quinta-feira, 20 de outubro de 2022

No dia do Poeta: viva o amor, abaixo o ódio!

O filósofo Platão dizia que “não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele”. Soma-se a esse pensamento, a afirmação do cineasta Woody Allen de que “talvez os poetas estejam certos; talvez o amor seja a única resposta”.

Num mundo marcado pelo desamor, pelas guerras (frias e quentes), por pandemias, pelo ódio, preconceito, discriminação... talvez, realmente, a única boia salva-vidas seja o amor, no seu sentido mais amplo e irrestrito.

Mas, alguém com certeza irá dizer que isso é sonho, utopia. Pode até ser, mas é a ferramenta que os poetas mais usam para aliviar as dores e os sofrimentos que são facilmente encontrados em qualquer canto do mundo... Como diria Carlos Drummond de Andrade, desse “mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração”.

Quando o coração é vasto o mundo é infinito, eterno e a felicidade até existe. Nessa imensidão quem garante a luz, o calor, o assossego e a beleza é o amor bradado por tantos versos de poetas pelos séculos.

Hoje é Dia do Poeta. Nesta data, as homenagens e os agradecimentos são dirigidos àqueles que usam a palavra para acalmar os espíritos, destacar a beleza, confortar os aflitos e revelar os sonhos.

Poetas somos todos nós que temos amor no coração e bondade na alma. Platão estava certo. Woody Allen, também. Então, saudemos os poetas. Porta-vozes do amor, que é a porta de entrada para a felicidade. E a felicidade até existe...



Poetas
Itaney Campos
 
Tentar exprimir amor sem medo
Palavras soltas em uma rima
Às vezes sonoras que muito cedo
Parecem uma luta de esgrima
 
De um campeonato ou olimpíada
Onde se busca através de contatos
Atingir e deixar a alma lavada
Das mágoas e dos maus tratos
 
Poeta cria e ou modifica
Nossa visão de um mundo
Em que cada dia melhor fica
Se o nosso amor for mais profundo
 
 
Aos poetas
José Carlos Camapum Barroso
 
Somos poetas,
Maior ou menor,
Não importa.
No universo
Dos versos
Só a métrica
E o compasso
Resistem...
 
Subsiste
Apenas a dor,
Alegria contida
Num mar de amor.
Sorriso franco,
Fala mansa,
Olhar distante...
Observador.
 
Poetas, somos,
Como Drummond
Nos ensinou...
Ferro de Ferreira,
Bandeira à mão,
Pena nos dedos,
João no coração.
Thiago a cantar,
Lanterna à mão,
Versos na escuridão.
Somos poetas
Enquanto durar:
Dor de injustiça,
Guerra pela paz,
Fome de comer,
Sede de beber,
Razão para viver...
 
Poeta, somos,
Seremos, sempre,
Enquanto ser.


domingo, 16 de outubro de 2022

Ideologia fascista ataca cultura, educação e a religião

 

As maiores vítimas da ideologia do fascismo são, historicamente, a cultura e a educação. Outra sempre atacada, por proximidade com aquelas duas, é a fé cristã, a religiosidade das pessoas e o direito a professar sua crença de forma livre e independente. Essa foto, no muro de uma escola, na minha querida cidade Uruaçu, é um exemplo do ataque simultâneo à cultura, educação e à religiosidade.

A placa é um demonstração clara da visão fascista que tomou conta do Brasil com o advento do falso Messias, o Jair Bolsonaro, esse “ser abjeto”, como muito bem o qualificou o ex-ministro do STF Celso de Melo. Esse sujeito, de extrema-direita, como presidente da República cortou verbas da educação, da cultura e a cada dia mais agride e promete agredir nossos valores culturais, educacionais e religiosos.

Sobre a sensação e a percepção que podemos ter dessa malfada placa, prefiro levar aos leitores um texto publicado nas redes sociais. O texto fala por si. É um a reflexão interessante sobre esse momento confuso e, ao mesmo tempo, assustador que estamos vivendo. Que tragédia!



Jesus e a cruz verde-amarela 

Todo dia passo em frente a um lugar onde tem uma placa, com os dizeres: "Feliz é a Nação cujo Deus é o seu Senhor". Eu me alegro com essa mensagem, porque penso que Deus é amor e, consequentemente, as pessoas que usam esse discurso tem como meta propagar o amor por onde passam...

Mas, nessa placa, o que mais me intriga é a cruz pintada em verde e amarelo. Não consegui entender a mensagem. Fico com a impressão de que o estado brasileiro basicamente foi responsável pela crucificação de Jesus. Ou, se ele fosse brasileiro era isso que iria acontecer com Nosso Senhor, uma vez que a cruz é verde amarela...?

Por analogia, quando penso na cruz que Jesus carregou em seu calvário, logo me vem à mente que ele a ganhou, de forma compulsória, do Império Romano, pois era quem governava, naquela época. Então, no meu humilde entendimento, buscando um sentido lógico, não me parece que estamos sendo muitos receptivos a Jesus Cristo, ao pintarmos uma cruz em verde e amarelo, colocando nela a imagem do Filho de Deus. Passa a impressão de que a nação brasileira crucificou Jesus Cristo, ou crucificaria se tivesse oportunidade...

Se buscarmos a máxima de que Deus é brasileiro, a única coisa que faríamos diferente do Império Romano seria pendurar Jesus em uma cruz verde e amarela. Enfim, Jesus Cristo merecia uma placa melhor que não desse margem pra esse trágico entendimento que tenho. Jesus Cristo é o exemplo mais sublime do amor e sua representação em uma cruz verde amarela, acredito que não é uma representação muito lógica. Passa uma mensagem, no mínimo, estranha.


sábado, 8 de outubro de 2022

Águas passadas não movem moinho... e as palavras?

Palavras são palavras, nada mais do que palavras. Provérbio antigo, assim como: águas passadas não movem moinho. Ambos ficaram registrados na minha memória desde criança. Lembro, como se fosse hoje, da figura esquálida, inteligente, espirituosa, do jornalista e memorialista Filomeno Luiz França a dizer esses pensamentos, sentado na cozinha da casa dos meus pais, em rodas de conversas naquele tempo em que não havia televisão por lá.

Águas que se foram não moverão mais aquele velho moinho, engenhoso, de saudosa memória. Outras águas, provavelmente não tão límpidas e desprovidas de encanto, por ali passarão a desempenhar tal função.

As palavras, por si mesmas, se perdem no tempo e no espaço. Sempre foi assim, desde que o ser humano deixou de grunhir, trocou o ranço do murmúrio por sábias palavras, engendrou frases e construiu parágrafos. Por esse caminho, veio o canto, a musicalidade da espécie e a filosofia.

Moinhos movidos a água e vento são como literatura – poesia e prosa – que continua a gerar beleza, encantamento e a revolucionar o mundo e a nossa existência, mesmo quando as palavras já se foram. Águas passadas giram novos moinhos, produzem energia e seguem curso afora, incólumes, deslizantes e suaves como o sopro divino.

Águas e palavras são sonoras, de tonalidades átonas, preenchidas pela vogal “a”, a mesma que inicia a palavra amor. Dois termos que, quando sobrepostos, podem gerar expressões como agualavras e paralaguas. Se muito misturadas, sacudidas e soltas ao vento, moverão aqueles moinhos de Dom Quixote. Serão mais que palavras, além das águas, muito mais do que nada mais. Voltarão no tempo e seguirão rumo ao futuro.

Pensem nisso hoje e amanhã. O dia de ontem, não nos deixará seguir incólumes e nem nos deixará isolados, perdidos e soltos na imensidão da dúvida e do destempero.

Palavras são muito mais do que palavras. Águas passadas nos conduzem, sempre, à vida eterna.

Amém. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Obra de Akimi Watanabe reflete sobre "apagamentos femininos"

Existe um ditado, de autor desconhecido, que expressa muito bem o significado e a dimensão da obra da artista visual brasileira, descendente de japoneses, Akimi Watanabe: “A arte amplia o que é ser humano para além da sobrevivência diária”.

Essa luta diária, principalmente para as mulheres, tem um peso significativo no mundo das artes que se rebelam contra um determinado estado de coisas impostas no cotidiano, e que fazem parte da cultura de um povo. Nesse contexto, está situada e bem assentada a obra de Akimi, em exposição, nesta sexta-feira (7/10), às 19h30, no Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília.

A curadoria é de Rogério Carvalho. Nessa vernissagem, a artista apresenta 25 obras em colagem digital, impressas sobre papel ou canvas. Peças que tratam das imposições masculinas, impedimentos cotidianos e sobretudo dos apagamentos femininos nas culturas oriental e ocidental.

As obras foram elaboradas no intervalo pandêmico que impôs à reclusão, ao isolamento e ao olhar intimista direcionado a espaços que jamais receberiam tanta atenção. Foram tempos de introspecção e de análise aos pequenos detalhes. Surgiu, então, a pesquisa “Silenciamentos Indomáveis”.

Torna-se disruptivo ocupar espaços de importância em tempos sombrios, de tantas incertezas, e consequentemente, amplificar discussões sobre temas tão significativos.

Na apresentação dessa série a artista afirma que “as limitações apresentadas às mulheres, cotidianamente, foram o gatilho para que minha densidade genética fosse amplificada”. Desse modo, pondera que, em face às mazelas do mundo contemporâneo que impõem às minorias uma não-liberdade, “subverto essa construção de tanta violência ao materializar em minhas obras essa luta, ante um opressor intermitente”.

Akimi aborda também o assombro por não-verdades, pelo fato de vivermos em um ambiente onde garantias de liberdade de voz e corpo foram conquistadas no século XXI. Ela considera importante “o referendo que é necessário continuar abrindo espaço para manifestações autênticas de cultura, raça e gênero.”












Serviço:

Silenciamentos Indomáveis, de Akimi Watanabe

Galeria Parangolé- Espaço Cultural Renato Russo

Vernissage: 07/10 às 19h30

Visitação: de terça a domingo, das 10h às 20h

Até 20/11 

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Projeto cultural faz sucesso com o público jovem do DF

Se Liga, Juventude! faz sucesso no DF

Tem um projeto cultural fazendo um importante e belo trabalho junto ao público jovem do Distrito Federal. Trata-se do Se Liga, Juventude!, idealizado pela Agência de Transformação IECAP. Nesta quinta-feira (6/10), o consagrado fotógrafo Celso Junior estará em Ceilândia, no Centro de Juventude, participando de oficina de fotografia no âmbito do projeto.

O Se Liga, Juventude! oferece várias atividades a jovens entre 13 e 29 anos, apostando na evolução profissional e pessoal, valorização da identidade e autoestima através das artes, do convívio cultural e de diálogos psicossociais. É nesse contexto que o fotógrafo dará a sua contribuição.

Celso Junior - arquivo pessoal

“Tenho um prazer enorme em participar e colaborar com projetos de cunho social como este. Contarei um pouco da minha trajetória na fotografia, e espero levar, de alguma maneira, inspirações para esses jovens”, declara Celso.

A diretora-presidente do IECAP, Renata Oliveira, reforça que “ter um convidado especial como o Celso Junior fortalece a esperança dos adolescentes e jovens do projeto. É munir essa juventude com ferramentas de resiliência e uma história de inspiração como a do Celso traz aos meninos uma força imensa de ir mais longe em busca de seus sonhos”.

Fotografia feita por aluno do projeto

O profissional abordará sua trajetória no mundo da fotografia e falará também sobre o processo criativo, revelando aos jovens um pouco do seu olhar dessa arte tão encantadora. O encontro, sob a coordenação do instrutor Ian Nogueira e da monitora Leanna Abdon, contará com a participação de cerca de 50 alunos da escola, chegando também ao público de interesse através de transmissão via plataforma digital.

Além de proferir a palestra, Celso atuará como curador da exposição que compõe a Vila da Juventude, grande evento de fechamento da ação, marcado para 16 e 17 de novembro no SESC Taguatinga.

Jovens praticam criatividade

Ganhador de 16 prêmios de jornalismo, entre eles o Esso e o Vladimir Herzog, Celso Junior roda o mundo registrando ensaios memoráveis, sobretudo de casamentos. Ele também está à frente da galeria Celso Junior, no Lago Sul, onde expõe suas obras que retratam Brasília com um olhar único em fine art. Com uma carreira tão consolidada ao longo de mais de 20 anos de atuação, o profissional ainda é reconhecido por trabalhos em defesa da infância e juventude, motivo de convergência e colaboração com a IECAP.

Projeto em alta

Iniciado em abril de 2022, o Se Liga, Juventude! se encontra na reta final com a realização do último ciclo de oficinas de fotografia e teatro, intervenções cênicas nas escolas que receberam o projeto, passeios fotográficos, ida ao teatro, visita guiada ao Congresso Nacional e palestras, como a oferecida por Celso.

Participam da iniciativa as instituições CEF 35, CEM 2 de Ceilândia, o CEF 5 de Taguatinga, o CED 1 da Estrutural e os Centros de Juventude na Estrutural e na Ceilândia, envolvendo 1200 jovens em atividades presenciais e 700 no ambiente on-line.

Sobre o encerramento, a Vila da Juventude será uma celebração cultural, social e cidadã.  “Temos muito a comemorar. Os jovens se jogaram nesse aprendizado em busca de conhecimento, oportunidade e desenvolvimento pessoal e profissional. A construção de um mundo melhor é coletiva e passa pela responsabilidade social”, afirma Renata.

O Se Liga, Juventude! é viabilizado por leis de incentivo fiscal e pelo Grupo Santa e do Modalmais, plataforma de investimentos do Banco Modal.

 

Serviço:

Se liga, Juventude!

Palestra com o fotógrafo Celso Júnior

06 de outubro de 2022

Das 10h às 12h

Centro de Juventude de Ceilândia

Transmissão ao vivo: https://us02web.zoom.us/j/83840037307