domingo, 26 de março de 2023

Poesia e música na luta contra o feminicídio

 

Feminicídio
José Carlos Camapum Barroso
 
Matam é por que não amam
Amor próprio dos humanos...
Trazem ódio e proclamam
A fúria dos desenganos.
 
Desamor corre no sangue,
Em veia embrutecida,
Dilatada e estanque
Ante a grandeza da vida.
 
Matam mulheres que amam,
Inspiradas pelo divino
Amor do Jesus menino
 
Por que sempre consolam
Filho, neto e irmão,
Dons maiores da criação...

sexta-feira, 24 de março de 2023

Dia do Direito à Verdade é memória e também Justiça

Parece pouca coisa, mas não é. Muito pelo contrário. Dedicar um dia, no âmbito internacional, ao direito à verdade, é mais que restabelecer os fatos como foram e aconteceram. É também preservar a memória e garantir justiça. Foi baseada nessa tríade – Verdade, Memória e Justiça – que a Assembleia Nacional das Nações Unidas estabeleceu, no ano de 2010, o dia 24 de março como o Dia Internacional do Direito à Verdade.

Esse direito se dá no contexto das violações graves dos direitos humanos. Foi concebido para alcançar as vítimas e famílias de vítimas de execuções sumárias, desaparecimentos forçados, tortura, desaparecimentos ou sequestro de menores, para que seja alcançado o conhecimento completo sobre os atos que ocorreram, as pessoas que participaram deles e as circunstâncias específicas, em particular as violações cometidas e suas motivações.

No Brasil, a data passou a fazer parte do calendário oficial comemorativo em 2018, por meio da Lei nº 13.605/18, que dedica o dia 24 de março à “reflexão coletiva a respeito da importância do conhecimento circunstanciado das situações em que tiverem ocorrido graves violações aos direitos humanos, seja para a reafirmação da dignidade humana das vítimas, seja para a superação dos estigmas sociais criados por tais violações”.

Isso posto, vamos ao desgosto. Os quatro anos do governo anterior são motivos de sobra para valorizarmos ampla e exemplarmente o Dia Internacional do Direito à Verdade. É preciso restabelecê-la em seus vários episódios, capítulos e epílogos de uma trágica e esquizofrênica novela bolsonarista, desde os primórdios até a última semana do mês de dezembro de 2022, com direito a fuga para a Califórnia, recheada de brilhantes, diamantes, joias, relógios, colares, canetas, broches, fuzil e pistola... Coisa de cinema.

Qual é a verdade que vai brotar dos fatos, que seriam cômicos se não fossem trágicos, ocorridos na pandemia da Covid-19? Familiares e amigos de quase 700 mil vítimas não terão direito a saber exatamente por que tantas mortes ocorreram em um país que tem sistema de saúde pública?

Um SUS que, bem ou mal, garante atendimento básico aos mais humildes, mais necessitados. Um país que sempre teve capacidade e desenvoltura para levar adiante amplas, gerais e irrestritas campanhas de vacinação. Servindo de exemplo para o mundo todo. Um povo capaz de seguir à risca orientações de ordem sanitária, como evitar concentrações, fazer uso de máscaras, lavar e higienizar as mãos com frequência.

Qual a verdade que deverá ser levada aos habitantes originários desse imenso Brasil quanto ao genocídio dos povos indígenas? A ampliação de garimpos ilegais, o desmatamento desenfreado, as queimadas sistemáticas, a pesca clandestina, o desmantelamento dos órgãos de fiscalização, o assassinato de lideranças e defensores dos povos indígenas, tudo isso ocorreu por acaso?

Qual a verdade devemos levar aos jovens sobre os ataques covardes, intensos e frontais às instituições democráticas, ao estado democrático de direito, à liberdade de imprensa e ao compromisso com os fatos, levados adiante nesses últimos quatro anos e, de forma assutadora, no trágico 8 de janeiro?

Este 24 de março de 2023, em que se comemora o Dia Internacional do Direito à Verdade tem um significado especial para o povo brasileiro. Nunca a verdade esteve tão ausente quanto nos 1.460 dias que se iniciaram em 1º de janeiro de 2019 e foram findados em 31 de dezembro de 2022.

No amanhecer de cada dia desses todos os dias, tinha uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho, tinha um pedra. E rolamos todos ladeira abaixo.

Falta resgatar pelo menos a verdade. Não seria pouco.

 

quarta-feira, 22 de março de 2023

Izabella Rocha retoma projeto e lança mais uma canção ao vivo

A cantora Izabella Rocha retomou, nesta quarta-feira (23/3), o projeto Bella ao Vivo, com o lançamento do segundo single do álbum gravado ao vivo no final de 2021. Desta vez, a canção lançada em áudio e vídeo foi Quero Ser Feliz Também, mais um sucesso da banda Natiruts, da qual ela fez parte durante dez anos e foi um dos fundadores.

A canção é mais um sucesso do Natiruts que ganha interpretação marcante na voz da cantora. É que o seu timbre, que encantou no reggae music, também veio a calhar perfeitamente com a linguagem jazzística, que tem sido muito utilizada pela cantora. “Podemos dizer que o álbum explora um ‘jazz tropical’, com um sotaque brasileiro e o nosso reggae ‘brazuca’ também está lá”, afirma Izabella, feliz com a retomada do projeto.

O álbum Bella ao Vivo, gravado em novembro de 2021, teve sua primeira canção lançada em maio de 2022. A ideia inicial era lançar uma a uma até o final daquele ano. Mas, a banda Natiruts a convidou para retornar ao grupo, integrando a turnê Good Vibration.

“Foi um presente que recebi com a maior alegria e que escolhi viver, integralmente. Como planejado, cheguei a lançar a primeira música do novo álbum, em maio do ano passado, mas percebi que não conseguiria viver duas experiências tão intensas ao mesmo tempo e pausei o projeto”, conta Izabella, que após excursionar com a turnê pelo Brasil, pela América Latina e Europa, retoma, agora, a carreira solo.

Quero Ser Feliz Também é uma parceria dos integrantes do Natiruts para o álbum Nossa Missão. "Foi lançada em 2005 e até hoje toca muito nas rádios. Está na boca e no coração dos fãs que entoam essa canção com muita energia nos shows. Foi o último álbum que gravei com a banda. A canção fala sobre encontros e a felicidade, esse sentimento tão vital para nós”, relembra Izabella.

Com direção musical de Renato Vasconcellos, o álbum Bella ao Vivo conta com a participação de grandes instrumentistas de Brasília: Misael Barros, Dido Mariano, Moises Alves, Renato Vasconcellos, Rodrigo Bezerra, Felipe Viegas, Carlos Cárdenas, Luiz Paulo Dourado Freire e André Freire. A direção artística do trabalho, gravado ao vivo também em vídeo, é da diretora de teatro Luciana Martuchelli que também assina a produção pela TAO Filmes em parceira com a Granmidia e KLanga Produções.

O resultado de tanto talento reunido poderá ser conferido nas plataformas de streaming e canais da cantora. O vídeo da canção Quero Ser Feliz Também está publicado abaixo.


quarta-feira, 8 de março de 2023

Dia da Mulher é marcado pelo aumento do feminicídio no Brasil

Inacreditável! Em pleno século XXI, mais de dois mil anos depois de Jesus Cristo pregar e espalhar o amor e a justiça entre homens e mulheres, o feminicídio no Brasil bateu recorde no ano de 2022. Foram 1,4 mil mulheres mortas apenas pelo fato de serem mulheres – uma média de uma a cada seis horas. O maior índice desde que a Lei do Feminicídio entrou em vigor, em 2015.

Isso nos reforça a visão de que o Dia Internacional da Mulher é muito mais de luta do que de comemorações. Principalmente no Brasil que ocupa a 80ª colocação num levantamento que analisa a qualidade de vida para as mulheres, ficando ao lado de Fiji e Suriname. Enquanto o orçamento do governo federal para o combate à violência contra mulheres é o menor em quatro anos, a cada 10 minutos uma mulher é vítima de estupro e a cada 6 horas uma mulher é vítima de feminicídio no país. Nada a comemorar.

Muitas razões para se ampliar a luta em defesa das mulheres, seu direitos e aspirações em uma sociedade terrivelmente machista. Elas, ao lado das crianças e dos idosos, foram as vítimas mais atingidas por uma nova realidade imposta pela pandemia da covid-19. Como se não bastasse, também o crescimento das redes sociais e o maior acesso à internet trouxeram um aumento da violência política contra as mulheres, intensificando os ataques virtuais.

A luta pelos direitos das mulheres vem de longa data. O 8 de março foi escolhido para homenagear 129 mulheres que foram mortas pela repressão ao movimento grevista de uma fábrica, em Nova Iorque. Lutavam pela redução da jornada de trabalho, então de 16 horas, para 10 horas diárias, equiparação de salários com os homens, que chegavam a ganhar três vezes mais do que as mulheres, e tratamento digno no ambiente de trabalho.

O ano era o de 1857. Durante uma manifestação, a companhia Triangle Shirtwaist foi fechada. Um incêndio começou e se alastrou tão rapidamente que foi impossível evitar a morte de 146 pessoas (129 operárias e 17 operários, que estavam na fábrica na hora do protesto), apesar dos esforços dos bombeiros. Muitas vítimas morreram queimadas e algumas, sufocadas pela ingestão de fumaça.

Somente no ano de 1910, a data foi declarada como o Dia Internacional da Mulher, durante uma conferência realizada na Dinamarca. No ano de 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou a data como dia oficial da luta das mulheres pelos direitos sociais. Daquele longínquo ano de 1857 até os dias de hoje, foram duras e muitas as lutas das mulheres pelos seus direitos. De lá pra cá, as conquistas foram se sucedendo, mas ainda há muito a ser conquistado. E muitas injustiças a serem combatidas.

Precisava passar tantos anos e acontecer tantas tragédias para que a sociedade reconhecesse os direitos da mulher? Direitos óbvios: remuneração digna, compatível com a dos homens, tratamento justo nos locais de trabalho, direito de votar, direito à licença maternidade e tantos outros que foram sendo conquistados ao longo dos anos...

Talvez, por todas essas injustiças acumuladas e mantidas para com as mulheres através dos tempos e dos espaços, os homens buscam recompensá-las, enchendo-as de flores, presentes, versos, canções e monólogos de amor...

Eu também fiz esses meus versos, postados abaixo, numa tentativa de ajudar a aplacar um pouco das minhas dívidas para com as amigas, companheiras, colegas de trabalho e de profissão e, principalmente, para com aquela que sofre ao meu lado, no dia a dia, todas as pequenas, médias e grandes injustiças. Publico, também, os versos do psicanalista, poeta e amigo Ítalo Campos, um artista no manuseio das palavras.

No campo musical, uma Nova Ilusão, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz é uma bela homenagem às mulheres, elegantemente apresentada na voz suave e macia de Paulinho da Viola.

Passada a euforia das comemorações, não podemos nos esquecer de que o dia da mulher não se encerra à meia-noite deste 08 de março de 2023. Pelo contrário, continua pelos dias, meses e anos afora, assim como a luta delas pelos direitos iguais.

A luta continua, companheiras!

Mulher
José Carlos Camapum Barroso

Nem com uma flor
Se bate numa mulher.
Ela é fonte de amor,
Pétala do bem-me-quer.
 
Nem com um buquê
De rosas deve apanhar...
Se não sabes por quê?
Logo, logo saberás.
 
Ponhas num vaso
O buquê de flores.
Em cima, por acaso,
Um cartão de amores.
 
Em volta, espalhes
Rosa, lírio, jasmim...
Como a lembrares
Um canto do jardim.
 
Verás, então, surgir
Nos lábios da mulher
Um sorriso, elixir
Para dor qualquer...
 
No rosto, corado,
Verás a expressão
De um ser amado
A revelar gratidão.
 
E olhos... brilhantes,
Marejados de prazer,
Desejos cintilantes
Estarão a oferecer
 
Abraços e beijos
Regados de emoção...
Revelam desejos
Que brotam do coração.
 
Saberás que mulher
Não é para apanhar.
Mas, sim, para ser
Objeto do verbo amar.

Mulher
Ítalo Campos

Mulher não nasce,
ela aparece quando saca em si
o vazio e a ausência.
Mulher não nasce,
ela floresce.
Quando seu ventre arrebenta
o novo, aí desperta.
Não feto, fato.
Mulher não nasce,
se faz,
quando contém o não-continente,
quando é, não é,
quando é verdade, ao mesmo tempo, mentira.
Mulher não existe na carne,
se não for antes na mente.
Mulher não nasce, se cria,
sem forma, de natureza incerta,
no dia a dia, às vezes demônio, às vezes gente.
Mulher não nasce. 

quinta-feira, 2 de março de 2023

Maranhão Viegas lança livro com suas Cápsulas de Oxigênio

O cronista, poeta e jornalista Inorbel Maranhão Viegas lança, em Brasília, neste sábado, às 11h, no espaço Infinu, o seu primeiro livro, “Cápsulas de Oxigênio”. Uma coletânea de crônicas do cotidiano escrita durante o tempo mais angustiante da pandemia de Covid-19, que obrigou o Brasil e o mundo a viver em isolamento, respeitar a ciência e repensar o modo de encarar a vida. Escrita de um tempo em que foi preciso sobreviver ao vírus, vencer o medo, não perder a esperança e de acreditar que a poesia salva.

Maranhão Viegas, além de um grande amigo, é o cara (i)responsável pelo surgimento do ZecaBlog, esse espaço aberto a manifestações culturais. Foi no longínquo 2011 que ele me passou os caminhos e as principais dicas para criar e manter o blog. Desde então, firmamos uma sólida parceria no mundo da cultura.


Tive a oportunidade, ao longo dos últimos anos, de acompanhar as publicações das suas cápsulas de oxigênio. Textos despretensiosos. Feitos, em princípio, como forma de manter sua própria sanidade mental. Suas crônica foram distribuídas entre um pequeno grupo de amigos, por meio de aplicativo de mensagem, logo ganharam corpo e significância maiores do que se imaginava.

Maranhão lembra que, além de ajudar o autor a respirar um ar mais puro, “os textos tornaram-se essenciais para um vasto número de leitores. Viraram ferramenta de oxigenação em cápsulas quase diárias”.


O livro, editado de forma independente, segundo o autor, “é fruto de uma ação colaborativa liderada pelos leitores de primeira hora, sem o apoio dos quais não existiria”.

Coube à Viegas Editora, especializada em revelar autores independentes, nascida em Lisboa e transferida para São Luís do Maranhão, o desafio de revisar os originais, diagramar e publicar o livro “Cápsulas de Oxigênio”. Nas palavras da jornalista Ana Gabriella Sales, “o caos do tempo pandêmico nos fez buscar um refúgio seguro, da janela pra dentro.”

Maranhão Viegas recorre a um cilindro imaginário de oxigênio para nos abastecer  com poesia e esperança nesses tempos de ar rarefeito. Usa todo seu talento com as palavras para nos proporcionar uma obra de rara beleza.

 

Serviço:
Livro “Cápsulas de Oxigênio”
Sábado (4/3), às 11h
Infinu – 506 Sul, Bloco A, Loja 67 – W3 Sul
Como Comprar: Livraria Amei (https://www.ameilivraria.com/product-page/c%C3%A1psulas-de-oxig%C3%AAnio)