sábado, 23 de dezembro de 2023

Natal e os múltiplos caminham que ele ilumina

A religiosidade é uma coisa boa nessa nossa curta passagem por esta vida. Desde que imbuída do espírito da caridade, do amor ao próximo e do respeito pelas pessoas que praticam outras religiões, ou que não praticam religião nenhuma, ou não acreditam no mesmo Deus que acreditamos, ou até mesmo para com aqueles que não acreditam em nenhum Deus.

O espírito verdadeiramente cristão é aquele que professa, procura e pratica sempre o bem, sem olhar a quem. E isso não é fácil. Exige muita abnegação, humildade no sentido mais amplo e grandioso da palavra. Aliás, humildade é palavra-chave nessa vida.

Pelo mundo a fora, existem maneiras e datas diferentes de comemorar-se o nascimento de Cristo. A Igreja Ortodoxa, por exemplo, não comemora o nascimento menino Jesus no dia 25 de dezembro, mas, sim, no dia 7 de janeiro, pois não reconhece a reforma do calendário implantada pelo Papa Gregório, no ano de 1582, que corrigiu uma defasagem de treze dias entre a data do calendário e a data real das mudanças das estações – equinócio e solstício. Os ortodoxos continuam seguindo o calendário de Júlio Cesar, criado em 45 A.C.

O Natal é uma época mágica, em que o cenário cinza de diversas cidades do mundo é dominado por luzes coloridas, pinheiros enfeitados e estrelas que piscam, em uma atmosfera de fantasia que só esse período consegue proporcionar. A decoração nos lares também seguem esse modelo, com o mesmo espírito do (re)nascimento, da luz, da vida no sentido amplo.

A decoração de Natal é extensiva às comemorações de fim de ano. Servem para saudar o Ano Novo, depois de ter encantado as pessoas na chegada do menino Jesus. Todo ano é assim, aqui em casa. A Stela mostra seu extremo bom-gosto para decoração de casa e ambientes festivos. O vídeo abaixo é da nossa casa, pronta para o Natal, com fundo musical de Noite Feliz. E os versos abaixo tentam contextualizar tudo isso...

É vida que segue cheia de esperanças e sonhos de renovação.

 

Luz natalina
José Carlos Camapum Barroso
 
Rainha que floresce
Na noite de Natal
É como um açoite
De esplendor celestial.
 
É dádiva de Deus!
Uma nova mensagem
A pulsar nos corações:
Há vida a nos embalar,
Esperança na Terra!
Basta abrir os olhos
Para que a luz possa entrar...
 
Luz que é divina,
Eterna e nos ensina
Um modo novo de cantar,
Amar, viver a vida.
Rainha-da-Noite e do dia
Dai-nos hoje, e sempre,
A esperança perdida. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Cultura renasce das cinzas com investimentos da Lei Rouanet

 

Fênix, ave mitológica que renasce das cinzas

Nada mais adequado e ajustado do que comparar o atual momento vivido pela cultura brasileira com a fênix – ave mitológica que renasce das próprias cinzas, tem forte ligação com o Sol (luminosidade) e com a ideia de renascimento. A retomada de investimentos culturais – via Lei Rouanet – alcançou a cifra de R$ 16,3 bilhões liberados em 2023, cinco vezes mais do que a média de recursos investidos ao longo de quatro anos do governo anterior, de extrema-direita, radicalmente contrário a atividades culturais.

Os dados são do Ministério da Cultura e foram divulgados pelo site Metrópoles, nesta quarta-feira (20/12). Para se ter uma ideia da explosão de recursos investidos pela Lei Rouanet, a quantia disponibilizada por Lula nos últimos 12 meses é maior que a ofertada nos quatro anos de Jair Bolsonaro. Neste primeiro ano do governo Lula, foram aprovados 10,6 mil projetos, ante 13,6 mil entre 2019 e 2022.

Esses mais de 10 mil projetos incluem sete segmentos: artes cênicas, artes visuais, audiovisual, humanidades – engloba literatura, filologia e história –, museu e memória, música, e patrimônio cultural. A área mais contemplada neste ano foi artes cênicas, que obteve a liberação de R$ 4,4 bilhões em incentivos fiscais. O setor musical angariou R$ 3,9 bilhões; o de artes visuais, R$ 2,3 bilhões.

Para se ter uma ideia da tragédia ocorrida nos quatro anos do governo bolsonarista de extrema-direita, os recursos investidos pela Lei Rouanet foram inferiores aos valores investidos pelo governo Michel Temer, em 2017 e 2018, como pode ser constato no gráfico divulgado pelo Ministério da Cultura. Em quatro anos, Bolsonaro investiu o mesmo valor que Temer em dois anos.

O argumento do bolsonarismo sempre foi o de que os recursos da Lei Rouanet eram fontes de corrupção. Falso. Se existem desvios, em qualquer área, o correto é combater a corrupção, investigar, processar e punir eventuais envolvidos. O que a extrema-direita quer evitar, e sempre fez isso, é o desenvolvimento da cultura e da educação por serem essenciais para a evolução de uma visão crítica, progressista e, até mesmo, em muitos aspectos, revolucionária.

O presidente Lula rebateu esse falso argumento da extrema-direita já na origem, ao assinar o decreto que permitiu a medida, afirmando: “Vão dizer que a mamata voltou”. Os recursos da Lei Rouanet são oriundos de isenção fiscal. Isso quer dizer que tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem escolher projetos aprovados pelo governo para destinar parte de seu Imposto de Renda.

Dessa forma, em vez de ir para o cofre da União, o dinheiro vai para os idealizadores dos projetos, que devem prestar contas ao Ministério da Cultura sobre o que foi feito com os recursos liberados.

O Sudeste representa, de longe, a região mais contemplada com a liberação de recursos via Lei Rouanet: R$ 11,1 bilhões. Desse total, São Paulo responde por mais da metade, com autorização para captar R$ 6 bilhões.

O valor concedido ao estado mais populoso do Brasil configura, sozinho, mais do que a soma do que foi disponibilizado às regiões Norte, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Na outra ponta da tabela está o Acre, autorizado receber R$ 2 milhões em isenções, com apenas quatro propostas contempladas.

No governo Lula, o número de produtos contemplados com recursos da Lei Rouanet também sofreu um aumento exponencial. Em comparação com 2022, o número de produtos que receberam verbas por meio da lei cresceu 65 vezes, passando de 61 mil para mais de 4 milhões.

A Lei Rouanet foi criada em 1991 por Sergio Paulo Rouanet, ministro da Cultura de Fernando Collor, com o objetivo de fomentar projetos e iniciativas culturais no país.


domingo, 17 de dezembro de 2023

Festas de fim de ano também são cultura, e democracia


Comemorações de fim de ano também são cultura! Trazem um viés interessante e bem-vindo de valorização dos laços afetivos, de troca de informações, vivências e experiências, tanto no plano do trabalho, como também, e principalmente, da vida. Coloco neste cenário, a comemoração de fim de ano da Ouvidoria-Geral do SUS, do Ministério da Saúde, onde trabalho. A reunião foi na nossa casa, num ambiente regado a muita alegria e confraternizações.

Esse tipo de evento – marcado pelo encontro físico de membros de equipes – tornou-se mais comum nas últimas décadas. Vem sendo ampliado e estimulado pelas empresas e órgãos públicos, justamente por fortalecerem o espírito de equipe e a todos preparar para desafios futuros.

Na nossa OuvSUS não é e nem poderia ser diferente. A gestão do Ministério da Saúde, em sintonia plena com um governo democrático, que busca a união e a reconstrução do Brasil, o foco principal está em construir alternativas para uma maior participação social, ampliando e modernizando os canais de comunicação entre população e os órgãos que compõem o Sistema Único de Saúde (SUS) - tão aplaudido e recomendado por outros países.

Esse tipo de comemoração tem-se mostrado eficiente para fortalecer a coesão da equipe como um todo, oferece oportunidade ímpar para construir laços interpessoais mais profundos, e os colaboradores sentem que estão tendo condição para compartilhar experiências pessoais, descobrir interesses comuns e, dessa forma, fortalecer relações que vão além das demandas profissionais.

Tem ganhado dimensão no Brasil deste século justamente por propiciar uma dinâmica de equipe, promovendo ambiente de trabalho mais colaborativo e amigável. Segundo especialistas, a confraternização é propícia para fomentar a comunicação aberta e a integração entre os diferentes setores de uma empresa ou de um órgão público.

Aconteceu no nosso evento de fim de ano, na sexta-feira (15/12), como acontece em outros com objetivos semelhantes, o reconhecimento e a valorização dos colaboradores por tudo que foi feito ao longo do ano que se encerra.  

Gestos simples, como premiações simbólicas e a expressão de gratidão durante o evento, elevam a autoestima dos colaboradores, assim como reforçam a ideia de que cada contribuição é fundamental para o êxito da equipe como um todo. Percebe-se, facilmente, que a confraternização naturalmente estimula o engajamento e a motivação de todos os membros da equipe.

Isso é cultura. É enriquecimento dos modos de viver em sociedade, seja no ambiente de trabalho ou em sociedade. Sendo cultura, é – e sempre será – tema para o ZecaBlog. E mais uma vez, nos dedicamos a tratá-lo por aqui, com a esperança e o sonho de poder ajudar no engrandecimento de todos que querem construir uma nova sociedade, um novo mundo, mais justo, verdadeiramente democrático e humanizado.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Seminário vê convergências entre literatura russa e brasileira

Fiódor Dostoiévski

Taí um tema que sempre me foi caro: o que há em comum entre obras literárias brasileiras e russas? Particularmente, vejo algumas boas e interessantes convergências, embora os cenários culturais sejam tão distintos. Graciliano Ramos, com sua Angústia, tem muito de Fiódor Dostoiévski, com seu Crime e Castigo e outras obras desse extraordinário escritor russo.

Esse é o tema central, enriquecido por questões diversas, do seminário “Uma Conversa Íntima - Convergências entre as Literaturas Russa e Brasileira”, encontro literário que acontecerá nesta sexta-feira (15/12), na Biblioteca Nacional de Brasília, das 19 às 21h30. Realizado pela Agência Russa Para Cooperação Internacional Humanitária “Rossotrúdnichestvo” e pelo Instituto Cultural Casa de Autores, o seminário tem o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e Biblioteca Nacional de Brasília.

Graciliano Ramos

Um dos objetivos do encontro literário é apresentar os fios semânticos que conectam os dois povos, estimulando os participantes a mergulharem no estudo dos laços culturais e humanitários através de um conhecimento mais substantivo da cultura russa.

Andrey Prokin, diretor da Casa Russa no Brasil, destaca que “apesar da distância geográfica, há temas e influências mútuas na criatividade entre os nossos países”. Segundo ele, há pontos de entrelaçamento na literatura que podem ser encontrados tanto na prosa quanto na poesia. “A cultura russa, especialmente a popular, inspirou escritores e poetas no Brasil. Autores modernos de Brasília e de Moscou, em suas obras, tentam dar respostas a questões muito semelhantes. E se o Brasil é formado a partir das ‘três raças tristes’ descritas por Vinícius de Morais, na canção deste país também há uma lágrima russa”, acrescenta Prokin.

Cecília Meireles

O fenômeno promove situações curiosas, como a relatada por Maurício Melo Júnior, presidente da Casa de Autores. “Por muitos anos um poema de Eduardo Alves da Costa circulou pela internet que teimava em atribuir o texto ao poeta russo Vladimir Maiakovski. Isso se dá por conta das experiências pessoais dos autores, marcados por questões sociais, como a pobreza e a falta de perspectiva”.

Andrei Prokin e Maurício Melo Jr.

Maurício relembra que autores como Nelson Rodrigues, por exemplo, diziam-se fortemente influenciados por Dostoiévski. Enquanto outros intelectuais brasileiros fizeram imersões na Rússia, construindo pontes. Ferreira Gullar e Jorge Amado, este bastante lido na Rússia, chegaram a morar em Moscou.

Todas essas nuances, histórias e casos poderão e deverão surgir nesse bate-papo literário, bem apropriado para uma sexta-feira... 


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Exposição destaca talentos fotográficos do "Se Liga Juventude"

Foto: Leanna Abdon

Em 13 de dezembro, o Foyer do Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal recebe a exposição “Olhares da Vila”, com vernissage a partir das 19h. A mostra reúne obras fotográficas de jovens artistas de comunidades do Distrito Federal feitas durante visitas a pontos turísticos da capital e nas suas respectivas cidades – Ceilândia, Estrutural e Samambaia. As fotos revelam a grandiosidade das belezas de Brasília, colocando em foco desde sua magnitude arquitetônica até detalhes que passam despercebidos aos olhares do cotidiano.

A presidente do instituto Iecap, Renata Oliveira – responsável pelo projeto ‘Se Liga Juventude’, que deu origem à exposição – ressalta que essa é uma oportunidade de dar visibilidade e protagonismo aos jovens, sobretudo aqueles que encontram pouco espaço para expor suas ideias e realidade. “Essa é uma das frentes do nosso Instituto para fazer da cultura uma ferramenta de cidadania e dignidade”, acrescenta.

Foto: Leanna Abdon

As imagens foram captadas durante oficina de fotografia ministrada por Ian Nogueira. Após as visitas de campo, em que os jovens tiveram oportunidade de fazer seus registros com equipamentos profissionais, o material foi submetido ao repórter fotográfico e galerista Celso Junior, curador da mostra. Ao todo, 23 fotos, assinadas por jovens de 13 a 29 anos, poderão ser admiradas em “Olhares da Vila”. 

O Projeto “Se Liga Juventude” impactou 1,2 mil jovens no DF com capacitação profissional e cultural em oficinas gratuitas de teatro e fotografia, com patrocínio do Grupo Santa e Banco Modalmais, sob Lei de Incentivo à Cultura, pelo Ministério da Cultura. A cessão do espaço é uma parceria com a curadoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal, e apoio do deputado Thiago Manzoni.

Foto: Leanna Abdon

Sobre o Iecap

O Instituto Iecap é uma organização sem fins lucrativos com excelência há mais de 22 anos na execução de políticas públicas voltadas a crianças, adolescentes e jovens. Composta por multiprofissionais qualificados, seus agentes e colaboradores se dedicam na transformação de vidas por meio da educação, cultura, esporte, empreendedorismo e inovação.

Gestor por seis anos da principal política para a juventude, o IECAP coleciona histórias de superação e sucesso nos Centros de Juventude, ofertando oportunidade para capacitação e conquista de desenvolvimento pessoal, familiar e profissional para comunidades menos favorecidas. Agora, expande sua tecnologia social pelo país, alcançando mais de 40 cidades no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraíba, Bahia, Goiás e Minas Gerais.

Foto: Leanna Abdon
Serviço:
Exposição fotográfica “Olhares da Vila”
Aberto à visitação até 20/12
Das 9h às 18h
Foyer do Plenário – Câmara Legislativa do Distrito Federal
Entrada franca
Mais informações: www.iecap.org.br 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

PPM encerra o ano cultural com série de premiações

Foto: Paulo Pepe

O Prêmio Profissionais da Música (PPM) encerrou o ano cultural com uma série de premiações na segunda etapa, que foi marcada por atividades no Teatro Sesc Garagem, Sesc Ceilândia e Sesc Gama, expandindo seu alcance e se aproximando ainda mais da comunidade. A iniciativa, que teve a etapa nacional realizada em junho, neste fim de ano voltou-se, exclusivamente, para o Distrito Federal.

O PPM tem se consolidado com o mais importante evento cultural do Brasil, completando neste 2023 sete realizações de pleno sucesso. Para encerrar a 7ª edição, os organizadores realizaram um final de semana repleto de música, homenagens e comemoração. O evento destacou o talento musical da diva da música brasileira Alaíde Costa e da cantora brasiliense Flor Furacão. 

Foto: Paulo Pepe

Com propostas e estilos diferentes — uma consolidada e outra em ascensão —, ambas encantaram. Na ocasião anunciada como uma das homenageadas da próxima edição do PPM, Alaíde, do alto de seus 87 anos, encerrou a noite de premiação “Viraliza Brasília”, novidade do PPM voltada para o reconhecimento de pessoas, empresa e projetos contemplando seis categorias.

Foram vencedores, nesta segunda etapa, o Festival CoMA, na categoria Festival de Música; o programa de TV Quebradas, na categoria Projeto Cultural; a Revista Traços, na categoria Veículo Cultural; o Clube do Choro e Infinu Comunidade Criativa, na categoria Casa Noturna; o CCBB, na categoria Espaço Cultural e Carol Borges, na categoria Curadora.
Para fechar, dois dias de mostra de videoclipes e uma tarde de painéis com profissionais da música e uma exposição fotográfica que poderá ser conferida até o fim do mês com os homenageados da 7ª edição: Lia de Itamaracá, Renato Mattos, Juarez Fonseca e Chico Science [in memoriam].

Foto: Paulo Pepe

Sobre o PPM

Em sua 7ª edição, em 2023, o PPM foi dividido em duas etapas. A 1ª, realizada em junho, alcançou abrangência nacional com a premiação de profissionais de todo o país distribuídos em 176 categorias. Já a 2ª, foi predominantemente voltada para o Distrito Federal.

O evento é feito por e para os profissionais da música de todo o país, com o propósito da valorização de toda a cadeia criativa e produtiva da música, desde os bastidores, passando pela obra em si, até sua distribuição. É um evento inclusivo que conta com intérpretes de LIBRAS, instalações acessíveis a pessoas com deficiências e outros recursos de acessibilidade.

O PPM foi/é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

13ª Festa Literária na riqueza cultural de Pirenópolis

Foto de Ana Póvoas

Aqueles que amam a literatura têm muito o que comemorar neste mês de dezembro. Do dia 6 a 9/12, ocorre a 13ª Festa Literária de Pirenópolis – Flipiri 2023, com a expectativa da presença de 5 mil pessoas, que poderão desfrutar de uma programação estimulante, composta por palestras, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, encontros com escritores, apresentações musicais e teatrais, debates, exposição, caminhada poética, livraria, saraus, oficinas e encontro de ilustradores.

Tudo isso na encantadora cidade goiana, tombada pelo Iphan como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e que tem uma tradição secular de vida cultural ativa e estimulante. Pirenópolis recebe o evento investindo no poder transformador da palavra e na expansão de horizontes políticos, econômicos, sociais e culturais por meio dos livros.

Foto de Ana Póvoas

Segundo a escritora, idealizadora, coordenadora- geral da Flipiri e vice-presidente do Instituto Cultural Casa de Autores (DF), Iris Borges (foto acima), a Festa Literária está se consolidando como um tradicional destino literário do país. Ela lembra que o evento “está sediado em Goiás, estado que contribuiu para o rol de grandes escritores brasileiros como Bernardo Élis, Cora Coralina e José J. Veiga, todos já celebrados em edições passadas”.

Iris Borges ressalta que está feliz com “o caminho que trilhamos, pois ao mesmo tempo em que alcançamos relevância nacional, mantemos o compromisso com a comunidade local, sobretudo a educacional”. Chama a atenção, também, a capacidade de o evento convergir abrangência com valorização de suas origens, o que se destaca tanto na reflexão suscitada pelo tema “Os Vários Brasis -- As Belas Faces de um Povo”, como na instituição homenageada, a Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música -- Aplam. 

Foto de Ana Póvoas

O curador literário do evento e presidente do Instituto Cultural Casa de Autores, o jornalista Maurício Melo Júnior (foto acima), reforça que “vivemos num país continental, com incontáveis falares, mas nos entendemos como povo unificado pela língua e pelos sentimentos. Somos a mistura de portugueses, africanos e povos originários, as ‘três raças muito tristes’, segundo o poeta Vinícius de Morais. Mas desse advento de tristeza construímos celeiros de felicidades, o que está dito em nossa trajetória literária. Somos um único povo, uma única raça. Este é o lema, a convivência pacífica e fraterna entre irmãos que a Flipiri de 2023 quer difundir”.

Na base do projeto idealizado por Iris Borges, está a Flipiri Itinerante, que fomenta o hábito da leitura desde a primeira infância com doação de livros e ações com a rede pública de ensino. Neste módulo, desenvolvido em colaboração com a Secretaria de Educação do município, sob o comando de Márcia Áurea, este ano as atividades priorizam a educação infantil e os anos iniciais, envolvendo 3 mil alunos e 200 educadores. Segundo Márcia, a ida do autor à escola é o momento mais esperado da festa. “Com exposições produzidas pelos próprios alunos, a Flipiri Itinerante se destaca pela diversidade artística e literária”. Em 2023, a primeira etapa aconteceu em novembro e esteve em oito escolas do campo. Já a segunda, de 6 a 8 de dezembro, contemplará outras 10 instituições.

Flipiri Itinerante visita as escolas - Foto de Ana Póvoas

Assim como o conteúdo, uma das características que faz da festa Literária uma experiência tão agradável é a própria cidade. A programação cultural se concentrará no Centro Histórico e, além da Escola Estadual Comendador Joaquim Alves, destaca dois aparelhos emblemáticos da cultura goiana: o Teatro Sebastião Pompêo de Pina e o Cine Theatro Pireneus. 

Entre uma atividade e outra, o cenário que combina a beleza da Serra dos Pireneus com a arquitetura colonial, encanta. Sem falar na convidativa gastronomia e nos passeios ecológicos. “A Flipiri conquistou lugar especial no calendário de festividades de Pirenópolis. É uma oportunidade para promover a literatura, fortalecer nossa cultura e impulsionar o turismo pedagógico”, destaca o prefeito Nivaldo Melo.

Flipiri incentiva o hábito da leitura - Foto de Ana Póvoas

Aberta ao público, a Flipiri, estenderá parte de sua programação ao mundo digital. Palestras e oficinas serão transmitidas via redes sociais e disponibilizadas na íntegra pelo canal de YouTube do evento.


Serviço:
Festa Literária de Pirenópolis – Flipiri
De 06 a 09 de dezembro
Pirenópolis/Goiás
Entrada Franca
Site: https://flipiri.com/
Instagam: @flipiri­_