quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Superlua volta a encantar em várias partes do mundo


Aprecio bastante os fenômenos da natureza. Principalmente os que envolvem a Lua. O amanhecer desta quarta-feira foi marcado por uma rara coincidência envolvendo o astro inspirador dos poetas e seresteiros. Em algumas regiões do planeta, o cidadão pode observar uma Superlua, uma Lua Azul e uma Lua de Sangue, esta última em decorrência de um eclipse lunar. A agência espacial americana, Nasa, está chamando essa junção de "Superlua Azul de Sangue" (Super Blue Blood Moon).
Infelizmente, no Brasil, o fenômeno ocorre na noite desta quarta-feira sem o eclipse, que poderá ser visto apenas em algumas localidades do extremo norte do país. Portanto, a maioria dos brasileiros poderá observar somente a Lua cheia em seu perigeu, o que se chama de Superlua e ocorre quando o satélite chega a um ponto muito próximo da Terra. Mesmo assim, de rara beleza.


A coincidência da Superlua com um eclipse não acontecia desde 1982. Ele pode ser visto melhor na América do Norte, Oriente Médio, Ásia, Rússia Oriental, Austrália e Nova Zelândia.
Esta Superlua é a terceira de uma série que começou em dezembro.
O termo Lua azul se refere a uma segunda Lua cheia em um mesmo mês, um fenômeno que ocorre em média a cada dois anos e meio. Já a Lua de sangue ocorre quando o astro não fica completamente negro durante o eclipse, visto que uma parte da luz do Sol, refletida pela atmosfera terrestre, alcança indiretamente a superfície lunar. Com isso, alguns raios solares também vazam, produzindo um reflexo avermelhado ou acobreado na Lua. Este fenômeno ocorre quando o astro alcança seu ponto orbital mais próximo à Terra.

O lado lunático da lua
(José Carlos Camapum Barroso)

A escuridão comeu a lua,
Em pleno céu de Brasília.
O homem que vinha pela rua
Nem notou, nem sentiu a mordida.

Então a lua, entristecida,
Meio amuada, meio contida,
Vestiu-se novamente de noiva:
Vagarosamente embranquecida.

São Jorge respirou, aliviado
Podia continuar a batalha
Eterna com o dragão, pela vida.

Os namorados, enternecidos
Beijaram-se aliviados, escondidos...
Temiam que a lua, enegrecida,
Jamais voltasse a produzir luar.

O que fazer pelas ruas, então?
Voltar ao lar, cabisbaixo,
Pro magnetismo da televisão?

- Não, não! Disse a lua constrangida.
- Eis-me aqui, noiva arrependida,
A clarear todas as noites de suas vidas.

E assim passou o eclipse lunar,
Como passa o passo do exibicionista.
E a lua, ainda lenta, continua a vagar...
Deixando a escuridão amortecida.



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Tristeza e impunidade nos 5 anos da tragédia em Santa Maria


Por mais incrível que possa parecer, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, está caindo no esquecimento. E o que restou, de fato, foi a impunidade, reinando sobre a nossa falta de memória, nossa incapacidade para dar sequência e consequência à indignação. O tempo passou rápido e a impunidade tornou-se presença marcante para quem visita hoje aquela cidade gaúcha.
Foi o que constataram repórteres da revista Veja, na edição da última semana. Numa bela e competente reportagem, mostraram que, da tragédia, restaram tristezas e impunidades. Sobrou também um processo em que o Ministério Público acusa a associação que representa os pais das vítimas de desrespeito para com as autoridades.  
Todas as tragédias acontecidas no Brasil desaparecem no tempo com sabor de impunidade. A da boate Kiss, que completa cinco anos neste 27 de janeiro de 2018, segue a mesma cartilha, embora tenha chocado o Brasil e o mundo, com saldo assustador de 242 jovens mortos de forma brutal, vítimas do descaso, irresponsabilidade e desleixo de autoridades, empresários e outras pessoas envolvidas naquele episódio.


Quantos pais ficaram sem seus filhos. Quantos filhos sem pais. Órfãos, talvez, de impunidades que marcaram tragédias anteriores. Dezenas de pessoas que sobreviveram àquela madrugada fatídica, ainda hoje vivem dramas difíceis de serem dimensionados. 
Quem, como nós, está distante de uma tragédia não consegue dimensioná-la adequadamente. Só nos resta rezar pela alma das vítimas fatais e pela plena recuperação dos que sobreviveram. Minha oração é essa abaixo, que já publiquei outras vezes e pretendo repetir por anos e anos. Desta vez, sai publicada em forma de vídeo. Quem sabe conseguiremos, assim, aplacar um pouco a dor de tantas famílias e alertar as autoridades para os riscos inerentes à impunidade.




"Concentra Mas Não Sai" desconcentra Goiânia neste sábado


Neste sábado, dia 27 de janeiro, o pessoal do Carnaval dos Amigos, em Goiânia, realiza o já tradicional Concentra, Mas Não Sai. Uma espécie de preparação para o grande dia, uma forma de desenferrujar as juntas da moçada e também da velha guarda, que ninguém é de ferro! O “Concentra” deste ano vai ser no Mercado Popular da Rua 74, a partir da 14h de sábado. Temos que elogiar o profissionalismo dessa turma. Carnaval não é coisa pra amadores.
Este ano, os organizadores pretendem reunir todos os blocos no Concentra. Além do Bloco dos Amigos, fundador da festa, vão aparecer por lá o Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, Imprensa, Rocket 07, do Cerrado, Cateretê, Meu Pai Te Ama, Butcherry e Bloco do Aê. A filosofia do Concentra, Mas Não Sai é concentrar bastante, mas não sair mesmo! Tem que cumprir a profecia do beato que dizia: folião bom, de raça, é aquele que, consciente, só dá uma volta na praça, volta e concentra novamente.

Tem sido assim, sempre. Todo mundo concentrado, tomando uma cervejinha bem gelada, embalados por bandas de músicas, que resgatam velhas e tradicionais marchinhas carnavalescas. De vez em quando alguém grita “ na hora”! Todos se levantam, puxados por palhaços e outros foliões fantasiados, uma bandinha de grandes músicos, dão uma volta na praça e retornam para os seus lugares. É o finge que sai, mas não sai!  
Tenho orgulho de ser amigo dos amigos do carnaval, e ter contribuído para o surgimento dessa festa maravilhosa. Lá nos primórdios, fizemos, em parceria com Jorge Luís Carvalho, algumas músicas para ajudar a animar a turma e mostrar a cara do que se pretendia fazer. Deu certo. Hoje o Carnaval dos Amigos faz parte das atrações turísticas de Goiânia e é festa consagrada em todo o Centro-Oeste. E o Concentra Mas Não Sai também ganhou notoriedade.
Chega de conversa, vamos ouvir música e começar a preparar o espírito para o que vem aí. Que tal um vídeo com a música Frevo Goiano? Ajuda a esquentar porque, daqui pra frente, serão dois fins de semana de doer os ossos, e o fígado. Mas, a gente aguenta!



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Minha mãe está entendendo até de vinho, pode?


Minha mãe agora está entendendo também de vinho. Mandou essa foto aí, via zapzap, e com o comentário esclarecedor de que é um Malbec, argentino, de boa qualidade. O nome do vinho é La Linda. Uma felícia, digitou errado, e logo veio a correção: *delícia. Brinca com dona Iracema... essa piauiense de São Raimundo Nonato é uma joia rara do universo nordestino.
Sempre apreciou, com moderação, uma dose de cachaça “da boa”, de alambique. Toma um conhaque também, mas diz que tem de ser bem pouquinho, pois “é muito forte”. Gosta mesmo é de uma cervejinha, geladinha, com um tira-gosto feito na hora – se for uma buchada ou uma dobradinha, melhor ainda.
Agora está apreciando também um bom vinho. Pode? E ainda me dá dica sobre qualidade do produto. Comentei que o vinho era La Finca, ela me corrigiu: “não é La Linda, Malbec argentino, de qualidade”. Para que não houvesse dúvida, mandou-me uma foto da garrafa. Aprende, ignorante! Agora, toda vez que for comprar, pedir ou encomendar um vinho, vou ligar antes para dona Ira. Não quero correr o risco de errar na qualidade do produto escolhido.
Ela esclareceu, cheia de modéstia, que “foi um pedido do Lucas, meu neto, que veio passar uns dias aqui com a mãe dele Juracema, em Camboriú”. Lucas é mais um que vai sair de lá escolado, depois de pegar umas aulas com a vozinha sobre bebidas e tira-gostos. Mozart, meu irmão, e a filha dele Domitila, também neta da vozinha, passaram uns dias por lá, entre o Natal e início deste ano. Voltaram entendendo até de cerveja belga e alemã.
Thiago, meu sobrinho e neto de dona Iracema, mora em Camboriú. Contou que depois da chegada da vozinha, ele está entendo de todas as bebidas e tira-gostos. Aprendeu até que um cochilo, depois do almoço, rejuvenesce e “recupera as forças para mais tarde”. 
Bom, essa parte, eu já sabia. Também, depois de 63 anos de convivência...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Carnaval dos Amigos vai às ruas de Goiânia com onze blocos


Pronto. Mês de janeiro nem acabou. Fevereiro está lá na frente, faceiro, com seu ar carnavalesco de sempre. Por isso mesmo, chega de assuntos sérios! Vamos falar do que interessa de verdade para o povo brasileiro: Carnaval! Mais especificamente sobre o Carnaval dos Amigos, aquela festa que acontece todos os anos, em Goiânia, desde o ano de 2003, quando o Bloco dos Amigos saiu às ruas pela primeira vez, dando início a esse que é atualmente um dos melhores carnavais do Centro-Oeste.

É hora de esquecer assuntos chatos como crise econômica, lava-jato, inflação, desemprego, preço dos commodities, estado islâmico, Donald Trump. A partir do início do mês de fevereiro, as águas vão rolar e nenhum desses temas desce a avenida. A não ser que seja para serem ironizados, esculhambados pelas fantasias e tema de marchinhas espirituosas.


Felizmente, de algumas décadas para cá, o verdadeiro carnaval, de rua, das marchinhas, frevos e outras delícias, ganhou espaço pelo Brasil afora. Extrapolou o eixo Rio-Bahia-Pernambuco, num colorido bem brasileiro, de cores e ritmos diversos e enlouquecedores. De norte a sul, de leste a oeste, os blocos estão na rua.

Foi neste contexto que surgiu o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, Goiás, que este ano de 2018 comemora a sua 16ª edição. Como o próprio nome diz, nasceu do sonho de alguns amigos que adoravam curtir o Carnaval juntos, procurando sempre encontrar um local que pelo menos lembrasse a tradição dessa festa tão brasileira. No ano de 2003, pela primeira vez, saiu às ruas de Goiânia, o Bloco dos Amigos, depois de uma árdua e sofrida tarefa de concentração no Flamingo, às custas de muito chope, caipirinhas e feijoada.


Foi o suficiente para ser criada a tradição. Novos blocos foram surgindo, todos com a mesma filosofia de resgatar o verdadeiro carnaval de rua, dos blocos e da alegria, valorizando-se a espontaneidade. 
Este ano o evento acontece no dia 03 de fevereiro, primeiro sábado anterior ao sábado de carnaval. Pelo menos onze blocos já estão garantidos: Bloco dos Amigos, Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, Imprensa, Rocket 07, do Cerrado, Cateretê, Meu Pai Te Ama, Butcherry e Bloco do Aê. 

A novidade deste ano é Neguinho da Beija-Flor no palco principal, lá no Vaca Brava, onde tudo termina, mas não acaba. Outra novidade: O Bloco dos Amigos e o Zeferino estarão, juntos, no mesmo salão. Deu certo com essa marchinha, composta por Jorge Luís Carvalho e este blogueiro irresponsável, alguns anos atrás, e que estava meio esquecida em algum arquivo do computador aqui de casa (a segunda dos vídeos abaixo). O primeiro vídeo traz a marchinha-enredo do Bloco dos Amigos, o que criou a festa. No terceiro vídeo, uma brincadeira carnavalesca em forma de frevo. Confiram e divirtam-se. Beijos no coração.




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Caminhar é uma arte que segue paralela aos sonhos


Mais um ano está começando. O que fazer? Buscar novos caminhos? Ou seguir, ajustando, estradas que percorremos no passado? Todo começo de ano é assim... Muitas dúvidas, poucas certezas e uma imensidão de sonhos a girar em nossos cabeças. Somos tocados por desejos, paixões e sonhos que mal cabem nas nossas mãos e nos escapam a todo momento.
O lugar ideal para guardar os nossos sonhos continua sendo o coração. A mente, basta que ela esteja aberta o suficiente para enxergar o mundo em sua grandeza. Uma dimensão que contempla a solidariedade, a caridade e o perdão. Se vamos atingir esse estágio, só o tempo nos dirá. O tempo que é senhor da razão.
Esse poema Caminhar, no vídeo abaixo, pode ser que nos ajude em mais essa empreitada. É vida que segue, amigos e amigas, cheia de desafios, mas que nos dará frutos se soubermos regá-la, dia a dia, com paciência e sabedoria.
Que a vida se realize em sua plenitude em mais um ano de nossa existência.