O
livro A Beleza das Cicatrizes, de Inorbel Maranhão Viegas, foi traduzido para o
espanhol e lançado, no início deste mês, na Cidade do México, com o título “Las
Belezas de las Cicatrices”. Além de um extraordinário jornalista, Maranhão, é
um escritor, cronista e poeta de rara sensibilidade. Já trabalhamos juntos e com
frequência trocamos figurinha entres os nossos blogs. O ZecaBlog deve muito da
sua criação a esse belo amigo.
O
livro A beleza das cicatrizes é uma ode ao tempo. Nele, o autor recorre à prosa poética, com linguagem que corta como navalha — quando
necessário — mas que acolhe com precisão delicada as dores de um universo de
estranhezas, que invade o nosso cotidiano, sem pedir licença, todos os dias.
Vem daí a identidade da obra com seu título.
Nesta
obra, bem como em seu livro anterior “Cápsulas de Oxigênio” — sobre o qual já
escrevi aqui —, o cronista/poeta, ou, poeta/cronista — equação semântica cuja
ordem dos fatores não altera o resultado — tem uma capacidade incrível de nos
induz a perceber que mesmo na dor extrema a poesia pode nos salvar.
O
texto do escritor se alimenta da essência poética de Manoel de Barros, na mesma
medida que mergulha na alma confessional de Annie Ernaux. Dança nos acordes
pantaneiros de Guilherme Rondon, resgata os Estatutos do Homem, de Thiago de
Mello, para legitimar uma tese: Havendo paz e equilíbrio, até nas cicatrizes é
possível enxergar alguma beleza.
As cicatrizes de Maranhão Viegas são um exercício pessoal e intransferível que instiga o leitor a desligar-se do universo virtual que sequestra as horas. E nos dá a chance de ressignificar o sentido do tempo. Uma obra imperdível que está disponível no Amazon (clique aqui).
Abaixo uma pequena mostra do que pode ser encontrado e apreciado no livro:
Minissaia
Faz uns dias. Li
sobre a morte de Mary Quant. A ela é atribuída a invenção da minissaia. Aquele
pedaço encurtado de pano que revelou um novo tipo de mulher ao mundo. Mulher
ousada, cortou pra mais da metade o tecido que por vezes, chegava ao joelho e
dificultava os movimentos. Mais do que isso. Reforçava um ranço moral que ainda
hoje guarda resquícios resistentes numa sociedade que, volta e meia, revela
traços de intolerância enraizada. Mary fez muito. Transformando o tudo em quase
nada. Um traço revelador. De belas pernas. De liberdade. De desassossego.




















