domingo, 25 de fevereiro de 2024

Documentário "A Noite que Mudou o Pop" é imperdível

 

Um dos mais belos e interessantes filmes-documentários já realizados está “em cartaz” no Netflix. Trata-se de A Noite que Mudou o Pop, de Bao Nguyen, sobre a histórica gravação de We Are the World, criada no projeto USA For Africa, que em 1985 arrecadou dinheiro para combater a fome no continente africano.

Tudo começou quando o agente Ken Krager foi procurado para tocar o projeto por Harry Belafonte, ator, cantor e ativista de direitos civis. A ideia era arrecadar dinheiro para amenizar o sofrimento de milhões de mulheres e crianças na África.

O ponto de partida foi a escolha de Lionel Ritchie para fazer o meio de campo do projeto. Logo de cara, Ritchie, também produtor do filme, convidou ninguém menos que Michael Jackson, e os dois fizeram a canção que viria a encantar o mundo e permitir uma arrecadação de fundos nunca vista na história da música.

Quem viveu o mundo da música naqueles inesquecíveis anos 1980 não pode deixar de ver essa maravilha. Principalmente pelo fato de que ele reúne os jovens de então aos grande nome dos anos 1960 e 1970, como Bob Dylan, Ray Charles, Stevie Wonders, Paul Simon, Tina Turner e tantos outros. Tudo numa noite, numa só gravação, sem a presença incomodativa de assessores e de multidão na porta do estúdio a perturbar a chegada dos ídolos.

O registro ocorreu em 24 de janeiro de 1985. Naquele dia era a festa de entrega do então muito prestigiado American Music Awards, em Los Angeles, que seria apresentado por Lionel.

Muitos dos artistas relacionados para gravar já estariam na cidade. Mesmo assim, houve percalços e algumas desistências. Bruce Springsteen fez na noite anterior um show de quase quatro horas do outro lado do país, e mesmo assim aceitou cantar. Nas gravações, ele está visivelmente exausto.

Um aspecto magistral do documentário foi a captação de reações preciosas. Bob Dylan, por exemplo, era o mais incomodado de estar ali. Além disso, sabia que cantava mal e se omitiu nos coros. Stevie Wonder e Ray Charles eram reverenciados como deuses por artistas que vendiam muito mais discos do que eles. Novatos como Cyndi Lauper e Kim Carnes não conseguiam esconder o nervosismo diante dos ídolos.

Michael Jackson mostra todo seu talento de voz e conhecimento musical, embora não tocasse nenhum instrumento. Compôs uma bela e imortal canção, em forma de hino, e teve a felicidade de encontrar os versos iniciais que marcaram a música: “We are the world/ we are the children/ We are the ones who/ make a brighter day.

Peço licença para reproduzir um trecho da crítica do jornal The New York Time, republicada no Brasil pelo Estadão:

A Noite que Mudou o Pop ganha seu título arrogante de duas maneiras. Até que alguém invente uma máquina do tempo, é a melhor maneira de ver o que foi a primeira metade da década de 1980, graças a um desfile de referências estilísticas e tecnológicas e até mesmo anacronismos: cabelos grandes, fitas cassete, cores primárias, jaquetas de beisebol de cetim, calças de couro, collants, casacos de pele, permanentes, walkie talkies e até mesmo um Rolodex. (As fitas cassete, ao contrário dos permanentes, estão de volta).

É também uma ilustração maravilhosa da velha máxima de que o show business tem a ver com relacionamentos. A sessão de We Are the World reuniu a maioria dos cantores que fizeram de 1984 “o melhor ano da música pop”, como muitos o chamaram, e se beneficiou de um conjunto único de variáveis. O filme mostra que a cadeia de ações que antecedeu aquela noite se resumiu a ligar para amigos, pedir favores e lançar a música com um amplo apelo demográfico. Veja aqui como alguns músicos talentosos e um empresário incansável organizaram um evento de gala em apenas quatro semanas.”

O ZecaBlog, sempre antenado com o mundo da cultura, não poderia deixar de destacar para seus leitores e leitoras a importância desse filme. Ele foi visto 11,9 milhões de vezes em sua primeira semana de lançamento no mês de janeiro, ficando no topo da lista de filmes em inglês da Netflix.

Pra matar a saudade, que tal o vídeo da canção...


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Quando a Poesia e a Música se encontram

Musicar um poema é acentuar-lhe as emoções, disse, certa vez, o poeta português Fernando Pessoa, um dos mais geniais da literatura mundial. Ele teve alguns de seus textos musicados, como canções-concertos de raras belezas, admirados no mundo das artes.

No Brasil, vários poemas foram musicados. Podemos citar Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Cecília Meirelles, Haroldo de Campos e, como não poderia deixar de ser lembrado, Vinícius de Moraes, o nosso “poetinha”, entre tantos outros.

O compositor e cantor Raimundo Fagner teve a sensibilidade e a ousadia de musicar o poema Fanatismo, da também portuguesa Florbela Espanca, trazendo para nossa alma a beleza infinita desses versos:

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Música e poesia são artes que se cruzam no tempo. Sempre existiu uma vontade de conciliação dessas duas formas diferentes de comunicação e expressão. Mas, esse tema me foi despertado, no dia de hoje, ao receber, bem cedo, um poema do amigo, jornalista, poeta e escritor Maranhão Viegas.

Fez-me lembrar que, em 2011, no nascedouro deste blog, tive um poema musicado por Ocelo Mendonça, multi-instrumentista, arranjador, professor de música e membro da Orquestra Nacional do Teatro Cláudio Santoro. Ocelo gravou os instrumentos e foi acompanhado pela bela voz do cantor Leonel Laterza.

Maranhão recorda ter escrito uma poesia que virou letra de música. Ele frisa que “não pensava em música quando escrevi. Pensei em poesia. Mas a música já estava ali, desde sempre. Foi o que me disseram mais tarde Marcos Mendes e Maria Cláudia, criadores da melodia, dos arranjos… e intérpretes gentis que deram tratos ao que escrevi. Fazendo poesia virar melodia”.

Assim, os dois momentos do passado cruzaram-se no presente por mero acaso da paixão de dois jornalistas por poesia e música. Resolvi compartilhar com os amigos e amigas do ZecaBlog. Espero que apreciem e possam fazer suas considerações sobre o encontro dessas duas artes.

Beijos poéticos e musicais no coração.

Desvarios
José Carlos Camapum Barroso
 
Hoje em meu desvario
Vou perguntar aos céus
Qual será meu desafio
Na hora do último adeus
 
Vou perguntar ao tempo
Que é senhor da razão
Se amanhã o sofrimento
Será menor que a paixão
 
Vou perguntar às paredes
Se devo ouvir e calar
Palavras que matam a sede
Escondem o sentido do verbo amar
 
Não quero um novo dia
Antes d’a noite chegar
A lua tem como agonia
Os raios do sol a brilhar
 
Não quero em meu desvario
Notas de dor, compaixão
Se choro aumenta o frio;
Se canto, chega o verão
 
É noite já vem o dia
É dia já vai escurecer
Faz tempo essa agonia
Meu desvario vai adormecer...

O teu olhar e o meu
Maranhão Viegas
 
O teu olhar e o meu
veem a mesma direção
 
O teu invade o guardado
O meu já sabe que não
 
Vista de longe a paisagem
Viagem na contramão
Esfrego os olhos aflito
recorro à intuição
 
Ei, sujeito, se emende
Abra o olho, ele te mostra
O olhar que tens aí dentro
Já encontrou a resposta
 
O olho fechado é cego
O olho aberto é clarão
Pra um olho que inveja o vento
Ventania é furacão

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Carnaval Na Venda reforça alegria dos brasilienses

O Carnaval de Brasília ganha um reforço de fazer inveja às folias famosas do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O Carnaval Na Venda, conhecido e popularizado como CarNaVenda, está de volta. Depois de suspenso pela pandemia da Covid-19, a folia volta este ano com toda força, no bar Na Venda, a partir de sábado (10/2), com apresentações para todos o gosto e aptas a aplacar qualquer desgosto.

Começa pelo som fervescente e moderno da Funqquestra, passando pela riqueza sonora, sempre alegre e irreverente do Liga Tripa, até desaguar na riqueza rítmica do show Carnaval do Brasil de Renata Jambeiro. Para encerrar a festa, em alto estilo e com vibração máxima, ninguém melhor que Dhi Ribeiro, com seu repertório e energia contagiantes.

Funqquestra - Foto de Nina Quintana

Conheço o grupo Liga Tripa desde o seu nascedouro, há 45 anos, no final da década de 1970. De lá pra cá, suas apresentações foram marcadas pela irreverência, nas ruas, com muita poesia e melodias criativas. Promete happy hour carnavalesco de muita qualidade e animação, no domingo, das 18h às 22h.

Na segunda-feira, Renata Jambeiro é garantia de encantamento com o show Carnavais do Brasil, um passeio rico e diverso pelos ritmos que marcam o carnaval brasileiro e incluem axé, frevo, maracatu, marcha-rancho e marchinha carnavalesca.

Liga Tripa - foto de Marcelo Dischinger

Dhi Ribeiro dispensa comentário. Seu talento fala mais alto. É uma artista bastante conhecida do público brasiliense. Sabe contagiar a plateia, com sua vibração máxima, muita alegria e um repertório impecável de sambas.

Em todos os dias do evento, o DJ Marcelo Luiz, que fez história no comando das pick-ups do saudoso Gate’s Pub, aquecerá o ambiente. Em sua playlist carnavalesca, músicas de todos os tempos e estilos dentro do universo do melhor carnaval do mundo!  

Renata Jambeiro - foto de Alex Pires

“Com seu estilo brasiliense, num clima de festa de entre quadra no nosso ‘Baixo Asa Sul’, o CarNaVenda valoriza a música made in Brasília, com artistas de quatro gerações”, afirma Gustavo Vasconcellos, à frente da GRV Música, Media e Entretenimento, produtora do evento.

Mais que música de primeira, o CarNaVenda proporcionará uma estrutura especial ao público, com decoração temática, área coberta, cercamento, segurança, conforto e drinks e petiscos e drinks com a qualidade reconhecida do Na Venda. Para melhor comodidade de todos, o evento será restrito a 500 pessoas por dia.

Dhi Ribeiro - foto de Patrícia Regina

Serviço:


10/02 (das 18h às 22h)
Artista: Funqquestra
Ingressos dia Funqquestra
 
11/02(das 18h às 22h)
Artista: Liga Tripa
Ingressos Liga Tripa
 
12/02 (das 18h às 22h)
Artista: Renata Jambeiro
Ingressos dia Renata Jambeiro
 
13/02 (das 18h às 22h)
Artista: Dhi Ribeiro
Ingressos dia Dhi Ribeiro
 
Valores:
Até 09/02: de R$20 a R$40 por dia (Sympla)
A partir de 10/02: de R$30 a R$60 por dia (Sympla e Na Venda)
 
Indicação etária: a partir de 18 anos
Local: CLS 411 Sul

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Dia de saudar Iemanjá e repudiar a intolerância

 

Quero ser o primeiro a saudar Iemanjá! Nem que seja ali na Prainha, de braços e coração abertos para o Lago Paranoá. Jogar flores e levar oferendas para Rainha do Mar não precisa ser em águas salgadas. Onde tem água, Iemanjá reina e aceita reverências.

Meu pedido vai para que fiquemos livres das intolerâncias, principalmente, políticas. Que Iemanjá nos livre de todo o ódio despejado contra a democracia brasileira, desaguado sobre ideais progressistas/sociais, impulsionado para ameaçar instituições democráticas e abraçar a mentira e a esquizofrenia coletiva.

Foram tempos difíceis, de exaltação ao autoritarismo, regado pelo preconceito, injúria e discriminação racial, de gênero e credo. Anos de ataques frontais e perturbadores à cultura de um modo geral, e particularmente de forma intensa àquelas de cunho popular.

Presenciamos a cultura do ódio contra divindades do candomblé, com discursos e práticas violentas de ataque aos pais e mães de santos dos terreiros. Gente que adora chutar imagens de santas – Nossa Senhora, principalmente – e varrer estátuas e quadros de representações religiosas. Pelo fim das intolerâncias, cantemos e oremos a Iemanjá.

Tenho certeza de que a Rainha do Mar atenderá nossos apelos. Façam também seus pedidos, ao ler a oração postada abaixo. Também, ao ouvirem o canto de Maria Bethânia e a belíssima interpretação ao vivo dos filhos de Dorival Caymmi: Dori, Nana e Danilo.

Beijos, boa noite e um feliz dia Dois de Fevereiro, dia de festa no mar, no ar, na terra e nos lagos e rios.

Iemanjá, derramai vossos poderosos fluídos sobre todos nós.

Que vossa misericórdia continue a se estender sobre todos os reinos. Que os fracos sejam protegidos pelos vossos braços e que os humildes sejam enaltecidos pelo ruído do mar.

Que os movimentos das ondas transmitam muita paz e amor.

Que os orgulhosos percam a arrogância e sintam como é bom ser bom, porque a maldade só nos torna pequenos perante o vosso reino, Senhora,

Que os doentes recebam de vós, minha Santa Rainha, a cura para todos os males, através das emanações e de vossas vibrações e que nós sejamos purificados em vossas sagradas águas.

Que a força do vosso reino seja para nós um escudo contra as más influências dos seres inferiores, pois ainda somos crianças no reino em que vivemos e mal o conhecemos.

Que o vosso sagrado manto agasalhe todos os necessitados e traga o vosso calor de Santa Mãe, que vós sois.

Senhora, tende piedade de tantos que, como eu, vos invocamos neste momento sublime.

Atendei-nos em nossos pedidos.

Senhora Rainha do Mar e para tanto deixamos nossas súplicas na sétima onda do vosso mar.

Assim seja”.