quinta-feira, 28 de julho de 2022

Agosto começa com bela homenagem ao artista Clodo

Mês de agosto começa, este ano, com bons fluidos para ajudar a superar a máxima de que é o mês do desgosto. Já no dia 2, uma terça-feira, o mundo cultural tem um encontro marcado com uma celebração cênica, poética e audiovisual, cantada em versos e contada em boa prosa, na batida do coração.

Trata-se do espetáculo Clodo - A Revelação, com a cantora Sandra Duailibe, um projeto, com recursos do FAC, sobre a obra do compositor, cantor e instrumentista Clodo Ferreira, em 2 de agosto, às 20 horas, no CTJ Hall, em apresentação única. 

Clodo é conhecido pelo valor da sua obra e por ter constituído o trio Clodo, Climério e Clésio, os irmãos piauienses, que fizeram sucesso no mundo musical, a partir da década de 1970. O irmão do meio, Clésio, no deixou mais cedo do que o combinado, em julho de 2010. Para se ter uma ideia do valor dos três, Nara Leão só compôs uma música em sua carreira, a canção Cli-Clé-Clô, em homenagem aos três irmãos compositores. Foi gravada no álbum Romance Popular, de 1981.

Sobre o homenageado, a cantora Sandra diz que o conheceu, pessoalmente, há 22 anos. “Foi um presente de Deus. A convivência me fez ver nele, além do artista que já admirava, um homem digno, sereno, gentil e genial, que se reinventa a cada estação. Merece ser homenageado e o Brasil precisa conhecer mais a fundo o homem que semeia o bem e embeleza nossas vidas com arte. Clodo faz parte da história da música deste país”, afirma a idealizadora do projeto.

Durante o espetáculo, que contará com intérprete em libras, Sandra conduzirá o encontro marcado por muitas surpresas. Da parte musical, serão 12 canções interpretadas por ela, em sua maioria, Clodo e pelo convidado especial Farlley Derze. As notas extras de afeto e talento serão dadas pela participação do violonista João Ferreira e do percussionista Pedro Ferreira, os maiores orgulhos do pai, Clodo. No repertório, “Cada Dia”, “Carece de Explicação, Corda de Aço, Revelação e outros sucessos que marcam fases e parcerias importantes de sua trajetória e de tantos intérpretes, a exemplo da própria Sandra.

Mais que um show, Clodo - A Revelação é uma homenagem ao instrumentista e compositor, que, além, da carreira solo, tem canções interpretadas por grandes nomes como Milton Nascimento, Nara Leão, MPB 4, Ângela Maria, Zizi Possi, Ney Matogrosso, Fafá de Belém, Engenheiros do Hawaii, Wando, Nilson Lima, Salomão di Pádua, Sandra Duailibe e tantos outros. A construção do evento, de forma intimista e elegante, busca passar ao público um pouco do tanto que o Clodo é.

A atração começa já no hall do teatro. Momentos da história de Clodo serão revelados através de um painel fotográfico e de um telão, onde lhe serão dedicados depoimentos. Também haverá exposição de 32 obras feitas a partir da fusão da fotografia e pintura digital—nova faceta artística de Clodo--, além de um espaço para comercialização de livros e produtos fonográficos dos artistas que compõem esse espetáculo.  

Os irmãos Clésio, Climério e Clodo

Sobre o espetáculo, o homenageado diz que o enche de alegria. “Primeiro: ela já gravou a música Revelação em versões ótimas e é uma cantora expressiva, que enriquece a produção musical com sua energia positiva. Segundo: este reconhecimento muito generoso é também um presente de aniversário, já que completarei 71 anos de idade em 30 de julho.”

Clodo se diz enaltecido por receber tudo isso na cidade onde ele mora desde os 13 anos. “Trago lembranças eternas de minha terra natal, mas foi em Brasília que fiz meu trabalho. Ela também resgata canções com meus irmãos e inclui no repertório canções mais recentes, conta a história e apresenta duas produções atuais: as peças visuais e a música instrumental em partitura. Para completar, ainda envolve meus filhos”, declara o homenageado.

A partir da capital do país, o artista, nascido em Teresina, no Piauí, desenvolveu uma carreira de muitos frutos ao longo de cerca de 56 anos, cantando e compondo só, com os irmãos Clésio e Climério, e também com artistas de renome internacional como Dominguinhos, Fagner, Evaldo Gouveia e Fausto Nilo.

Nara Leão com o trio Cli-Clé-Clô

Simultaneamente, tornou-se mestre em comunicação e doutor em História, contribuindo como acadêmico à frente da disciplina “Comunicação e Música”, na Universidade de Brasília (UnB). Hoje, o talento de Clodo também trilha outros caminhos. E se a música tem sido o principal veio de sua criação, a pintura fotográfica, descoberta durante a pandemia, tornou-se uma de suas paixões.

“Quando Fagner gravou ‘Cebola cortada’, de Petrúcio Maia e Clodo, em 1977, quase furei o disco de tanto ouvir. A música diz ‘Sempre lembrando para a gente que amar nunca faz mal’. Trago essa verdade comigo. Clodo estuda, ensina, toca, canta, compõe e nos mostra, em sua obra, que o amor, quando bem sentido, é o caminho, o encontro, a salvação”, revela Sandra.

Mês de agosto, por tudo isso, começa com o pé direito na área cultural. Reservem um tempinho para a próxima terça-feira, divirtam-se com tudo de belo e artístico que Sandra Duailibe e sua equipe prepararam, com carinho e dedicação, para homenagear um artista valioso e valoroso da nossa cultura.

Serviço:

Clodo- A Revelação, por Sandra Duailibe

Data: 02 de agosto

Horário: 20h

Local: Casa Thomas Jefferson Hall (SEPS 706/906)

Entrada: Ingressos gratuitos poderão ser retirados no local, no dia do evento, a partir das 17h

Capacidade: 208 lugares

Classificação indicativa: Livre

Informações: (61) 99259-2824 (Ester Braga)


terça-feira, 26 de julho de 2022

Prata Dourada, Dia dos Avós e da padroeira de Uruaçu


Tenho dito sempre que o dia 26 de julho é uma data especial para a minha modesta e simples existência nesta passagem. Hoje é Dia dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Foi em um 26 de julho, no ano de 1980,  que decidimos, eu e a Stela, juntar os nossos trapinhos. Estamos fazendo as Bodas Prata Dourada, que representam suavidade, riqueza e cuidados na relação.

Sobre o Dia dos Avós, esta data tem o charme a mais porque nos tornamos avós do Juliano e da Martina. Com meus avós maternos não pude ter o prazer da convivência. Minha avó Celina morreu quando minha mãe ainda tinha nove anos. Tenho algumas poucas lembranças do meu avô Edgar Barroso, que faleceu quando eu ainda era criança. Meus avós paternos, Ana de Alencar Camapum e Antônio Pereira Camapum, estão sedimentados, de forma carinhosa, na minha memória.

Poesia de Itaney Campos, que
veio junto com o presente de 
casamento: uma batedeira.

São lembranças que sempre resgato neste dia 26 de julho, do nosso casamento, dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Época também das barraquinhas, com seus leilões, correios elegantes e outras tradições que quase não vemos mais.

São lembranças que nos fazem reviver esses 42 anos de parceria, amizade, carinho e muito amor. Acrescentei mais alguns versos ao poema que começou a ser elaborado quando fizemos 31 anos de casados. Nesse ritmo, vai acabar ficando maior do que os Lusíadas, de Camões.

Beijos no coração a todos neste dia tão especial.

O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso
  
O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores.
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...
 
O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses anos...
Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.
 
O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...
 
Como passam os anos...
Novos, antigos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.
 
Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.
 
Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal de que a vida continuará
A nos oferecer conquistas!
 
Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia,
Onde os corais de uma nova
Vida irão resplandecer.
 
Corais sedimentados,
Incrustados e fortalecidos
Pelos grãos de areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista alcança.
 
Madeira de lei
A sustentar nosso leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira vermelha.
Do alto de seus galhos,
Podemos o futuro avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos benignos,
Pronta para nos agasalhar.
Pedra esverdeada,
Que emociona e purifica.
Traduz a maturidade
De uma vida tão rica
De prazer e criatividade.
 
Aos 38 anos, então,
É tempo de comemorar
Com o vinho guardado
Em barril de carvalho.
Néctar dos deuses,
Balsamo de dores
A revigorar amores
Contidos nos corações.
 
E veio o mármore...
Rocha firme, calcário,
Sob pressão e calor,
Dá beleza ao casamento
E à vida, mais valor.
 
Novas bodas aos 40 anos,
Desta vez, a tão sonhada
E cobiçada esmeralda...
Pedra encravada
Entre a prata e o ouro,
No amor incondicional
Guardada há 40 anos.
Estímulo ao coração
Nos traz renascimento...
 
Pedra do amor eterno,
Da fidelidade e perseverança...
Lembranças que nos fazem crianças
Jovens e adultos para sempre,
Muito além da eternidade.
 
Nos 41 anos de casamento,
Juntaremos nossos trapos,
Embrulhados em papel de seda,
Até que a esmeralda,
Bem dilapidada e conservada,
Se transforme em ouro...
Conseguiremos alcançar
Outros tantos anos até os 50...
 
Bodas de Prata Dourada,
A suavidade da caminhada
Longa e perseverante,
São a riqueza da relação
Que num cuidado constante
Enche de amor o coração.
Logo chegará o Azeviche
Essa gema orgânica natural
Que nos garante o equilíbrio,
Firmeza e a fortaleza ao casal. 


segunda-feira, 25 de julho de 2022

Brasil comemora Dia do Escritor há mais de seis décadas

A ideia de homenagear o escritor no dia 25 de julho surgiu, no Brasil, no ano de 1960, durante o I Festival do Escritor, organizado pela União Brasileira de Escritores, presidida por João Peregrino Júnior e Jorge Amado. No âmbito internacional, essa homenagem ocorre no dia 13 de outubro.

De lá pra cá, foram mais de seis décadas referenciando todos aqueles que se dedicam às palavras escritas, sejam com textos científicos ou fictícios, fazendo uso de habilidade e criatividade para entreter e informar leitores.

Uma data também significativa para refletirmos sobre as dificuldades enfrentadas pelos escritores, seja em razão da censura e de perseguições impostas pelo Estado, seja pela falta de investimentos, incentivos e reconhecimento por parte dos governantes de plantão, até a questões legais, como os direitos autorais.

É também importante para ações que visem valorizar a literatura nacional e incentivar a leitura de obras brasileiras. Bibliotecas e editoras devem aproveitar o dia de hoje para divulgar os clássicos da nossa literatura e apresentar obras contemporâneas de autoras e autores consagrados e de novos talentos. Nas escolas, uma boa oportunidade para enaltecer a cultura brasileira, divulgando obras e informações sobre escritoras e escritores brasileiros.

Os primeiros escritos começaram ainda na pré-história, quando os homens faziam desenhos nas cavernas como uma maneira de se comunicar. Eram as chamadas pinturas rupestres, que
transmitiam desejos e necessidades desses povos. A escrita sistematizada surgiu por volta de 4.000 anos a.C., com os sumérios, na Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. Eles desenvolveram a escrita cuneiforme, usando argila e cunha para registrar o cotidiano por meio de desenhos, feitos em placas de barro.

Mais perto de nós, os primeiros registros foram encontrados na América Central, engenho e arte dos Maias e Astecas, utilizando a escrita nahuatl, a partir do século XIII. Os europeus, ao invadirem e conquistarem essa região, destruíram boa parte dos seus documentos escritos. A escrita desses povos ainda não foi totalmente decifrada pelos pesquisadores.

Nosso primeiro texto escrito é a Carta de Caminha, em que Pero Vaz de Caminha narra ao rei de Portugal as características da terra recém-descoberta, documento conhecido como o “registro de nascimento” do Brasil. Depois vieram tratados, novas cartas, até os célebres versos do Padre Anchieta nas areias de Ubatuba, em São Paulo.


João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas da nossa literatura, dizia que “escrever é estar no extremo de si mesmo”. O que era, de certa forma, corroborado por Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior, que se referia assim: “Escritor: não somente uma maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira”.

Parabéns a todos os escritores e escritoras que tanto enriqueceram a cultura brasileira. O ZecaBlog rende suas homenagens a todos os Jorge, Amado; aos Guimarães, Rosas; aos Graciliano, Ramos; aos Manoel, Bandeira; a todas as Maria Carolina de, Jesus; às Ruth, Rocha; porque sempre foram Machado, Cruz e sempre serão Veríssimos, mesmo quando Ariano, de Hollanda e de Aquino, eternamente brasileiros.

Viva o escritor! 

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Dia pra se guardar e preservar os amigos de sempre


Amigo é coisa pra se guarda do lado esquerdo do peito...
Assim falava a canção de Milton Nascimento, e deve continuar assim dizendo hoje e sempre. Nos dias atuais, mais ainda. Estamos rompendo, gradativamente, com o tempo de isolamentos, distantes de familiares e dos amigos. Durante quase dois anos, nos afastamos daquelas pessoas que podiam nos apoiar e emprestar um ombro reconfortante, uma palavra amiga e estimulante para que enfrentássemos tantos desafios.

O cruel desse tempo de pandemia – ainda não totalmente superado – é que ficamos distantes dos amigos de copo e de bar. Aqueles fiéis e autênticos companheiros, que são capazes até de tomar uma, ou até mesmo duas!, em homenagem a um parceiro ausente, distante, ou mesmo para aqueles que os deixaram por um outro mundo, provavelmente melhor que este. O desprendimento dos amigos costuma ser tanto que chegam a oferecer “um gole pro santo”... Isso é que é grandeza.

E nós brasileiros valorizamos tanto a amizade que o Dia do Amigo é comemorado por aqui duas vezes no ano. A primeira comemoração, mais popular e bem conhecida, acontece no dia 18 de abril. No Brasil, Uruguai, Argentina e Moçambique a comemoração ocorre no dia de hoje, 20 de julho, em função do já consagrado Dia Internacional do Amigo, criado pelo argentino Enrique Ernesto Frebbaro, por considerar a chegada do homem à lua um símbolo de união entre todos os seres humanos. Várias nações consideram o 30 de julho como O Dia Internacional da Amizade.

O cartunista Péricles Maranhão, da revista O Cruzeiro, que deixou de circular há muitos anos, criou o personagem Amigo da Onça e por consequência a expressão que se tornou popular, justamente por trazer no seu bojo uma crítica àquele sujeito que pensa mais em si do que nos amigos.

O personagem foi baseado em um garçom que sempre se aproximava de Péricles para saber o que o freguês estava fazendo. O cartunista explicou que ganhava a vida assim, fazendo aqueles desenhos de humor para a revista Cruzeiro. E o garçom não titubeou: “Puxa, eu queria ter um vidão desse”.

Na verdade, Péricles tirou a expressão de uma piada antiga e bastante popular, que não nos fará mal algum recordá-la nesta página: 

- O que você faria se estivesse na selva e aparecesse uma onça na sua frente?

- Dava um tiro nela

- E se você não tivesse uma arma de fogo?

- Furava ela com minha peixeira

- E se você não tivesse uma peixeira?

- Pegava qualquer coisa, como um grosso pedaço de pau, para me defender

- E se não encontrasse um pedaço de pau?

- Subia numa árvore

- E se não tivesse nenhuma árvore por perto?

- Saía correndo

- E se suas pernas ficassem paralisadas de medo?

Nisso, o outro perdeu a paciência e explodiu:

- Peraí! Você é meu amigo ou amigo da onça?"

Amizade é um bem que não faz mal a ninguém e é bem mais feliz quem a tem. Digo isso porque jogo naquele time das pessoas que valorizam os amigos. Sem eles, a vida perde muito da razão de ser. As grandes tragédias da humanidade, além de outras motivações, revelavam sempre por trás o dedo forte e temerário da inimizade. Os nazistas, por exemplo, tinham por princípio considerar o povo judeu seus inimigos. Deu no que deu.

O bom mesmo é ter sempre, ao nosso redor, verdadeiros amigos, e deixar os amigos da onça, os falsos amigos, apenas para o universo das piadas e das charges humorísticas.

Melhor repetir com Milton Nascimento que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”...


domingo, 17 de julho de 2022

Dia da Proteção às Florestas sem nada a comemorar


Este domingo (17/7) é dedicado a comemorações do Dia da Proteção às Florestas no Brasil. Em razão da destruição maciça das nossas florestas no governo do presidente Bolsonaro, o que se constata é que não temos nada a comemorar. Muito pelo contrário, deve ser um dia dedicado ao protesto, discurso e ações em defesa do Meio Ambiente, tão maltratado nos últimos 3 anos e meio.


A destruição de áreas de floresta na Amazônia continua apresentando índices alarmantes. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), no período de agosto de 2018 a julho de 2021, o desmatamento no bioma aumentou 56,6% em relação ao mesmo período em anos anteriores. O Pará segue como o estado que possui as áreas mais críticas de desmatamento desde 2017.



Para o Ipam, o avanço do desmatamento na Amazônia ficou mais evidente a partir da gestão do presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018, por meio do enfraquecimento de órgãos de fiscalização, falta de punição a crimes ambientais e redução significativa de ações imediatas de combate e controle de atividades ilegais na região.

Esta semana que se inicia precisa ser dedicada à proteção dos nossos recursos naturais, em especial às florestas brasileiras. O Dia de Proteção às Florestas, comemorado hoje (17),homenageia ainda um personagem do folclore nacional, a quem é atribuído o cuidado e a proteção das matas do Brasil: o Curupira.

O Curupira, menino de cabelos longos e vermelhos, tipo fogo, tem os pés virados para trás para despistar os caçadores. A lenda é de origem indígena, mas virou parte do imaginário popular em todo o território nacional - e tornou-se peça importante no aprendizado sobre a preservação ambiental.

As crianças precisam conhecer a lenda do Curupira. Na cultura popular brasileira, a proteção das florestas é personificada nessa figura mística, um espírito mágico que habita as florestas e ajuda a protegê-la da invasão e ataque de pessoas má intencionadas. Por este motivo, o dia 17 de julho também é considerado o Dia do Curupira, o “protetor das florestas”.

Com o objetivo de ajudar nesse projeto de conscientização da importância de preservamos nossas florestas, o ZecaBlog publica, abaixo, um trecho do Música Animada, que foi ao ar na TV Brasil, em que a banda Roni e As Figurinhas apresenta uma canção sobre o Curupira.

Esta data tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação das florestas - lar de inúmeras espécies de animais e plantas - para a qualidade de vida da humanidade. O Brasil abriga importantes áreas para a preservação ambiental do mundo: a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica.

É importante conhecermos e divulgarmos algumas ações simples que podem ajudar cada indivíduo a colaborar para a proteção das florestas e do meio ambiente:

Usar produtos feitos com madeiras de reflorestamento, normalmente identificadas com um selo ou certificado;

Não colocar fogo em matas;

Não jogar lixo no meio ambiente;

Dar sempre prioridade aos papéis recicláveis;

Não jogar cigarros ou objetos em combustão em florestas, por exemplo. 

Enquanto as florestas brasileiras tentam, desesperadamente, sobreviver ao ferro e ao fogo das máquinas e das queimadas, é de bom alvitre relembrar Castro Alves – um dos mais belos poetas da literatura brasileira.

O melhor mesmo a fazer, nessas horas, é valorizar o Dia de Proteção das Florestas, rezar pra São Curumim, ouvir uma boa música e recitar versos de Castro Alves. Quem sabe o vento muda e a história toma rumo novo.

A queimada

Castro Alves 

Meu nobre perdigueiro!  vem comigo.
Vamos a sós, meu corajoso amigo,
Pelos ermos vagar!
Vamos lá dos gerais, que o vento açoita,
Dos verdes capinais n'agreste moita
A perdiz levantar!...
 

Mas não!... Pousa a cabeça em meus joelhos...
Aqui, meu cão!... Já de listrões vermelhos
O céu se iluminou.
Eis súbito da barra do ocidente,
Doudo, rubro, veloz, incandescente,
O incêndio que acordou!

A floresta rugindo as comas curva...
As asas foscas o gavião recurva,
Espantado a gritar.
O estampido estupendo das queimadas
Se enrola de quebradas em quebradas,
Galopando no ar.
 

E a chama lavra qual jibóia informe,
Que, no espaço vibrando a cauda enorme,
Ferra os dentes no chão...
Nas rubras roscas estortega as matas...,
Que espadanam o sangue das cascatas
Do roto coração!...

 O incêndio — leão ruivo, ensangüentado,

A juba, a crina atira desgrenhado
Aos pampeiros dos céus!...
Travou-se o pugilato... e o cedro tomba...
Queimado..., retorcendo na hecatomba
Os braços para Deus.
 

A queimada! A queimada é uma fornalha!
A irara — pula; o cascavel — chocalha...
Raiva, espuma o tapir!
...E às vezes sobre o cume de um rochedo
A corça e o tigre — náufragos do medo —
Vão trêmulos se unir!

Então passa-se ali um drama augusto...
N'último ramo do pau-d'arco adusto
O jaguar se abrigou...
Mas rubro é o céu... Recresce o fogo em mares...
E após... tombam as selvas seculares...
E tudo se acabou!...




quarta-feira, 13 de julho de 2022

Dia Mundial do sempre rebelde Rock'n Roll

 

O Rock in Roll é um gênero musical que nunca respeitou qualquer tipo de fronteira ou barreira. Talvez, por isso mesmo, tornou-se universal. Nesta quarta-feira (13/7), comemora-se o Dia Mundial do Rock’n Roll, que existe, resiste e persiste, independentemente de quaisquer intempéries que tenham sido colocadas ou surgidas em seu caminho. Tem atravessado gerações, estilos e tendências as mais diversas. Gerou frutos os mais variados; foi acolhido e amado e odiado de diferentes maneiras, em distintas regiões deste planeta.

O rock surgiu na década de 50 do século passado, nos Estados Unidos. De maneira ainda bem ingênua, influenciado pela música dos negros sulista e do country americano, à base de guitarra elétrica, bateria e baixo. Tempos de Bill Haley, Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard, com alta vendagem de discos e a explosão inicial da indústria fonográfica.

Os anos 60 são revolucionários, não apenas pelo surgimento de bandas como os Beatles e Rolling Stones, mas também pelas manifestações pacifistas, contra a guerra do Vietnã, o movimento hippie e Woodstock. Época também da guitarra genial de Jimmy Hendrix e a voz incrível de Janis Joplin. Como se tudo isso não bastasse, surgem bandas como The Mamas & the Papas, Animals, The Who, Jefferson Airplane, Pink Floyd e The Doors. Ou seja, rock’n roll pra todo gosto e qualquer nível de loucura.

A batida começa a ficar mais forte e mais rápida do que os corações extasiados. Surge nos anos 70 o heavy metal do Led Zeppelin (paixão do colega de Banco do Brasil, Ozanam Coelho), Black Sabbath (paixão da colega de jornalismo, Elina) e Deep Purple (que era a razão de viver do colega de BB, Carlos Alberto Lima Cruz). Mas, era também época para os ritmos dançantes de Frank Zappa, Creedence Clearwater, Capitain Beefheart, Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie. Anos do videoclipe e dos grandes shows de Pink Floyd, Genesis, Queen e Yes, bem como dos shows-rituais de Alice Cooper. Haja coração!

A década de 80 é a da democratização ampla e irrestrita. Os mais variados estilos convivem sob a batuta da MTV, que se dedica a divulgar mundialmente cantores e bandas. No estilo pop e dançante, além das bandas new wave, surgem com amplo sucesso Michael Jackson e Madonna.

Confesso que a partir desse momento e dos anos 90, comecei a sentir-me um pouco velho para tantos estilos gerados pelo rock’n roll. A beleza e a pujança desse gênero musical continuaram a rolar pelo mundo afora. O rock britânico, sempre pujante e talentoso, seguiu a produzir bandas como Oásis, Green Day e Supergrass. O rap e o funk conseguiram agradar até mesmo algumas trupes de roqueiros.

A história do rock no terceiro milênio precisa ser registrada e analisada pelas novas gerações. Passo essa tarefa aos meus filhos, Ramiro, que tem gosto mais eclético, e Jordano, que é radicalmente metaleiro.

O rock’n roll é muito forte para se abalar com qualquer tipo de oposição, preconceito ou simples ignorância musical.

Ademã que ele vai em frente!


POR QUE DIA 13 DE JULHO?

O Dia do Rock é comemorado em 13 de Julho porque foi o mesmo dia do Live Aid, um megaevento mundial com vários shows simultâneos. Contou com a presença de grandes artistas, como B. B. King, Madonna, Paul McCartney, U2 e o Queen.

Phil Collins, em uma de suas aparições, sugeriu de maneira despretensiosa que o dia 13 de Julho fosse considerado o Dia Mundial do Rock.