quarta-feira, 15 de março de 2017

Poesia sobre a Natureza e os que se vão


A natureza não precisa de palavras. Ela fala por si só. Os poetas percebem e são capazes de expressar essa característica, razão maior de toda a beleza que salta aos nossos olhos e que, muitas vezes, nos emociona. É o que minha irmã Juracema, com sensibilidade, nos mostra nesse poema postado nas redes sociais. Na mesma semana, o conterrâneo e amigo Ítalo Campos fazia circular esse poema tão expressivo aos que se vão, longe, muito além da imaginação, quando embalados pelas asas “que mantêm o desejo”.


Resolvi juntar essas peças neste espaço. Quem sabe, abrir as portas para uma leitura menos diluída e mais literária desses dois textos tão interessantes. Crônicas, poesias, músicas e tantas outras manifestações artísticas andam meio soltas, por aí, nesses tempos de comunicação on line, instantânea, interativa, mas, ao mesmo tempo, tão dispersa.
Então, que falem os poetas. Mesmo que seja aos que se foram ou ao silêncio eloquente da Natureza.


Natureza silente
Juracema Barroso Camapum

Deste silêncio intenso
O que nasce, nasce de súbito,
Fim da procura se fechando...

Fitar a alma confundida,
Ter um centro no mundo,
Lançar ao vento tantas perguntas -
O riacho cantante traz suspiros
Ao corpo imerso e pleno.

Rescaldado sol do cerrado,
Alegria feminina no silêncio do sol.
Sons da natureza ao alcance, 
Personalidade que ri, grita, ama e chora.

Compartilhar os amores da natureza
As maravilhas observadas no silêncio
Transparente, receptivo e calmo.


Aos que se vão
Ítalo Campos

Posto que asas não são postas
às cobras e aos ratos,
porque esses vivem de rastros
e restos de chão,
para trajetos curtos, rumos pequenos,
os que se arrastam
não chegam.


E se têm desejos, fracos,
não os levam além, se recolhem
a pequenos frascos,
solúveis à pressão.
As asas são para outros
que vão longe,
que se atiram.
São asas que atravessam trevas,
nuvens, lugares.
São asas que transformam os
sonhos, as tristezas e a esperança.
São asas que avançam o que se lança
da imaginação.
São asas que mantêm o desejo
o que sustenta a civilização.


Posto que meus filhos não são ratos,
porque meu amor lhes deu asas,
agora partem.
E aqui ficamos com nossas asas recolhidas
a admirar os pássaros na construção
de suas novas vidas.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval, poesia, música e um bom motivo pra relaxar


Segunda-feira de carnaval é dia bom para cuidar de plantas, flores, fotografia, poesias, ouvir música e relaxar. Tem coisa melhor do que descansar e fazer tudo isso numa segunda-feira? E justamente uma segunda que não é nem feriado, mas apenas ponto facultativo. Como o meu Carnaval dos Amigos já passou, foi sábado passado, prefiro me recolher neste dia de muita agitação para tanta gente.
Brincar de poesia, fazer vídeo e apreciar a chuva mansa que cai lá fora. Coisas como esse curto poema Inversos, acima. Ou o vídeo abaixo, com fotos, poesia e fundo musical.
Bom carnaval e bom descanso para os amigos e amigas.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Blog faz seis anos com 300 mil visualizações de páginas


A comunicação mudou no século XXI, graças à rápida e ampla evolução da tecnologia, que tornou o mundo pequeno, aproximou os lugares mais distantes por meio de redes sociais de intensa atividade e de fácil acesso. Mergulhei nessas veias abertas desde os primeiros momentos, e estou por elas transitando e sobrevivendo, ainda. Embora participe mais intensamente do Facebook, tenho grande paixão mesmo é pelo blog.
O ZecaBlog está fazendo, neste mês carnavalesco de fevereiro, seis aninhos de existência, voltado para a cultura em todo o seu universo de expressão, desde as raízes à modernidade das novas tecnologias. O blog alcançou, no dia 09 de fevereiro, a significativa marca de 300 mil visualizações de páginas, desde que começamos naquele distante 16 de fevereiro de 2011, com a bela e expressiva poesia Áspera Flor, de Itaney Francisco Campos (para ler, clique aqui).
A partir de então, foram diversos e prazerosos os mergulhos pela nossa cultura, desde a terrinha Uruaçu, passando pelas mais diversas expressões regionais e nacionais, até a imensidão cultural de lugares como Japão, Cabo Verde, Caribe, Estados Unidos, França, Portugal e tantos outros recantos desse, como diria Carlos Drummond de Andrade, mundo vasto mundo.

Foi delicioso pesquisar e escrever sobre música, poesia, literatura, artes plásticas, cinema, teatro, dança, folclores, e também postar minhas ousadias poéticas e de cronista. Mais agradável ainda ter escrito sobre artistas como Baudelaire, Sandro Botticelli, Tom Jobim, Chico Buarque, Elomar, John Lee Hooker, passando pelos poucos conhecidos, como Vítor Garbelotto, Victor Ramil, Gamela, Joaquim Jaime, até os anônimos conterrâneos Zequinha, Mestre Plínio e Tia Zizi.
Prazeroso também foi ter colaboradores como Matheus Carvalho, Emília Ulhôa, Jean-Marie, Renato Pinto e tantos outros, além dos quatro conterrâneos que enviaram mensagens de congratulações ao blog; Itaney, Ítalo, Juracema e Sinvaline. As primeiras portas para o ZecaBlog foram abertas pelo amigo Inorbel Maranhão Viegas, a quem devemos o nascedouro de tudo isso. O blog não teria sobrevivido se não fosse o estímulo de apoiadores e incentivadores como o parceiro Jorge Luiz Carvalho, Márcia Dutra, Mônica Silva, Marco Túlio (Tuim) e muitos outros.
Vamos seguir adiante. O universo da cultura é amplo e irrestrito. Ainda há muito a pesquisar, conhecer e divulgar para os amigos e amigas, que, com paciência inexplicável, tem nos acompanhado passo a passo ao longo dessa estrada.
Como diria Fernando Pessoa: “Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito”.
Beijos blogueiros, bloguistas e blogados.

A internet é um mundão velho sem porteira! Por isso, chega de tudo! Chega do bom ao ruim. Mais de bom do que do ruim, diga-se, em favor dessa trama labiríntica, sem o fio de Ariadne. A vinda do ZecaBlog, por exemplo, compensou muita, muita coisa lamentável. Com suas crônicas líricas, inteligentes, bem-humoradas, mas, quando preciso, cheias de indignação, o blog do Zé Carlos enriqueceu nossas incursões pela rede mundial. Na rede do Zeca, recolheram-se estórias e história, muita prosa e poesia, belas imagens, viagens, visagem, poesia e até um pouco de melancolia! E não raro descobrem-se pérolas palpitantes nas conchinhas! Foram 300 mil passantes, 300 mil navegantes nesses remansos de boa escrita, lúcida, crítica, e auspiciosas notícias! Vida longa ao blog do Zeca!
(Itaney Francisco Campos)

“... milhões te adoram, e sem favor algum, entre os milhões, eis aqui mais um" ... saúdo o ZecaBlog com este trecho da canção de Pedro Caetano: Vitória Cidade Sol. Em meio a tantas bobagens que circulam na rede, o Zecablog é uma seara de bom gosto, ao nos trazer temas como literatura, sustentabilidade, fotografia, música, educação, esporte, turismo. De forma leve, o blog me informa, me orienta e me faz sorrir. Parabéns ZecaBlog! Continuarei seguindo seus posts pela vida afora.
(Ítalo Campos)


O ZecaBlog completa seis anos, nos ofertando sempre cultura, belas poesias, informações imprescindíveis. Acompanho o blog desde seus primórdios e tenho orgulho de ter participado com algumas colaborações. Visualizar é enaltecer a alma!
(Juracema Barroso Camapum)

Navegar no ZecaBlog é voltar no tempo, se atualizar lendo notícias, lembranças, críticas e muita poesia! Parabéns!
(Sinvaline Pinheiro)


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Concentra, Mas Não Sai já é neste sábado! Ufa!


Neste sábado, dia 11 de fevereiro, o pessoal do Carnaval dos Amigos realiza o já tradicional Concentra, Mas Não Sai. Uma espécie de preparação para o grande dia, uma forma de desenferrujar as juntas da moçada e também da velha guarda, que ninguém é de ferro! O “Concentra” deste ano vai ser no Mercado Popular da Rua 74, a partir da 14h de sábado. Temos que elogiar o profissionalismo dessa turma. Carnaval não é coisa pra amadores.
Este ano, os organizadores pretendem reunir todos os blocos no Concentra. Além do Bloco dos Amigos, fundador da festa, vão aparecer por lá o Zeferindo, Café Nice, Não Enche Meu Sax, o da Imprensa, Mercatto, Rocket 07 e o do Cerrado. A filosofia do Concentra, Mas Não Sai é concentrar bastante, mas não sair mesmo. Tem que cumprir a profecia do beato que dizia: folião bom, de raça, é aquele que, consciente, só dá uma volta na praça, volta e concentra novamente.


Tem sido assim, sempre. Todo mundo concentrado, tomando uma cervejinha bem gelada, embalados por banda de músicas, que resgatam velhas e tradicionais marchinhas carnavalescas. De vez em quando alguém grita “tá na hora” Todos se levantam, puxados por palhaços e outros foliões fantasiados, uma bandinha de grandes músicos, dão uma volta na praça e retornam para os seus lugares. É o finge que sai, mas não sai!  
Tenho orgulho de ser amigo dos amigos do carnaval, e ter contribuído para o surgimento dessa festa maravilhosa. Lá nos primórdios, fizemos, em parceria com Jorge Luís Carvalho, algumas músicas para ajudar a animar a turma e mostrar a cara do que se pretendia fazer. Deu certo. Hoje o Carnaval dos Amigos faz parte das atrações turísticas de Goiânia e é festa consagrada em todo o Centro-Oeste. E o Concentra Mas Não Sai também ganhou notoriedade.
Chega de conversa, vamos ouvir música e começar a preparar o espírito para o que vem aí. Serão dois fins de semana de doer os ossos, e o fígado. Mas, a gente aguenta!




domingo, 29 de janeiro de 2017

Carnaval dos Amigos faz o "debut" de alegria este ano


Pronto. Mês de janeiro acabou. Fevereiro já se apresenta faceiro, como sempre. Chega de assuntos sérios! Vamos falar do que interessa de verdade para o povo brasileiro: Carnaval! E mais especificamente sobre o Carnaval dos Amigos, aquela festa que acontece todos os anos, em Goiânia, desde o ano de 2003, quando o Bloco dos Amigos saiu às ruas pela primeira vez.
É hora de esquecer assuntos chatos como crise econômica, lava-jato, inflação, desemprego, preço dos commodities, estado islâmico, Donald Trump... as águas vão rolar e nenhum deles desce a avenida. A não ser que seja para serem ironizados, esculhambados pelas fantasias e tema das marchinhas espirituosas.


De algumas décadas para cá, o verdadeiro carnaval, de rua, das marchinhas, frevos e outras delícias, felizmente, ganhou espaço pelo Brasil afora. Extrapolou o eixo Rio-Bahia-Pernambuco, num colorido bem brasileiro de raças, cores e ritmos diversos e enlouquecedores. 
Foi neste contexto que surgiu o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, Goiás, que este ano comemora a sua 15ª edição. Como o próprio nome diz, nasceu do sonho de alguns amigos que adoravam curtir o Carnaval juntos, procurando sempre encontrar um local que pelo menos lembrasse a tradição dessa festa tão brasileira. No ano de 2003, pela primeira vez, saiu às ruas de Goiânia, o Bloco dos Amigos, depois de uma árdua e sofrida tarefa de concentração no Flamingo, às custas de muito chope, caipirinhas e feijoada.
Foi o suficiente para ser criada a tradição. Novos blocos foram surgindo, todos com a mesma filosofia de resgatar o verdadeiro carnaval de rua, dos blocos e da alegria, valorizando-se a espontaneidade. 
Este ano o evento acontece no dia 18 de fevereiro, primeiro sábado anterior ao sábado de carnaval. Pelo menos oito blocos já estão garantidos: Bloco dos Amigos, Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, o da Imprensa, Mercatto, Rocket 07 e o do Cerrado.
Pra quem não sabe, é bom lembrar. O Carnaval dos Amigos já é considerado a melhor festa carnavalesca do Centro-Oeste e uma das melhores do Brasil. E este ano estará debutando, fazendo 15 aninhos de muita alegria e paz...




sábado, 28 de janeiro de 2017

Avenca bonita é sinal de sorte, traição ou...


Minha mulher sentenciou, neste sábado, que avenca quando bonita demais é sinal de que o dono da casa está traindo. Fiquei calado, mas não pisquei. Dois vasos de avenca aqui de casa estão lindos de morrer. E essas sabedorias populares erram com frequência, como no exemplo em questão.
Adiantum Capillus Veneris, também conhecida como Cabelo de Vênus, é uma planta delicada, sensível, sucumbiria com facilidade ao desamor, à traição, aos olhares fingidos de qualquer morador da casa. Mudança no ambiente a avenca sente, murcha, e perde o brilho e a beleza. Exige cuidados constantes e bons fluidos.


Avenca é originária do Brasil, México e também dos Estados Unidos. Se Donald Trump descobrir esse parentesco da planta, provavelmente, vai assinar mais um decreto proibindo importação de avencas e mandando devolver as que, porventura, tenham entrado pela fronteira mexicana. Já o presidente mexicano, condenado a pagar os custos de tão relevante monumento para a humanidade, terá o direito de pendurar vasos de avenca no muro, mas, só do lado mexicano.
Todos nós somos frágeis como avenca. 

Avenca
José Carlos Camapum Barroso

Avenca no quintal
Se não te quero mal
Devo querer te bem
Mesmo que falem de ti
O que um dia ouvi
Entre soluços de alguém:

“Avenca do coração
Tirastes a minha paixão
Meu amor exacerbado.
Espalhastes pelo chão
O que havia de ilusão
Num frasco guardado”.

Galhos que secaram,
As folhas murcharam...
Um verde desbotado
São traços de ilusão
Distantes do coração
De um amor resignado...




domingo, 15 de janeiro de 2017

Dia mundial dedicado ao talento dos compositores


O que seria de nós, pobres mortais, se não existissem neste mundo os Compositores. Sim, com “C” maiúsculo, que é como deve ser escrita a atividade tão salutar e deslumbrante exercida por pessoas com esse talento. Desde os primórdios da humanidade, a música existe para nos dar prazer, nos distancia dos maus pensamentos, e serve como bálsamo naqueles momentos de estresse tão destruidores de mentes e corações.
A música, e, portanto, a composição, está associada ao surgimento das primeiras comunidades, quando as pessoas procuravam juntar-se para sobreviver e viver melhor. Dizem os estudiosos que a música surgiu há 50 mil anos, com as primeiras manifestações sendo feitas no continente africano, depois se espalhando pelo mundo afora.


Com o passar dos anos, essa capacidade de elaborar música brotou por diversas regiões: China, Índia, Egito, Grécia... E foram os gregos, na Antiguidade Clássica, lá pelos idos do século V Antes de Cristo, que elaboraram as primeiras teorias musicais. Os filósofos gregos tiveram participação fundamental nessa evolução. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para compreensão do mundo. Dizia que o Universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos. Lindo demais, não?
Ainda mesmo Antes de Cristo, o canto gregoriano já estava presente nas sinagogas e nos países do Oriente Médio. Foi aperfeiçoado no século VI, pela Igreja Cristã, que fez do canto gregoriano elemento essencial para o culto. As evoluções foram se sucedendo, com o surgimento da polifonia, com os músicos renascentista buscando uma composição que fosse universal, até a extraordinária gestão do Barroco. Surgem, então, os geniais compositores Lully e Rameu, na França; Vivaldi, na Itália; Haëndel, na Inglaterra; e Johann Sebastian Bach, na Alemanha.
Daí para a música clássica foi um pulo. Período marcado pelas composições extraordinárias de Haydn, Mozart e Beethoven. Também importante pelo surgimento das composições para instrumentos musicais e não apenas para o canto. São as chamadas “músicas para piano”. Então, surgiram as sonatas, a sinfonia e o concerto. E para ficar tudo ainda mais grandioso, veio logo o Romantismo, apoiando-se no talento de Beethoven, Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros. Os compositores e os apreciadores queriam morrer de tanta paixão...
Até desaguarmos no Século XX, com novas tendências e técnicas musicais. São muitas as possibilidades, que passam pelo Impressionismo, o Nacionalismo do Século XX, influências do jazz, politonalidade, atonalidade, Expressionismo, Neoclassicismo, Música Concreta, eletrônica, Serialismo total, e música Aleatória. Pode? Pode e veio somar-se a tudo isso o que ficou conhecido como música popular, aqui no Brasil, nos Estados Unidos, no Caribe, América Latina, Europa, África, Ásia, Oriente Médio...
Chegamos onde chegamos graças aos compositores, que hoje são homenageados em todo o mundo. A música é uma forte expressão da cultura de um povo, de um país ou de uma região. Música é arte e devemos essa grandeza aos verdadeiros artistas, que são os compositores.
Que eles sejam eternos como as suas composições!






sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dia de Santos Reis é data boa pra recordações


Quem não vai longe no tempo neste dia dedicado aos reis magos? Quando se houve músicas típicas de reisados, folias de reis... essas cantorias nos levam aos tempos em que acompanhávamos, extasiados, a chegada e a passagem dos foliões pelas casas dos recebedores. Também pelas investidas que fazíamos de porta em porta à cata das guloseimas.
Recordar é viver. E a vida nada mais é do que um amontoado de lembranças a justificar nossa existência de hoje e a embalar nossos sonhos do futuro. Senti isso de forma muito forte no dia de hoje. E percebi a mesma emoção na minha mulher Stela e no amigo Nélio Bastos, com os quais troquei mensagens e arquivos de músicas relacionados ao tema.
Stela passou o dia desmontando os enfeites de Natal, principalmente a árvore, seguindo a tradição de que todo esse aparato deve ser guardado no Dia de Reis. Enquanto fazia tudo isso, cuidadosamente, ouvia músicas relacionadas às folias de reis, aos reisados e às catiras – um universo que ela conheceu bem, pois, seu pai Geraldo Martins foi por muitos anos boiadeiro, tocando boiada pelo interior de Goiás, Minas e São Paulo.


Nélio é um cantor nato. Voz bonita, muito afinado e uma enciclopédia ambulante de letras de músicas brasileiras, guardadas e aprendidas de ouvir sua mãe cantar. Mandou a seguinte mensagem pelo zap zap: “A música de folia me abriu o baú da lembrança e me levou à infância. Ai, D'eu Sodade!!!”
A Stela fez questão de me contar que nunca viu um dia passar tão rápido e de forma tão agradável, apesar do forte calor e da falta persistente das chuvas. Logo ela que detesta o calor e ama, apaixonadamente, um dia chuvoso.
No dia 06 de janeiro de 2012, publiquei, aqui no blog, crônicas nascidas do trabalho acadêmico de duas alunas de Comunicação. Quem tiver um tempinho, vale a pena a leitura desse trabalho de Luara Nunes e Nathália Coelho, que virou um livro com o título de Mosaico mineiro:crônica da Folia de Reis e de Monte Carmelo”.
De repente, também vale a pena conhecer um pouco do mundo da Folia de Reis que permeia Brasília, uma cidade nova, marcada pelos traços da modernidade. Tem um post sob o título de Folia de Reis vive e convive com a modernidade no DF.
Que os três reis magos, com seus presentes de ouro, incenso e mirra continuem a estimular nossas recordações. E que também as novas gerações valorizem o folclore brasileiro, músicas e danças que permeiam essa cultura tão rica. Conta a tradição medieval, que Melchior, Gaspar e Baltazar voltaram a se encontrar 50 anos depois, em Sewa, uma cidade da Turquia. Fico imaginando as lembranças desse trio 50 natais depois do primeiro Natal de Cristo...







sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Dia da Esperança e os votos de feliz Ano Novo


Não é por acaso que 31 de dezembro é considerado o Dia da Esperança. Um ano chega ao fim e o outro estará se iniciando. Nada mais natural, então, que na passagem de um período para o outro, todos nos enchemos de esperança e desejemos essa virtude para os nossos semelhantes. E aí tocamos num ponto de discordância entre filósofos. Há os que consideram que a esperança não é uma virtude, como Santo Agostinho, e os que a consideram como tal, como Gregório de Nazianzo, o Teólogo.
Jean Paul Sartre, distante dos pensadores cristãos, é autor da frase “eu resisto e sei que morrerei na esperança”, que tanta estranheza causou àqueles que se dedicaram a obra do pensador francês. Na verdade, Sartre quis enfatizar o projeto, a ação do homem que caminha rumo a um objeto futuro, tendo em vista o presente, aquela certeza da realização da ação. É como se o homem estivesse sempre formando sua essência, que nunca está pronta, e, por isso mesmo, ele precisa se fazer.
Faço esse prolegômeno por uma razão muito simples. Não há nada de absurdo, ou exagerado, em se ter o último dia do ano como o da esperança. Não aquela esperança comodista e acomodada, que se assenta no pensamento de que basta esperar para que tudo venha a ocorrer.


A esperança tem que estar vinculada a ações positivas, pensamentos firmes e determinados, tudo isso na certeza de que as ações de hoje podem nos garantir os frutos a serem colhidos no futuro. Afastar os maus pensamentos, a obsessão pela crise, a proximidade com os fluidos negativos, ajuda bastante a quem deseja resistir e, portanto, imaginar-se morrendo de esperança.
Investir na solidariedade, no amor ao próximo e no engrandecimento daqueles que farão as gerações futuras, também é um bom contorno para a esperança.
O ZecaBlog é um espaço dedicado à cultura, desde que surgiu há quase seis anos, sempre com essa fé na existência, na arte do fazer, no engenho de elaborar aquilo que nos torne mais humanos e possa engrandecer o cidadão do futuro.
Nesse sentido, é que desejamos às amigas e amigos, visitadores desse espaço, sempre com paciência e carinho para com as postagens, um ano novo cheio de realizações e pleno de conquistas. Que 2017 nos encha de alegria e derrame sobre todas as mentes e corações o prazer e o contentamento que vêm das artes e da cultura.
Salve a esperança. Ela é a última que morre. Mas não nos esqueçamos que, também, pode adoecer primeiro, quando não regada a contento.
Beijos no coração de todos e até o ano que vem!

Esperança
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Minha mãe descobriu que o negócio bom é "ficar"


Minha mãe Iracema fez 79 aninhos de idade, hoje, dia 26 de dezembro, um dia depois que Jesus Cristo completou 2.016 anos a guiar nossos passos. Me confessou um segredo que eu não consigo guardar só para mim. Não quer mais saber de namoro. Agora o negócio é só ficar, como dizem os mais jovens. “Um rela-rela nos forrós da terceira idade, bom demais da conta”!
Está certa, minha mãe. Esse negócio de compromisso é coisa do passado, de muito antigamente. Ainda mais ela, que ficou grávida com 15 anos de idade, casou e cuidou do marido, enquanto esteve entre nós, e de quatro filhos por muitos e muitos anos. Também ajudou a criar os netos; mas, agora, na geração dos bisnetos, ela resolveu dar uma guinada de 180 graus.

A piauiense Iracema, como todo nordestino, é forte e vencedora. Ficou órfã com nove anos de idade. A partir de então, passou a trabalhar na casa dos parentes, no pesado, cuidando das crianças menores, tirando água da cacimba, e carregando lata na cabeça. Até que veio pra Goiás, em pau-de-arara, de carona com Florisbela (dona Flor), que viria a ser nossa vizinha em Uruaçu.
Quase não embarca para a terra prometida. Dona Flor só tinha autorização para levar uma das filhas do viúvo Edgard Barroso, a caçula Enoy, sua única irmã. Os quatro irmãos já tinham vindo para Goiás com o pai. Quem garantiu o embarque dela, por incrível que pareça, foi uma mulher considerada “de vida fácil” (imaginem!). Quando viu minha mãe chorando, porque não iria embarcar, chutou o balde: “Essa menina não pode ser separada da irmã; isso é um crime, não se aparta duas irmãs dessa forma”!

Veio. Ajudou a constituir a imensa família Camapum Barroso que se espalhou pelo Centro-Oeste e Brasil afora. Não foi fácil sua vida na pequena Uruaçu, uma cidade em formação, sem água, luz, saneamento básico, muito tradicionalismo e uma boa dose de preconceitos, espalhados pelas ruas de terra, poeira e enxurradas.
Mas, seguiu. Venceu dificuldades. Ergueu uma família bonita, unida e que deve todo sucesso a ela. E ainda teve a capacidade, mesmo com pouco estudo, de ter uma visão moderna da vida, livre de preconceitos e distante das injustiças. Tem um rol de amizades de dar inveja.
Hoje, data do seu aniversário e da confissão acima, recebeu dezenas de telefonemas de parentes e amigos de todos os cantos desse Brasil imenso. Tem dois aparelhos de celular, de operadoras diferentes, para baratear custos e poder falar mais tempo com tanta gente, inclusive as rápidas ligações para os ficantes. Tem WhatsApp e conta no Facebook
Por tudo isso e muito mais, ostenta razões de sobra para querer só ficar. A vida passa muito rápido para se perder tempo com compromissos longos e arrastados...