quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Antônio Nóbrega mostra seu talento em show em Brasília


Brasília está em festa musical neste fim de semana. De hoje até segunda-feira (21 a 24/11), o cantor, compositor e violinista Antônio Nóbrega está na cidade com o espetáculo Recital Para Ariano, no Teatro da Caixa Cultural Brasília. Uma apresentação composta de romances, poemas, martelos agalopados e toques instrumentais, que homenageia o também pernambucano Ariano Suassuna, dramaturgo, poeta, romancista, ensaísta e um dos grandes pensadores da sociedade brasileira.
Nessa viagem musical, Nóbrega passa pelos romances “A Nau Catarineta”, “A Filha do Imperador do Brasil”, pelas canções “O Rei e o Palhaço” e “Canudos” e pelas peças instrumentais “Rasga” e “Ponteio Acutilado”. O artista é acompanhado dos músicos Edmilson Capelupi (violão 7 cordas, viola e cavaquinho), Edson Alves (baixo e violão), Leo Rodrigues (pandeiro, percussão e bateria), Olívio Filho (acordeão) e Zé Pitoco (sax alto, clarinete e zabumba).


Nóbrega lembra que já fazem mais de quarenta anos desde o momento em que Ariano o convidou para integrar o Quinteto Armorial. “Dessa ocasião até praticamente a sua morte, além da boa convivência e amizade que sempre cuidamos em manter, estabelecemos também um vínculo artístico que se materializou em algumas peças musicais”, acrescenta o músico. O artista pernambucano ressalta o espetáculo também se constitui numa espécie de recital sentimental e que essas músicas “foram tanto diretamente referenciadas em suas obras literárias – particularmente na Pedra do Reino –, quanto, de modo indireto, inspiradas nas prazerosas conversas que tivemos ao longo dos anos”.
Na segunda-feira, Nóbrega vai ministrar a oficina Poesia e Romanceiro Populares Brasileiros. No encontro, aberto ao público, o artista discorre sobre o nascimento e desenvolvimento das formas e gêneros da poesia popular brasileira, desde a quadra, trova ou quadrinha – a mais simples e universal-brasileira – até o galope à beira-mar, a mais complexa delas.  Nóbrega aborda, também, a cantoria nordestina, o romanceiro e a literatura de cordel.


Falar sobre Antônio Nóbrega é sempre prazeroso. Um artista de mão cheia, talentoso, sensível e apaixonado por aquilo que produz e divulga no mundo da cultura. Começou a estudar violino aos oito anos. Em 1971, foi convidado por Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, que tanto nos encantou ao longo de toda a década de 1970. A partir desse momento, passou a estudar o universo da cultura popular e posteriormente a criar espetáculos de teatro, dança e música, entre eles: Brincante, Segundas Histórias, O Marco do Meio Dia, Figural, Na Pancada do Ganzá e Madeira Que Cupim Não Rói.
Um espetáculo imperdível para todos aqueles que amam a nossa música e valorizam a nossa cultura.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Consciência Negra: Black is Beatiful, my brother

Zumbi do Palmares por Antonio Parreiras

Quem é branco tem dificuldade pra falar de racismo. Principalmente para sentir, dimensionar e avaliar todas as consequências desse fenômeno sobre as pessoas que foram, ou ainda são, vítimas de discriminações, preconceitos e injustiças raciais.

É preciso refletir um pouco sobre isso, não apenas porque no dia 18 de novembro se comemora o Dia Nacional do Combate ao Racismo, e no dia de hoje (20/11), presta-se homenagem à Consciência Negra, mas, acima de tudo porque temos compromissos, responsabilidades e deveres para com a sociedade. Querendo ou não, estamos construindo, ou pelo menos ajudando a construir, diariamente, um mundo que seja melhor e mais justo.

Se alguma evolução houve – acreditamos que sim – nos relacionamentos diversos entre negros, brancos e mestiços na sociedade brasileira, os créditos devem ser dados aos que historicamente foram e ainda são, de alguma forma, vítimas da discriminação. Foram eles, por meio da altivez, da compostura e do amor-próprio que nos forçaram e nos impuseram uma sociedade onde os direitos e os deveres devam ser iguais para todos, ou pelo menos reconhecidos como tais. 

E esse processo tornou-se cada vez mais efetivo pelas manifestações culturais e artísticas do povo brasileiro. O negro veio gradativamente se impondo e se apresentando com todo seu potencial – não apenas artísticos, mas também, e principalmente, intelectual – por meio da música, do teatro, do cinema, da dança, da literatura e de tantas outras manifestações desse Brasil tão rico culturalmente.


Cartaz de Latuff que foi quebrado pelo deputado-coronel Tadeu

Concordo plenamente com a música de Marcos e Paulo Sérgio Vale: Black is Beautiful, que coloco abaixo na interpretação magistral de nossa saudosa Elis Regina. Várias manifestações contra o racismo foram postadas hoje em blogs, no Facebook, Orkut, Twitter e tantas outras redes sociais. O ZecaBlog não poderia deixar passar em branco, nem em negro, muito menos em cinzas, um dia tão significativo como esse para cidadãos que se pretendem justos, íntegros e modernos. 

Do outro lado da moeda, o deputado coronel Tadeu (PSL) quebrou um quadro em exposição na Câmara com o desenho de um jovem negro assassinado e um policial com uma arma na mão. A obra é do artista plástico Latuff, que reagiu: “se fazem isso contra um cartaz, imagine contra gente de pele negra”. Ou seja, os arrogantes, autoritários e prepotentes racistas ainda estão soltos por aí.

PS – Meu abraço afetuoso e fraternal às amigas e amigos negros, brancos, pardos, morenos, mestiços, de qualquer outro matiz, ou matriz, que se queira qualificá-los. Homenageio a todos resgatando a memória do amigo Hamilton de Almeida, sobre quem já escrevi aqui neste blog. Um negro de coração negro até na alma. Sinceramente? Acho que sou um branco de alma negra. E tenho muito orgulho disso.



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

5º PPM é sucesso e já tem roteiro para o ano que vem

Roberto Menescal, Gisèle Santoro, Genildo Fonseca e Ronaldo Bastos
O Prêmio Profissionais da Música é o mais importante empreendimento musical e uma das atividades culturais mais significativas do Brasil de hoje. A premiação deste ano, ocorrida no Clube do Choro, na semana passada, foi a maior prova disso. Por tudo que aconteceu e por todos que compareceram e puderam prestigiar e usufruir de um belo e rico encontro musical. Foi excepcional, emocionante e enriquecedor.
A grandeza dessa premiação ganha ainda mais corpo quando se leva em conta as dificuldades encontradas para sua organização, existência e continuidade, desde o primeiro PPM, realizado no ano de 2015. Nadando contra essa maré, e a favor de uma valorização constante e à altura dos que vivem de e para a música, o produtor cultural Gustavo Ribeiro de Vasconcellos tem alcançado seu objetivo, e pode ser considerado, juntamente com toda sua equipe, um vitorioso.

O produtor Gustavo Vasconcellos e ao fundo imagem de Cláudio Santoro
O PPM de 2019 recebeu inscrições de 19 estados brasileiros. Ao todo, 1.436 inscritos, superando as 958 do ano anterior, mantendo o ritmo de crescimento, ano a ano. Na sessão de premiação, a presença de 300 dos 490 finalistas coroou o sucesso de um evento prestigiado por uma plateia de quase 400 pessoas.
Sucesso absoluto. Durante três dias, foram levadas ao público brasiliense as seguintes atividades: sete Workshop, três Work Shows, doze painéis, cinco Pocket Shows, três dias de show na Funarte, com sete artistas, uma sessão solene, dois documentários musicais exibidos, cinco lançamentos de livros e uma cerimônia de premiação para 67 categorias, com uma novidade de última hora: três premiações pelo voto popular.

O vocal Gente de Casa apresentou canções de Ronaldo Bastos
Três atrações musicais especiais marcaram a noite da premiação e reverenciaram os três homenageados deste ano.. O primeiro a se apresentar foi o violonista André Siqueira, interpretando “Amor em Lágrimas”, música de Claudio Santoro e letra de Vinícius de Morais. Em seguida, Diego Salvetti, interpretando “Aquarela”, sucesso de Toquinho, artista brasileiro empresariado por Genildo Fonseca há mais de 30 anos.  O grupo Gente de Casa brindou ao público com um bonito arranjo das músicas Trem Azul e Todo Azul do Mar, composições de Ronaldo Bastos, um dos fundadores do Clube da Esquina. No vídeo abaixo, Diego Salvetti interpretando a canção que apresentou na premiação.
Depois de todo esse sucesso, Gustavo Vasconcellos antecipa que “o próximo PPM vai homenagear os 60 anos de Brasília, simbolizados por três de seus grandes artistas reverenciados em todo o País”. A sexta edição vai ocorrer entre os dias 13, 14 e 15 de novembro. As inscrições para 80 categorias começam no dia 1º de março de 2020.
O mundo cultural, antecipadamente, agradece.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O mundo do rádio é maior que nossas lembranças


O Brasil comemorou, nesta terça-feira (05), o Dia Nacional do Radioamador e, também, o Dia da Cultura. Amanhã (07) comemora-se o Dia do Radialista. Todas essas datas estão sempre bem associadas, andam juntas, principalmente em nossa memória. O universo do rádio, então, está embrenhado em minhas lembranças, por ser, sem dúvidas, uma das paixões da minha vida. Boa parte da infância e juventude, passei com o ouvido colado naqueles tradicionais aparelhos de rádio, que só existem como relíquias.
São deliciosas as surpresas que vêm pelas ondas sonoras, tanto nos noticiários, quanto nos programas de músicas e humorísticos. Acho prazeroso, por exemplo, colocar cinco discos e deixar tocar músicas aleatoriamente, recurso hoje sofisticadamente chamado de shuffle. Quando faço isso, os meninos lá em casa zombam: "lá vem o saudosista do rádio...".



Boa parte das minhas recordações de infância tem alguma coisa vinculada ao rádio. Lembro que certo dia estava sentado numa cadeira, ao lado da mesinha do rádio, cumprindo meu ritual, quando entra o amigo de infância Zé Renato Pereira (de saudosa memória), dizendo: “seu avô morreu, tá sabendo que seu avô morreu!”.
Tinha morrido, mesmo. E o corpo de seu Antônio Camapum, mais conhecido por seu Toinho, já estava chegando a Uruaçu, vindo de Goiânia, depois de uma temporada tentando debelar um câncer na capital do Estado. Lembro um pouco do velório, as pessoas chorando muito e eu assustado com tudo aquilo. Depois, durante alguns dias, o rádio ficou coberto com um pano preto. E eu sem entender o que estava acontecendo. Além de perder meu avô, ainda não podia ouvir rádio? Explicaram-me que era preciso guardar luto.


Adorava ir para casa do tio e padrinho Batista Coelho Barroso (foto ao lado), radioamadorista licenciado, que tornava as comunicações mais eficazes naqueles anos das décadas de 1950 e 1960, na pequena Uruaçu, encravada no coração do Brasil e do mundo - quiçá, do universo. Ele transmitia em PRK, um número tal, que já não me lembro, e com a deixa de Brasil-Guatemala-França. Sempre que falo do rádio, ou do radioamadorismo, lembro-me dele, que já nos deixou e foi surfar, com toda sua bondade e talento, em outras ondas desse imenso universo.
A comunicação via rádio é fácil, direta, objetiva. O seu poder de difusão e de penetração nas diversas classes sociais e pelo país afora é inestimável. Todos amam o rádio, sejam radialistas, jornalistas, comentaristas, músicos, e até mesmo, pasmem, os políticos!
Já temos três datas homenageando esse veículo de comunicação e seus profissionais. Uma dessas datas, o Dia do Radialista, em 21 de setembro, foi criado por Getúlio Vargas para comemorar a instituição do piso salarial da categoria; o outro Dia do Radialista, em 07 de novembro, foi instituído pelo presidente Lula, em 2006, para homenagear Ary Barroso, músico e locutor esportivo de raro talento; e o tradicional Dia do Rádio, que se comemora em 25 de setembro, criado para reverenciar Roquete Pinto – o pai do rádio no Brasil.
Até na criação do rádio tem dedo de brasileiro. O inventor, oficialmente, é o italiano Guglielmo Marconi, que criou o "telégrafo sem fio", um modelo inicial que se desenvolveu até o sistema que conhecemos hoje. Mas há também quem atribua essa invenção ao padre brasileiro Roberto Landell de Moura, que, em 1894, desenvolveu aparelho semelhante e efetuou a emissão e recepção de sinais a uma distância de oito quilômetros, do bairro de Santana para os altos da Avenida Paulista, em São Paulo. Religiosos fanáticos teriam destruído seu aparelho e anotações por se tratar de pacto com o demônio, o que atrasou o registro da invenção.

Ary Barroso (foto ao lado), merecidamente homenageado com o Dia do Radialista, era uma figura ilustre e folclórica do mundo do rádio. Flamenguista apaixonado, narrava os jogos de forma bastante peculiar. Quando o time adversário se aproximava da grande área do seu clube, em jogada perigosa, ele gritava: “Não quero nem ver!”. Se o Flamengo sofria um gol, então, ele acrescentava: “E deu-se a merda”.
Vale lembrar que o Radialista também é homenageado no dia 21 de setembro, data em que foi criado o salário base para esses profissionais, em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas. No dia 25 de setembro é celebrado o Dia do Rádio, em homenagem a Edgard Roquette-Pinto, que nasceu nessa data no ano de 1884. Em 1923, ele criou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora do Brasil.
O rádio, os radioamadores e os radialistas merecem nossas homenagens. São veículos de comunicação fantásticos, cheios de histórias curiosas e intrigantes. Nessas ondas, podemos surfar com segurança e tranquilidade. Elas não nos oferecem riscos, só contentamento.