sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Sobre saudades, existência e outras vidas...

Difícil falar sobre saudades. Lembrar das pessoas que nos deixaram. Parentes e amigos, mesmo as pessoas apenas conhecidas, ficam por aí passeando nas nossas lembranças. Lembramos delas com alegria, mas, muitas vezes dá aquele aperto no coração. Foi numa situação assim que escrevi o poema abaixo, postado no vídeo. Perdemos, há seis anos, uma grande amiga em Belo Horizonte.
Mary Célia nos deixou muito cedo, bem antes do combinado. Foi levar seu sorriso lindo, sua simpatia e toda sua bondade para outra dimensão. Será sempre lembrada com alegria e contentamento. Hoje mesmo deu uma saudade arretada dela...
Este poema veio em virtude daquele momento muito especial que vivíamos. Muito provavelmente, outras pessoas, naquela ou em outras épocas, viveram algo semelhante. Um momento em que alguém que a gente ama esteja muito próximo de passar desta para outra vida, quem sabe mais glorificante e mais radiante do que esta. Uma passagem sempre difícil de aceitar, embora saibamos que seja inevitável.
Deixemos que os versos nos ajudem a expressar esse sentimento.

domingo, 21 de outubro de 2018

Moacyr Luz comemora 60 anos e nos dá dois presentes


Moacyr Luz, sambista da gema e de inegáveis talentos, completou 60 anos em abril, mas, foi ele quem nos deu presentes. Dois CDs com músicas suas e de vários parceiros. Um deles, o disco Nego Álvaro canta Sereno e Moacyr Luz, o segundo da carreira do cantor e sob a benção desses dois compositores cariocas. O outro presente é um disco do próprio Moacyr, com o belo título Natureza e Fé. Ambos, foram lançados pela Biscoito Fino.
Nego Álvaro conta que Moacyr Luz o chamou para conversar e disse que “como ia fazer 60 anos, queria fazer alguns discos, entre eles um dele mesmo, outro com suas parcerias com Sereno, do Fundo de Quintal, que também é um dos meus ídolos.” Não ficou apenas por aí. Moacyr também produziu e gravou Natureza e Fé, o 14º na carreira do artista e o primeiro que não tem parcerias com os tradicionais companheiros e amigos Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Hermínio Bello de Carvalho e Ney Lopes.


Nas palavras do próprio Moacyr “são parceiros novos, como Fagner, Zélia Duncan, Pretinho da Serrinha, Fred Camacho. Martinho da Vila está novamente em um disco meu porque a gente havia acabado de fazer o samba Na ginga do amor, que ele gravou comigo no disco”. A faixa que dá título ao disco é uma parceria com Teresa Cristinha, que diz bem o que é o projeto.” Fagner é coautor em “Periga” e “Samba em Vão” (na segunda, faz dueto com Moacyr). Zélia, que havia gravado Moacyr em seu último projeto, surge em “Gosto” como parceira e intérprete. Com Serjão, seu primeiro parceiro de música, ainda nos anos 70, Moacyr compôs “Jorge da Cavalaria”. “Tenho várias músicas que falam de São Jorge, não seria diferente no meu disco de 60 anos. Para “Jorge da Cavalaria” chamamos 23 Jorges, que é o número do Santo Guerreiro, para cantar o refrão. Tirando um ou outro Jorge mais famoso, como o meu querido Jorge Aragão, o Jorge Cardoso e o Jorge Perlingeiro, os outros Jorges são pessoas do cotidiano, que entraram no estúdio e cantaram de uma forma que não vou mais esquecer”, pontua Moacyr. Já Fred Camacho é o convidado na gravação de “Gostei do Laiálaiá” (Pretinho da Serrinha / Fred Camacho / Moacyr Luz).


As 12 novas canções do projeto, na visão de Moacyr, resumem sua trajetória musical e celebram os 60 anos que acabou de completar. “Aprendi com Aldir que as letras não podem ser em vão. Quando você faz uma música coloca uma tatuagem no corpo, ela ficará marcada para sempre. Então, muito cuidado com as coisas, muito respeito à música quando você quiser registra-la em um disco”, finaliza o mestre, com sabedoria.
Moacyr Luz é um grande mestre, sim. Um dos talentos em vigor que não deixa a nossa música cair no abismo da mediocridade.
Salve, Moacyr e a sua luz que vem do samba!




sábado, 20 de outubro de 2018

Sobre cactos, suas flores e seus espinhos


Dizem os entendidos que cactos são guardiões da casa e purificadores do ambiente – alguns cientistas, inclusive, garantem que eles formam uma barreira contra as ondas emitidas por aparelhos eletrônicos. Especula-se que o poder da energia dos cactos muda ambientes positivamente. Para o sertanejo nordestino, o cacto é a companhia ideal.
De fácil cuidado, quase não exige nada: pouquíssima água e suporta bem o calor.



Para quem o cultiva em casa, basta regar uma vez por semana no verão e uma por mês no inverno; gosta de quietude, pois é bastante sensível, portanto evite manusear muito ou até mesmo balançá-lo para não prejudicar o seu ciclo vital. Boa luminosidade é essencial para a sobrevivência de um cacto, então, se dentro de casa, é necessário colocá-lo perto de janelas.
Por viverem em regiões áridas e isoladas, os cactos ajudam as pessoas a conhecerem sua força interna em momentos de solidão. Como armazena, dentro do caule, água, que é símbolo de sentimentos e emoções, o cacto serve para ajudar aqueles que se defendem muito das próprias emoções.



Os espinhos podem parecer hostis, mas fazem parte da estratégia de sobrevivência da planta, natural de clima árido e terrenos difíceis, transmitindo proteção e segurança ao seu portador. Ter o cacto por perto é um lembrete de vitalidade, persistência e integração com tudo o que está a nossa volta.
Aqui em casa, o mandacaru está cercado de pedregulhos, recebe muita luminosidade e pouca água, suavizado pelo vento e o orvalho da noite. Por isso, abre com esplendor suas flores, como mostram as fotos.

Flor do Mandacaru
José Carlos Camapum Barroso

Mandacaru no caminho
Flor que desabrocha
Sobre espinho
Lágrima que encobre dor
Por onde passo sozinho

Mandacaru na estrada
Flor que desencanta
Na madrugada
Quando o frio da noite
Esconde a solidão

Mandacaru no sertão
Flor que refresca
Noite quente
De um sertanejo
Solitário e cantador

Mandacaru no jardim
Flor que desencanta
Enquanto passo
Olhos sob a lua
Nas estrelas da noite

Mandacaru em casa
Flor que revela
Na madrugada
O amor que volta
Pra mulher amada

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Charles Aznavour morre no Dia Mundial da Música


Charles Aznavour morreu na madrugada de hoje, dia que o mundo comemora a música. Tem tudo a ver Charles Aznavour e o Dia Mundial da Música. Sua vida foi plenamente voltada para música, reconhecido e admirado internacionalmente, durante oito décadas, em que chegou a vender mais de 180 milhões de álbuns. Tinha 94 anos de idade, mas, continuava em plena atividade. Acabara de chegar de um show no Japão e já tinha na agenda cidades como Kiev, Bruxelas e Tel Aviv. 
O embaixador mundial da canção francesa costumava dizer: “não sou velho, tenho mais idade, é diferente”. A crítica especializada diz que ele parecia rejuvenescer a cada vez que cantava. Estreava seus shows com uma voz alquebrada e o corpo frágil, mas concluía o espetáculo com altives e leve como uma pluma. 



Esse francês parisiense, filho de pais armênios, nasceu em 22 de maio de 1924, mas, só foi fazer sucesso nos palcos aos 36 anos de idade, numa noite de dezembro de 1960. Foi na sala Alhambra de Paris, depois de ter sido alvo dos críticos que não acreditavam no seu talento nem na sua voz. Naquela noite, ele mudou a opinião de todos ao interpretar brilhantemente “J’me voyais déjà”, justamente sobre as ilusões perdidas de um artista.

Maurice Chevalier, ator, cantor e humorista francês, que morreu em 1972, dizia que “ele se atreveu a cantar o amor como nós sentimos, como fazemos, como sofremos”. Em declaração à agência de notícia da francesa (AFP), a cantora Mireille Mathieu disse que “Charles continuará sendo o monumento e a lenda da canção francesa no mundo, suas canções são atemporais e permanecerão gravadas em nossa memória”. O Dia Mundial da Música foi instituído em 1975, pelo International Music Council, organização não governamental fundada com o apoio da Unesco. De lá para cá, muitas comemorações foram realizadas em vários países, inclusive aqui no Brasil. A comemoração deste ano, ganhou esse tom de tristeza com a morte de Charles Aznavour.