Quatro
mulheres foram mortas por dia no ano de 2025. Dados do Ministério da Justiça e
Segurança Pública revelam que o número de feminicídio bateu recorde no Brasil no
ano passado: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro. O total supera os 1.464
registros de 2024, a maior marca até então.
Esse
cenário ressalta a triste realidade de que o Brasil teve alta de 316% em uma
década. Em 2015, quando a tipificação feminicídio foi criada, ocorreram 535
mortes de mulheres na circunstância de terem morrido por serem mulheres. Ao todo,
13.448 delas foram mortas em dez anos pelo fato de ser do sexo feminino, o que
representa uma média de 1.345 crimes por ano.
Querem
ficar mais tristes e apavorados ainda? A diretora-executiva do Fórum Brasileiro
de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno aponta que os números de feminicídio ainda são subestimados. Para ela, não é possível afirmar que há consolidação do
tipo penal do feminicídio, o que está a interferir nos registros oficiais.
O
feminicídio pode ser registrado como homicídio, apesar de indícios apontarem
para um crime de ódio contra a mulher por ser mulher. Há estados em que os
feminicídio representam de 40% a 60% de todas as mortes de mulheres, enquanto
em outros, variam de 15% a 20%.
Pesquisas
recentes feitas pelo FBSP apontam para aumento generalizado de tipos de
violências cometidas contra mulheres, como perseguições, espancamentos e
estrangulamentos -- tipos de crimes que podem culminar, no futuro, em
feminicídio.
Ao
longo do ano, o Brasil registrou uma série de casos de feminicídio que expõem a
violência extrema sofrida por mulheres, muitas vezes dentro de relações
afetivas marcadas por ameaças, agressões e histórico de perseguição.
Quem
não se lembra do caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu, em São
Paulo, após quase um mês internada em estado grave, depois de ser atropelada e
arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo "ex-ficante". Ela
passou por ao menos cinco cirurgias de alta complexidade, e o caso,
inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, passou a ser investigado
como feminicídio após a morte.
Outros
tantos e quantos casos aconteceram de forma tão ou mais assustadora e revoltante
do que o de Tainara, pelo Brasil afora. São Eloá, Eliza, Mércia, Isabella,
Michelle, Sandra, Daniella, Maristela, Ângela... E nós, o que fizemos? O que
estamos fazendo frente a essa realidade tão cruel? Para acabar com o “ela fez
por merecer”? Para pôr fim à banalização de episódios de violência física, psicológica,
moral e patrimonial? Para cobrar das autoridades ação, o fim da omissão ou negligência
que concorre para o incremento do feminicídio?
A rigor, muito pouco ou quase nada! Então, façamos! Mais e muito mais, hoje, amanhã e sempre.



Não conhecia essa música. Os valentões multiplicaram depois do bolsonarismo
ResponderExcluirMúsica interessante, né? Elza é demais! A extrema-direita é responsável por muitos dos males que estamos vivendo hoje.
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