domingo, 30 de janeiro de 2022

Domingo é um dia bom para curtir uma saudade

 

Quantas vezes a palavra saudade aparece em letra de música? É até difícil fazer essa conta. Dezenas? Centenas, milhares, talvez? E, da mesma forma, em poesias, poemas, textos literários... Faço essa reflexão por ser hoje o dia consagrado à Saudade.

Uma palavra diretamente associada às emoções. Talvez, por isso mesmo, o dicionário Aurélio traz a seguinte definição: "Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir".


Por estar assim tão associada às emoções, criou-se o mito de que só existe essa palavra pra expressar tais sentimentos em Português. Não é bem assim. Em alemão (ajuda aí, Ana Laura Campos!), existe a palavra sehnsucht, que tem esse entre outros significados. Em polonês, a palavra tesknota tem sentido igual.

Claro, as palavras mudam de significado, expressam a mesma coisa com colorações diferentes, dependo do contexto, de questões culturais e outras variáveis. Mais isso não tem muita importância.


Interessa mesmo é o fato de saudade ser uma palavra deliciosa, sonora, poética e agradável. Ninguém fica triste porque sente saudade. É um sentimento um pouco diferente, mais para o nostálgico, que nos faz viajar no tempo e no espaço, superando distâncias, na maioria das vezes à velocidade da luz. Ficamos tristes quando perdemos um ente querido, é verdade. Mas o sentimento não é exatamente esse quando sentimos saudade dessa pessoa.

Falar sobre saudade é tão difícil. Muito mais fácil é senti-la a nos envolver, de maneira suave, gentil, como se fosse uma velha companheira que sempre esteve entre nós e não pretende, jamais, nos deixar. Mas, ela vai embora da mesma forma que chegou, suavemente, sem arrancar pedaços...


Saudade

José Carlos Camapum Barroso

 

Quero sentir saudade

Mas a noite não deixa

O latido do cão assusta

A escuridão domina

O brilho das estrelas

E até a lua se escondeu...

 

Como sentir saudade?

Saudade não se deseja

Somos desejados por ela

Saudade não se almeja

 

Não se determina quando

Nem por onde vai chegar

Mostra sua face... se instala

E nem avisa ao se afastar.

 

De repente, estamos sós?

Nem saudade existe mais?

Um vento bate na porta

A brisa sopra pela janela

Passos ecoam na calçada

Não ouço latido do cão

 

A lua traz réstia de luz

E um beijo doce na face.

A saudade foi se embora...

Nem disse se vai voltar...




terça-feira, 25 de janeiro de 2022

São Paulo faz 468 anos sem esquecer o Som Paulo caipira

 

A cidade de São Paulo faz hoje 468 anos. Atividades comemorativas estão bastante reduzidas e limitadas em mais um ano de pandemia. Mas, algumas comemorações estão acontecendo por lá, entre elas, a inauguração de um grande mural em homenagem aos profissionais de saúde, missa na Praça da Sé e outras atividades em praças, parques e avenidas.

Sou um apaixonado pela grandeza e pelas tradições que sempre embalaram a cidade. Peço licença às leitoras e leitores do Blog para reproduzir, atualizado, um texto publicado há alguns anos. Retrata muito bem o que penso e sinto sobre São Paulo.


"Alguém aí sabe me dizer se o Som Paulo caipira ainda existe? Aquele Som Paulo – dos tempos de Alvarenga e Ranchinho, Raul Torres, Zé Fortuna, Nhô Bento, Barreto, Tonico e Tinoco e tantos outros que fizeram estrada na música verdadeiramente sertaneja – ainda existe? Faço essa pergunta pelo fato de o São Paulo de agora fazer hoje 468 anos e ter se transformado num verdadeiro país dentro do Brasil. Tem um mundo dentro de si e carrega, como consequência, problemas que são inimagináveis para essa cabecinha, aqui, lá do interior goiano...

São Paulo tem quase a idade do descobrimento do Brasil e sua história se confunde com a do país. A cidade tem tudo no âmbito da indústria, comércio, diversão, artes e cultura. Os problemas também são muitos e com a dimensão de uma megalópole. Mas, seus atrativos são grandiosos e nos deixam entusiasmados.


Estar em São Paulo é se sentir amplo, realizado. As possibilidades são tantas que nos consideramos parte delas. Nossos sonhos crescem junto com a dimensão da cidade e tudo o que ela nos oferece.

Senti isso de forma mais relevante quando conheci a Vila Madalena e suas opções de boemia tão tradicionais e admiradas. A começar pelos nomes poéticos das ruas: Paulistânia, Harmonia, Purpurina, Girassol, Original, entre outros. De repente, você se encontra na esquina da Harmonia com a Purpurina. Nomes que foram sugeridos por estudantes anarquistas que frequentavam o bairro.


Mas, não tenho visto ser ostentado por aí, com grandeza e orgulho, a cultura caipira, que Som Paulo fez nascer e cultivou por tantos anos. Existem, sim, sertanejos oportunistas como esse tal de Daniel, que fez dupla com João Paulo, e outros do mesmo nível, de uma pobreza artística impressionante. Quem desbravou o universo caipira foi o paulista Cornélio Pires, que, se ainda estivesse vivo, não permitiria esse vácuo na cultura secular de São Paulo. Tudo isso está muito claro nos belos versos de Nhô Bento, resgatados por Rolando Boldrin, como abertura da música Paulistinha, composição de Barreto, que reproduzo no vídeo abaixo.



São Paulo continua aí a desafiar qualquer raciocínio lógico, abrigando gente de todas as partes do país e do mundo. Caetano Veloso teve uma sensibilidade extraordinária ao compor Sampa, que fala da beleza impressionante e assustadora da cidade, de sua Rita Lee e de tantas outras realidades.

Viva São Paulo e Som Paulo! O de agora e o de sempre! Dos tempos dos caipiras até os dias de hoje, passando por Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa e tantos outros de saudosa memória! A cidade é rica culturalmente e não apenas financeiramente."


 

 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Morre Elza Soares e a cultura brasileira fica mais pobre


Um dia muito triste para o mundo cultural brasileiro, mais especificamente para a música. Morreu, na tarde desta terça-feira, de causas naturais, a cantora Elza Soares, um dos maiores ícones de toda a história musical do Brasil. Foi considerada, com muita justiça e razão, a "voz do milênio" em uma votação de 1999 da rádio BBC de Londres.

Carioca da gema, ela nasceu em junho de 1930, no Rio de Janeiro. Filha de operário e lavadeira, foi criada na favela de Moça Bonita e, aos 12 anos, foi obrigada pelo pai a se casar com Antonio Soares, conhecido como Alaúde, de quem pegou o sobrenome. Aos 13, ela foi mãe pela primeira vez. Aos 15, já tinha perdido um dos filhos para a fome. Aos 21, já era viúva.

História de vida fantástica, Elza Soares sempre foi uma mulher guerreira, forte e determinada. Em nota distribuída à imprensa, sua assessoria enfatizou:

"Teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo."

Faz parte da sua vida a intensa relação que teve com Mané Garrincha, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e mundial. A artista morreu no dia em que se completam 39 anos da morte do Garrincha, com quem foi casada de 1966 até 1982. Eles tiveram um filho, Garrinchinha, que morreu em 1986, em um acidente de carro.


Ex-faxineira e empregada doméstica, Elza Soares sofreu com o preconceito racial. Chegou a atacada por ser negra, por ser mulher, por ser pobre e por ter se casado com Mané Garrincha, sua paixão. Depois de perder o pai, perdeu de forma trágica a mãe, o marido e um filho. Caiu em depressão, mas foi a música, sua veia artística que a levantou e trouxe de volta para vida.

O tempo talhou a voz e a alma e a canção deixou de ser doce como era antes. Nos últimos trabalhos realizados – A Mulher do Fim do Mundo e em Deus é Mulher – quem canta é a Elza de um novo tempo.


Elza fez sucesso interpretando clássicos como Se Acaso Você Chegasse, cuja gravação lançou em 1960. Seu disco mais recente, Planeta Fome, é de 2019. Em 2020, Elza foi homenageada como enredo da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Ela chegou a ser intérprete de sambas da agremiação.

A expressão era uma alusão ao episódio em que foi constrangida por Ary Barroso no programa de calouros que participou nos anos 50. "De que planeta você vem, menina?", ele disse. E ela respondeu: "Do mesmo planeta que você, seu Ary. Eu venho do Planeta Fome."

Uma declaração dada pela cantora para a imprensa resume bem o que ela pensava de si e o que de fato foi na vida artista:

"Eu sempre quis fazer coisa diferente, não suporto rótulo, não sou refrigerante", comparava Elza. "Eu acompanho o tempo, eu não estou quadrada, não tem essa de ficar paradinha aqui não. O negócio é caminhar. Eu caminho sempre junto com o tempo."

RIP, Elza Soares! Nós continuaremos te amando e admirando seu extraordinário talento. Seguem duas gravações que são bem representativas do universo musical dessa incomparável artista.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Coletivo Gaffurina desperta cultura no norte goiano


Ventos favoráveis, trazendo notícias boas, sopraram por aqui esta semana. Fiquei sabendo e conhecendo um grupo cultural que está fazendo um importante trabalho no norte goiano, tendo a minha querida Uruaçu como ponto de referência.

Trata-se do Coletivo Gaffurina, um grupo de artistas da terrinha que, desde 2012, se juntaram para levar adiante três itens fundamentais para o mundo da cultura: música, literatura e artes visuais. A ideia principal é divulgar e estimular a produção cultural autoral de artistas de Uruaçu, dando valor à criatividade e à qualidade artística.

O mote para organização dessa turma são os eventos culturais, que agregam artistas das mais diversas tendências, levando para as ruas realizações gratuitas, abertas ao público, e organizadas de forma itinerante. Isso no período anterior ao advento da pandemia do novo coronavírus, que puxou o freio de forma brusca das realizações culturais, não só em Uruaçu, mas, em todo País e no mundo inteiro.

O Coletivo começou, há exatamente dez anos, com o evento do Festival Gaffurina. Foram criados, também, a Vitrola Difusora, em 2015, que consistia na gravação e divulgação de trabalhos das bandas autorais da cidade, e depois, em 2016, o Movimento de Ocupação Cultural – este voltado para “tomar” os espaços públicos. Ambos foram suspensos com a pandemia. Do ano de 2012 pra cá, o Coletivo realizou saraus, lives, mostras de artistas plásticos.

A importância desse trabalho, no campo da música, salta aos olhos quando se revela que a cidade de Uruaçu, com uma população de aproximadamente 35 mil pessoas, chegou a ter seis bandas musicais em atividade. Atualmente três estão atuando: W.C., Winchester 22 e Casulo Fantasma. Cidades como Porangatu e Goianésia, que tem uma população bem maior, não possuem esse quantitativo de bandas atuando.

No campo das artes plásticas, estão se destacando nomes como de Jordane Silvestre, Camylla Maia, Stella Cardozo, Pedro Rosa, Rodrigo Kramer, Gabriel Andrade, Lucas Barros, Lucas Venícius e Marcos Paulo Paes. Todos fazem parte de uma nova geração de Uruaçu. Possuem trabalhos relevantes e são artistas talentosos. Também estão agregados ao Coletivo Gaffurina.

Uma página do trabalho desta turma merece ser destacado à parte. No ano de 2016, homenagearam a escritora e poeta Sinvaline Pinheiro e, em 2017, o também escritor e poeta Mariano Peres. Ambos tiveram textos e poesias gravados e divulgados no Festival Gaffurina.

Em 2020, a forte propagação da Covid-19 fez com que os trabalhos fossem suspensos. Em 2021, começaram a ser retomados, porém com novo formato. Agora o foco são as atuações em estúdios, com gravações digitais para posterior divulgação nas redes sociais.

Essa moçada fez uma verdadeira revolução cultural no norte goiano, principalmente em Uruaçu. Nossa terrinha sempre teve uma forte manifestação artística, principalmente na música. Andava um pouco adormecida, tendo em vista que, nas últimas décadas do século passado, a imensa maioria dos jovens saía para “estudar fora”, em Goiânia, Brasília ou outras capitais.

Por meio do Coletivo Caffurina, jovens de mais ou de menos idades, mas, todos jovens, moças e rapazes, fizeram um verdadeiro despertar cultural em Uruaçu. Precisamos incentivar e estimular o trabalho desses artistas. A cultura precisa de movimentos dessa natureza, principalmente num momento de tantas dificuldades que vivemos.

Salve os movimentos culturais e o trabalho incansável dos artistas!


Serviço:

Gaffurina Cultura e Artes (Facebook e Youtube)

@coletivogaffurina (Instagram)


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Thiago de Mello morre, faz escuro mas eu canto


Morreu na madrugada desta sexta-feira (14), em sua casa, na cidade de Manaus, de causas naturais, o poeta Thiago de Mello. Uma das vozes mais afinadas, intensas e contundentes contra as injustiças sociais, a violência, a opressão e a degradação do meio ambiente no planeta Terra, que “flutua hoje no espaço como um pássaro em extinção”, como ele dizia.

Fez a cabeça da nossa geração de universitários dos anos de 1970. Mas, infelizmente, sempre houve preconceito e incompreensão acerca da sua obra, tão vasta, sensível e acima de tudo humanista. Muitos tentaram rotular Thiago de Mello como um poeta dos versos engajados, tomados por uma ideologia e excessivamente políticos. Coisa de quem não conheceu verdadeiramente a obra desse grande poeta.

Foi reconhecido internacionalmente como um dos grandes autores da literatura regional. Escreveu um clássico da literatura brasileira, que é o poema Os Estatutos do Homem, escrito em abril de 1964, quando Thiago de Mello era adido cultural da embaixada do Brasil no Chile e amigo de Pablo Neruda.


Nascido em 1926 em Barreirinha, no Amazonas, ele sempre foi um defensor da natureza. "Para fazer algo em defesa da humanidade é preciso, em primeiro lugar, que cada um de nós tente persuadir pelo menos um companheiro, que cada um de nós faça qualquer coisa por este planeta Terra tão degradado", afirmou, durante a Feira Internacional do Livro de Havana, em 2005.

A 34ª Bienal de São Paulo fez, em setembro do ano passado, uma bela homenagem a Thiago de Mello. “Faz escuro mas eu canto”, esse ícone da resistência à ditadura militar, foi o tema daquela bienal. O verso faz parte de Madrugada Camponesa, poema, de 1965, que também ganhou uma versão musical por meio de uma parceria entre Thiago de Mello e o músico Monsueto Menezes, no mesmo ano em que foi lançado.


Na década de 1980, tivemos a oportunidade de assistir a um recital do poeta, em Brasília, no Teatro Galpão, na avenida W3 Sul, logo depois de Thiago retornar ao Brasil, em 1978, quando seu nome já era conhecido internacionalmente por lutar pelos direitos humanos, ecologia e a paz mundial. Uma figura mansa, suave, vestido com sua bata branca, só emanava beleza e amor pelas coisas da vida, a natureza e o ser humano.

O poeta é membro da Academia Amazonense de Letras e recebeu o destaque de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti, em 2018. Seu corpo será velado no Palácio Rio Negro, no centro histórico de Manaus. O governo do estado decretou luto de três dias.

Descanse em paz, grande poeta. Seguiremos cantando sempre que a escuridão ameaçar a nossa existência.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Sonhei com Bolsonaro levando uma surra. Foi só um sonho

 


Sonhei esta noite que uma turba dava uma surra fenomenal no presidente Jair Messias Bolsonaro. Como todo sonho, este também foi cheio de coisas sem nexos e outras perfeitamente compatíveis com a realidade do Brasil atual. Primeiro quero confessar que nunca desejei, nem desejo, que qualquer pessoa leve uma surra, mesmo quando a mereça em gênero, número e grau. Sou, por princípio, contra qualquer manifestação de cunho violento.

Como em todo sonho, também esse tinha lá suas curiosidades, chegando a ser engraçado e divertido. Em sua parte inicial, havia uma manifestação contra o presidente. Estavam lá, entre outras pessoas, amigos e conhecidos e, claro, este ser inexpressivo e nada exemplar, gritando palavras de ordens contra a “autoridade máxima” deste país. Xingamentos, empurra-empurra, vaias e aquele clima próprio de manifestação, mas nada de violência.

Num segundo momento, o presidente estava vindo para uma lugar em que estávamos, já um grupo bem menor. Alguém gritou anunciando que ele estava chegando pra “tomar satisfação”.

Na sequência, Bolsonaro teria rolado um pneu grande, de caminhão (sempre os caminhoneiros), em direção àquelas pessoas. Um deles chutou com força o pneu de volta. Foi a senha para a confusão. A “autoridade máxima” partiu pra cima, foi derrubado e, caído no chão, apanhou bastante, com socos, chutes, pontapés. Levou uma surra exemplar.

Lembro que eu ficava falando, ou pensando, "não pode fazer isso, vai dar problema, violência não", coisas desse tipo. Mas, de repente, as pessoas levantaram Bolsonaro pelo colarinho. Ele estava inteiro, não estava machucado, não tinha sinais de ter sofrido qualquer tipo de violência.

Gritaram para o presidente:

- Fala aí, Bozo. Agora pode falar.

Ele, humilde (difícil de imaginar... só em sonho mesmo), com a expressão de pessoa resignada, gritou em alto e bom som:

- Eu me rendo, tá oquei!

E o grupo o deixava ir embora, autorizando:

- Agora, pode ir Bozo. Vai pra casa, calado.

Ele saiu de orelhas murchas, como se nada tivesse acontecido. Foi embora, sabe-se lá para onde.

No meio do grupo, alguém comentou:

- Que porcaria de gente, como que um merda desse vira presidente da República!

Calma, gente! Foi só um sonho. Hoje cedo, pouco depois que acordei, vi a seguinte manchete em um jornal: “Bolsonaro culpa medidas da pandemia pela alta da inflação”.

Também, quem mandou acordar para a realidade. O mundo dos sonhos é bem melhor.


sábado, 8 de janeiro de 2022

Fotografia é a junção de arte, esforço e muito talento


Se há uma turma para a qual confesso grande admiração e respeito é o pessoal da fotografia, mais especificamente os meus colegas repórteres fotográficos. Turma de garra, talento, coragem e precisão. Se não tiver essas qualidades não sobrevive no mundo da fotografia.

Falo isso porque no Brasil hoje (8/1) se comemora o Dia Nacional da Fotografia e do Fotógrafo. No restante do mundo, a comemoração ocorre no dia 19 de agosto. Foi nessa data, no ano de 1840, que foi apresentado na Academia de Ciências da França, em Paris,  o Daguerreótipo, o primeiro equipamento fotográfico fabricado em escala na história.

O instrumento foi criado em 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre e fabricado por Alphonse Giroux. A imagem era captada por meio de exposição manual, por cerca de 25 minutos, para ser grafada numa placa de prata sensibilizada por vapor de iodo. Na sequência, o contato com a luz transforma os cristais de iodeto de prata em prata metálica, formando uma imagem latente, revelada posteriormente com o uso do vapor de mercúrio. A fixação era feita com hipossulfito de sódio. O resultado é uma imagem detalhada, em positivo e em baixo relevo.

O Daguerreótipo foi utilizado na Europa durante a década de 1840 e meados da década de 1850. No Brasil, seu uso se estendeu até o início da década de 1870. Mas foi nos Estados Unidos que a daguerreotipia teve maior popularidade, sendo praticada até a década de 1890. Em 2010 um exemplar foi vendido, por 732 mil Euros (R$ 1,638 milhão), em leilão realizado pela galeria Westlicht, em Viena.


Apagão no Plenário, por Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pura magia que, num passe de mágica, graças ao desenvolvimento tecnológico, nos fez chegar à fotografia digital, arquivada nas nuvens e divulgada simultaneamente no mundo pelas redes sociais. Basta um clique.

Fantástico esse universo da fotografia que conjuga talento com muito trabalho. O resultado é arte na mais sublime expressão da palavra: beleza que nos emociona e leva à reflexão crítica da vida e do mundo em que vivemos.

Parabéns aos fotógrafos! E viva a fotografia! 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Ano novo, vida nova e sinal de que vem aí Bom Tempo


 

Velho Ano Novo

José Carlos Camapum Barroso

 

Fim de ano é roupa branca,

Alma limpa e coração aberto,

O amor de sempre por perto

E um pipocar de esperanças.

 

Champanhe explode no ar

E os fogos em artifícios

Colorem o céu de ilusões...

Risos e abraços nos salões

Gritos e choros pelas calçadas

Cobertas de lágrimas e suor,

Papel picado e latas de cerveja...

 

Passa a noite, some a lua...

E os primeiros raios de sol

Trazem o ano novo pra rua.

Garis fantasiados de homens

Varrem restos de alegria.


O bar se fecha, abre a padaria.

Os jornais chegam mais cedo

A estampar notícias velhas

E as previsões de sempre.

Ano ruim, mas este será bom!

 

O ano acabou... O mundo, não

O mundo...? Vasto mundo.

E eu nem me chamo Raimundo...

Muito menos, Drummond.