, composição do paulista, mas, com sotaque e solo de gaúcho.
Um disco imperdível. Yamandú e Herz registraram, nesse CD, um encontro em que o talento e a inspiração dos dois nos dá um resultado único, que emociona e toca fundo na alma. Confiram, o CD está saindo por apenas R$ 19,90 para download.



domingo, 5 de agosto de 2018

Tempo, tempo, tempo... esse ser inventivo e belo


O tempo tem sido, ao longo da história da humanidade, um grande desafio e ao mesmo tempo uma fonte inesgotável de prazer do ponto de vista do conhecimento, da cultura, poesia e filosofia principalmente. Vários filósofos mergulharam de cabeça e mente no tema, convencidos da sua grandeza e complexidade. Um enigma a ser decifrado desde a antiguidade até os dias atuais.

Santo Agostinho nos dá o tom exato dessa complexidade. Dizia: “O que é, portanto, o tempo? Se ninguém me pergunta, seu sei; se quero explicá-lo a quem me pergunta, não sei”. Para Imannuel Kant, o tempo é um dos esquemas mentais; o outro, seria o espaço. O tempo é a forma do sentido interno, a intuição de nós mesmos e do nosso estado interior. O espaço estaria limitado aos fenômenos externos. E estes obedeceriam à condição formal da intuição interior, o próprio tempo, que seria a condição a priori de todo o fenômeno.


Nietzche dizia que viver é como se tudo tivesse que retornar. Isso nos remete a Descarte, que considerava fundamental, além da leitura dos livros, viajar e viajar, como forma de conhecer outros povos, outras culturas e poder alcançar uma visão mais segura do passado. Chegou a se alistar em exércitos estrangeiros para poder ganhar maior mobilidade. Depois, vendeu seu patrimônio e continuou viajando no espaço e no tempo.

Mas, para o filósofo Bérgson, o tempo da vida é a duração do presente. O presente é o que nos impele à ação. Em se tratando da ação, o passado é essencialmente impotente. Seria inútil caracterizar a lembrança de um momento no passado sem começar a fazê-lo pela consciência da realidade presente.

E os poetas? Mário Quintana chegou a escrever um belo livro chamado Os Esconderijos do Tempo. Caetano Veloso, uma lindíssima canção denominada Oração ao Tempo. E muitos outros poetas, músicos e escritores viajaram por esse tema.

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
Mário Quintana

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Acho que se tivesse a mesma oportunidade que almejou esse poeta referência para nossa cultura, faria algo semelhante. E se tivesse o mesmo dom do artista Caetano Veloso, diria aos quatro ventos: Tempo, és um dos deuses mais lindo...

Segue a minha modesta contribuição para o tema. E uma intepretação louvável, no tempo e no espaço, para a música de Caetano, com Maria Bethânia.