quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Juarez Moreira traz seu talento para Brasília nesta quinta-feira

Foto de Élcio Paraíso Bendita

Brasília terá, nesta quinta-feira (21/9), às 20h30, uma bela noite musical, no tradicional Clube do Choro, com a presença do compositor, violonista, guitarrista, produtor e arranjador de talento reconhecido no cenário musical brasileiro. Neste show, o artista terá a companhia do baterista Di Stéffano e do contrabaixista Rafael de Sousa.

Juarez Moreira é reconhecido como um dos maiores violonistas do Brasil, aclamado pela crítica no exterior (“New York Times”, “Billboard”) e por feras como Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Toninho Horta e Paquito D’Rivera. Mineiro de Guanhães, ele vem excursionando pelo país desde o fim do período de isolamento imposto pela pandemia.

A apresentação de amanhã faz parte de uma turnê em que o músico revisita sucessos de sua carreira, revela suas influências e aponta novos caminhos musicais. Com todo o entusiasmo e muita troca com o público mostra tudo o que aperfeiçoou em uma caminhada de muita dedicação e de intensa conexão com a arte, a partir de trabalhos originais e consagrados.

Foto de Élcio Paraíso Bendita

No repertório diversificado, Juarez apresenta, com a marca de sua sonoridade jazzística e mineira, arranjos para composições de seus grandes influenciadores na música brasileira, como Tom Jobim, Luiz Bonfá, Pixinguinha, Luiz Eça, além de composições próprias de grande sucesso, como “Baião Barroco” (vídeo abaixo) e “Você Chegou Sorrindo”.

Juarez Moreira cresceu ouvindo jazz, bossa nova e a música brasileira dos anos 1950, e ao longo de sua carreira desenvolveu uma técnica impecável, destacando-se também como guitarrista e compositor. Seu talento foi aplaudido em apresentações realizadas nos quatro cantos do mundo e está eternizado em 13 álbuns e um DVD gravado ao vivo no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG).

Nesta extensa trajetória na música instrumental, apresentou-se ao lado de grandes nomes da música brasileira como Egberto Gismonti, Ivan Lins, Milton Nascimento, Naná Vasconcelos, João Donato, Toninho Horta, Wagner Tiso, Yamandu Costa, Maria Bethânia, Gal Costa, entre outros.

A turnê Juarez Moreira tem o patrocínio do Verdemar, por meio dos recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e no Distrito Federal conta com o apoio cultural do Clube do Choro de Brasília.

Um show que o ZecaBlog recomenda e assina embaixo. Os ingressos terão preços populares, R$ 25, e a venda será pela plataforma Bilheteria Digital e bilheteria do Clube.


Serviço:
Turnê Juarez Moreira – Edição Brasília
Local: Clube do Choro de Brasília – SDC Bloco G – Brasília / DF
Data: 21 de setembro
Horário: 20h30
Bilheteria: R$ 25 – via Bilheteria Digital (https://www.bilheteriadigital.com/DF) ou bilheteria do Clube do Choro


sábado, 16 de setembro de 2023

"Carta pra ele" é a nova canção de Izabella Rocha

A cantora Izabella Rocha lança mais uma música do álbum “Bella ao Vivo”, em 16 de setembro. Assim como as canções “Presente de um beija-flor” e “Quero ser Feliz também”, já apresentadas, “Carta para ele” já está disponibilizada nas plataformas de streaming, com direito a um belo videoclipe em seu canal de Youtube (veja abaixo).

Autoral, a música tem uma levada de gipsy, com um toque samba jazz, com a elegância dos arranjos de metais do Renato Vasconcellos e talento dos instrumentistas Misael Barros, Dido Mariano, Moises Alves, Renato Vasconcellos, Rodrigo Bezerra, Felipe Viegas, Carlos Cárdenas. A direção artística do trabalho gravado ao vivo também em vídeo é da diretora de teatro Luciana Martuchelli que assina a produção pela TAO Filmes em parceira com a Granmidia e KLanga Produções.

Gravado no fim de 2021, o lançamento do álbum ficou pausado por mais de um ano, já que a artista, a convite da banda Natiruts, embarcou na turnê mundial “Good Vibration”. Izabella explica que “as coisas nem sempre saem como a gente planeja. Às vezes são ainda melhores e estou intercalando os lançamentos com outros projetos, como shows. Também devo voltar aos estúdios em breve, desta vez retomando com potência a minha identidade”.    

Já escrevi aqui sobre a artista talentosa e vibrante que é Izabella Rocha. Nunca é demais lembrar um pouco da sua carreira que se estende ao longo de 27 anos. Iniciou sua carreira ao participar da fundação do Natiruts (1996), banda com a qual gravou cinco discos de estúdio: "Nativus" (1997), "Povo Brasileiro" (1999), "Verbalize" (2001), "Qu4tro" (2002) e "Nossa Missão" (2005) – e fez centenas de shows. Atualmente, está de volta à banda na turnê “Good Vibration”.

Ao sair do Natiruts em 2006, integrou outro grupo musical, o InNatura, que fundou ao lado de Bruno Dourado (percussão) e Kiko Péres (guitarrista), lançando três álbuns: "Um Artista Brasileiro" (2007, lançado em DVD), "Bossa Ragga" (2010) e "Innatura 3" (2013).

A cantora iniciou sua trajetória solo em 2016 e lançou dois álbuns de lá para cá: “Gaia” e “Bella”. Em 2022, retornou a banda Natiruts para a tour “Good vibration 1” e iniciou o lançamento de mais um trabalho solo, o especial “Bella ao Vivo”, que, assim como o anterior, mescla influências do Jazz, Reggae, Soul, Samba Jazz e Bossa Nova, entre versões diversas e músicas inéditas. Em 2023 Izabella retoma os trabalhos da carreira solo dando continuidade ao lançamento das versões inéditas do mais recente álbum “Bella ao Vivo”.

 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Som do Velho Realejo nos faz viajar no tempo

 

Eu vi um realejo a tocar. Como diz a música Velho Realejo de Custódio Mesquita e Sadi Cabral. Foi lá pelos anos de 1960, em frente à casa de tia Maria Camapum e tio Oswaldo Barroso de Souza, em Anápolis, Goiás. Cidade onde fui nascer e aonde íamos muito na nossa infância.

Esse momento mágico nunca saiu da minha memória. Meus sentidos sempre foram bastante voltados para a música. E ver e ouvir aquele senhor do outro lado da rua, a manivelar um caixinha que emitia sonoridade tão bela e distinta, foi um prazer inesquecível. Agasalhou a curiosidade aguçada de criança.

Então, o realejo passou e passa até hoje como num sonho a tocar seus acordes melodiosos, arrastados, como se nos puxassem para outro tempo e lugar, sempre distantes.

Fico a imaginar que, quando o realejo afastou-se daquela rua, deixou aquele bairro, mudou de cidade ou trocou essa existência por outra, tudo deve ter ficado triste e deserto. E eu, distante, fui poupado dessa ausência, desse apagamento de um página tão suave e delicada da nossa história cultural.

Anápolis, Goiás, devia ser assim nos anos 1960

O realejo teria surgido na Europa há mais de 200 anos. Chegou ao Brasil, onde nunca foi fabricado, no início do século passado. No interior de São Paulo e em alguns locais do país, ainda existem raros exemplares, que são levados como atração a eventos, festas e feiras.

O extraordinário poeta Mario Quintana (1906-1994), em seu livro Canções, de 1946, tem um poema que começa justamente falando do tema aqui tratado: "O outono toca realejo/ No pátio da minha vida./Velha canção, sempre a esma,/Sob a vidraça descida". Fico a me ver da janela de tia Maria a contemplar tão belo e inesquecível espetáculo.

E o escritor João do Rio (1881-1921), numa crônica sobre músicos ambulantes, cita o caso de um cidadão que compra um realejo com bonecos mecânicos e, mediante certos truques, consegue juntar uma boa grana. Estendendo-se sobre o assunto, João observa que há realejos que sustentam numerosas famílias, realejos escravizadores, realejos solteiros e malandros e "realejos virgens prontos para a fuga".

De minha parte deixo esses versos abaixo, o vídeo com a música Velho Realejo, na voz incrível de Nelson Gonçalves e o violão inesquecível do saudoso Raphael Rabello. É tudo memória de um tempo que não volta mais...

 HAICAI

 
Realejo toca
Fundo na alma serena
Da criança pequena
 
José Carlos Camapum Barroso