sexta-feira, 31 de julho de 2020

Dia Mundial do Orgasmo na pandemia é gozação?


O Dia Mundial do Orgasmo este ano caiu numa sexta-feira, mas, no meio de uma pandemia que nos obriga ao isolamento, o que não atrapalha em nada as comemorações. Em anos anteriores quando o Dia do Orgasmo caía numa sexta-feira até o índice de assassinatos despencavam nas grandes metrópoles, segundo o Instituto de Estatística e Opinião do Pública do Machombombo (o Eopuma), de Uruaçu, Goiás. Este mesmo instituto captou que, em tais situações, aumentavam o número de divórcios...

Contam as más línguas lá da terrinha – e por lá tem tantas – que um certo maridão tava trabalhando e recebeu mensagem da esposa pelo WhatsApp.
- Amor, tô indo pra casa, e você?
- Tô trabalhando, né, meu bem. Alguém tem que trabalhar nessa família... rs. E você? Já está indo pra casa, nesse horário?! Chefe bom, hem...?
- Comemorar, né, querido!
- Comemorar?!? – Vichi! Baixa o desespero, começa a indagar a si mesmo: será o aniversário dela? Dia do casamento, não é. Dia dos Namorados... também, não. Mas, seus pensamentos foram interrompidos:
- Hoje é Dia do Orgasmo, né, meu amor! Vai me dizer que já esqueceu?
- Ah... (mentindo) num tinha esquecido, não...! É que estou sobrecarregado de serviço, aqui. Tá difícil sair do trabalho...
- Bom, só pra te avisar: lá em casa vai ter comemoração de qualquer jeito! Com ou sem a sua presença!
O cara enlouqueceu. Deu um jeito de ir embora, mesmo correndo risco de perder o emprego.


É comemoração para todo gosto nesse mundão de Deus. Na verdade, começa a faltar dia no calendário e sobra comemoração. Os deputados distritais de Brasília, por exemplo, adoram incluir no calendário oficial eventos inimagináveis! Há alguns anos, foi publicado no Diário Oficial do DF, a inclusão no calendário do jogo “Casados e Solteiros”, dos moradores da Metropolitana do Núcleo Bandeirante. Pode?!

Muita gente considera que, em anos que essa data cai numa segunda-feira, é péssimo porque esse dia da semana é brochante pela sua própria natureza. Para suavizar essa perspectiva (se é possível isso!), é bom lembrar que essa data está no calendário dos homens, não no de Deus! Pelo calendário religioso, dia 31 de julho é dia de Santo Inácio de Loyola, que era apaixonada pelas lutas nos campos de guerra e pelas noitadas festivas na corte. Tudo a ver... Mas, ele trocou a orgia para servir a Deus e salvar almas.


O que se deve fazer no dia consagrado mundialmente ao orgasmo? Buscar o prazer intenso, imensurável, durante as 24 horas do dia? Ou fazer um retiro espiritual, em agradecimento aos orgasmos alcançados desde a última comemoração?


Aqui em Brasília, nesta época, faz tempo seco, temperatura agradável, não faz calor e há um friozinho bastante sugestivo. Se não estivéssemos em plena pandemia, poderíamos até criar competições, maratonas, e quem alcançasse melhor resultado, levaria medalha de ouro.

Abro um parêntese para lembrar a situação daquele famoso personagem de uma sugestiva piada. Participando de um simpósio, respondeu à pergunta de quantas vezes fazia sexo por ano: “Uma vez, uma vez, uma vez! ”. E o coordenador do evento perguntou: “Tudo bem, mas por que tanta euforia? ”.  E ele, ainda eufórico, gritou: “Porque é hoje, é hoje, é hoje! ”. Suponhamos que o dia dele coincidisse com a data consagrada mundialmente ao orgasmo... O camarada iria arrebentar o auditório do simpósio...



Dizem os entendidos no assunto que não se deve ficar falando demais sobre sexo. Corre-se o risco de ser confundido com porta-voz do sexo oral. Por falar nisso, e já falando além da conta, lembro que tínhamos uma colega de trabalho, nos tempos de funcionários do Banco do Brasil, que achava que sexo oral era conversar sobre sexo. Revelou tal ignorância sobre o tema morrendo de rir, com o rosto vermelho e as lágrimas escorrendo pela face.

Já falei demais. Daqui a pouco, vão dizer que eu não tenho qualquer vocação para comemorar tal data... É melhor ler poesia e ouvir música.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Voz de Carol Nogueira é um bálsamo em meio à pandemia


Tenho dito e repetido aqui no blog que a arte está sendo o melhor bálsamo para tantas dores, dificuldades e aflições vividas nesse tempo de pandemia. Os artistas têm se renovado, buscado inspiração não apenas por um necessidade natural de sobrevivência, mas também para levar ao público os frutos de seus trabalhos, que acabam sendo uma entre as poucas opções de entretenimento nesse tempo tão conturbado.

A cantora Carol Nogueira, carioca da Glória, tem se destacado nesse cenário artístico atual. Além de gravações de vídeos e Lives, a artista prepara seu primeiro CD, com o nome de Em Casa, numa parceria com o músico Igor Diniz, contrabaixista. Um disco que virá recheado de samba, mas terá também forró e músicas ao estilo Djavan, de quem Carol é fã de carteirinha.


Desde criança sempre foi ligada à música e cresceu ouvindo e sendo influenciada por artistas como Cartola, João Nogueira, Beth Carvalho, Gonzaguinha, Djavan, Emílio Santiago, entre outros. Mas, sua carreira musical começou mesmo em Brasília, em 2009, no grupo Maracangalha, que marca também a forte presença do samba no seu repertório.

Quatro anos depois, Carol Nogueira partiu para a carreira solo, conseguindo em pouco tempo uma agenda cultural cheia nas noites de Brasília. Fez sucessos em casas como o Clube do Choro, Clube da Bossa, Calaf, Bar do Ferreira, Feitiço Mineiro e tantas outras.


Sobre os dias atuais destaca a importância das Lives na vida dos artistas e dos fãs que estão em isolamento social. Relata ao blog que chorou quando fez a primeira “ao reencontrar amigos, bater papo, fazer brincadeiras, doar amor, alegria, fé e gerar pra todos muita paz”. Ela considera as Lives “um momento importante para reenegizar, numa troca intensa de energia entre músicos e com o público, o que para mim é bastante saudável”.

Além de uma capacidade extraordinária para interpretar, Carol tem um timbre de voz muito bonito e bastante peculiar. Suas interpretações são marcadas por arranjos bem feitos e se faz acompanhar por um time de bons músicos. Muita expectativa então para o CD Em Casa, com arranjos de Victor Angeléas, composições de Serginho Meriti, Alberto Salgado, Sérgio Magalhães e uma faixa da própria cantora, que vai marcar sua estreia como compositora.


Enquanto não acontece o lançamento, vamos nos deliciando com suas apresentações on-line pelas redes sociais e aguardando a volta dos shows presenciais, tão marcantes na carreira de Carol Nogueira e tão esperados pelos seus fãs.

Muita coisa boa no canal da artista no Youtube. Inscrevam-se. Vale a pena:


domingo, 26 de julho de 2020

Dia dos Avós, de Nossa Sra. Santana e Bodas de Esmeralda


Dia 26 de julho é uma data especial para esta criatura, meus vínculos com a cidade de Uruaçu (GO) e por ter casado justamente nesse dia, que é também Dia dos Avós e Nossa Senhora Santana, padroeira da terrinha. Este 26 de julho é mais especial ainda porque eu e a Stela estamos fazendo a tão almejada Bodas de Esmeralda.

Sobre o Dia dos Avós, esta data tem o charme a mais porque nos tornamos avós do Juliano e, em novembro, chega uma netinha. Com meus avós maternos não pude ter o prazer da convivência. Minha avó Celina morreu quando minha mãe ainda tinha nove anos. Tenho algumas poucas lembranças do meu avô Edgar Barroso, que faleceu quando eu ainda era criança. Meus avós paternos, Ana de Alencar Camapum e Antônio Pereira Camapum, estão sedimentados, de forma carinhosa, na minha memória.


São lembranças que veem à memória neste dia 26 de julho, dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Época também das barraquinhas, com seus leilões, correios elegantes e outras tradições que quase não se veem mais.

São lembranças que nos fazem reviver esses 40 anos de parceria, amizade, carinho e muito amor. Acrescentei mais alguns versos ao poema que começou a ser elaborado quando fizemos 31 anos de casados. Nesse ritmo, vai ficar maior do que os Lusíadas, de Camões.


Resgato também o poema do amigo, poeta, escritor e desembargador Itaney Campos, que veio anexo ao presente de casamento. Naquele tempo, ainda não tínhamos o computador e os textos, como pode ser constado, era na velha e eficiente máquina de escrever.

Como o tempo passa a rápido, mas as lembranças ficam guardadas nos nossos corações.


O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso
  
O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores.
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses anos...

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Como passam os anos...
Novos, antigos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.

Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal de que a vida continuará
A nos oferecer conquistas!

Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia,
Onde os corais de uma nova
Vida irão resplandecer.

Corais sedimentados,
Incrustados e fortalecidos
Pelos grãos de areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista alcança.

Madeira de lei
A sustentar nosso leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira vermelha.
Do alto de seus galhos,
Podemos o futuro avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos benignos,
Pronta para nos agasalhar.
Pedra esverdeada,
Que emociona e purifica.
Traduz a maturidade
De uma vida tão rica
De prazer e criatividade.

Aos 38 anos, então,
É tempo de comemorar
Com o vinho guardado
Em barril de carvalho.
Néctar dos deuses,
Balsamo de dores
A revigorar amores
Contidos nos corações.

E veio o mármore...
Rocha firme, calcário,
Sob pressão e calor,
Dá beleza ao casamento
E à vida, mais valor.

Novas bodas aos 40 anos,
Desta vez, a tão sonhada
E cobiçada esmeralda...
Pedra encravada
Entre a prata e o ouro,
No amor incondicional
Guardada há 40 anos.
Estímulo ao coração
Nos traz renascimento...

Pedra do amor eterno,
Da fidelidade e perseverança...
Lembranças que nos fazem crianças
Jovens e adultos para sempre,
Muito além da eternidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Em meio à pandemia, quem nos salva são as artes


As artes continuam sendo um bálsamo para as dores nesse tempo tão difícil. Músicos, poetas, escritores, atores, humoristas, todos estão levando adiante seus trabalhos, não apenas pela arte da sobrevivência, mas também pela arte da empatia para com o drama vivido por pessoas, famílias, povos, enfim, a humanidade como um todo.

Um dia desses, assisti um vídeo da cantora Estela Ceregatti, publicado no Facebook, cantando, com aquela sua voz maravilhosa, uma melodia ainda embrionária, inspirada nesses tempos de pandemia e isolamento que todos estão vivendo e tentando sobreviver. Achei lindíssima, embora, como ela faz questão de frisar, ainda seja um projeto em seu nascedouro.

A delicadeza da música, inspirou em mim alguns versos relacionados a esse cenário de separação e afastamento em que se encontram as pessoas e suas famílias, e muitas vezes são unidas pela beleza da arte e a presteza da cultura.


Por coincidência, recebi dois poemas relacionados, de alguma forma, a esse tema. Um deles, do poeta, escritor e desembargado Itaney Campos. O outro, do irmão dele, Ítalo Campos, psicanalista, poeta e escritor. Os dois, como eu, goianos, uruaçuenses da gema.

Publico a seguir os três poemas, e abaixo o vídeo com o canto de Estela Ceregatti, mato-grossense da gema. Na sequência, Concerto de Aranjuez, composição de Joaquín Rodrigo, em uma Live belíssima da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. 

Esperamos que contribua para estancar, de alguma forma, tristezas, dores, saudades, e tragam boas lembranças e esperanças para os que vivem esses dias tão conturbados da nossa história.


Retorno
Ítalo Campos

Sim um sol cobriu meu coração,
um sol mãe girando em vibração.
Um vento de savana,
uma brisa de cerrado,
uma energia bacana, vindo do mais além.

Uma clara resistência escura,
uma alegria de origem pura,
um pássaro encontrando o ninho,
o violeiro seu pinho.

De pardo estou ficando mais preto.
Aquecido pela luz da noite,
embalado pela luz do dia.
Reunido todo Anjo e Arcanjo,
na roda de capoeira,
canta vozes, atabaque e berimbau,
vamos navegar juntos
esta nau universal.
Mama África, óh! minha mãe...


Ventos Cinzentos
Itaney Campos

De súbito, na tarde de aparente
calma, irrompeu o vento ruidoso
que tornou o mundo silencioso
e lacrou o abraço de nossa gente.

Mesmo assim as estátuas deliravam
de febre, pássaros atordoados
caíam de um céu de chumbo, e voavam
por entre as cinzas de grandes tornados.

Aranhas teciam fios noturnos
inoculando as manhãs de tons soturnos
infiltrando na terra o seu veneno.

O medo transitava pelas praças
cerrando janelas e portais, em arruaça
perversas, rugindo qual fora o demo!




Aurora
José Carlos Camapum Barroso

O sol brotou em mim
Raios de felicidade
Que trouxeram enfim
Paixões ao anoitecer

A lua derramou em ti
Gotas de saudades
Que desataram assim
Laços apertados...

O sol e a lua enfim
Juntos na Aurora
Aqueceram em nós
Lembranças findas.

Nosso amor aqui
Fez reviver em mim
E despertou em ti
Sonhos do passado

Esse teto, esse lar
Hoje um só lugar
Que enfim abriga
A ilusão do amar