quarta-feira, 18 de setembro de 2019

5º PPM traz novidades e agita semana cultural em novembro


Realizar qualquer atvidade no universo da música não é fácil no Brasil. Quanto mais um evento da dimensão e ousadia do Prêmio Profissionais da Música, que neste ano chega a sua 5ª Edição, melhorado, ampliado e cheio de novidades. Enfrentou inúmeras dificuldades, mas, está confirmado para os dias 1º, 2 e 3 de novembro, com vasta programação distribuída por painéis, oficinas, pocket shows, workshops, workshows, shows, laboratório, sessão solene, exibição de documentários e a grande e tradicional noite de premiação.
Nesta edição de 2019, os vencedores receberão o troféu A Parada da Música. O PPM recebeu inscrições de 19 estados brasileiros. Ao todo, 1.436, superando as 958 do ano anterior, mantendo o ritmo de crescimento, ano a ano. O processo de votação considerou votos atribuídos pelos próprios inscritos, público e júri, com pesos 1, 1/2, e 2, respectivamente. Ao final do processo, chegou-se a 490 finalistas, sendo 75 provenientes do Distrito Federal.

Cláudio Santoro (in memorian) será homenageado - Foto: Rafael Seixas
Os homenageados desta edição são o compositor Ronaldo Bastos, na modalidade Criação, Genildo Fonseca, na Produção, e Cláudio Santoro (in memorian), na modalidade Convergência. O homenageado de 2018, o músico e compositor Roberto Menescal, um dos ícones da Bossa Nova, está de volta, desta vez como presidente do júri, ao qual este jornalista e responsável pelo ZecaBlog tem a honra de participar.
O idealizador do PPM, produtor cultural Gustavo Ribeiro de Vasconcellos, lembra que a premiação “está cada vez mais popular e conhecida Brasil afora entre os profissionais da música, com recordes não só no número de concorrentes, mas também de audiência, que conseguimos medir pela participação do público na fase de votação popular e presença durante o evento”. Ele ressalta as dificuldades encontradas porque “os ventos não estão favoráveis para a cultura, por isso, a importância desse reconhecimento, dessa confraternização e desse reencontro entre pessoas que vivem de e para a música”.

Gustavo Vasconcellos, idealizador do PPM, anuncia novidades
Outra novidade desta edição está justamente no quesito participação popular. Como forma de reconhecer a entusiasmada participação do público na etapa da votação via internet, bem como a energia dos concorrentes em mobilizar suas redes sociais em busca de votação expressiva, o PPM, a partir desta edição, também destinará três troféus aos mais votados pela internet, um para cada segmento: Criação, Produção e Convergência.
A 5ª Edição do Prêmio Profissionais da Música, como nas anteriores, promete movimentar a vida cultural de Brasília. O Clube do Choro entrará na programação, além de locais como Shopping Pier 21, Espaço Funarte, Sesc, Museu dos Correios e Câmara Legislativa do DF. Preparem suas agendas. Os três primeiros dias do mês de novembro serão intenso em atividades culturais.
A seguir, uma pequena mostra da genialidade de dois dos homenageados: Cláudio Santoro, com o arranjo para Orquestra de Cordas na música Ponteio; e um Teaser para Nuvem Cigano, belo CD de Ronaldo Bastos.




terça-feira, 17 de setembro de 2019

Compreensão Mundial, o caminho para paz e harmonia


Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais. Esse verso do saudoso Luiz Melodia vem a calhar no dia de hoje, consagrado como Dia da Compreensão Mundial. Principalmente por alertar para o tanto que se fala, escreve e publica sem a devida e necessária compreensão, nesses tempos modernos das redes sociais. Ao mesmo tempo, a compreensão inexiste, muitas vezes, porque as pessoas deixam de falar, em situações em que o diálogo é essencial para superar divergências e desavenças.
Sem compreensão não se alcançará a paz, pois as diferenças são enormes e variadas entre pessoas e povos, sejam de ordem estética, cultural, religiosa, sexual e mais ainda político-ideológica. Mahtma Ganhdi disse que “não há caminho para a paz, a paz é o caminho”, mas, ele mesmo mostrou para a humanidade que o caminho mais seguro para se alcançar a paz passa pela compreensão.

Compreensão não significa que a pessoa, o indivíduo, deva se anular ou apagar sua existência diante de tantas divergências e diversidades. Pelo contrário, pode ser o melhor caminho para afirmar e destacar também as suas peculiaridades e os diferentes aspectos do seu pensamento, modo de ser e de agir.
Faltou compreensão ao compositor Wilson Batista na polêmica musical com o colega Noel Rosa, lá pelo início da década de 1930. O último lance da pendenga foi a música de Wilson que chamava Noel de o Frankestein da Vila, apelando para um defeito que o artista genial de Vila Izabel tinha no queixo. Noel deu por encerrada a polêmica e outros sambas geniais deixaram de ser criados, além dos inesquecíveis Lenço no Pescoço, Rapaz Folgado, Mocinho da Vila e Feitiço da Vila.


Menos de uma semana antes do Dia da Compreensão Mundial, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que o conceito de família não pode ser restrito a uniões heterossexuais, estabelecendo de forma inequívoca que o conceito de entidade familiar deve prever a união homoafetiva. Foi considerada inconstitucional uma lei da Câmara Legislativa do DF que tentava restringir aos casais heterossexuais a instituição de uma família.
Faltou compreensão a quem propôs o então projeto de lei. Mais ainda aos deputados que o tornaram lei. O STF deu provas de que está atento às diversidades de relacionamentos e comportamentos numa sociedade complexa, e pronto para impedir imposições de preconceitos, sejam de ordem sexual ou religiosa. Por falta de compreensão, a Igreja Católica condenava a morrerem queimadas na fogueira as pessoas consideradas bruxas, nos tempos da Santa Inquisição.


A compreensão é vital para todas as áreas da existência humana e convivência entre pessoas. Palavra mágica. Precisa e deve ser incorporada às diversas culturas de diferentes pontos do planeta Terra.
Salve o Dia Mundial da Compreensão e viva a diversidade.



sábado, 17 de agosto de 2019

Agosto de bom gosto: sabiá cantou mais cedo

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Agosto é mês do desgosto, diz o dito popular. Existem dezenas de casos que são citados para dar guarida a essa máxima. E ela vem se sustentando ou sendo sustentada, aqui no Brasil, há décadas.
Mas, sempre tem um porém, o mês de agosto, pelo menos aqui em casa, deu um bom sinal este ano. Apesar do clima muito seco, nenhuma chuva, muita poeira, queimadas e o calor chegando, devagarinho, pude sentir pelo menos um alívio no ar. O Sabiá começou a cantar no nosso quintal, bem mais cedo. 


Os ipês amarelos já deram o ar da graça na imensidão do Planalto e bem aqui no conjunto onde moro. Além do belo, de todos os anos, o alvorecer, o pôr do sol, os últimos raios de claridade a refletir na névoa seca...
Enfim, agora, o canto divino do sabiá-laranjeira, a anunciar a chegada, ainda longe, da Primavera. É prenúncio de chuva? Talvez, ainda não. Mas traz uma paz para os nossos corações, alguma inspiração poética e a bela canção de Tom Jobim e Chico Buarque, vencedora do Festival Internacional da Canção, de 1968, na voz inesquecível de Elis Regina, que diz, com seu sorriso ancho: "Vou voltar, sei que ainda vou voltar..." Quem sabe. A esperança é a última que morre e está sempre a alimentar nossos sonhos.

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Hoje, dia 17 de agosto, um sábado, a Stela, minha mulher e companheira de tantas primaveras, chamou minha atenção: “olha o Sabiá está cantando”. É sempre bom ouvir, pela primeira vez no ano, o cantar desse pássaro tão querido pelos brasileiros. Já estava com saudade desse canto suave e acolhedor.
Que venham a Primavera, a chuva do caju e o cantar de todos os pássaros.

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O cantar do Sabiá
(José Carlos Camapum Barroso)

Sabiá, no quintal, cantou, depois de um longo e tenebroso inverno...
Era fim de tarde, início de manhã? Sei apenas que o mundo mudou:
Veio o ar da Primavera, o gosto seco de chuva...

O vento de setembro pôs fim ao de agosto.
Sabiá-laranjeira, ave do peito-roxo,
Canto de primeira, som de Altamiro Carrilho na flauta...
Meu sabiá, bandeira, Brasão infinito de um Brasil brasileiro.

Sabiá-ponga,
Sabiá-piranga,
Meu Caraxué!
O sabiá-laranja

Cantou um canto triste no terreiro? 
Barriga-vermelha, de um canto fino,
Um cantar sovina, bem brasileiro.

Sabiá, sabiá
Não me leve a mal...
Vem cantar de novo

Aqui no meu quintal.

domingo, 28 de julho de 2019

Mês de julho e as belezas que ele nos proporciona

Mês de julho é especial. Não porque eu seja um juliano, mas por ter sido neste mês, há 39 anos, que eu e a Stela decidimos juntar nossos panos, poucos, é verdade, mas bem embalados num manto de carinho, amizade e respeito. Também é especial porque, como escrevi aqui no blog, o aniversário de Uruaçu – aquela cidade localizada no centro de tudo – ocorre em julho, no dia 4 mais precisamente, para inveja dos americanos, que viram ofuscadas suas comemorações pelo surgimento dos Estados Unidos da América como Nação.


No dia 26 de julho, fizemos esse compromisso na presença de familiares e de amigos e amigas queridas. Dia importante no calendário em que se homenageiam os avós e a Igreja Católica dedica a Nossa Senhora Santana. Para coroar, nosso neto, completando seis meses, ganhou o nome de Juliano.
Ao longo de alguns anos, tenho alimentado um poema em torno das bodas de casamento, seus significados e inspirações. Segue o texto, atualizado para mais um mês de julho que está terminando.
Bom domingo aos amigos e amigas do blog.


O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso


O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores.
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses anos...

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Como passam os anos...
Novos, antigos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.

Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal que a vida continuará
A nos oferecer conquistas!

Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia,
Onde os corais de uma nova
Vida irão resplandecer.

Corais sedimentados,
Incrustados e fortalecidos
Pelos grãos de areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista alcança.

Madeira de lei
A sustentar nosso leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira vermelha.
Do alto de seus galhos,
Podemos o futuro avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos benignos,
Pronta para nos agasalhar.
Pedra esverdeada,
Que emociona e purifica.
Traduz a maturidade
De uma vida tão rica
De prazer e criatividade.

Aos 38 anos, então,
É tempo de comemorar
Com o vinho guardado
Em barril de carvalho.
Néctar dos deuses,
Balsamo de dores
A revigorar amores
Contidos nos corações.

E veio o mármore...
Rocha firme, calcário,
Sob pressão e calor,
Dá beleza ao casamento
E à vida, mais valor.


Novas bodas vão chegar,
Desta vez, a tão sonhada
E cobiçada esmeralda...
Pedra encravada
Entre a prata e o ouro,
No amor incondicional
Guardada há 40 anos.
Estímulo ao coração
Nos traz renascimento...


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Silêncio, por favor, João Gilberto ainda canta...


João é único e exemplar. Sem igual. Um divisor de tempos. Daqueles artistas que fazem a vida parar sempre que se manifestam. Qualquer referência à João Gilberto deve ser no presente a refletir futuro. Não existe passado quando se fala de um artista dessa grandeza. João morre no sábado, dia 6 de junho. É velado no domingo, enterrado e referenciado em plena segunda-feira, com a certeza de que estará, todos os dias, presente.
Porque sua obra é grandiosa atravessa fronteiras, gerações, barreiras e preconceitos. João é silêncio hoje, não por ter nos deixado, aos 88 anos de idade. Mas, porque o silêncio existe à sua volta para referenciá-lo e ouvi-lo na plenitude da sua arte.
Nossa geração é João Gilberto, embora sejamos todos filhos da Jovem Guarda, dos Beatles, de Caetano e Chico, do samba, boleros, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, festivais, arraias, Hermeto, Bonfá, Rafael, Cartola e Tom Jobim. Acima, à parte, nossa referência é João Gilberto, a quem nada se compara. O Garrincha da nossa música dribla, com harmonia, no compasso, passo a passo, todas as mediocridades que a vida nos apresenta.
Simples. João Gilberto nos ensina que a beleza da arte está na capacidade de harmonizar a complexidade da vida numa nota só, harmônica, suave e bela. É referência para todos os artistas que vieram depois dele. E continuará sendo enquanto existir... e existirá para sempre.


João não se conjuga no pretérito-perfeito, menos ainda no imperfeito, porque é e sempre será mais-que-perfeito. O passado em João são as fontes em que sacia sua sede do presente e inspira a nossa certeza do futuro.
João Gilberto não é Bahia. Não é Copacabana, Rio de Janeiro. É mais do que Brasil. É universal.
Sua musicalidade nos dá contentamento, encanta e reluz. Por isso é único e exemplar.
Sem igual.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Uruaçu faz 88 aninhos incrustada na nossa memória e coração


Hoje é um dia importante no cenário mundial. Tanto no cenário político, quanto econômico e cultural. O dia 4 de julho é significativo para a humanidade. Muitos imaginam que seja por causa da Independência dos Estados Unidos da América, com sua Constituição moderna. Fato importante, também.
Mas, o 4 de julho é histórico porque foi nessa data que o pequeno distrito de Sant’Anna, às margens plácidas do córrego Machombombo, começou a existir como município. Em 1953, passaria a ser chamado de Uruaçu, pássaro-grande, em Tupi-Guarani. Já disse aqui no blog, e não canso de repetir, que Uruaçu é o centro de Goiás, do Brasil, da Terra e, quiçá, do Universo (esta possibilidade estava sendo calculada pelo físico Stephen Hawking, que infelizmente veio a falecer).



Uruaçu faz parte da nossa memória cultural, pois, foi ali que vivemos toda nossa infância e adolescência. E esse período da nossa vida é sempre muito marcante. Verdade que a nossa memória é frágil. Falha. E com o passar dos anos, fatos e momentos vividos lá num tempo distante vão ficando menos alcançáveis.
Para homenagear nossa cidade, nada melhor do que recorrer à poesia, às vezes, nos ajudar a relembrar alguns desses momentos tão significativos. No meu caso, versos e uma música de Pixinguinha ajudaram a resgatar um tempo de criança, lembranças de um quintal de nossa casa.
Os flashes que vêm são de um quintal enorme com uma pequena varanda, um puxadinho coberto, com um jirau de madeira escura, onde se lavava vasilhas, limpavam frango, porco e lavavam-se verduras, carnes, legumes para as refeições.



Tinha uma cisterna, onde eventualmente adquiríamos a coragem de olhar para o fundo, bem fundo, e cheio de magias e imaginações.
Algumas secretárias domésticas passaram por ali e ficaram carinhosamente guardadas nas lembranças de menino. Abadia, Branca, Maria, Generosa. Naquele tempo, não havia televisão. As diversões eram ouvir rádio, brincar no quintal ou na rua, jogar futebol e tomar banho nos córregos e rios.
O tempo passa, mas as nossas lembranças ficam preservadas, guardadas na mente e no coração. Recordar é viver. E as lembranças nos fazem bem. Ajuda a comemorar o aniversário dessa cidade que, para nós, tem alguma coisa de magia e sempre gera contentamento.