sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luiz Melodia morre aos 66 anos e deixa saudades


A música popular brasileira perdeu hoje um dos seus maiores representantes. Morreu, vítima de um câncer que atacou a medula óssea, o cantor, compositor e músico carioca Luiz Melodia. Um talento a menos nesse universo tão pobre de novas revelações à altura da grandiosidade da música brasileira. Melodia tinha 66 anos e morreu às 5h da madrugada de hoje (04/08), no Hospital Quinta D’Or.
O que mais me impressionou na carreira desse artista, do Estácio, criado no morro de São Carlos, foi o seu talento como intérprete. Um timbre de voz muito bonito, e o que me encantava mesmo era sua capacidade de brincar com a melodia, inventando no fraseado, criando um estilo próprio e cheio de suingue. Sempre me chamou a atenção esse seu jeito muito próprio de interpretar, desde que lançou o LP Pérola Negra, em 1973.


Depois, veio o “Festival Abertura”, da TV Globo, no ano de 1974, em que ele chegou à final com a música Ébano. A partir daí, foram diversos discos, com músicas de sua própria composição, mas também interpretações de outros compositores, sempre dando à canção uma roupagem muito pessoal.
Esse surgimento de Luiz Melodia no cenário musical coincidiu com o meu período de estudante de Comunicação, na Universidade de Brasília. Via o cantor e compositor como um jovem que desceu o morro de São Carlos, no bairro do Estácio, para enfrentar, desafiar e zombar da classe média carioca. Negro e pobre, tinha apenas o talento musical para vencer na vida. Soube usá-lo com maestria.
As interpretações de Luiz Melodia com outros cantores são, de um modo geral, impressionantes. A sensação é a de que ele consegue transmitir para o parceiro toda sua garra de intérprete, toda a paixão que coloca em seu canto.
Chama-me a atenção particularmente esse vídeo abaixo, ao lado de Elza Soares. Também sua interpretação magistral para a belíssima Estácio Holly Estácio. Muito suingue, muita bossa e uma capacidade extraordinária de valorizar as músicas que escolhia para interpretação.
O Brasil inteiro está de luto. E o ZecaBlog rende, humildemente, suas homenagens ao extraordinário talento desse artista.




domingo, 30 de julho de 2017

Dia Mundial do Orgasmo cai numa segunda-feira...


O maridão tá trabalhando e recebe mensagem da esposa pelo WhatsApp.
- Amor, tô indo pra casa, e você?
- Tô trabalhando, né, meu bem. Alguém tem que trabalhar nessa família... rs. E você? Já está indo pra casa, nesse horário?! Chefe bom, hem...?
- Comemorar, né, querido!
- Comemorar?!? – Vichi! Baixa o desespero, começa a indagar a si mesmo: será o aniversário dela? Dia do casamento, não é. Dia dos Namorados... também, não.
- Hoje é Dia do Orgasmo, né, meu amor! Vai me dizer que já esqueceu?
- Ah... (mentindo) num tinha esquecido, não...! É que estou sobrecarregado de serviço, aqui. Tá difícil sair do trabalho...
- Bom, só pra te avisar: lá em casa vai ter comemoração de qualquer jeito! Com ou sem a sua presença!
O cara enlouquece. Dá um jeito de ir embora, mesmo correndo risco de perder o emprego.


É comemoração para todo gosto nesse mundão de Deus. Na verdade, começa a faltar dia no calendário e sobra comemoração. Os deputados distritais de Brasília, por exemplo, adoram incluir no calendário oficial eventos inimagináveis! Recentemente, foi publicado no Diário Oficial do DF, a inclusão no calendário do jogo “Casados e Solteiros”, dos moradores da Metropolitana do Núcleo Bandeirante. Pode?!
O mais complicado este ano é que o Dia Mundial do Orgasmo cai numa segunda-feira. Muita gente considera esse dia da semana brochante pela própria natureza. Para suavizar essa perspectiva (se é possível isso!), é bom lembrar que essa data está no calendário dos homens, não no de Deus! Pelo calendário religioso, dia 31 de julho é dia de Santo Inácio de Loyola, que era apaixonada pelas lutas nos campos de guerra e pelas noitadas festivas na corte. Tudo a ver... Mas, ele trocou a orgia para servir a Deus e salvar almas.
O que se deve fazer no dia consagrado mundialmente ao orgasmo? Buscar o prazer intenso, imensurável, durante as 24 horas do dia? Ou fazer um retiro espiritual, em agradecimento aos orgasmos alcançados desde a última comemoração?


Aqui em Brasília, nesta época, faz tempo seco, temperatura agradável, não faz calor e há um friozinho bastante sugestivo. Já passamos dos jogos olímpicos, é verdade, mas, pode-se até criar competições, maratonas, e quem alcançar melhor resultado, leva medalha de ouro.
Abro um parêntese para lembrar a situação daquele famoso personagem de uma sugestiva piada. Participando de um simpósio, respondeu à pergunta de quantas vezes fazia sexo por ano: “Uma vez, uma vez, uma vez! ”. E o coordenador do evento perguntou: “Tudo bem, mas por que tanta euforia? ”.  E ele, ainda eufórico, gritou: “Porque é hoje, é hoje, é hoje! ”. Suponhamos que o dia dele coincidisse com a data consagrada mundialmente ao orgasmo... O camarada iria arrebentar o auditório do simpósio...
Dizem os entendidos no assunto que não se deve ficar falando demais sobre sexo. Corre-se o risco de ser confundido com porta-voz do sexo oral. Por falar nisso, e já falando além da conta, lembro que tínhamos uma colega de trabalho, nos tempos de funcionários do Banco do Brasil, que achava que sexo oral era conversar sobre sexo. Revelou tal ignorância sobre o tema morrendo de rir, com o rosto vermelho e as lágrimas escorrendo pela face.
Já falei demais. Daqui a pouco, vão dizer que eu não tenho qualquer vocação para comemorar tal data... É melhor ler poesia e ouvir música.

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Mademoiselle Furta-Cor
Armando Freitas Filho

Eu conheço o seu começo:
ponto e novelo,
meada de mel e langor
de lentos elos
que a minha língua lambe
no calor despido,
no meio das suas pernas:
anéis de cabelos,
anelos e nós se desmancham
em nada ou nódoa
por todo o lençol do corpo
nu e amarrotado:
nós aqui somos todos laços
e nos rasgamos
devagar – poro por poro;
rumor de sedas
ou de uma pele toda feita
de suor e suspiro:
eu soluço a cada susto seu
que nos dissolve.


Lugar
Simone Teodoro

Aqui
onde foi abolido o hímen
úmido hífen

Aqui
onde a língua é dinâmica
e dedos são talheres

Aqui
onde o grelo
destrona o falo

É rijo
É lindo
É talo




sábado, 29 de julho de 2017

Pequenos instantes, porque hoje é sábado


Instantes
Nadine Stair

Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo.


Instantes
José Carlos Camapum Barroso

Felicidade, uma constante
Derivada do instante
Que se perde no infinito.
Ecoar do próprio grito,
Na imensidão da noite,
Desperta no alvorecer.

O nascer e o renascer
De quem viu a escuridão:
Um dia, sim; outro, não.
Lusco-fusco do entardecer,
De repente, opõe à luz
Um ser postado em cruz...

A felicidade retorna... e vai.
O dia passa, a noite cai,
Como estrela cadente...

Como recolher de passarinhos
Ao ninho, depois do último canto.
O sereno encanto,
Da felicidade ao amanhecer.

Como o despertar do ser,
Na dimensão do próprio grito,
Na imensidão do Universo...

A vida segue os versos
Da eternidade do infinito.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dia de Santana, dos avós e Bodas de Aventurina


Dia 26 de julho é uma data especial para esta criatura, meus vínculos com a cidade de Uruaçu (GO) e por ter casado justamente nesse dia. No calendário, o 26 de julho está reservado a Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. É também Dia dos Avós, personagens tão singulares em nossas vidas, principalmente nas nossas memórias de infância e pré-adolescência.
Meus avós paternos, Ana de Alencar Camapum e Antônio Pereira Camapum, estão sedimentados, de forma carinhosa, na minha memória. Ana de Alencar, dona Naninha, era uma figura esquálida, pequena, de pouca visibilidade. Não se enquadrava naquele exemplo clássico de vó.  Não era de nos agasalhar no colo, fazer gracinhas, dengos e outras peripécias que tanto entusiasmam as crianças. Mas, gostava de presentear. Costumava aproximar-se de nós com um dinheirinho enrolado na mão, dizendo: “toma meu filho, para comprar um refrigerante”.


Meu avô Toinho, Antônio Pereira Camapum, era mais pragmático. Convivi poucos anos com ele, que era bem mais velho do que minha avó. Foi o suficiente para aprender o lado prático da vida. Ensinou-me a fazer poupança, ganhar dinheiro vendendo laranja, pirulito, engraxando sapatos nas ruas. Dele era difícil conseguir algum trocado; o bolso da calça era muito fundo...
Nossos avós nos ensinaram a sermos caridosos, solidários e a fazer orações antes de dormir – rezar um Padre-Nosso, uma Ave-Maria e concluir, dizendo: “Com Deus me deito, com Deus me levanto, na graça de Deus, Espírito Santo”. Amém. Recentemente, descobri que vovô Toinho e vovó Naninha são padrinhos de batismo de Benigna Cardoso da Silva, de Santana do Cariri, no Ceará, mártir daquela cidade cearense e que está em processo de beatificação junto ao Vaticano.


São lembranças que veem à memória neste dia 26 de julho, dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Época também das barraquinhas, com seus leilões, correios elegantes e outras tradições que quase não se veem mais.
É também a data do meu casamento com a Stela, que chega aos 37 anos de vivência, convivência e sobrevivência. Acrescentei mais alguns versos ao poema que começou a ser elaborado quando fizemos 31 anos de casados. Nesse ritmo, vai ficar maior do que os Lusíadas, de Camões. 
Como o tempo passa a rápido, mas as lembranças ficam guardadas nos nossos corações.

O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso

O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores.
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses anos...

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Como passam os anos...
Novos e novos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.

Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal que a vida continuará
A nos oferecer conquistas!

Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia,
Onde os corais de uma nova
Vida irão resplandecer.

Corais sedimentados,
Incrustados e fortalecidos
Pelos grãos de areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista alcança.

Madeira de lei
A sustentar nosso leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira vermelha.
Do alto de seus galhos,
Podemos o futuro avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos benignos,
Pronta para nos agasalhar.
Pedra esverdeada
Que emociona e purifica.
Traduz a maturidade
De uma vida tão rica
De prazer e criatividade.

Novas bodas vão chegar,
Desta vez no Carvalho
De um barril de vinho
Armazenado no coração.
Serão, então, 38 anos,
Outros tantos ainda virão!



quarta-feira, 12 de julho de 2017

Poesia e música, flores e frutos do cerrado brasileiro


Flores e frutos
José Carlos Camapum Barroso

O pé de pequi
É logo ali:
Perto da varanda
Onde a vista alcança
E a emoção palpita
O coração de criança.

Flor do pequi
Brilha bem aqui:
No vaso da natureza
Traçado pela beleza
De um cerrado-mãe,
Carregado em cores.

O pé e a flor
Estão assim:
Bem mais perto de mim,
Agasalha sonhos
Semblante risonho
De frutos que hão de vir.




domingo, 9 de julho de 2017

Dia de aniversário é dia para sonhos e não para pesadelos


Confesso que me senti um ano mais velho no dia de hoje. Como se mais que 365 dias houvessem passados desde o último dia 9 de julho. Um peso maior de responsabilidade para com os meus e comigo mesmo. Um olhar distante e quase infinito para aquele 9 de julho de 1954. Dificuldade para vislumbrar o futuro, os dias que virão. Meio que cansado, um tanto quanto frustrado e com um grau de cobrança exagerado para com os fazeres, os afazeres e os quereres para o bem. Nuvens pesadas, cortadas por raios fulgurantes da amarga desventura. Vento forte a desviar os ideais. Relâmpagos e trovões. E um frio intenso, muito frio...

Acordei sobressaltado. Tinha dormido com pouca coberta e agasalhado um pesadelo desconcertante sobre o passar dos tempos, a idade e as razões da existência. Pesadelo pesado para a madrugada do aniversário de qualquer ser humano. Principalmente para quem atingiu a marca dos 6.3, com potência de muitos cavalos, velocidade acima da média permitida e queimando bastante combustível.
Acordei. Agasalhei-me melhor junto ao cobertor de orelha, que a Stela me proporciona na maior parte desses meus anos de existência.
Aí, pude refletir melhor e sem a influência dos “raios fulgurantes da amarga desventura”. O que dizer no dia do seu aniversário, além dos agradecimentos pelas felicitações de todos que se manifestaram de alguma forma? Agradecer, de coração, aos amigos reais, manifestantes pelas vias virtuais das redes sociais, é o óbvio e o mínimo que podemos e devemos fazer.
Aniversário é aquilo que normalmente não se quer, mas como viver sem fazê-lo? Então melhor é vivê-lo intensamente e esquecer que representa apenas o passar dos tempos. Representa muito mais. Diriam os otimistas de plantão que essa data traduz sabedoria, acúmulo de experiência, conquistas e outros prazeres.


Nos tempos em que comemoravam meu aniversário, como diria Fernando Pessoa, "eu era feliz e ninguém estava morto". Tinha uma saúde de dar inveja e o passar dos anos era sempre uma conquista digna de ser registrada nas folhas de um diário. Se fizermos como o poeta Carlos Eduardo Drummond e formos ao dicionário, a definição de aniversário é burocrática, desprovida de emoções, pesada, como geralmente é pesado o “pai dos burros”.

Mas, leve e poética é a definição que o próprio Carlos Eduardo Drummond deu ao vocábulo:

"Aniversário: espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."

Eu até arrisquei dizer algumas palavras em versos:

Meu aniversário é perda de tempo...
Melhor seria passá-lo ausente,
Distante de tudo, dos fatos e fotos,
Do angustiante cantar dos parabéns,
Das palmas agudas e alucinantes...
Entre apagar de velas e dos tempos...
Mas, como dar-lhe essa forma contraída
Se o que representa é a própria vida!

Pois é, amigos, pior do que o passar dos anos é a ausência deles. De certa idade para frente, deixamos de fazer anos, mas passamos a durar, teimosamente. E não há motivo para não comemorar o aniversário. Ele é apenas o renovar da felicidade de viver, com todo o esplendor que a vida traz em si mesma.

Ou, como diria poeticamente Fernando Pessoa:

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”

E para terminar, faço minhas essas palavras do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.