terça-feira, 31 de maio de 2011

Alemanha abandona energia nuclear. O Brasil patina


A Alemanha vai manter usinas de carvão (foto) e de gás natural, investir em...

...energia renovável e acabar com as usinas nucleares (foto) até o ano de 2022
Este blog tem insistido na importância de uma profunda discussão sobre o tema energia nuclear, particularmente depois do acidente de Fukushima, no Japão, país que já anunciou ao mundo sua intenção de desistir de novos projetos nucleares (veja matéria aqui). Agora a Alemanha decidiu desativar todas as usinas de energia nuclear até 2022, consolidando a chamada “virada energética” por ser o primeiro país industrial a tomar tal decisão.
Cerca de 22% da energia produzida na Alemanha hoje vem de usinas nucleares. O plano anunciado pelo ministro do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, prevê que o país dobrará suas fontes renováveis, passando para 35% da sua produção. O restante continuará vindo de fontes como o carvão e o gás natural. O carvão preocupa os alemães por seu alto grau de emissão de CO2 na atmosfera, o que coloca em risco metas internacionais. Mas, o gás natural é uma opção melhor e possível de ser combinada com energia renovável.
A decisão alemã, mais radical do que o esperado, é histórica, e vem depois do anúncio japonês de acabar com seus planos de expansão nuclear. Também Suíça e Bélgica tomaram decisão semelhante à da Alemanha. Nos Estados Unidos, o início da construção de dois reatores foi simplesmente cancelado.
Enquanto isso o Brasil, como esse blog tem sistematicamente insistido, disse apenas que reavaliará a segurança dos reatores e os planos de expansão. Mas a usina nuclear de Angra III continua em construção e os planos para mais quatro usinas nucleares, ao longo do Rio São Francisco, ainda não foram descartados.
O Brasil tem um potencial invejável de recursos hídricos e biomassa, portanto, em condição de liderar esse processo de revolução energética, mas, por enquanto, está preferindo ficar na contramão. A presidente Dilma Roussef, que foi ministra da Energia no governo passado, tem na questão energética um caminho para consolidar seu estilo próprio de governo, afastando-se assim da sombra do ex-presidente Lula.
Técnicos favoráveis à continuidade dos investimentos em energia nuclear argumentam que o Brasil tem a maior reserva de urânio do mundo e reconhecido conhecimento tecnológico nessa área, o que nos daria a condição de não poder descartar a energia nuclear. Ora, o risco que corremos, depois de todas as decisões que estão sendo anunciadas mundo afora, é o de fazer pesados investimentos em uma opção tecnológica que, talvez, não tenha mais futuro. Isso sem falar dos riscos de uma tragédia nuclear semelhante à que ocorreu no Japão (veja matéria aqui).
No mínimo, no mínimo, o Brasil precisa abrir e estimular esse debate, rapidamente. Não podemos continuar preocupados apenas com os interesses de investidores que apostaram na opção nuclear. O que deve prevalecer é o interesse nacional. E isso, por enquanto, não está acontecendo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Segredo de mulher fica na bolsa ou no coração?

Costumo dizer que homem não presta e mulher é um ser complicado. Claro que, em ambos os casos existe exceção. Há homem que pode ser considerado boa pessoa, marido bom, pai exemplar, apaixonado, carinhoso (não vou colocar etc., porque começaria a ficar exagerado). Também existem mulheres descomplicadas, mas a maioria...
Só existe uma coisa mais complicada do que elas: a bolsa delas. Todo homem que foi, ou tenha sido, instado a procurar alguma coisa dentro de uma bolsa de mulher, sabe disso. Até elas mesmas têm dificuldade para achar qualquer coisa na bolsa, embora, evidentemente, não admitam.
O marido pergunta, assim:
- Oi, amor, você tem remédio pra dor de cabeça?
- Claro! Lógico. Procura aí na minha bolsa...
A partir desse momento, sua dor de cabeça tem boa chance de aumentar, ou desaparecer de vez.
- Benzinho, sua bolsa está onde?
- No guarda-roupa, né?
O camarada abre o guarda-roupa e, para sua surpresa, depara-se com oito ou dez bolsas de marcas, cores e tipos diferentes. E pergunta com aquela calma própria dos maridos:
- Em qual bolsa que está o remédio, querida? Aqui têm várias...
- Não é nessa porta. Está na bolsa que eu estou usando, lógico, né?
Com toda a paciência do mundo, ele abre a outra porta, mas se depara com duas bolsas.
- Tem duas bolsas aqui, em qual das duas...
- Estou usando a marrom, né! Mas você não repara em mim... Você não repara no meu vestido, na minha blusa, no meu sapato... No meu cabelo, então!
O maridão abre a bolsa marrom. Procura com todo o cuidado, mas não encontra o tal do remédio.
- Amor... Não achei o remédio. Você pode procurar, por favor.
- Eu sabia! Você não consegue encontrar nada. Não presta atenção!
Ela começa a procurar o remédio. Abre um compartimento, abre outro, e nada.
- Onde está esse remédio? Tenho certeza que eu coloquei aqui... Esta bolsa não presta, preciso comprar uma melhor... Esta vai me enlouquecer.
Joga tudo em cima da mesa: escova, pente, lenço, produtos de maquiagem, chave de carro, celular, carregador de bateria, espelho, carteira etc. (aqui cabe o etc.).
O último objeto a cair na mesa é o tal do remédio.
- Não falei que tava não bolsa. Se procurar direito...
- Amor, eu agradeço, mas acho que não vai precisar mais. A dor de cabeça já está passando.
- É?!? Mas a minha agora está começando... Quem vai tomar o remédio sou eu.

sábado, 28 de maio de 2011

Passado, presente e futuro de Bob Dylan

“O que é lento, logo ficará muito rápido. Como o presente, que mais tarde será passado”. Esta frase é de Bob Dylan (foto), então um jovem roqueiro, que neste mês de maio completou 70 anos de idade. Aquele momento de um dos maiores mitos da música mundial já é passado, mas estará sempre presente em nossas mentes e corações pela beleza de suas canções e o estilo marcante de cantar.
Bob Dylan, os Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, e tantos outros, fizeram nossas cabeças no final dos anos 60 e início dos 70. Embora tenha começado sua carreira em uma banda de rock e tenha influenciado roqueiros dos Estados Unidos e da Inglaterra, Dylan mergulhou fundo no folk music, influenciado pelo lendário cantor Woody Guthrie.
Blowin’ in the Wind, canção marcante dessa fase, ficou mais bela ainda na interpretação de Peter Paul and Mary. A canção é uma crítica ao status quo social e político do início dos anos 60. A Hard’s Rain a Gonna Fall fez sucesso durante a crise dos mísseis nucleares de Cuba, mas continua atual depois de tantas tragédias atômicas, especialmente a vivida atualmente pelo povo japonês.
Mr. Tambourine Man (postada, abaixo), Like a Roling Stones e Just Like a Woman são de outra fase de Bob Dylan, romântico e introspectivo, mas igualmente belas. Dylan foi admirado pelos Beatles, especialmente por George Harrison e John Lennon.
Neste final de sábado, ouvir uma canção de Bob Dylan é saudável e ajuda a comemorar seus 70 anos de vida. Dylan faz parte do nosso passado, presente e do futuro de tanta gerações.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sonata de Beethoven ajuda a superar o estresse

Ramiro, meu filho, chamou-me a atenção para a beleza da interpretação que o violonista Yehudi Menuhin (foto) e o pianista Wilhelm Kempff deram à Sonata de Beethoven para Violino e Piano nº 5 em Fá Maior. Além de advogado e bacharel em Filosofia, Ramiro tem uma admirável sensibilidade musical.
Ouvi com muita atenção e fiquei extasiado. Os dois músicos, que são conhecidos pela genialidade, tem em comum um estilo de interpretação muito forte, marcante – costuma-se até dizer que eles têm, no bom sentido, uma “mão pesada”. Quando interpretam Beethoven, então, esse aspecto sobressai.
Essa interpretação é simplesmente bela, por isso mesmo, eu quis dividir esse prazer com os amigos do blog. Durante aproximadamente dez minutos, desliguem seus celulares, afastem as preocupações, concentrem-se nessa interpretação e boa viagem. Vai fazer um bem enorme, durante todo o dia. Confiram.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Dia Nacional do Café, ou melhor, do cafezinho

Hoje é dia da paixão nacional. Uma das poucas que conseguem disputar com o futebol. Estou falando do café, essa planta milagrosa que nos propicia o tão badalado e amado cafezinho, de aroma que se escuta longe e sabor que nos leva para mais distante ainda.
Sou um apaixonado pelo café, embora tenha que tomar de forma regrada por recomendações médicas – é sempre assim, eles só nos proíbem as coisas boas. Minha admiração pelo café, assim como pelo rádio, vem dos tempos de criança, quando ficava a ouvir programas musicais no aparelho  localizado e sintonizado na cozinha. Além do aroma das comidas, escutava-se por lá o cheiro bom de um cafezinho preparado no fogão de lenha.
O jornalista Romoaldo de Souza é um felizardo. Conseguiu juntar seu talento de radialista a uma inigualável paixão pelo café. Tem programa de rádio sobre o produto, é juiz oficial da Associação de Baristas do Centro Oeste e tem um blog com o agradável título de Café & Conversa (http://www.cafeconversa1.blogspot.com/).
Em homenagem ao Dia Nacional do Café, ao amigo Romoaldo e a todos os apreciadores da bebida, segue abaixo um poema sobre o produto e a música Sinfonia do Café, de Humberto Teixeira. Apreciem.


Simplesmente café
(José Carlos Camapum Barroso)

Café bebida boa
Que não apenas se cheira,
Escuta-se de longe...

Café bom bebe-se,
Cheira-se, como vinho.
Café com leite
Mistura de raças
E aliança política

Café e rádio
Café e rapé
Rosário de café
Simplesmente... Café.
Café Filho e pai
De gerações e ilusões.

Café planta,
Plantação
Que encanta.
Torrado e moído,
No vácuo,
Em cápsula que excita.
Café afrodisíaco.

Café e conversa,
Em prosa e versos.
Com chocolate,
Um bate papo cremoso...
Simplesmente café.
Eternamente, café.

domingo, 22 de maio de 2011

Neve da Montanha e a canção de Baden Powel


O arbusto neve-da-montanha, também conhecido com cabeleira-de-velho ou cabeça-branca, cientificamente denominado Euphorbia Leucocephala, mostrou toda sua força e beleza neste domingo frio e com cara de inverno. Ele floresce no outono-inverno, quando perde as folhas. Então, as pequenas flores brancas, em formato de estrela (foto menor), circundadas por brácteas vistosas, de coloração branco-creme, passam a formar a copa do arbusto e propicia esse espetáculo maravilhoso que estamos presenciando aqui em casa.

Resolvi compartilhar esse momento com os amigos, principalmente com aqueles que curtem as belezas naturais e sabem o quanto precisamos preservá-las. Esse cabeça-branca foi plantado por minha sogra Odessa (aquela que pulou a cerca, se não lembram clique aqui), nos tempos em que ela nos deu a graça de sua presença em nossa casa. Depois, deixou-nos para plantar suas mudinhas em outras terras, tão distantes, mas que, em alguns momentos, nos parecem tão próximas.

O arbusto é belo e agradável, mas, como tudo na natureza, esconde seus mistérios. Tem uma seiva tóxica e não deve ser plantado em locais por onde circulem crianças e animais domésticos. Quando se vai podá-la, recomenda-se o uso de luvas para prevenir irritações da pele.

Minha sogra também deixou sua colaboração inestimável ao plantar um pé de dama-da-noite, que exala aquele cheiro adocicado, mas isso é outra história...
Para fechar o domingo, e aguardar a segunda-feira bruta de forma bem amena, é bom ouvir a voz doce e graciosa de Sílvia Maria, cantando Canção das Flores, acompanhada pelo violão inesquecível de Baden Powell, autor da música em parceria com Paulo César Pinheiro.



Furacão vai arrasar no Carnaval dos Amigos

Nássara foi compositor popular e caricaturista de talento
Agora está ficando bem pertinho. Só faltam 265 dias para o Carnaval dos Amigos, que acontece há nove anos, em Goiânia, no sábado anterior ao sábado de Carnaval. No ano que vem será no dia 12 de fevereiro. A última vez que escrevi sobre essa festa (clique aqui) faltavam 347 dias, lembram? 
Esse nosso encontro anual veio à minha memória depois de ouvir a bela marcha carnavalesca Furacão, de Antônio Nássara e Haroldo Lobo, composta em 1940 e regravada no CD Sopa de Concha, na voz de Hélio Ziskind e Ná Ozetti. Ela tem o perfil das marchinhas que animam o Bloco dos Amigos, lá no Flamingo, enquanto a bandinha carnavalesca não chega (clique aqui para ouvir a marcha-enredo do bloco).
Essa tradição dos blocos de ruas, embalados por marchinhas, frevos e sambas de enredo, está ganhando força pelo Brasil afora – felizmente, para quem gosta de um bom e saudável Carnaval.
Haroldo Lobo, pai de Edu Lobo, é um compositor consagrado, autor da maravilhosa Chuvas de Verão, regravada por Caetano Veloso. Antonio Nássara, além de compositor, foi caricaturista de vários jornais e revistas. Na década de 70, seus desenhos saiam no Pasquim. Era vizinho de Noel Rosa, na Vila Izabel, e compôs muitas canções com o poeta da Vila e também com Ary Barroso e Lamartine Barros. Nássara venceu vários concursos de músicas carnavalescas nos anos 30.
A música, que reproduzo abaixo, retrata o típico humor carioca, que resiste a todas intempéries, inclusive a essa visão de um furacão atingindo o Rio de Janeiro. Cai uma pedra na cabeça e como está doendo pra chuchu, é bom chamar o doutor lá na farmácia. O arranjo é de Swami Júnior e lembra os desenhos animados de antigamente, misturando sopros, percussão e cordas. Confiram no áudio abaixo e leiam a letra.
(Dever de casa para os amigos do Bloco dos Amigos: decorar a letra pra ser cantada no Flamingo).

Furacão
(Antônio Nássara e Haroldo Lobo)

O furacão derrubou meu barracão
Caiu uma pedra e um tijolo na cabeça
Tô machucado, tá doendo pra chuchu
Ai, Ai, Ai que dor
Vai na farmácia que eu preciso de um doutor

A ventania começou quando eu dormia
Acordei, não vi o dia, era tudo escuridão
Eu levantei e fiz pelo sinal da cruz
Quis acender a luz, não encontrei o lampião
Uh! Uh!
E é assim que fazia o furacão.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Música brasileira é um verdadeiro açúcar de colher

Quando a gente pensa que sabe alguma coisa, sabe nada. Ary Barroso (foto) fez uma bela canção em 1938, chamada Meu Amor Não Me Deixou, que só se tornou conhecida o ano passado, quando o pessoal do Rumo aos Antigos reuniu-se para gravar canções pouco ou nada conhecidas da Era do Rádio (para saber mais, clique aqui).
Outra pérola, até o ano passado pouco conhecida, é a música que dá título ao CD. Sopa de Concha foi composta por Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano – este um compositor de extraordinário talento; aquele, além de compositor, foi um pianista maravilhoso.
A verdade é que a gente vai descobrindo todas essas maravilhas e se conscientizando da grandeza da música brasileira, que tem cacife para ser comparada à música americana. Ary Barroso, um exemplo típico dessa riqueza nacional, com sua universal Aquarela do Brasil, era mineiro de Ubá e compôs canções belíssimas sobre temas da Bahia, como O Tabuleiro da Baiana e Quindins de Yayá.  
Pedro Caetano nasceu em São Paulo, na cidade de Bananal, mas era carioca da gema, não apenas porque se mudou para o Rio de Janeiro com apenas nove anos, mas por ter incorporado, à sua sensibilidade musical, o samba e o choro. Compôs sambas conhecidos, como Onde Estão os Tamborins?, imortalizando os versos “Mangueira, onde é que estão os tamborins, ó nega/ Viver somente de cartaz não chega/ Põe as pastoras na avenida, Mangueira querida”.
O pessoal do Rumo esteve no Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, e cantou as duas canções, com acompanhamento belíssimo dos músicos que gravaram o CD. Vejam e ouçam as duas interpretações abaixo. A primeira Meu Amor Não Me Deixou, de Ary Barroso, a canção que abre o CD. Depois, Sopa de Concha, de Alcyr e Pedro Caetano, para não esquecermos que a vida pode até não ser doce, mas a nossa música é "açúcar de colher".



quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Museu Nacional no Dia Mundial do Museu

Fotos do Museu Nacional feitas pelo fotógrafo Pedro Ventura
No Dia Mundial do Museu, a pergunta que se pode (e se deve fazer) aqui em Brasília é se o Museu Nacional, inaugurado em dezembro de 2006, tem motivos para comemorar. Embora inaugurado há quase cinco anos, o MUN, como é conhecido, só começou a exercer, de fato, suas atividades museológicas a partir de abril de 2007, quando foi criada a Comissão Especial do Conjunto Cultural da República.
A partir de então, foi possível promover exposições museológicas, constituir acervo próprio e iniciar, com esse acervo, trabalhos de pesquisa, documentação, conservação e comunicação. O número de visitantes por ano saltou de menos de 150 mil, em 2007, para mais de 460 mil, em 2010.
O setor cultural, proposto por Lúcio Costa no relatório do Plano Piloto de Brasília, em 1957, começou a sair do papel, em 2002, quando começaram as construções do Museu Nacional e da Biblioteca da República, no lado sul da Esplanada dos Ministérios, entre a bela Catedral de Brasília e a esdrúxula e ultrapassada Rodoviária do Plano Piloto.
A assessoria de comunicação do MUN garante que, “como fomentador da economia da cultura, que se propõe ser, o Museu Nacional tem realizado inúmeras exposições temporárias, seminários, workshops, mostras de filmes, festivais de teatro e várias outras atividades de caráter cultural e social, tanto nacionais como internacionais”.
Em pronunciamento recente, a presidenta Dilma Rousseff defendeu a necessidade de se transferir obras que estão guardadas em órgãos públicos, não expostas, para o Museu Nacional, onde poderão ser preservadas adequadamente e apreciadas pelo público. Uma proposta interessante, mas que precisa ser colocada em prática de fato e urgentemente. Projeto, nesse sentido, inclusive, foi apresentado pelo então deputado Tadeu Filippelli, hoje vice-governador do Distrito Federal, em março de 2004, na Câmara dos Deputados.
Hoje, dia 18 de maio, o Dia Mundial do Museu passou em branco. O governo federal perdeu uma boa oportunidade para anunciar medidas práticas que pudessem atender ao apelo da presidenta Dilma. O MUN evoluiu nesses últimos cinco anos, mas pode, e precisa evoluir muito mais.
Brasília, tão carente nessa área cultural, agradece. O belo e imponente projeto do arquiteto Oscar Niemeyer passará a ser, além de um cartão-postal, mais uma referência para a cultura brasileira.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Limpeza da Ponte JK atrai as lentes do fotógrafo


Já escrevi neste blog sobre a operação para limpeza da Ponte JK (para ler mais, clique aqui), um dos belos cartões-postais de Brasília. Também publiquei algumas fotos de Ronaldo Silva, nosso amigo Ferreirinha, que tem um olho mágico para as coisas que acontecem em Brasília e que identificam a cidade (para ver mais fotos, clique aqui).
Agora vejam o que o Ferreirinha aprontou, neste final de semana. Fotografou, de helicóptero, o trabalho inédito que vem sendo feito na Ponte JK pela equipe Pêndulo, de Rapel, por funcionários da Novacap e por militares do Corpo de Bombeiros. Estas belas fotos mostram a dimensão dos arcos, a beleza plástica da ponte, que está voltando a ficar branca, sua cor original, que estava ofuscada pela fuligem e pela poeira.
A parceria garantiu economia de pelo menos dois milhões de reais aos cofres públicos, que seriam gastos caso a ponte tivesse que receber nova demão de tinta. Nova pintura, se necessária, será feita daqui a dois anos. A parceria foi uma ideia da Novacap – empresa que tem uma história que se confunde com a de Brasília.
A Novacap foi a menina dos olhos de Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro e tantos outros administradores e engenheiros, que ajudaram a construir a capital da República. Milhares de cidadãos de Brasília têm algum tipo de identificação com a empresa, que é o braço direito da administração pública.


sábado, 14 de maio de 2011

Violão apreendido é salvo pelos versos do poeta

Contam os paraibanos – eu conheço muitos que são dignos de crédito – que em um dia qualquer, na cidade de Campina Grande, no interior do Estado, alguns cidadãos que faziam uma serenata, foram presos. Embora liberados no dia seguinte, o violão ficou detido. Ao tomar conhecimento do acontecido, o poeta Ronaldo Cunha Lima enviou uma petição ao Juiz da Comarca, em versos, solicitando a liberação do instrumento musical. O juiz não se fez de rogado e, tão logo soube da petição, respondeu também em versos. Vejam as duas publicações, que são bem conhecidas no Nordeste, mas pode ser que algum leitor do ZecaBlog não as conheça. Divirtam-se.

Senhor Juiz  
Roberto Pessoa de Sousa  

Ronaldo Cunha Lima 


O instrumento do "crime" que se arrola  
Nesse processo de contravenção  
Não é faca, revolver ou pistola,  
Simplesmente, Doutor, é um violão.  
   
Um violão, doutor, que em verdade  
Não feriu nem matou um cidadão  
Feriu, sim, mas a sensibilidade  
De quem o ouviu vibrar na solidão.  
   
O violão é sempre uma ternura,  
Instrumento de amor e de saudade  
O crime a ele nunca se mistura  
Entre ambos inexiste afinidade.  
   
O violão é próprio dos cantores  
Dos menestréis de alma enternecida  
Que cantam mágoas que povoam  a vida  
E sufocam as suas próprias dores.  
   
O violão é música e é canção  
É sentimento, é vida, é alegria  
É pureza e é néctar que extasia  
É adorno espiritual do coração.  
   
Seu viver, como o nosso, é transitório.  
Mas seu destino, não, se perpetua.  
Ele nasceu para cantar na rua  
E não para ser arquivo de Cartório.  
   
Ele, Doutor, que suave lenitivo  
Para a alma da noite em solidão,  
Não se adapta, jamais, em um arquivo  
Sem gemer sua prima e seu bordão  
   
Mande entregá-lo, pelo amor da noite  
Que se sente vazia em suas horas,  
Para que volte a sentir o terno açoite  
De suas cordas finas e sonoras.  
   
Liberte o violão, Doutor Juiz,   
Em nome da Justiça e do Direito.  
É crime, porventura, o infeliz  
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?  
   
Será crime, afinal, será pecado,  
Será delito de tão vis horrores,  
Perambular na rua um desgraçado  
Derramando nas praças suas dores?  
   
Mande, pois, libertá-lo da agonia  
(a consciência assim nos insinua)  
Não sufoque o cantar que vem da rua,  
Que vem da noite para saudar o dia.  
   
É o apelo que aqui lhe dirigimos,  
Na certeza do seu acolhimento  
Juntada desta aos autos nós pedimos  
E pedimos, enfim, deferimento. 


Despacho do juiz
Roberto Pessoa de Souza


Recebo a petição escrita em verso  
E, despachando-a sem autuação,   
Verbero o ato vil, rude e perverso,   
Que prende, no Cartório, um violão.  
   
Emudecer a prima e o bordão,  
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,  
É desumana e vil destruição  
De tudo que há de belo no universo.  
   
Que seja Sol, ainda que a desoras,  
E volte à rua, em vida transviada,   
Num esbanjar de lágrimas sonoras.   
   
Se grato for, acaso ao que lhe fiz,  
Noite de luz, plena madrugada,   
Venha tocar à porta do Juiz.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Japão desiste de usina nuclear. Brasil foge do debate


Naoto Kan viu a tragédia japonesa de perto e quer trocar a opção nuclear...


... Por fontes de energia limpas e renováveis. Já o Brasil foge da discussão
Dois meses depois do terremoto e do tsunami que causaram a maior crise nuclear do Japão pós-guerra, o premier Naoto Kan anunciou que o seu país não vai mais construir usinas nucleares. Os japoneses vão investir em energia renováveis, como a eólica e a solar, além de aumentar seus esforços na conservação de energia. O Japão vai começar do zero na criação desses novos projetos e deverá continuar dependente de energia nuclear por um bom tempo.
Este blog tem procurado levantar o debate sobre o tema (veja matéria publicada aqui), por entender que o Brasil precisa abrir essa discussão imediatamente. Mas isso, até agora, não aconteceu de forma clara e inequívoca. Ao contrário dos japoneses, não vamos começar do zero nesse universo de energias alternativas ao petróleo e às usinas nucleares. Nosso patamar está bem acima do japonês.
O Brasil já tem um forte potencial de energia hidroelétrica instalada, que corresponde a 68% de toda energia gerada no país, e ainda tem capacidade para novas instalações. Os japoneses não contam com esse potencial. Além disso, o Brasil tem boas condições para produção de energia eólica e solar.
Enquanto o Japão decide mudar de rumo, o Brasil parece insistir na construção de mais quatro usinas nucleares ao longo do rio São Francisco - o Velho Chico de tantas batalhas pela sobrevivência. A discussão que precisa ser implantada agora é a da mudança de cultura, em busca de soluções para a era pós-petróleo, sem apostar no viés nuclear.
O Japão, que é tão dependente de energia nuclear, dá a volta por cima e parte para enfrentar novos desafios. Mas o Brasil prefere dar a volta por baixo, insistindo em velhos projetos e impedindo que a discussão sobre novas alternativas se instale.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe só se tem uma, mas eu tenho várias...


Mãe só se tem uma é bastante questionável, pois tenho minha mãe Iracema, que me trouxe para este mundo e permitiu que eu chegasse aonde cheguei, sendo responsável por tudo que tenho de bom (nem sei se é muito), mas as coisas que tenho de mais ou menos, ou abaixo disso, são conseqüências das fraquezas do ser humano. Outra mãe na minha vida é a mãe dos meus filhos, a Stela, com quem tenho a felicidade de conviver por um tempo que parece muito, mas é pouco. Tornou-se mãe no ano de 1983, quando nasceu o Ramiro; depois veio o Jordano e o lado maternal consolidou-se para sempre. Mãe dedicada e sempre presente, mesmo quando está fisicamente distante.

As outras mães são as mães dos meus sobrinhos, com as quais sempre convivi muito de perto: Juracema, Celiana, Ceres Maura, Jane Elmar, Mércia, Vagna e Elizabeth. Acompanho as alegrias delas, seus orgulhos com os filhos, seus sofrimentos e a luta diária para que seus pupilos e pupilas sejam mais do que elas conseguiram ser nesta vida. (Algumas foram até meio irresponsáveis, pois confiaram a mim o status de padrinho de alguns deles). Tem também umas mães mais apressadinhas, que se anteciparam às que seriam as mães dos meus netos, trazendo para este mundo os meus sobrinhos-netos. São elas Tatiana e Ludmila, mães do Filipe e da Luisa. Novinhas, mas plenamente aptas para essa difícil e árdua tarefa.

Existem outras mães que circundam o meu universo. São as primas que se tornaram mães e as mães dos meus primos, com os quais tive uma convivência muito próxima, desde os tempos de criança. São elas: Maria Enoy, Marília, Josefa, Vandira, Irani, Julieta, Vildean, Maria Camapum, Cleomar, Zizi, Dolores, Raimundinha, Constância, Miriam, Neuza, Angelina e Terezinha Barroso (tia Tetê). Algumas delas já nos deixaram cheios de saudades, mas felizes porque temos a certeza de que cumpriram suas missões. Foram também um pouco mãe para mim e me ajudaram muito.

Saúdo todas elas neste dia cheio de simbolismo, embora se possa dizer que é apenas um dia comemorativo para quem merece ser homenageada durante todo o ano. Acrescento nesta felicitação também as mães dos primos mais distantes, dos que se tornaram primos a partir da minha convivência com a Stela, das mães dos meus amigos, das amigas que se tornaram mães (Margot, in memoriam), dos colegas de trabalho e de profissão, dos conhecidos e desconhecidos e, principalmente daquelas mães que tiveram a dor de perder um filho – em nome delas saúdo minha sogra, que já nos deixou, mas teve que passar por essa provação. Não esqueço jamais de suas palavras: “Deus me permita que eu nunca mais passe a dor de perder um filho”. Minha forma de homenagear as mães é pedir a Deus que conceda a todas elas pelo menos a metade da felicidade que desejam para os filhos. Amém.

Outro ser
José Carlos Camapum Barroso

Quem me dera dar à luz
Um filho. Iluminá-lo pela vida.
Dar a ele carinho protetor,
Esconder dele o pesadelo
E trazer o sonho do amor.
Acordar de madrugada
Abraçando sua presença,
Temendo pela ausência,
Livrá-lo do mal e da dor.

Quem me dera alimentar
Um filho com o próprio leite...
Protegê-lo com o sangue
Que jorra suave das veias.
Embalsamá-lo, se preciso,
Pra amá-lo eternidade afora.
Sem perder seu sorriso,
Nem escorrer gota de lágrima,
Trazê-lo antes de ir embora.

Quem me dera ter e ser
Tudo isso, Senhor, em vida.
E sonhar com a felicidade
Que das estrelas cadentes
Um dia tornar-se-ia desejo.
Noutra dimensão do sonho,
Este ser, então benfazejo,
Agora mais que humano,
Seria simplesmente mãe!




sábado, 7 de maio de 2011

Sopa de Concha mostra a grandeza da Era do Rádio

Geraldo Leite (na ponta esquerda) reuniu o Rumo aos Antigos novamente
A riqueza da música popular brasileira é de arrepiar e enlouquecer a gente. No ano passado, o pessoal que formou, no final da década de 70 e início dos anos 80, o grupo Rumo aos Antigos, reuniu-se e gravou um belíssimo CD pela Biscoito Fino, chamado Sopa de Concha. Toda a turma apresentou-se para o trabalho, baseado em uma pesquisa musical a cargo de Geraldo Leite: Na Ozzetti, Luiz Tatit, Hélio Ziskind, Gal Oppido, Paulo Tatit, Pedro Mourão, Zecarlos Ribeiro e Akira Ueno.
O espírito deste CD é o mesmo que norteou os trabalhos daquela época. Buscar músicas inéditas, ou pelo menos pouco gravadas, dos anos 30 e 40, a época de ouro do rádio e de uma riqueza musical impressionante. Geraldo foi ao Instituto Moreira Salles e encontrou diversos registros que mereciam regravações. No primeiro momento, a pesquisa selecionou 80 gravações até chegar às quinze que compõem o CD, executando um trabalho criterioso e detalhista.
Poucas pessoas conhecem a maioria das músicas que estão no CD. Geraldo conseguiu registros extraordinários da Era do Rádio, gravados em 78 rotações. No repertório, estão artistas do quilate de Ataulfo Alves, Assis Valente, Ary Barroso, Lamartine Babo, Wilson Batista, Pedro Caetano, Haroldo Lobo (pai de Edu Lobo) e até Noel Rosa, que aparece em parceria com Hervé Cordovil, em Não Resta a Menor Dúvida.
Para se ter uma pequena ideia da beleza desse trabalho, ouçam abaixo o grupo interpretando Pierrot Apaixonado, ainda nos primórdios do surgimento Rumo aos Antigos. No segundo, a presença deles no programa do Rolando Boldrin, alguns anos depois, retornando com o belo CD Sopa de Concha, e mostrando a canção Menina das Lojas. É lindo demais! Confiram.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ciro e a receita para virar casaca de neném

Ciro Monteiro é uma das mais belas páginas da história da música brasileira. Cantor de extraordinário talento, além de afinado, tinha ritmo e um jeito particularíssimo de cantar, principalmente pela capacidade de oscilações em torno da nota (vibrato) e de brincar com a divisão rítmica. É exaltado até hoje por todos que o conheceram, por ter sido boa pessoa, bom caráter e simpático.
Imortalizou o uso da caixinha de fósforo no acompanhamento do samba, que virou sua marca registrada. Era sobrinho de Nonô, que acompanhava Sílvio Caldas e foi um dos mais famosos pianistas do Rio de Janeiro. Entre os sobrinhos conhecidos, Ciro teve Andiara, Araken, Moacir e Cauby Peixoto.
Além da música, sua paixão também era o futebol – flamenguista roxo. Conta-se que ele se gabava de ser liberal, ao deixar seus filhos escolherem, livremente, por qual clube iriam torcer. Fazia, seguidamente, o seguinte teste com os filhos que começavam a ficar grandinhos.
Punha, em cima da mesa, dezenas de flâmulas de futebol para que a criança escolhesse, democraticamente, qual seria o seu time. Aquela que ela retirasse, corresponderia ao clube do seu coração dali pra frente. Contava essa história com muito orgulho, depois, suspirava, e dizia: “ainda bem que lá em cima da mesa, eu só punha flâmulas do Flamengo...”
Quando nasceu Sílvia, a filha de Chico Buarque e Marieta Severo, Ciro Monteiro deu-lhe de presente o manto sagrado: a camisa do Flamengo. Chico, torcedor apaixonado do Fluminense, deu o troco, ao compor uma música pra que Ciro gravasse.
Mas, deixemos que o próprio Ciro conte essa história engraçadíssima e curiosa, nessa relíquia de vídeo abaixo. No ano de 1972, em uma mesa de bar, ao lado da exuberante Elke Maravilha e da cantora Carminha Mascarenhas, com Lúcio Alves e Sérgio Cabral também na mesa, o cantor, no seu estilo bem carioca, conta como nasceu a música Receita para Virar Casaca de Neném, e a interpreta com todo seu talento. Confiram e vejam a letra.



Ilmo Sr. Ciro Monteiro ou

Receita Pra Virar Casaca de Neném

Ciro Monteiro

Composição : Chico Buarque

Amigo Ciro
Muito te admiro
O meu chapéu te tiro
Muito humildemente
Minha petiz
Agradece a camisa
Que lhe deste à guisa
De gentil presente
Mas caro nego
Um pano rubro-negro
É presente de grego
Não de um bom irmão
Nós separados
Nas arquibancadas
Temos sido tão chegados
Na desolação
Amigo velho
Amei o teu conselho
Amei o teu vermelho
Que é de tanto ardor
Mas quis o verde
Que te quero verde
É bom pra quem vai ter
De ser bom sofredor
Pintei de branco o teu preto
Ficando completo
O jogo da cor
Virei-lhe o listrado do peito
E nasceu desse jeito
Uma outra tricolor

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Noel Rosa não morreu dia 4 de maio. Nem morrerá

Noel Rosa morreu há exatos 74 anos. Hoje é dia do seu aniversário de morte. Pelo menos é o que está escrito em todas as suas biografias. 
Mas, se olharmos de forma mais atenta, veremos um compositor de extraordinário talento, com uma criatividade invejável. Não chegou a completar 27 anos de idade e dedicou plenamente apenas sete anos de sua vida à carreira artística. Foram anos suficientes para deixar 259 canções que desafiam o tempo, o modismo e são reconhecidas até hoje como verdadeiras obras-primas.
Noel era um cronista atento de sua época. Desenvolvia letras e melodias com sagacidade, humor fino e uma equilibrada dose de ironia. Levou o samba para o rádio, o meio de comunicação mais popular da época e, graças ao extraordinário talento, acabou com a distância que existia entre o samba do morro e a música da cidade.
Nos versos de Noel, “o samba, na realidade/ não vem do morro/ nem lá da cidade/ e quem suportar uma paixão/ sentirá que o samba, então/ nasce do coração”.
Um dos mais profundos mergulhos na vida e obra de Noel foi lançado em 1990, pela editora UnB, e assinado por João Máximo (jornalista) e Carlos Didier (músico): Noel Rosa – uma biografia. O livro só ficou em catálogo até o ano de 1994, depois de ter vendido 15 mil exemplares. Foi proibido de circular justamente pelos herdeiros de Noel.
Por ironia do destino, Noel tinha escrito os seguintes versos: “Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém/ Eu vivi devendo a todos, mas não paguei ninguém”. Todo o belo trabalho encadernado no livro virou artigo de colecionadores. Nunca mais pode ser reeditado. Eu sou um privilegiado, por isso, meu exemplar fica bem guardado (veja foto da capa).
Para homenagear Noel Rosa, que viveu apenas 26 anos e cinco meses, nada melhor do que ouvir o seu Último Desejo. É bom para fechar esta noite de quarta-feira. No vídeo abaixo, a última cena do filme Noel – o poeta da Vila, que foi baseado no livro que está proibido pelos “herdeiros” de Noel. A voz é do mestre Wilson das Neves. Depois de ver esse vídeo e ouvir Último Desejo é possível dormir em paz, porque se tem a certeza de que Noel Rosa não morreu, nem morrerá.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Parceria inédita garante limpeza da Ponte JK




Uma parceria inédita foi montada para limpar a Ponte JK, um dos belos cartões-postais de Brasília. A equipe Pêndulo, de Rapel, a Novacap e o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal juntaram-se para a realização dessa façanha (veja fotos acima). Os arcos da ponte chegam a ter altura de 62 metros (foto abaixo) e nunca haviam sido limpados, desde a inauguração do monumento, em 15 de dezembro de 2002.
A equipe de Rapel ficou com a limpeza da parte mais alta dos arcos, e a Novacap e Corpo de Bombeiros com as partes mais baixas. Foi feito um esquema inédito de ancoragem para garantir a segurança dos participantes (veja desenho abaixo).
A Ponte JK e o arquiteto Alexandre Chan, autor do projeto, já ganharam diversos prêmios, em várias partes do mundo, pela beleza da obra e pela estrutura diferenciada. A ponte tem quatro apoios com pilares submersos, o que dá a sensação de que os arcos estão soltos na água. Os três arcos assimétricos e localizados em planos diferentes também participam da sustentação da ponte, por meio de cabos tencionados, colocados de forma cruzada.
A operação de limpeza é realizada sempre aos domingos, com o fechamento da ponte em todos os sentidos. A conclusão dos trabalhos está prevista para o dia 22 deste mês. O local tornou-se um ponto de atração turística de Brasília, o que fez surgir uma área de lazer próxima à ponte.


domingo, 1 de maio de 2011

Esqueceram de Hitchcock no dia do casamento real

O aniversário de morte de Hitchcock foi esquecido pela mídia
O casamento do príncipe William e da plebéia Kate Meddleton chega finalmente a este blog, mas por motivos bem diversos daqueles que quase enlouqueceram comentaristas e jornalistas colonizados por portugueses, mas que adorariam se o Brasil tivesse sido colonizado por ingleses, o que os tornariam súditos da rainha. Eu como descendente de português, meus bisavós eram de Portugal, não tenho a mínima pretensão de trocar o sangue rubro pelo azul.
Não só os brasileiros, mas também  jornalistas de todo o mundo, inclusive da Inglaterra, deixaram de destacar um fato relevante que deve ser relembrado sempre no dia 29 de abril. Nesse dia, no ano de 1980, morreu um dos maiores cineastas da história do cinema mundial: o inglês, assim com o príncipe e a plebéia, Alfred Hitchcock, o mestre do cinema de suspense.
Sem preconceitos contra realezas, uma das atrizes preferidas do cineasta inglês era a bela e talentosa Grace Kelly, princesa de Mônaco, que deslumbrou o mundo em Disque M para Matar, Janela Indiscreta e Ladrão de Casaca. Kate Meddleton também é linda de se admirar. Não sabemos, ainda, se tem algum talento especial para artes, mesmo tendo sido formada em História das Artes. Talvez até o tenha, mas pode ter ficado sufocado por esses duros anos de vida plebéia... Agora, vai ser diferente. Vamos aguardar.
Para Hitchcock, a princesa Grace Kelly tinha talento, além de beleza
Hitchcock encantou o mundo pela sua genialidade em filmes como Psicose, O Homem que Sabia Demais, Um Corpo que Cai, Os Pássaros, além dos três citados acima e tantos outros. Inspirou todas as gerações de cineastas voltados para o filme de suspense que vieram depois dele.
Embora tenha feito filmes geniais, nunca ganhou um Oscar. Envergonhada com tal fato, a Academia deu a ele, em 1967, o prêmio Irving G. Thalberg, pelo conjunto da sua obra. Foi o cineasta que melhor soube definir a diferença entre mistério e suspense. Enquanto que no primeiro ninguém sabe o que está para acontecer, no segundo, apenas os personagens da trama desconhecem o acontecimento, enquanto a platéia sabe o que está para acontecer.
Seus filmes continuam atuais e continuarão sempre para aqueles que acreditam ser a arte e todas as manifestações culturais muito superiores a eventos regados a pomposidades e falsos valores.
Pouco antes de morrer, tornou-se sir Alfred Hitchcock, ao receber o título de Cavaleiro Comendador do Império Britânico. Levou para o túmulo muitas outras grandezas além dessa. Milhões de apaixonados pelo cinema, no mundo inteiro, sabem disso.
Para que não nos esqueçamos de sua genialidade, e também de atores e atrizes que habitaram o universo hitchcockiano, vamos ouvir a bela Doris Day, que aparece no vídeo abaixo cantando Que Será, Será, com cenas do filme.