domingo, 26 de fevereiro de 2012

Uruaçu faz Carnaval regado a música sertaneja e boate

Dá pra ver e sentir a animação dos foliões nas "boates" de Uruaçu
Passada a euforia da folia de Momo, com o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, e o retorno dos blocos das marchinhas em várias capitais do Brasil, chega o momento de algumas reflexões sobre o lado que ainda preocupa dessa festa. Sou chamado a essa análise pelo e-mail que recebi da amiga e colega de escola desde os tempos do Jardim de Infância Maria Selma Ávila Santos, a Selminha sempre tão alegre e simpática.
A preocupação dela está centrada no que virou o Carnaval de Uruaçu nos últimos anos, estimulado pelos atrativos do lago da Serra da Mesa a apenas 240 quilômetros de Brasília e 270 quilômetros de Goiânia. A festa cresceu, a cidade fica lotada, os hotéis faturam alto, o comércio lucra e até mesmo o cidadão comum ganha dinheiro alugando suas casas para foliões-turistas.
Até aí tudo bem. Nada contra a exploração de uma festa tradicional para atrair turistas, gerar empregos e movimentar a economia da cidade. A preocupação começa quando no convite do Carnaval de Uruaçu está estampada até apresentação de dupla sertaneja (veja o convite abaixo). E aumenta quando ficamos sabendo que os dois principais pólos da festa à noite são duas grandes boates, com capacidade para 1.800 pessoas, uma, e outra que chegou a abrigar cerca de 400 pessoas por noite.
Aí o leitor desse cantinho cultural, jornalístico e de lazer pergunta: o que uma boate tem a ver com o Carnaval? Nada, lógico. Absolutamente nada! Muito menos a música que toca nesses cinco dias de festa: eletrônica e sertaneja. Nem o axé toca mais. Até o axé, que já não tinha muito a ver com a Folia de Momo, foi abolido das noites carnavalescas da minha querida e saudosa Uruaçu. Marchinha, frevo e samba, então... Se tocar esses ritmos, o DJ apanha do “povão”.
Selminha está indignada, e com razão! Os organizadores da festa atraem uma multidão para a cidade – com todas as conseqüências e riscos que isso representa – para transformar o Carnaval nessa palhaçada. Uma multidão que não traz nada do espírito carnavalesco – aquele da alegria, das fantasias bem humoradas, dos enfeites de rua e dos salões, do confete e da serpentina.
Vem com a multidão tresloucada que foge dos grandes centros o que tem de mais distante do espírito carnavalesco: pouca – e às vezes, nenhuma – roupa, excesso de bebidas alcoólicas e muita droga. Os riscos de violência aumentam e o desrespeito à vida cultural e tradicional da cidade salta aos olhos.
Não se trata de uma visão moralista e nem meramente saudosista. Até porque festa nesse estilo pode ser realizada em outras datas, durante o ano, em grandes centros e nas cidades do interior. Nada contra. Agora, vamos respeitar e preservar a cultura, o espírito carnavalesco, a tradição dos blocos de marchinhas, frevos e sambas, que saem às ruas regados a muita alegria, ingenuidade e brincadeiras.
Uruaçu tem um belo Lago, falta o verdadeiro Carnaval
Essa mesma distorção está acontecendo em várias cidades do interior. Meus amigos Iliomar e Jorginho dizem que o som do Carnaval nas cidades do interior de Goiás é música sertaneja e eletrônica. Quando muito, aparece uma banda ou uma cantora de Axé, no estilo Cláudia Leite ou Ivete Sangalo.
Isso é navegar na contramão do que está acontecendo em várias capitais do país, em que os blocos estão voltando às ruas, carregados de alegria, fantasias criativas, refrãos espirituosos e letras de músicas carnavalescas baseadas na crítica do cotidiano e muita ironia.
As prefeituras dessas cidades podem encontrar alternativas a esse modelito chinfrim de festa, que pode até ser muito alegre e lucrativa, mas não é Carnaval. O que está acontecendo em alguns centros urbanos é o investimento dos administradores numa festa verdadeiramente carnavalesca. O resgate do espírito do Carnaval está gerando empregos e renda. Basta ter criatividade.
Selminha, obrigado pelo alerta. Vamos trabalhar para que em 2013 aconteça alguma evolução, mínima que seja. Uruaçu merece. E o Carnaval brasileiro, também. 
Elton Medeiros já  temia pelo Carnaval por causa dos novos rumos das escolas de samba, imaginem se ele conhecer o carnaval-boate de Uruaçu.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

O talento de ator de Bandeira e a poesia no cinema

“B. está dormindo. De repente se mexe e acorda. Estende a mão, apanha o relógio-pulseira na mesinha ao lado, vê que já são 7 horas – tempo de se levantar. Senta-se na cama, passa a mão na cabeça, fica alguns segundos pensativo. Afinal ergue-se, veste o roupão, caminha para o balcão, escancara a janela”.
“B. aproxima-se da banca dos jornais, compra o Correio da Manhã e afasta-se pela avenida Presidente Wilson, lendo a folha". 
Foi esse o esboço de roteiro que o poeta Manuel Bandeira fez a pedido do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que tivera a ideia de fazer um filme sobre as coisas comuns vividas pelo poeta em uma manhã qualquer. A partir daí nasceria O Poeta do Castelo, um curta de dez minutos, produzido no ano de 1959, em que Manuel Bandeira faz o seu próprio papel, recita duas de suas poesias e surpreende a todos, mostrando-se um ator seguro, “com o rigor e a disciplina dos melhores profissionais”, na definição do próprio diretor.
Joaquim Pedro retrata o cotidiano de um poeta, sonhador, cercado pelo peso do dia-a-dia, da rotina da cidade grande, apertado pelo concreto, pelo peso dos edifícios, a opressão do apartamento – o Belo, Belo daquilo que ele tem, mas não quer; distante do que quer, mas não tem.
O instante mágico é um telefonema que faz com que o poeta abra um belo sorriso. A partir daí, Bandeira começa, mesmo dentro da sua rotina, a recitar os versos de Vou-me Embora Pra Parságada. Veste-se, sai para a rua, compra seu jornal, encontra um amigo e caminha pela Presidente Wilson em direção a um lugar sonhado no infinito do céu...
Joaquim Pedro não quis fazer a cena do poeta acordando... Disse que filmar esse momento é difícil até para um grande ator. Revelou que Bandeira só perdeu a paciência em alguns raros momentos: a cena em que o poeta atende ao telefone foi gravada várias vezes, mas, acabou saindo com um sorriso espontâneo e maravilhoso; na cena da rua interna, nas proximidades da padaria, uma equipe de lixeiros queria limpar o local antes da filmagem; e algumas cenas de rua em que, às vezes, precisavam esperar o sol aparecer.
Em um artigo escrito no ano de 1966, o diretor disse que gostaria de ter feito a cena final da forma que foi sugerida pelo poeta, em que ele se afasta pela avenida Presidente Wilson, lendo o seu jornal. Do filme pronto, a única coisa que contrariou Joaquim Pedro foi o erro de montagem do som do telefone, que continua tocando mesmo depois que Bandeira já retirou o fone do gancho.
Posto abaixo essa maravilha do cinema brasileiro. É um curta poético e delicioso de se ver. Está no Facebook da “sobrinha” Raquel Campos, que também fez a gentileza de enviá-lo por e-mail. É uma boa pedida pra este final de tarde de sábado pós-Carnaval.
(Para ler o texto anterior sobre Manuel Bandeira, clique aqui)




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Agora é cinza, tudo acabado e nada mais...


Ao contrário dos textos que normalmente são publicados neste espaço – que sempre terminam com um vídeo ou um áudio de música, uma poesia etc. –, o desta quarta-feira de cinzas começa pela música maravilhosa que dá título a esta postagem. A interpretação é da genial e saudosa Maysa Matarazzo, ou simplesmente Maysa. É uma forma de homenagear os foliões e também de relembrar essa importante figura da nossa música popular.
O Carnaval passou e agora voltamos à realidade dura do dia-a-dia. Mas, o saldo, na minha modesta opinião, é extremamente positivo. Principalmente pela volta definitiva e consagrada do verdadeiro Carnaval de rua, embalado pelos blocos, bandinhas de música, marchinhas, frevos e samba, tudo isso cercado de muito colorido, fantasias, confetes e serpentinas.
Mas, como o momento é de cinzas, vêm à memória pessoas que nos deixaram e que tanto ajudaram a resgatar o verdadeiro Carnaval. Lembro um diálogo que tive lá pelo ano de 1999 ou 2000 – final do século e do milênio passado, por aí – com minha cunhada Vânia Daura, da comissão de frente de criação e organização do Bloco dos Amigos, que gerou o Carnaval dos Amigos, em Goiânia.
Querendo convencer a mim e à Stela para irmos passar o Carnaval em Jaraguá, Goiás, com toda a turma de bambas que depois se aglutinaria na criação do nosso bloco, ela argumentava:
- Vamos, vai ser maravilhoso! O Carnaval lá é bom demais, muito diferente...
- Diferente, como? – interrompi, perguntando cheio de suspeitas.
- A gente fica numa praça muito boa, grande... Um palco com muito som e bandas do Carnaval da Bahia, contratadas pela Prefeitura, fazem a festa.
- Diferente? Isso não tem nada de diferente! Todas as cidades do interior do Brasil importam esse Carnaval chinfrim de música baiana, que na realidade não tem nada de Carnaval... Pode até ser uma boa festa, alegre, divertida... Mas não é Carnaval.
Lembro, como se fosse hoje, que acrescentei, talvez por inspiração dos orixás, o que viria a ser uma grande verdade:
- Carnaval diferente vai ser quando as bandinhas voltarem pras ruas, tocando marchinhas e quando as festas de salões ou de rua passarem a valorizar o verdadeiro espírito carnavalesco, com músicas que dizem respeito a essa festa.
Pronto, sem querer, no calor de uma discussão bastante amigável, preconizei o que viria a acontecer nos dias de hoje, e que começou a brotar nos primeiros anos da década passada, no Rio de Janeiro e várias cidades brasileiras. Para se ter uma idéia, criamos o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, no ano de 2003.
A verdade é que o Carnaval nos dias de hoje está recuperando o seu lado bom, ingênuo, descontraído e descompromissado. Está voltando a ter aquele espírito que o consagrou na primeira metade do século XX. Isso, felizmente, não é apenas saudosismo, já é uma realidade.
“Agora é cinza, tudo acabado e nada mais”, diz a canção do mestre Marçal e Bide. Mas, olhando realisticamente, nem tudo está acabado. O Carnaval renasceu das cinzas. É a Fênix do terceiro milênio. Este pode ser um bom tema para o Carnaval dos Amigos de 2013. Afinal, agora, só estão faltando 347 dias para a nossa festa do ano que vem... Esse número é cabalístico. No ano passado, escrevi um post quando faltavam exatamente essa mesma quantidade de dias para o Carnaval dos Amigos de 2012 (se quiser relembrar, é só clicar aqui).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Português faz troça com a cassação do feriado carnavalesco

Depois que postei aqui, no domingo de Carnaval, o texto sobre o fim do feriado de terça-feira em Portugal, como medida de governo para enfrentar a crise econômico-financeira, descobri, no blog do advogado português José António Barreiros, um texto muito interessante sobre o mesmo assunto. Reproduzo, abaixo, a parte final do artigo, pela sua plena identificação com o que escrevi no post anterior. Quem quiser ler o texto completo do advogado português é só clicar aqui. É muito interessante e bastante criativo. Confiram:

“Uma coisa é certa: o Carnaval, na sua simbologia popular, é o tempo da descarga emocional, do gozo público e da chacota consentida, dos cabeçudos que são a cara de políticos, o tempo em que o comum cidadão afivela outra máscara que a quotidiana, tempo de malfeitorias que esvaziam os sentimentos contidos de raiva, o alho-porro, os esguichos na cara, os "traques" fétidos, o foguetório alucinante.
Terra gélida e chuvosa por essa altura escasseia em Portugal a lúbrica nudez, falta-nos o ambíguo travestismo carnudo, rareiam as partes púdicas cobertas de luzentes estrelinhas o resto ao léu, são poucos os matulões emplumados, possantes e bamboleantes, como no Brasil meu Brasil brasileiro, terra de calor. 
O nosso Carnaval costuma cheirar a gato-pingado. Este ano, por exigências da governação, vai ser doméstico, no lugar de trabalho, imagina-se com que rentabilidade e boa-disposição. 
Auguro que o Silva chefe de secção vai levar no bolso uma mão-cheia de "confetis", o Sousa amanuense uma pistola de água tintada de vermelho para acertar nas rotundidades aparentes da Ifigénia da tesouraria, até descobrir, tarde de mais, que eram os postiços do Marques do arquivo, disfarçado sob loira cabeleira. Línguas de sogra, serpentinas darão a cor, garrafinhas de mau-cheiro o odor. Longínquo, frio, o senhor director-geral reportará a Sexa, ministro a ampla adesão dos seus dependentes à nova política dos sem-festa. Este e todos os colegas do Governo comunicarão a Sexa, o primeiro-ministro para que Frau Merkel o saiba.
No meio de cinzas, o Rei Momo está morto e enterrado. 
Cuidado, porém: foi assim que o actual PR começou o seu declínio. Aos Portugueses podem tirar-lhes tudo menos o direito constitucional à risota, a garantia fundamental da gargalhada.”

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Crise faz Portugal cassar o feriado da terça de Carnaval

Foliões portugueses continuam saindo às ruas, mas perderam o feriado
Este blog já fez vários alertas para os riscos que corriam (e correm) os setores culturais, em todo o mundo, em função da crise econômica da Europa, ironicamente chamada de crise da dívida soberana (para ler sobre isso clique aqui e aqui). Que soberania é essa, cara pálida, que agora dá ao governo português o direito de acabar com o feriado da terça-feira de Carnaval, sob o argumento de que “não estamos em tempo de falar de tradições”, como afirmou o primeiro ministro Pedro Passo Coelho?
Como se não bastasse, comunidades portuguesas estão preocupadas com o risco de queda no ensino da língua portuguesa no exterior. Nossos patrícios cortaram 50 postos de professores no final do ano passado, o que vai repercutir fortemente este ano. Os conselheiros das comunidades na Bélgica e na França já lançaram seus protestos.
A Grécia está explodindo em reações populares de todas as naturezas. As atividades culturais, em que os cortes e as mazelas chegam primeiro, já estão pagando o preço da crise (para ler texto anterior, clique aqui). O Museu Arqueológico de Olímpia foi saqueado por vândalos na sexta-feira passada, o que levou o ministro da Cultura a pedir demissão. Os bandidos teriam levado entre 60 e 70 peças em cerâmica e bronze da coleção de História dos Jogos Olímpicos da Antiquidade.
Museu dos Jogos Olímpicos vítima de vandalismo
As autoridades gregas informaram que pelo menos dois homens estavam armados entre os que invadiram o Museu, renderam o único guarda que fazia segurança e levaram as peças raríssimas. Agora, imaginem se alguém invade com tanta facilidade os cofres dos bancos onde estão os títulos da dívida soberana...?
No caso de Portugal, a origem da nossa música e da folia carnavalesca vem de lá. As primeiras danças carnavalescas cariocas foram influenciadas pelo tradicional Zé Pereira, que é de orgiem portuguesa. A partir das músicas de carnaval, começaram as surgir as marchinhas, carregadas de ironia e de críticas ao cotidiano das pessoas. Chiquinha Gonzaga foi nossa pioneira nesse quesito (para entender essa evolução, ouçam o corta-jaca Gaúcho e a marchinha Abre Alas, ambas de Chiquinha).
Ao contrário de Portugal, aqui no Brasil, felizmente, o feriado continua garantido e o ponto facultativo vai até o meio-dia da quarta-feira de cinzas. E o nosso Carnaval ganhou em qualidade, com a volta dos blocos de marchinhas, frevos e samba. Mas isso é outra história, depois eu conto...



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ZecaBlog faz seu primeiro aniversário de sobrevivência

Este cantinho cultural, jornalístico e de lazer completou seu primeiro ano de existência. A duras penas (sem intenção de trocadilho), graças ao apoio dos amigos e a boa vontade e a generosidade dos leitores, conseguimos comemorar esse primeiro aniversário.
Novas amizades surgiram, informações foram trocadas, colaborações bem-vindas de várias fontes, sugestões e opiniões não faltaram e muito ajudaram ao desenvolvimento desse trabalho, que não tem grandes pretensões – senão a de servir como diletantismo a quem aqui escreve, a quem lê e aos que colaboram.
O universo é o da cultura. Os textos têm sido direcionados para a música, a poesia, os livros, as artes plásticas, os museus, as crônicas, enfim, tudo o que de alguma forma possa contribuir para a formação de uma sociedade melhor, mais justa, equilibrada, solidária, impulsionada por cidadãos cada vez mais conscientes, porque educados e cultos.
Isso é muito? Não. Isso exige muito trabalho, esforço? Não. É apenas o mínimo que podemos e devemos fazer como cidadão, como jornalista e como ser humano que vive e participa de uma sociedade.
O mundo moderno, impulsionado pelo desenvolvimento das tecnologias, com o fenômeno da globalização, das comunicações on line via redes sociais, exige de todos nós participação maior, interação mais efetiva, conhecimento amplo e visão crítica da sociedade em que vivemos.
No dia 16 de fevereiro do ano passado, iniciamos os trabalhos, devidamente orientado e estimulado pelo amigo, poeta e jornalista Maranhão Viegas. Postávamos aqui a poesia Áspera Flor, do também amigo, poeta e desembargador Itaney Campos. O recado foi simples e direto: no começo, tudo era poesia. Depois vieram vários colaboradores: começando pelo amigo, ilustrador e diagramador Welington Werner, que deu o layout do cabeçalho do blog;   Juracema, minha irmã; o próprio Maranhão; o diplomata e poeta Matheus; o psicólogo e poeta Ítalo Campos; os colegas de trabalho Cláuber, Kiko, Ronaldo e Pedro; o amigo e procurador Renato Pinto; os amigos Douglas e Nelsinho; o músico e parceiro em uma composição Ocelo; o amigo de infância e parceiro nas marchinhas do Carnaval dos Amigos, Jorginho; a minha mulher Stela, que sempre que pode lê os textos, dá sugestões e faz críticas; enfim, vários outros tantos colaboradores que não escreveram, mas mandaram sugestões.
A todos eu agradeço de coração e peço, humildemente, que não nos abandone nesse segundo ano de trabalho árduo, que começa no dia de hoje. Continuem a mandar suas colaborações, suas sugestões e críticas. Façam textos, poesias, músicas, crônicas e contos. Escrevam nas redes sociais. Criem seus blogs e sites.
Se não conseguirmos construir um mundo melhor, pelo menos, por alguns momentos, seremos felizes. Isso pode não ser tudo, mas é muito.
(Esse áudio abaixo é uma homenagem a mim mesmo feita pelo grande cantor que foi Orlando Silva e pelo extraordinário compositor que foi Custódio Mesquita)




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fabiana Cozza e a beleza do samba de uma paulistana

Já escrevi por aqui algumas mal traçadas linhas sobre o samba paulista. Falei de Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Jorge Costa e Geraldo Filme e tudo o que gira e girou em torno desse pessoal de talento a toda prova. Hoje, ainda embalado pelo espírito carnavalesco do mês de fevereiro, lembrei de Fabiana Cozza, uma paulistana da gema, com muito samba no pé, suingue na voz e dramaticidades nas apresentações de palco.
Fabiana é filha de uma italiana com o mulato Oswaldo Santos, sambista, puxador de Samba da Camisa Verde e Branca, que conquistou quatro títulos do desfile de escolas de samba de São Paulo, na década de 70, justamente no período em que nasceria a filha do casal, mas exatamente em 1976, quando a escola foi bicampeã.
Fabiana Cozza já gravou três CDs. O primeiro em 2004, com o nome majestoso e significativo de “O samba é meu dom”. Três anos depois, em 2007, lançou “Quando o céu clarear” e, no ano seguinte, um DVD sobre esse mesmo trabalho. O terceiro disco, com o nome da cantora, foi lançado em novembro do ano passado, recebendo, com muita razão, elogios da crítica e do público.
Fabiana tem uma voz belíssima, com um balanço que herdou do pai, muita personalidade e encara o trabalho com seriedade. Arrisco a dizer que é uma das mais belas vozes surgidas no Brasil nas duas últimas décadas. Tem um timbre especial e coloca a voz com muita precisão.
Sobre sua formação, ela deu essa declaração à TV Globo: “Eu fui me entender como artista através do samba. Eu cantei as dores de amor pelo samba, eu cantei o cotidiano pelo samba, a violência, a desigualdade social através do samba. Eu vou para muitos lugares do mundo e o que eu levo é o tambor. Eu não levo outra coisa. Eu levo minha história”.
Foto de Alexandre Rezende - Folhapress
Isso diz tudo. Ela tem orgulho de suas raízes, da velha guarda de sua escola e do samba, que é a sua grande paixão. Canta com seu pai, dança com antigas passistas, faz coro com a velha guarda e diz que aprendeu tudo que sabe com eles.
Ao mesmo tempo, Fabiana faz sucesso lá fora, cantando jazz, fazendo shows com personalidades internacionais, como os saxofonistas Sadao Watanabe (Japão) e Eli Degibri (Israel) e o trompetista cubano Julio Padrón, entre outros.
De 2009 pra cá, ela ampliou sua forma de cantar. Aceitou e cumpriu dois desafios. O primeiro foi o da Orquestra Jazz Sinfônica para cantar Edith Piaf. Depois, entusiasmada com essa experiência, subiu aos palcos para fazer um tributo a Elizeth Cardoso. Esses dois desafios, na opinião da própria cantora, é um marco na sua carreira.
Assim como dona Ivone Lara, Clara Nunes, Teresa Cristina, Elza Soares, Martinália e outras grandes sambistas, Fabiana Cozza faz-nos orgulharmos de nossa música popular. A força do samba está na voz dessas mulheres, no talento que elas exalam. A beleza do samba paulista ganha contornos nítidos na voz dessa mulata, filha da miscigenação de raças e da cultura brasileira.
Quem ainda não conhece o trabalho dessa bela cantora, tem a obrigação de conhecê-lo, antes que fique ruim da cabeça ou doente do pé.

PS – Hoje o ZecaBlog comemora um ano de sobrevivência. Vamos apagar a velinha juntos, afinal, todos têm uma participação especial neste projeto. Amanhã, falo sobre isso...






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Walter Mourão - mais um "brasiliense" no mundo do rock

Mais um jovem candango-brasiliense mergulha no mundo da música pelos caminhos do rock. Walter Mourão, 26 anos, paulista de berço e brasiliense de formação, acaba de lançar seu primeiro CD: Sonho. O disco foi gravado em Belo Horizonte, onde o cantor e compositor tem parentes que já se dedicam à música.
Brasília tem tradição de lançar jovens roqueiros no mercado da música. Tradição que começou no final dos anos 70, de forma ainda muito precária, pois vivíamos os anos difíceis da ditadura militar. Nos anos 80, com a redemocratização e as diretas-já, esses jovens consolidaram suas carreiras, fazendo sucesso, encantando o público e atravessando as fronteiras do Distrito Federal.
Walter é herdeiro das gerações que se sucederam aos trabalhos dos pioneiros do rock em Brasília, com Renato Russo como expoente. O trabalho desse jovem brasiliense situa-se no universo do pop-rock, com letras e melodias interessantes, uma voz muita bonita e segura e um elogiável trabalho de produção.
Ainda garoto, Walter estudou um pouco de piano, mas aprofundou seus estudos, por conta própria, na guitarra e no violão. Estudou canto lírico e popular e teve a oportunidade de participar do coral italiano Coro G, nos dois anos em que esteve na Itália, dedicando-se ao curso de arquitetura.
Com o pianista, compositor e maestro Gianluca Castelli e com o baterista da EMI-Milano Andrea Chircoff, o brasileiro formou o trio Pazzesco, que tocava principalmente jazz, bossa-nova e rock, e que durou até 2010, quando Walter retornou para Brasília.
Ainda é um artista novo, em formação, mas já demonstra que tem bagagem e pode desenvolver e explorar ainda mais seu potencial em novos trabalhos.
Todas as músicas do CD Sonho são de composição de Walter Mourão. Compartilho com os amigos aqui do blog, a balada Sublime, em que o cantor é acompanhado pelo piano maravilhoso de seu primo Túlio Mourão, numa participação especial. Mais informações sobre o trabalho de Walter podem ser encontradas no site: www.waltermourao.com.




Sublime
Autor: Walter Mourão

Um retrato/ em seu sorriso/ artefato indescritível 
Nos seus olhos/ o arco-íris/ todas cores do sublime

Um soluço a me embargar 
O pranto  escondo ao teu olhar

Em um segredo guardado tenho amado
Como um guerreiro ferido por seu laço
Trago um peito marcado no passado
Porém quem foi que disse apaixonar-se é um pecado 

Será outro que te fará feliz, sorrirá meu riso olhando para ti  
E em seus braços te deitará, acordar-te em meus beijos olhar-te em meu olhar
Mas peço ao alto para adormecer, onde em devaneio tu vais me pertencer 

Com’ato falho/ traço um risco/ dentro o branco infinito
Arabescos/ são seus cílios/ arcos plenos traços finos

Entristece-me encantar
Com tuas formas teu cantar

Em um segredo guardado tenho amado
Como um guerreiro ferido por seu laço
Trago um peito marcado no passado
Porém quem foi que disse apaixonar-se é um pecado 

Será outro que te fará feliz, sorrirá meu riso olhando para ti  
E em seus braços te deitará, acordar-te em meus beijos olhar-te em meu olhar
Mas peço ao alto para adormecer, onde em devaneio tu vais me pertencer

Hei de achar alguém por perto/ alguém pra me entregar
Um sorriso braços abertos/ enfim alguém para amar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Jacob do Bandolim, um dos maiores talentos da nossa música

Jacob descobriu Elizeth Cardoso e fez com ela um show inesquecível
Jacob do Bandolim nas comemorações dos 70 anos de Pixinguinha
Jacob Pick Bittencourt é sem dúvida um dos maiores instrumentistas da música popular brasileira. Tanto que ao seu nome foi incorporado o do instrumento que ele consagrou e tornou respeitado em todo o Brasil. Passou a ser conhecido e admirado como Jacob do Bandolim. Um carioca da gema, que nasceu nas Laranjeiras, viveu a infância na Lapa e o resto de sua vida em Jacarepaguá, onde reunia frequentemente os amigos para tocar.
Seu nome está associado aos primórdios do choro. Mais exatamente ao período em que o choro deixou de ser apenas um jeito de se tocar uma valsa ou uma polca para adquirir sua linguagem própria. Isso aconteceu de forma mais efetiva na segunda década do século XX, quando Jacob ainda era criança, mas já deixava transparecer seu talento musical.
Jacob do Bandolim nasceu no dia 14 de fevereiro de 1918. Hoje estaria completando 94 anos de idade se não tivesse nos deixado ainda novo, com apenas 51 anos de idade, vítima de um enfarte. Morreu em sua casa, em Jacarepaguá, onde realizou tantos e tão famosos saraus, nos braços de sua mulher Adylia, no início da noite, depois de ter passado a tarde tocando e conversando com Pixinguinha.
Demonstrou aptidões musicais ainda muito cedo. Fez um contracanto no coro do Hino Nacional, mas, por essa indisciplina, foi punido, ficando de castigo até o final das aulas daquele dia. Seus colegas de escola se divertiam com os sons que ele tirava de uma velha gaita. Seu primeiro instrumento foi um violino, que ele tocava de forma especial por não ter tido uma instrução adequada para tocá-lo: traduzia valsas e canções da época num particular pizzicato, que fazia com a ajuda dos grampos de cabelo de sua mãe.
Por sugestão de uma amiga de sua mãe, optou pelo bandolim – instrumento que abraçaria pelo resto de sua vida (veja ilustração ao lado). Começou a tocar choro dentro dos padrões da época: o bandolim fazia parte do acompanhamento, como centro, dentro de uma harmonia própria, mas sem executar solos. Nessa fase, ganhou concursos, tocou em programas de rádio e conduziu o grupo Jacob e Sua Gente, que acompanhava os cantores da Rádio Guanabara, inclusive Noel Rosa.
Graças ao seu virtuosismo, Jacob iria quebrar a barreira imposta ao bandolim, que tradicionalmente, desde as modinhas e os lundus, sempre serviu para o acompanhamento. Nesse contexto, participou inclusive da gravação memorável do clássico Ai, que saudades da Amélia, no ano de 1942. Mas, foi somente num bolachão de 78 rpm, em 1947, gravado pela Continental, que Jacob do Bandolim mostraria todo seu talento para o solo com a música Treme-treme.
O sucesso absoluto viria com a gravação do choro Flamengo, no segundo disco, também gravado pela Continental, acompanhado pelo Regional do César, comandado por Benedito César Ramos de Faria. Esse disco chegou a vender 100 mil cópias, quantidade impensável para a época.
Pronto. O bandolim estava definitivamente talhado para o solo, não apenas no choro, mas também em valsas, sambas, frevos, baiões... Jacob mostrou daí pra frente, nos poucos anos em que ainda viveu, toda sua capacidade musical, esbanjando talento e criatividade. Em 1968, um ano antes da sua morte, com Zimbo Trio e o conjunto Época de Ouro, propiciou ao público brasileiro um dos mais belos espetáculos da história da MPB, quando acompanhou o show da divina Elizeth Cardoso, que seria reproduzido em dois discos. 
No primeiro vídeo abaixo, Elizeth interpreta a belíssima canção Jamais, de Jacob do Bandolim e Luiz Bittencourt. No outro vídeo, a magistral interpretação de Jacob para a sua música Vibrações.
O que fez Jacob com o Bandolim, Waldir Azevedo iria seguir o mesmo caminho com o cavaquinho... Mas, isso é outra história, depois eu conto.


Carnaval dos Amigos continua a repercutir aqui no blog

Nosso amigo Renato Pinto, um dos idealizadores e um dos organizadores do Carnaval dos Amigos, em Goiânia, preparou o texto abaixo para ser divulgado no dia da nossa bela festa, que aconteceu no último sábado. Mas, acredito, o excesso de concentração – Renato é um folião compenetrado, responsável – deve ter atrapalhado um pouco os planos do colega. Mas o texto é muito interessante, traduz a voz de quem fala com o coração, de alto astral, alma elevada, muito ritmo e samba no pé.
Renato, assim como o Rener Bilac e a nossa saudosa Vânia Daura, está lá na marcha-enredo do Bloco dos Amigos, que “tem Vânia, Renato e Rener,/ Que não é trio sertanejo,/ Hoje é Carnaval meu amigo:/ O resto depois eu digo”.
É isso Renato, parabéns a todos que de alguma forma têm um pouquinho de si na construção desse evento, que entrou para o calendário cultural de Goiânia. Vamos em frente que, em 2013, tem mais. E faltam só 358 dias.

Dez anos de muita adrenalina e alegria
Por Renato Pinto, Procurador da Fazenda Pública

Dez anos de Carnaval dos Amigos são milhares de adrenalinas vibrantes, que fazem da nossa festa de momo um troféu ao bom-gosto.
Fevereiro é o mês em que brilha o que há de bom: o samba, a marchinha, o frevo e o riso se espalhando nas ruas e praças e salões.
É gente disposta a criar e recriar enredos, fantasias extrovertidas, a retirar o suor intenso da energia imensa, embaralhada em confetes e serpentinas replicadas no meio de nós.
A cara deste 2012 é de aniversário dessa grata invenção e, por isso, o Carnaval dos Amigos vem de salão, ao encontro da calça curta que usávamos, das matinês que não perdíamos, das belas lembranças que nos trouxeram de volta os prazeres que tínhamos.
Essa história de carnaval é boa demais pra não ser repetida em todos os sons possíveis.
Mesmo dando o trabalho que dá, é de arrepiar o resultado final. Tanto que replicamos a festa noutros blocos, que se harmonizam demasiadamente bem com o círculo de nossos propósitos.
A multiplicação do grupo veio para o bem da festa, que posava de tímida e, agora, tem a redenção do brilho, a altivez da voz, a estética verde-amarela pulsante no salão.
O Carnaval dos Amigos é nosso! E pronto!
“Nosso” quer dizer de todos os foliões do bem que compõem, com elegância indisfarçável, os quatro cantos do salão, a ladeira abaixo da avenida encharcada de bambas e o espelho d’água que nos espera cheio de vida na concentração do lago (aliás, viva Mário Lago, que nos empresta sua Aurora em grande estilo).
Fica ainda mais bonita a festa quando tem banda que toca. Por isso, tem banda que atraca no meio de nós lá pelas tantas, repercute as canções que queremos, acelera as emoções que se imprimem e, atrás da jardineira, a gente circula como criança levada, puxando o cordão.
Agita ainda mais a festa quando tem chope. E é lógico que tem à ufa!
Têm gargalhadas impagáveis e mais de mil palhaços no salão, secando a serpentina do barril e tentando se acertar com as letras e os ritmos da colombina, que domina a cena musical.
Nesse dia sublime, fica a certeza de que essa ferveção vale cada minuto pensado, realizado e dividido com as pessoas presentes.
Portanto, quando essa gente se encontra para brincar de Carnaval dos Amigos, nossa cidade ganha medalha de ouro, porque é riqueza da cultura genuína que se mostra estampada no peito. É o Brasil mais legítimo ao alcance de nossas mãos. É a alegria mais fraterna que repousa em nossos corações.
Feliz aniversário!
Um brinde ao Carnaval dos Amigos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Adele volta a cantar e a voz de Whitney se cala para sempre

Whitney Houston, mais uma luz que se apaga de forma tão prematura
Adele, depois do susto, voltou a cantar e recebeu o Grammy, ontem
O mundo das artes, principalmente o da música, é como um Grand Canyon. Os píncaros da glória são imensuráveis, dão vertigens de tão altos. As planícies, onde reinam a estabilidade, a paz e o equilíbrio, são raras. As depressões são profundas e levam a nocaute talentos, personalidades reconhecidas e admiradas em diversos países.
Whitney Houston morreu neste final de semana, mais precisamente no sábado, dia 11 de fevereiro, às 15h50, um dia antes da entrega do Grammy, o Oscar da música, prêmio que ela conquistou por seis vezes. No domingo, dia 12, em Los Angeles, ela estaria participando da pré-apresentação. Mas seria, como de fato o foi, a noite da consagração da cantora inglesa Adele, que esteve afastada dos palcos por causa de uma cirurgia nas cordas vocais (para ler sobre isso clique aqui). Adele foi premiada em seis categorias e voltou a cantar em público, depois de quase quatro meses afastada dos palcos.
Fãs, em várias partes do mundo, homenageiam Whitney
Ambas são cantoras de belíssimas vozes. Conquistaram o sucesso graças ao talento que possuem. O repertório delas atinge fácil o grande público, embora muitas canções sejam de qualidade discutível, do ponto de vista musical. Mas a versatilidade e o talento de ambas são inquestionáveis e merecem ser admirados.
Whitney Houston tinha uma voz belíssima e uma presença inconfundível nos palcos. Com cerca de 30 anos de estrada, ganhou dois Emmys, seis Grammys, 30 estatuetas da Billboard e 22 prêmios da American Music Awards, além de uma carreira consagrada por seguidas quebras de recordes de sucesso. Seu álbum intitulado Whitney foi o primeiro disco de uma cantora a alcançar o primeiro lugar na parada da Billboard. Além de tudo isso, atuou com sucesso nos filmes Guarda-Costas e Falando de Amor.
Whitney (foto ao lado) tinha como musa inspiradora a extraordinária cantora americana Billy Holiday, que morreu com apenas 44 anos de idade, em consequência do uso abusivo de álcool e drogas. Whitney viveu quatro anos a mais do que sua diva, mas trilhou o mesmo caminho tortuoso do vício. O mundo da música já perdeu, de forma prematura, talentos como Janis Joplin, Amy Winehouse e tantos outros...
Nesta segunda-feira tristonha, chuvosa, depois de tanta alegria proporcionada pelo Carnaval dos Amigos, no final de semana, vamos ouvir a bela interpretação que Whitney deu à música God Bless The Child, composição da própria Billy Holiday, em parceria com Arthur Herzog Júnior. E torcer para que Deus não tenha compaixão apenas das crianças que sofrem, mas também de todos os fãs dessa extraordinária cantora – mais uma que nos deixa tão prematuramente.
No outro vídeo, a voz também belíssima de Adele, cantando Set Fire To The Rain. São os altos e baixos do mundo agitado das artes. Enfim, deixemos que as artistas falem pela suas próprias vozes...


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carnaval dos Amigos comemora 10 anos com bela festa

A concentração do Bloco dos Amigos no salão foi um sucesso
Pierrôs, alerquins e palhaços puxaram a bandinha para o salão...
...Onde foi recebida, ao som das marchinhas, com muita alegria
A bandinha arrastou mais de 500 foliões para as ruas de Goiânia...
...Comandados pela bela porta-bandeira e vários foliões fantasiados
 O Carnaval dos Amigos, em sua 10ª edição, foi um sucesso total. Criado por um grupo de amigos, o Bloco saiu às ruas pela primeira vez no ano de 2003. Caiu no gosto popular, cresceu e fez surgir outros blocos que hoje também já estão consagrados: Zé Ferino, Café Nice e o da Imprensa (filhos da pauta). Este ano, os quatro blocos arrastaram uma multidão pelas ruas de Goiânia e fizeram uma bela festa no Parque Vaca Brava, onde tudo sempre termina numa grande apoteose.
O Bloco dos Amigos, o único a completar dez anos, cresceu tanto que teve de mudar do restaurante Flamingos para o Oliveiras Place, ambos no Setor Bueno. O bloco aumentou o número de participantes de 400 para 500, mas não perdeu a qualidade e o zelo pelo carnaval de rua, comandado por banda tradicional, regado a muito chope, marchinhas, fantasias, confetes e serpentinas.
A festa começa religiosamente ao meio-dia do sábado anterior à semana do Carnaval, que este ano ocorrerá do dia 18, próximo sábado, ao dia 21, que é feriado. No ano que vem o Carnaval dos Amigos vai descer a avenida T-4 até o Vaca Brava, no dia 03 de fevereiro. Portanto, até lá, ainda temos 360 longos dias pela frente... É muito...
Vanderlei Manaia, sucesso como Valéria
A festa do Bloco dos Amigos, que comemorou os dez anos da folia, foi fantástica. Muita alegria, foliões fantasiados de palhaços, personagens do mundo artístico e da televisão, confetes, serpentinas e sombrinhas de frevo – tudo isso embelezado ainda mais pelas camisetas vermelhas, que este ano deram um colorido todo especial.
Na apoteose do Vaca Brava, o espetáculo foi das bandas reunidas, grupo de ritmistas segurando o samba e muita alegria dos foliões e de populares que sempre se juntam aos blocos no final da festa. Acredito que, ao todo, do início ao fim da festa, cerca de cinco mil pessoas participaram de alguma forma dessa festa.
O único momento de tristeza que tive oportunidade de presenciar foi o de um folião, sentado na calçada e se lamentando: “Nossa, agora só daqui a um ano!” Não sei se serve de consolo, mas hoje eu posso dizer a ele e a todos os amantes do Carnaval dos Amigos: não falta isso tudo, não; faltam só 360 dias. E para ajudar a consolar mais um pouco, posto abaixo um vídeo do Monobloco, o pessoal que transforma tudo em samba, inclusive marchinhas, e que desde 2012 reúne cerca de 100 mil pessoas em Copacabana, todos os anos.
Relaxem, o Carnaval dos Amigos ainda chega lá...