terça-feira, 29 de setembro de 2020

Temporada do ipê branco embeleza ainda mais Brasília

Brasília entrou na temporada dos raros e belos ipês brancos. Eles são em menor quantidade que o ipê roxo, o primeiro a florir, em julho. Concorre com o majestoso amarelo, florescem juntos, mas o branco dura poucos dias de florada, algo em torno de 3 a 5 dias. Depois, o ipê vem o cor de rosa, que fecha a temporada com a chegada das chuvas.

Nossa Brasília é uma cidade privilegiada no quesito paisagem, e o ipê compõe a magnitude do belo visual da cidade, que tem um céu maravilhoso, tardes e alvoradas de raríssima beleza, que encantam moradores e visitantes. Segundo dados da Novacap, empresa que cuida dos jardins desde os primórdios de Brasília, existem cerca de 200 mil pés de ipês espalhados pelo Distrito Federal.


Típicas do cerrado, as árvores são caracterizadas pelo troncos retorcidos e floração intensa. Os ipês podem chegar a 12m de altura e essas árvores já ocupavam a área central antes mesmo de a capital ser construída. 
Ou seja, a identificação de Brasília com o ipê é plena.

A típica árvore de Ipê é a denominação de uma grande variedade de espécies do gênero Tabebuia e Handroanthus, sinônimos e ambos da família Bignoniácea. É muito conhecido por sua beleza, exuberância das flores e ampla distribuição por todas as regiões do Brasil. Os ipês são caducifólias, ou seja, perdem todas as folhas que são substituídas por cachos de flores de cores intensas. Gostam de calor e sol pleno.


O pau-brasil é a árvore nacional e o Ipê é considerado a flor nacional. O nome ipê origina-se da língua tupi e significa casca dura. Entre diversos outros nomes, como retratado no poema abaixo, também é conhecido como pau d’arco, porque antigamente os indígenas utilizavam a madeira dessas árvores para fazerem os seus arcos de caça e defesa.

Há muito tempo o ipê é utilizado como matéria prima em razão da boa qualidade da madeira, tendo como características principais: muito densa e forte; pesada e dura, difícil de serrar; grande durabilidade mesmo quando em condições favoráveis ao apodrecimento; alta resistência aos parasitas e à umidade.


As quatro fotos de ipês brancos nesta postagem são do experiente e competente fotógrafo Ronaldo Silva, sobre quem já escrevi aqui no blog (para ler ou reler, clique aqui).

Saudemos as flores dos ipês e toda o prazer que elas nos proporcionam.

Árvore sagrada
José Carlos Camapum Barroso

 Ipê, em pé, retorcido,
Curvas exuberantes.
Árvore cascuda.
Que não se curva
Ao vento, ao tempo...
Nem aos tormentos
De “nova” civilização.

Casco que se verga
Ao fazer zumbir
Flechas certeiras
De civilizações antigas,
Verdadeiras... 

Galho que se curva
À beleza da flor,
Do amarelo-amor
Roxo-vinho,
Branco-ternura,
Rosa-delicado...

Ipê-Mirim, gigante
Pela própria natureza...
Pronto Paratudo,
Para que possam ver
A Tabebuia sagrada,
Nodosa e obscura
Que nos viu nascer. 

Pau-d’arco e flecha
A erguer moradia,
A deslizar pelos rios,
Sonhos e fantasias...
Árvore da cidade,
No campo e cerrado,
Abraçada ao mundo
Que nos viu crescer. 

Árvore centenária
Que não veremos morrer.


domingo, 27 de setembro de 2020

PPM bate recorde na reta final para as inscrições

Gustavo Vasconcellos, idealizador do PPM
Gustavo Vasconcellos, idealizado do PPM


Última semana para inscrições para o
Prêmio Profissionais da Música, nesta 6ª edição com o slogan “Do analógico ao digital, Viva o Direito Autoral”. O projeto foi lançado em 2015 a partir de Brasília para todo o país. Este ano, o evento foi adiado em razão da pandemia e deverá acontecer no 1º quadrimestre de 2021, homenageando personalidades da música e reconhecendo profissionais da música em 100 categorias, divididas nos segmentos Criação, Produção e Convergência.

As inscrições estão e podem ser realizadas até o próximo domingo (04/10). Abertas desde 1º de julho, o PPM conta com 1251 artistas no páreo para as respectivas premiações. Esse número de inscrições é recorde, superando as 958 do ano de 2019. Estão confirmadas as participações de Fernando Anitelli e o Teatro Mágico (vencedor categoria melhor artista Groove/POP), Ronaldo Bastos (homenageado 2019), Benjamim Taubkin (homenageado 2017) e Roberto Menescal (homenageado 2018).

Com a divulgação dos inscritos, prevista para o dia 9 de setembro, terão início as fases de votação a serem feitas em três etapas: pelos próprios participantes (de 13 a 25/10); pelo público (de 03 a 11/11) e pelo júri (de 23/11 a 13/12). A lista dos indicados será revelada em 30/10, a dos semifinalistas em 20/11 e a dos finalistas em 18/12. Lembrando que cada fase possui um peso: participantes (1), público (1,5) e júri (2). Daí para frente, é aguardar a confirmação da data para conhecer os vencedores.

Troféus do Prêmio Profissionais da Música

O PPM, contemplado pelo Fundo e Apoio à Cultura de 2018 (que depois de idas e vindas, acabou por honrar o compromisso, cumprindo a lei e confirmando o edital em 2020), trabalhava com a produção de um evento ainda mais alentado que o de 2019. A estratégia teve que ser revista diante da pandemia e de toda a crise gera na sociedade, causando enorme impacto no setor cultural. 

“Havia a opção de se investir em formato digital. Seria, sim, possível organizar e engajar os participantes, lançando mão dos tantos recursos tecnológicos. Mas iríamos contra tudo que é mais caro para o PPM: o encontro entre as pessoas, o congraçamento dos profissionais da música, o calor humano. Seria abrir mão de toda a emoção que só cresce a cada edição. Decidimos esperar. É um ato de esperança em tempos melhores”, afirma Gustavo Vasconcellos, idealizador do evento.

Um dos diferenciais da 6ª edição foi motivado, justamente, pelo momento crítico que os profissionais da música vivem. Até então gratuitas, as inscrições, agora, só podem ser feitas mediante doação (o valor fica a critério e cada um) e, até o momento, a campanha alcançou 20% da meta de R$50 mil. Trata-se da campanha de arrecadação “Viva os Profissionais da Música”, feita através da Kickante Ou seja, ao final do evento, além do troféu “A Parada da Música”, os vencedores serão beneficiados com a divisão do montante arrecadado. Independentemente da inscrição, qualquer pessoa pode colaborar.


Serviço:

Inscrições até 04 de outubro de 2020

Regulamento:

http://www.ppm.art.br/src/pages/conteudo.html?tipo=regulamento

Categorias:

http://www.ppm.art.br/src/pages/conteudo.html?tipo=categorias

Como se cadastrar:

https://www.youtube.com/watch?v=EC4bh-XuMNA&t=40s

Como colaborar com a campanha Viva os Profissionais da Música 

https://www.kickante.com.br/campanhas/premio-profissionais-da-musica

Como se inscrever?

https://www.youtube.com/watch?v=u16Hlorh0A0&t=5s


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Estela Ceregatti lança Amparo ao Pantanal

Mais um belo trabalho da talentosa cantora cuiabana Estela Ceregatti. Desta vez, ela voltou o olhar crítico e participativo para o drama vivido com as queimadas fora de controle no Pantanal, no Cerrado e na Amazônia. Lançou, nesta sexta-feira (25/09), no YouTube, um vídeo chamado Amparo, verdadeiro manifesto sobre a devastação que atinge de forma aguda a fauna e a flora do bioma.

A produção estava prevista para ser divulgada na última segunda-feira (21), mas precisou ser adiada para esta sexta-feira. Com direção audiovisual do fotógrafo documentarista Henrique Santian, a faixa tem mixagem e masterização de Manuel Neto e produção de Jhon Stuart, que faz parte do grupo Monofoliar junto de Estela e Juliane Grisólia.

Estela diz que se sentiu tocada com a dimensão da tragédia, “ao ver todo esse prenúncio de algo muito ruim para a nossa terra e maléfico para o nosso bioma”. Mato-grossense da gema, ela lembra que a terra é riquíssima em biodiversidade e ao mesmo tempo o Brasil e o mundo assiste tudo se esvair.

“Olhando para a gravidade que existe na perda que nós temos de fauna e flora, e toda a população atingida diretamente - pantaneira, ribeirinha e indígena, me senti muito tocada e triste”, disse a cantora em entrevista ao site Olhar Direto do MT.

Sobre a música do vídeo, Estela diz que ela surgiu mesmo de um grito e choro, de uma vontade de combater o que eu acho ser nocivo para a terra e de ressaltar a importância de respeito a nossa terra sagrada e abençoada, que tanto nos oferece. A gente está perdendo isso. Eu acredito muito na arte como forma de reflexões acerca do que a gente vive no instante”, diz.

Estela Ceregatti é cantora, compositora e instrumentista. Graduada em Música pela Universidade Federal de Mato Grosso.  Vencedora do Prêmio Profissionais da Música (Music Pro Awards – BSB) – 2018, Categoria Criação – Artista Raiz Regional e finalista na mesma premiação, categoria Melhor Autora em 2019. Foi também premiada pelo Prêmio Grão de Música (SP) 2017.


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Sobre autoridade, autoritarismo e liderança

No texto publicado quinta-feira passada (17/09), abordamos o tema compreensão. Logo em seguida, recebi do primo José Camapum de Carvalho, uma reflexão interessante sobre o tema autoridade. Ele é doutor em engenharia e professor de graduação e pós-graduação na UnB e graduado em Administração e Direito.

A questão da autoridade e a diferença entre autoritarismo e liderança estão muito bem abordadas nesse texto, que discorre sobre o tema de forma bem leve e com muita clareza, inclusive com uso de um exemplo didático e com relevos literários.

O texto é de julho de 2011, mas, bastante atual e qualificado para contribuir plenamente nesse debate. Confiram.


Autoridade, Autoritarismo e Liderança: Qual a Diferença?

José Camapum de Carvalho 

Alguns temas requerem constante reflexão ao longo de nossas vidas, inclusive no âmbito de uma empresa, seja ela pública ou privada. Um deles é a questão da autoridade, do autoritarismo e da liderança.

A autoridade é a pessoa investida de poder para comandar, dirigir e orientar outras pessoas com o objetivo de atingir determinados fins. Para isso, a autoridade pode revestir-se de autoritarismo ou de liderança e até seguir os dois caminhos para atingir os mesmos fins. Percebe-se, no entanto, que quase sempre o resultado fruto da atuação do líder é mais perfeito que o da simples autoridade no sentido do autoritarismo. Isso ocorre porque, na liderança, é despertado o amor pelo líder e pelo que ele faz, à medida que, no autoritarismo, a relação é de medo, de obediência cega, desumanizada.

No autoritarismo, o comando se dá pelo grito, pela palavra dura, pela cara feia, e a obediência, pela submissão. Já na liderança, talvez nem sequer se possa falar de comando ou obediência. O fazer desejado pelo líder é expresso pelo exemplo, pela palavra suave e doce, pelo comando sem agressividade e mesmo pelo silêncio. Dessas formas, talvez aquela de mais difícil alcance e que expressa a capacidade máxima de um líder é a que provém do silêncio, pois se volta para a necessidade de reflexão interior de quem se propõe a satisfazer o desejo percebido. Nesse caso, a força de quem emana o desejo, deve ser simples, suave, pura e absoluta enquanto valor interior. O desejo do líder é, então, satisfeito pela vontade de agradá-lo, de ser-lhe útil, por confiar em seus propósitos construtivos na certeza de estar pavimentando os caminhos da vida.


Vou relatar uma pequena história para mostrar a importância do exercício da liderança em lugar do comando autoritário. Lembro-me de quando era garoto e ajudava meu pai na lida com o gado ou observava o modo como os vaqueiros agiam em relação aos animais. Mesmo em relação ao gado, eu pude perceber que o autoritarismo não era o melhor caminho.

Há muitos anos, meu pai teve um vaqueiro, o senhor Valdomiro, que era alguém muito especial, de uma cordialidade indescritível com as pessoas e com os animais; dificilmente, ao contrário da prática corrente à época, ele batia em uma vaca ou em um bezerro quando este não seguia o caminho por ele desejado. Parece que ele percebia, no silêncio desobediente dos animais, que ainda faltava suavidade na expressão de seu desejo. Quando a vaca paria no pasto, usualmente, os vaqueiros, aos gritos e ferroadas, conduziam-na com o bezerro ao curral, mas o senhor Valdomiro não, ele cuidadosamente pegava o rebento e o colocava no cabeçote do arreio para que não se cansasse enquanto a mãe era conduzida ao curral para ser desleitada e, com maior facilidade, amamentar a cria. Isso agradava enormemente ao meu pai, homem simples, com grande senso de respeito pelos animais e pela natureza.

Em um determinado momento, o senhor Valdomiro deixou a fazenda para ir trabalhar em outra propriedade rural. Ao retornar, cerca de um ano depois, quando se aproximou do curral para receber o gado do qual novamente tomaria conta, os animais, em um passe de mágica, como nunca fizeram antes, passaram a mugir em uma expressão de profunda felicidade com a presença do Sr. Valdomiro, o que emocionou todos os presentes. Ele, o senhor Valdomiro, agia com liderança e tinha o apreço do gado. Carrego comigo essa lembrança e me emociono ao partilhá-la com as pessoas.

Dessa forma, penso que, em nossas vidas, quando necessário ou convocados, devemos assumir cargos ou funções revestindo-nos do poder de autoridade, porém, o seu exercício haverá de ser aquele impregnado de liderança e não de autoritarismo. A liderança convence, o autoritarismo obriga. O que resulta do amor, da reflexão, sempre haverá de ser superior ao que resulta do medo, da obediência cega.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Banda lança álbum sem medo de brincar com fogo

Se você não consegue ficar ou estar acima do bem e do mal não saia por aí brincando com fogo. O recado está dado musicalmente, com muito talento e criatividade pela banda Maria Sabina & a Pêia no álbum de estreia Brincando com Fogo, lançado nesta sexta-feira, tendo como carro chefe a música Acima do Bem e do Mal, com videoclipe inspirado no livro “Além do Bem e do Mal”,  do filósofo Nietzsche.

A inspiração, além de filosófica, tem tudo a ver com os ensinamentos dos deuses. "Utilize o fogo do conhecimento roubado dos deuses por Promēthéus e dado de presente aos humanos”, recomenda a vocalista Maria Sabina. A ideia básica é divertir-se e não pedir licença neste momento tenso e arriscado que vivemos.

“Nós brincamos com fogo porque é divertido ser gente, porque o fogo queima, mas também regenera, e não temos medo de nos renovar. Porque algo tem que ser destruído para o novo nascer” acrescenta a cantora, que também toca cavaquinho no grupo. Segundo ela, a iluminação que “vem do cerrado, de dentro do Daime, Maria Sabina & a Pêia vêm pra te mostrar".

O álbum de estreia tem oito faixas já está disponível nas principais plataformas de streamings. Além de Maria Sabina, o grupo é composto por Bruno Sodré – guitarra; Bil Detrito Federal – baixo; e Éveri Sirac – backing vocal, sintetizador e violão. Alguns músicos de apoio participam do Brincando com Fogo: Thiago Cunha (bateria), Mariano Toniatti (percussão), Dinho Lacerda (percussão) e Juliana Cardoso (backing vocal).

O lado filosófico do trabalho ressalta a capacidade que algumas pessoas têm de realizar seus objetivos por comportarem-se de forma original, sem se importar com questões morais, pois estão acima de dogmas socialmente construídos. Mais Nietzschiano é impossível.

O álbum no entanto segue outros e curiosos caminhos. Num país inundado por fake news e discursos hipócritas, a banda, mantendo sua característica irreverente, diverte-se disparando suas mensagens de true news, em canções que alertam para “Caras Inocentes” e para o fato de que “Todo Mundo é Corno”.

Como num jogo nem sempre é possível ganhar, “Abalo Sísmico” é a música que declara rendição a um impulso apaixonado mais forte que a razão, onde a entrega é uma ação vibrante e celebrada, que necessita de ajuda de recursos informacionais e elétricos, homenageados em "Santa Tecnologia".

Antimilitarista e feminista, “A Desertora” elogia a deserção militar e o empoderamento das mulheres que ousam desertar de padrões de vida violentamente impostos.  

Na sequência, “Manual de Resistência Cerebral” questiona a situação real da existência humana de forma solene e enérgica, homenageando o “Mini-manual do guerrilheiro urbano”, de Carlos Lamarca. “Guerreiros Reluzentes” carrega a mensagem arrebatada e iluminada de veneração aos espíritos superiores, aos valores mais altos.

A banda foi formada em 2015, em Brasília, e existe com a atual formação desde 2016. Tendo realizado mais de 60 shows nestes cinco anos, passando por palcos como o Porão do Rock (DF) e Bourbon Street Music Club (SP), Maria Sabina & a Pêia lançaram o EP "Tempo Arruaceiro", em 2017, e o single "Potente Amor" em 2018.

Então, não tenham medo de brincar com fogo. Sintam-se acima do bem e do mal e viagem pelo trabalho talentoso, curioso, bem musical e com arranjos interessantes dessa turma.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A luz chega e nos ilumina onde há compreensão

A compreensão é irmã gêmea da tolerância. Um dom pouco observado de uns tempos pra cá, principalmente por essas bandas em que a valorização é dada sobretudo aos intransigentes, àqueles cheios de ódio, incapazes de enxergar ou perceber que todos nós somos diferentes. A sociedade é formada por seres distintos, seja por aspectos estéticos, ou em relação aos ideias de vida, comportamento social.

Sempre foi e assim sempre será. Então, sem essa capacidade de compreender as pessoas, o que elas são, o que pensam e o que de fato almejam na vida, estaremos bem próximos da barbárie. As diferenças são formadas por vários fatores, como faixa etária, geração, cultura, religião, educação e tantos outros. Preconceitos e conflitos precisam ser superados.


Os espíritas são bem mais razoáveis quando o tema é compreensão e tolerância. Têm uma visão mais amena das razões e origens dos conflitos em sociedade, sejam eles de razões étnicas, religiosas, sexuais ou socioeconômicas. Em sentido oposto, o fundamentalismo religioso tem atuado para que reine a intolerância e o ódio prevaleça.

A questão que se coloca no Dia da Compreensão Mundial, neste 17 de setembro, é a de como lidar com o enorme rol de diferenças, saber respeitar e entender os sentimentos do próximo. Basicamente a campanha é voltada para que lideranças, governantes e a sociedade de um modo geral alcancem o equilíbrio nos julgamentos que fazem, respeitando e procurando entender os sentimentos alheios.


O Brasil vive um momento de carência plena da compreensão. Sementes da intolerância e da argumentação baseada no ódio começaram a ser lançadas nas eleições de 2018. A partir de 1º de janeiro do ano passado, ganharam corpo e “razões”, tendo como base uma corrente disseminadora de notícias falsas, tendenciosas e, na imensa maioria das vezes, reveladora de como as pessoas são hipócritas.

O exemplo mais recente ocorreu na Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo. O padre Júlio Lancelloti, coordenador da pastoral, foi vítimas de xingamentos e ameaças justamente por fazer um trabalho de atendimento a moradores de rua no centro da cidade.


A campanha de difamação começou pelo deputado estadual e pré-candidato a prefeito de São Paulo Artur do Val (Patriota), que postou vários vídeos nas redes sociais chamando o padre de “cafetão da miséria”.

Taí um exemplo clássico da falta de compreensão sobre diferenças, atitudes e opções de vida que compõem o cenário de uma sociedade tão complexa. O mais preocupante é que há um voz liderando todo esse cenário que, acima e além de tudo, quer armar os hipócritas...

Haja compreensão. Precisamos hoje e necessitaremos sempre.


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Blog chega a 400 mil visualizações em busca de cultura

Nesta terça-feira, 15 de setembro, o ZecaBlog alcança a marca de 400 mil visualizações desde que começou a flutuar pelo mundo digital, em fevereiro de 2011. Temos muito o que comemorar e mais ainda a realizar pela cultura, em favor das artes e do pensamento.

Esses números significam que, ao longo de nove anos e meio, com média diária de 120 visualizações, milhares de pessoas entraram 400 mil vezes para ler alguma publicação postada nestas páginas. Parece pouco, mas é muito se levarmos em conta duas questões: não é um blog voltado para assuntos fast foods e nem conta, nunca contou, com qualquer apoio publicitário.


Então, imaginemos assim: quem passou por aqui tem afinidades com os temas culturais, gosta de músicas, poesias, literatura, teatro, cinema, pintura e todos os assuntos que dizem respeito ao mundo das artes.

Em sua maioria, as visualizações vieram do Brasil. Os Estados Unidos estão em segundo lugar, provavelmente graças à nossa imensa colônia de brasileiros por lá. Nossos patrícios portugueses assumem o terceiro lugar na procura por textos do ZecaBlog, provavelmente estimulados pelo fator língua. Depois vem leitores da Alemanha, Rússia, Reino Unido, França, Canadá e, surpreendentemente, da Ucrânia.


Estivemos sempre preocupados com o que há de novo no mundo das artes, da cultura e do saber. Sempre foi assim e assim sempre será, desde aquele primeiro passo, dado no dia 16 de fevereiro de 2016, com a belíssima poesia do mestre Itaney Francisco Campos, desembargador, poeta e acima de tudo um grande amigo (para ler, 
clique aqui).

Também transitaram, por essa plaga, poetas-amigos e amigos-poetas, pintores, escritores, contistas, desenhistas, romancistas, músicos compositores e instrumentistas, cantores e cantoras e tantos outros talentos conhecidos, reconhecido, ou não, no mundo das artes.


Ressaltamos, por aqui, a vida; a ausência de tantos que já nos deixaram; tragédia como a que ainda estamos vivendo nos dias atuais em função do coronavírus;  desastres que abalaram culturas milenares, como a do Japão; a beleza de festas como as proporcionadas pelo frevo, carnaval ou pelo samba, seja por aqui, pela Europa ou pelas ilhas de Cabo Verde; as festas populares, de Minas, Goiás, do Nordeste, do Sul e de todos os lugares; o bom humor e o lado cultural do futebol também ganharam espaço nestas páginas...

E assim vamos vivendo e sobrevivendo, agradecendo e agradecido, seguindo em frente sem esquecer o passado, mas de olho bem aberto para as coisas do presente e com o coração pronto para o futuro.


Por ter começado com poesia, segue um texto poético, que é novo e tem muito a ver com o momento que estamos vivendo.

Beijos no coração.


domingo, 13 de setembro de 2020

Cachaça com arte; faça sua parte que eu te ajudarei

A sabedoria popular ensina que quem não sabe beber cachaça não deve se meter a besta. Como toda e qualquer bebida, a cachaça precisa ser apreciada com moderação, não por questões, digamos, morais, mas, por questões éticas e estéticas. Em plena pandemia da Covid-19, com mais de seis meses de isolamento, tem sido companheira e consolo para milhares de brasileiros e brasileiras que apreciam essa bebida.

A cachaça, popularmente também conhecida como pinga, pode e deve ser degustada prazerosamente, tal qual um bom uísque, um vinho de qualidade, uma boa cerveja, uma tequila, ou rum. Passamos a ter consciência dessa peculiaridade de algumas décadas pra cá. Isso porque o produto ganhou em qualidade, aceitabilidade no mercado, e nos tornamos mais conscientes quanto à melhor forma de apreciá-lo. 

 

No dia de hoje, 13 de setembro, comemora-se o Dia Nacional da Cachaça. Mas o grande presente para essa bebida aconteceu mesmo foi no mês de abril de 2013, quando os Estados Unidos reconheceram, finalmente, a cachaça como bebida exclusiva e genuinamente brasileira. Caiu por terra o maior preconceito para com essa bebida tão nacional quanto o samba e a paixão pelo futebol.

A cachaça é a segunda bebida mais vendida no Brasil, perdendo apenas para a cerveja, que é fermentada. Cerca de 6,9 litros de cachaça são consumidos no Brasil por cada brasileiro ao ano. No mundo, a bebida é o terceiro destilado mais consumido, perdendo apena para a coreana Soju (destilado de arroz) e a Vodca em segundo.

O mercado brasileiro movimenta  anualmente algo em torno de um bilhão de reais com o produto, comercializando cerca de 1,3 bilhão de litros por ano. O Brasil tem como meta aumentar em até dez vezes a venda do produto no exterior em uma década. Os países que mais importam o nosso produto são justamente aqueles que, há muitos anos, reconhecem a cachaça como genuinamente brasileira: Inglaterra e Alemanha. Com a decisão dos americanos, nossas exportações tendem a aumentar e por consequência a produção, com geração de mais renda e empregos.

O produto feito de forma artesanal, em alambiques de cobre, e depois curtido em toneis de madeira, vem ganhando mercado aqui e lá fora pela sua qualidade. Ao contrário de bebidas como uísques, brandies e o vinho, que vão sempre para envelhecimento em toneis de carvalho, a cachaça tem a notável particularidade de ser envelhecida em diversas madeiras.

Além do tradicional carvalho, usamos a umburana, bálsamo, ipê, eucalipto, jequitibá, amendoim e muitas outras. Ainda temos a expertise de envelhecer a pinga em mais de uma madeira, dando a ela a formatação de um brandie. De todas elas, o amendoim, segundo especialistas, é a rainha das madeiras para o envelhecimento da cachaça. Hoje é uma madeira rara, em extinção, de extração proibida ou controlada em lei, mas ainda pode ser encontrada no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, geralmente em reservas ou parques florestais.

Dizem os estudiosos que, quando curtido, preparado adequadamente, o amendoim realiza o verdadeiro envelhecimento: revela e acentua as virtudes da cachaça, exibe a alma da pinga. A cor pode ser levemente alterada para o amarelo muito claro, pálido. O aroma e o gosto da verdadeira cachaça, isto é, o perfume e o sabor da cana, são preservados. O amendoim abaixa um pouco a acidez e o teor alcoólico da cachaça, mantendo o caráter e a integridade (gosto disso) da bebida.

marvada da cachaça, que depois virou bendita, surgiu em meio aos escravos, adquiriu a pecha de bebida de gente desqualificada e sem classe. Foi manipulada pelos nossos colonizadores para estimular o trabalho dos escravos e depois proibida porque podia estimular rebeliões. Ao ser proibida, ficou melhor ainda e virou orgulho nacional, obrigando os portugueses a voltar atrás na proibição.

Em outras palavras, temos ótimas cachaças produzidas a partir da cultura dos negros e dos colonizadores portugueses e de imigrantes alemães no Sul do país. Essa mistura brasileira é de enlouquecer qualquer sulista dos Estados Unidos. E tem diversos sotaques, como o caipira Marvada Pinga, na interpretação de Rolando Boldrim e dos seus casos, ou o do samba com solo de guitarra do velho e bom Erasmo Carlos, em Cachaça Mecânica.

Depois de tudo isso, é possível passar um domingo em paz, tomar umas quatro ou nove, apesar do risco de acordar amanhã, uma baita segunda-feira, de ressaca. Mas, amanhã vai ser outro dia... Saúde a todos!

PS - Antes que eu me esqueça, “beba com moderação”, e, “se beber, não dirija”, e, se dirigir não beba, seja o motorista da vez.


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Cerrado resiste exuberante às agressões. Até quando?

 

Desmatamento e queimadas continuam a ameaçar a preservação do Cerrado. Este é mais um 11 de setembro que deveria ser dedicado a comemorações por conquistas de preservação de um cerrado rico e belo, mas que será apenas uma data de lamentações e denuncias de tantas agressões e desrespeitos a esse bioma. Situação essa que se agravou neste governo, não apenas com relação ao Cerrado, mas também na Amazônia e na Mata Atlântica.

O Cerrado é antes de tudo um forte! Resiste ao fogo das queimadas, à mão desalmada de uma civilização em busca desenfreada pelo progresso. O cerrado tem sua cultura própria, um jeito especial de viver e de sobreviver, sem perder a imponência, jamais, em sua missão de resistir às intempéries.

Os desenhos retorcidos, distorcidos e encurvados das plantas do Cerrado enganam os que as julgam frágeis. Essas árvores são capazes de sair do cinza-enegrecido causado pelas queimadas de agosto/setembro para um verde exuberante, com as primeiras chuvas do caju e do pequi nativos no Centro-Oeste.

Antes mesmo dessas chuvas, neste exato momento, já se pode ver algumas plantas mostrando um verde-novo em meio ao amarelecido da grama e do mato. Mesmo agora, já surgem lá no meio do cerrado o amarelo retumbante, exuberante, radiante, cheio de vida da flor do ipê.

O Cerrado não é apenas essa beleza que nos enche de orgulho e satisfação. É também sinônimo de sustentabilidade para uma sociedade que mal consegue se manter em suas próprias raízes. O futuro está aqui, em meio a essa biodiversidade que salta aos olhos, capaz de produzir alimentos, medicamentos, energia e abrir portas para um turismo ímpar, sem similares em qualquer região do mundo.

O quadrilátero do Distrito Federal, desenhado e traçado pela Missão Cruls – sobre a qual já escrevi aqui no blog –, também está assentado em uma região do Cerrado de rara beleza e de riquezas ainda bastante desconhecidas. Nós goianos, temos orgulho de ter cedido a Brasília uma das mais belas e ricas áreas do Centro-Oeste. As principais fontes de água do Brasil nascem neste Planalto Central, que mostra força e pujança desde as entranhas da terra.

Saudemos o Cerrado e lutemos para sua preservação, antes que seja tarde! Está certo o poeta brasiliense Nicolas Behr ao afirmar: “nem tudo que é torto é errado/ veja as pernas do Garrincha/ e as árvores do cerrado”. Saudemos também por meio de duas belas canções. A primeira, Flor do Cerrado, de Caetano Veloso, na voz de Gal Costa; a segunda, a exuberante composição de Waldir Azevedo, interpretada por ele mesmo.