sábado, 24 de dezembro de 2022

Verdadeiros valores do espírito natalino estão esquecidos

A religiosidade é uma coisa boa nessa nossa curta passagem pela vida. Desde que imbuída do espírito da caridade, do amor ao próximo e do respeito por aquelas pessoas que praticam outras religiões, ou que não praticam religião alguma, ou não acreditam no mesmo Deus que acreditamos, ou até mesmo para com aqueles que não acreditam em nenhum Deus.

O espírito verdadeiramente cristão é aquele que professa, procura e pratica sempre o bem, sem olhar a quem. E isso não é fácil. Exige muita abnegação e humildade. Aliás, humildade é a palavra-chave nessa vida.

Humildade, amor, solidariedade, empatia e compaixão foram palavras esquecidas em nossa pátria, Brasil, nesses quatro anos de desgoverno de um sujeito aclamado como mito. Fez questão de valorizar8 o ódio, a falsidade, e espalhar mentiras e maldades de toda natureza, sexo e cor. Uma tragédia.

Mas, tentemos ver esse últimos dias do ano por outros prismas. Por exemplo, final de ano traz sempre uma certa polêmica sobre qual festa é melhor, mais prazerosa: Natal ou Ano Novo? A desavença começa pelo recesso no ambiente de trabalho. Há aqueles que só tiram folga na semana natalina e os que preferem o fim de ano. A polêmica ganha contornos piores quando embalada por visões fundamentalistas, sejam elas expressas por religiosos ou pelos festeiros de carteirinha.

A turma do balacobaco crê que festa boa é o Réveillon. As comemorações natalinas são cansativas, caretas e modorrentas. A turma do primeiro grupo só enxerga lascividade e pecado nas festas de fim de ano.

São duas comemorações bem distintas e cada uma com sua beleza própria e seu estilo marcante. Como é delicioso o momento natalino, em que as famílias, as pessoas mais próximas, reúnem-se para comemorar o nascimento de Cristo, e, por consequência enaltecer todos os bons ensinamentos que guiam uma parcela relevante da humanidade.

A Igreja Ortodoxa não comemora o nascimento de Cristo no dia 25 de dezembro, mas, no dia 7 de janeiro, pois não reconhece a reforma do calendário implantada pelo Papa Gregório, no ano de 1582, que corrigiu uma defasagem de treze dias entre a data do calendário e a data real das mudanças das estações – equinócio e solstício. Os ortodoxos continuam seguindo o calendário de Júlio Cesar, criado em 45 A.C.

Pelo mesmo motivo, só comemoram o Ano Novo no dia 14 de janeiro. Mas, na Rússia pagã, essa data estava associada ao fim do Inverno e início da Primavera, portanto, sempre comemorado no mês de março com o “renascimento da Natureza”. O Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, em 2022, foi comemorado no pôr do sol de 25 de setembro até o anoitecer do dia 27 de setembro, de domingo a terça-feira, marcando o início do ano 5783. Como de costume, serve para lembrar a criação do universo por Deus, bem como a aceitação da soberania d’Ele sobre o mundo.

A decoração de Natal é extensiva às comemorações de fim de ano. Servem para saldar o Ano Novo, depois de ter encantado as pessoas na chegada do menino Jesus. Todo ano é assim, aqui em casa. A Stela mostra seu extremo bom-gosto para decoração de casa e ambientes festivos. O vídeo abaixo mostra isso, com fundo musical de Noite Feliz.

É vida que segue cheia de esperanças e sonhos de renovação.

 


Luz natalina

José Carlos Camapum Barroso

 

Rainha que floresce

Na noite de Natal

É um duplo açoite

De esplendor celestial.

 

É dádiva de Deus!

Uma nova mensagem

A pulsar nos corações,

Há vida a nos embalar!

Esperança na Terra!

Basta abrir os olhos

Para que a luz possa entrar...

 

Claridade que é divina,

Eterna e nos ensina

Um modo novo de cantar,

Amar, viver a vida.

Rainha-da-Noite e do dia

Dai-nos hoje, e sempre,

A esperança perdida.


domingo, 11 de dezembro de 2022

Uruaçu ganha novas poesias no cenário cultural

A querida cidade de Uruaçu, incrustada no centro do Brasil e do mundo (há também estudos de que ela estaria no centro do Universo), é – e sempre foi – uma região muito rica culturalmente. Sua produção literária e musical é relevante no cenário do Centro Oeste brasileiro.

Temos um grupo de amigos no WhatsApp, sob o nome de Amigos do Zé Sobrinho, voltado para manter acesa a chama desse viés cultural da terrinha. Recentemente, foi organizada a edição de um livro de poesias que já está na gráfica sendo editado e virá com o título de As Tranças de Ana.

Nas duas últimas semanas, por termos sidos provocados, melhor, instigados, quatro poesias foram elaboradas e lançadas lá no grupo, de forma bem espontânea e descompromissada. Uma de minha autoria e outra de minha irmã Juracema Camapum Barros, e duas poesias dos irmãos Ítalo Campos e Itaney Campos. Dois pares de irmãos.

Publico-as para avaliação dos leitores do blog. Também serve como uma pitada do que vem aí, em breve, em forma de livros de poemas de uruaçuenses.

Esperamos que gostem. Beijos no coração e viva a Cultura tão desprestigiada e atacada nesses últimos quatro anos.

 


Ocaso
Juracema Camapum Barroso

 
Tenho o olhar fixo
Diante do sol do ocaso.
Não há como ignorar o belo entardecer.
Ou não alegrar com as estrelas surgindo...
Amarelo, rosado partindo
Como uma tristeza pálida
O final do dia tem algo
de perde-se no encontro da noite.
A luz docemente esvaindo entre os transeuntes, 
exalta o colorido das vestimentas.
Esta é a arte do céu: morrer o dia e nascer a noite.
O fluxo dos destinos mudam.
Apressados, lentos, perdidos.
Há os que nem sabem o que fazer de si.



 
Terra em Trans
Ítalo Campos
 
Transporta o trem do futuro
novos gêneros transfigurados
em velocidade vertiginosa
transcorrendo do futuro ao futuro.
Neste imenso transatlântico
dependurado no universo
Tudo é transitório!
Tudo múltiplo e concentrado
transcurado!
Transeunte, na avenida de mão única.
Sem nome, um número, um transviado,
em constante transformação.
Não há rastro, traço, a transmitir.
Todos em trânsito. Transparente!
O sol se pôs pelo lado do oriente.
Nenhuma transcendência é possível,
nenhum transbordamento com a poesia,
apenas um transamazônico ruído
é repetido.
Todos somos trans.
Transfixados pela espada da ciência.
Transitórios! Não há dor. Nada a transpor.
Nada a transgredir, nada a transbordar.
Tudo vazio transfundido.
Trans torno,
Transtorno!

 

 
E agora, José?
José Carlos Camapum Barroso
                          (Para Lastênia)
 
Sei lá agora o que farei nesta hora
Em dias tão difíceis, em noite escura
Minha alma implora por doçura
Quando a amargura já não demora
 
Sei lá o que farei neste momento
De nobre sentimento tão aviltado
Pela dor de que houvera retirado
Do fundo da alma todo sofrimento...
 
Mergulhar o coração no leito do rio?
Afogar as mágoas na noite, madrugada
Seria então apenas mais um desafio
 
Que não acalmaria esta dor passada
À beira de uma estrada, em desvario,
Indo também embora para Parságada



 
Soneto Antigo
Itaney Campos

Ah, estranho mal de amor, tão decantado,
Tanto espinhoso quanto bem querido,
Em vão procuro tê-lo resumido
No peito ainda cedo magoado.

Aumentá-lo é aumentar a dor, um fado
Que me domina o peito malferido,
Se o busco restringir, vejo crescido
O mal que em mim pressinto arraigado.

Filho da liberdade, me aprisiona,
Pródigo de cuidados, me abandona,
Fazendo da razão mesmo, cegueira.

De uma gentil senhora carecente,
Amor é chama, corvo persistente
que a alma me dilacera a vida inteira.
  

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Cronista descobre plano de fuga de Bolsonaro no dia 1º

Nagé, Maragogipe, Bahia

José Américo, conhecido como “Das Américas”, além de um grande amigo, é também um baita escritor, cronista e jornalista admirado no cenário nacional. Tem um faro especial para a notícia, jornalismo investigativo. Deve ser por isso que descobriu que há um plano traçado e pronto para ser executado de fuga do presidente Bolsonaro.

O destino e outros meandros ele revela nessa bela crônica publicada abaixo. Faz parte de sua coleção de textos sobre o cotidiano de Joãozinho Naturá, figura típica do Recôncavo baiano. Um morador de Nagé, ilha do município de Maragogipe, foz do Rio Paraguaçu.

 

A fuga do presidente

José Américo 


Joãozinho Naturá* me ligou lá da ilha de Nagé, Maragogipe, Bahia. Sempre liga quando acorda da madorna de depois do almoço. Conta primeiro sobre o que comeu e depois desembesta a falar.

Desta vez, tava se gabando de uma farofa de inhame com camarão defumado. A iguaria foi servida por Dorinha da Gameleira, chamego dele de anos. Foi ela que, depois do almoço e enquanto se deliciava com uma cocada mole, contou o segredo que ficou sabendo.

- Das Américas, vou te contar uma bomba. Bolsonaro vai fugir e se esconder em Maragogipe.

- Que história é essa, Naturá?

- Tá duvidando é, Das Américas?

Dorinha, como você tá careca de saber, é filha de Iansã e, pra seu governo, foi só ela tocar no assunto que bateu uma ventania do nada, envergou o coqueiro gigante na beira da praia, e fez roncar o tronco da gameleira no terreiro da casa dela. Você é de santo e sabe muito bem do que tô falando.

A história é longa mas eu vou resumir para não gastar meus créditos.

Em todo lugar e em toda religião tem gente boa e gente que não vale o que o gato enterra. Pois bem, aqui na região tem um pai de santo que é da Igreja Universal, aquela do Bispo Macedo.

- Pelo amor de Deus, Naturá! Isso não existe. Como pode uma criatura ser do candomblé e crente ao mesmo tempo? E ainda por cima da Universal. Esse sincretismo seria uma anomalia, uma aberração a ser estudada em Harvard. Aí você já tá curtindo com minha cara.

- Das Américas, já vi que depois de se isolar nessa ilha da fantasia que é Brasília, você perdeu a noção do metabolismo social em que vivem os simples mortais. Você parece um alienígena que chegou hoje no Brasil e nada sabe do que acontece no cotidiano da nossa gente. Se liga ou vai virar um morto vivo, desligado da realidade, como esses políticos, seus amigos aí de Brasília.

- Joãozinho, você me aparece com uma história estrambólica, dizendo que Bolsonaro vai fugir e se esconder em Maragogipe, que tem um pai-de-santo evangélico envolvido na trama e quer que eu reaja com naturalidade? Tenha paciência. Vai quebrar coquinho!

- Pois é, acredite porque eu não gosto de Fake News e Dorinha fala a verdade até quando mente.

Você sabe que pelo andar da carruagem e pelos desmandos que a equipe de transição do Lula tem revelado, Bolsonaro vai ser preso logo que perder aquele tal foro privilegiado que o cargo de presidente lhe confere.

Vai não, poderia ser. Só vai se não executar seu plano de fuga, conforme planejado.

Tá tudo, milimetricamente, traçado com apoio dos golpistas da Marinha do Brasil. Você sabe que o atual comandante da força naval brasileira é bolsonarista até debaixo d’água.

Preste atenção no que vou lhe contar, em detalhes.

O Bozo deixa Brasília na noite de 31 para 1º de janeiro, desembarca no Rio de Janeiro, embarca numa van preta com vidros fumê e, dentro do túnel Acústico que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca, ele vai trocar de carro, iniciando o audacioso plano de fuga.

Nagé, Maragogipe, Bahia

Daí segue até um ponto no litoral, nas imediações da restinga da Marambaia, área sob domínio das Forças Armadas, embarca num submarino de tecnologia venezuelana - veja a ironia do destino - pertencente à milícia carioca, segue em direção a Maragogipe e, uma vez já na terra de São Bartolomeu, segue para o terreiro do pai-de-santo evangélico, que já está sendo reformado para escondê-lo.

- Caraca, Naturá! Essa história parece livro de João Ubaldo, em parceria com Agatha Christie.

- Das Américas, a história realmente tem lances cinematográficos, mas o roteiro é baseado em fatos. E vou lhe dar provas cabais de que o plano já está em plena execução.

No dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Qatar, enquanto toda a gente estava ligada na partida de futebol, um caminhão camuflado na cor cinza - como são os veículos da Marinha - foi visto entrando no terreiro e descarregando uma grande remessa de leite condensado ou leite Moça, como queira. Quer evidência maior que essa? Parafraseando o lendário detetive Sherlock Holmes: “Elementar meu caro Watson.”

- Joãozinho, você tem que denunciar isso à polícia imediatamente.

- Você quer me ver na terra do pé junto, é? Tá doido? Não quero virar herói defuntado. Quem tem que denunciar é você aí em Brasília.

- Eu? Tá variando? Quem tem as informações, inclusive a localização do esconderijo é você e Dorinha. Eu sou um mero confidente seu.

- Das Américas, eu aqui lhe dando a oportunidade de sair do ostracismo e entrar para a história com uma informação privilegiada dessa e você arrega. Quem viu naninha! Não te reconheço mais naquele jovem e intrépido foca do Jornal da Pituba, nos idos dos anos da década de 1980, ao lado de feras como Zé de Jesus Barreto, Vander Prata, Césio Oliveira, Sonia Carmo, Jair Dantas, Sérgio Guerra, e dos saudosos Renato Pinheiro, Claude e seu guru Zé Roberto Berni. Que decepção.

- Peraí, Naturá! Você não tinha me passado o controle da história, queria inicialmente que eu fosse um delator,  indo à polícia para contar a trama. São coisas totalmente diferentes.

- Então trate logo de se reunir com esses jornalistas tipo Remington, seus amigos, e veja uma estratégia para revelar a trama nacionalmente. Lembre-se de que essa bomba tem que ser detonada no dia 1º de janeiro de 2023. Vai ser a notícia do ano. Minha parte eu quero em dinheiro. E vivo, viu! À moda Bolsonaro. Hahahahaha!

Como dizia Ibrahim Sued quando dava um furo jornalístico:  “Sorry, periferia."

Fui!

*Joãozinho Naturá é um amigo de infância que exagerou no desfrute do famoso chá de cogumelos do Recôncavo baiano e hoje vive entre a filosofia, a crença em extraterrestre e os devaneios. Conta que sonha coisas que muitas vezes acontecem. Vive na ilha de Nagé, em Maragogipe, Recôncavo baiano.