domingo, 22 de fevereiro de 2026

Feminicídio mais que triplica em dez anos no Brasil

Quatro mulheres foram mortas por dia no ano de 2025. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o número de feminicídio bateu recorde no Brasil no ano passado: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Esse cenário ressalta a triste realidade de que o Brasil teve alta de 316% em uma década. Em 2015, quando a tipificação feminicídio foi criada, ocorreram 535 mortes de mulheres na circunstância de terem morrido por serem mulheres. Ao todo, 13.448 delas foram mortas em dez anos pelo fato de ser do sexo feminino, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano.

Querem ficar mais tristes e apavorados ainda? A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno aponta que os números de feminicídio ainda são subestimados. Para ela, não é possível afirmar que há consolidação do tipo penal do feminicídio, o que está a interferir nos registros oficiais.

O feminicídio pode ser registrado como homicídio, apesar de indícios apontarem para um crime de ódio contra a mulher por ser mulher. Há estados em que os feminicídio representam de 40% a 60% de todas as mortes de mulheres, enquanto em outros, variam de 15% a 20%.

Pesquisas recentes feitas pelo FBSP apontam para aumento generalizado de tipos de violências cometidas contra mulheres, como perseguições, espancamentos e estrangulamentos -- tipos de crimes que podem culminar, no futuro, em feminicídio.

Ao longo do ano, o Brasil registrou uma série de casos de feminicídio que expõem a violência extrema sofrida por mulheres, muitas vezes dentro de relações afetivas marcadas por ameaças, agressões e histórico de perseguição.

Quem não se lembra do caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu, em São Paulo, após quase um mês internada em estado grave, depois de ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo "ex-ficante". Ela passou por ao menos cinco cirurgias de alta complexidade, e o caso, inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, passou a ser investigado como feminicídio após a morte.

Outros tantos e quantos casos aconteceram de forma tão ou mais assustadora e revoltante do que o de Tainara, pelo Brasil afora. São Eloá, Eliza, Mércia, Isabella, Michelle, Sandra, Daniella, Maristela, Ângela... E nós, o que fizemos? O que estamos fazendo frente a essa realidade tão cruel? Para acabar com o “ela fez por merecer”? Para pôr fim à banalização de episódios de violência física, psicológica, moral e patrimonial? Para cobrar das autoridades ação, o fim da omissão ou negligência que concorre para o incremento do feminicídio?  

A rigor, muito pouco ou quase nada! Então, façamos! Mais e muito mais, hoje, amanhã e sempre.

Feminicídio
José Carlos Camapum Barroso
 
Matam é por que não amam
Amor ideal do ser humano.
Tecem ódio e proclamam
Fúria das fúrias, ano a ano...
 
Desamor corre no sangue,
Traz a alma embrutecida,
Veia dilatada, mas estanque
Ante a grandeza da vida.
 
Matam o ser que os ama
Amor universal, feminino...
Graça e glória do Divino
 
Espírito Santo que consola
Pai, filho, neto e irmão...
Dons maiores da criação.

2 comentários:

  1. Não conhecia essa música. Os valentões multiplicaram depois do bolsonarismo

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    1. Música interessante, né? Elza é demais! A extrema-direita é responsável por muitos dos males que estamos vivendo hoje.

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