Em
tempos de comunicação veloz, imediata, porém, quase sempre, fugaz. Em meio a
esse turbilhão de informações que circulam nas redes sociais, com um percentual
elevado de fake news, ou até mesmo de golpe em cima da nossa ainda relutante ingenuidade.
Diante de tudo isso – e muito mais! –, tenho uma sugestão a fazer. Ouçam rádio!
Falem com as pessoas usando o velho e charmoso radioamador! Enriqueçam a
cultura nossa de cada dia!
Faço
esses apelos/sugestões, nesta quinta-feira (5/11), Dia Nacional do Radioamador
e, também, o Dia da Cultura. Amanhã (7/11) comemora-se o Dia do Radialista.
Todas essas datas estão sempre bem associadas, andam juntas, principalmente em
nossa memória.
O
universo do rádio, então, está embrenhado em minhas lembranças, por ser, sem
dúvidas, uma das paixões da minha vida. Boa parte da infância e juventude,
passei com o ouvido colado naqueles tradicionais aparelhos de rádio, que só
existem como relíquias.
São
deliciosas as surpresas que vêm pelas ondas sonoras, tanto nos noticiários,
quanto nos programas de músicas e humorísticos. Também achava, alguns anos
atrás, prazeroso, por exemplo, colocar cinco CDs e deixar tocar músicas
aleatoriamente, recurso hoje sofisticadamente chamado de shuffle. Quando
faço isso, os meninos lá em casa zombam: "lá vem o saudosista do
rádio...". Hoje tudo isso está superado pelo Spotify e outras plataformas.
Boa
parte das minhas recordações de infância tem alguma coisa vinculada ao rádio.
Lembro que certo dia estava sentado numa cadeira, ao lado da mesinha do rádio,
cumprindo meu ritual, quando entra o amigo de infância, Zé Renato Pereira (de
saudosa memória), dizendo: “seu avô morreu, tá sabendo que seu avô morreu!”.
Tinha
morrido, mesmo. E o corpo de seu Antônio Camapum, mais conhecido por seu
Toinho, já estava chegando a Uruaçu, vindo de Goiânia, depois de uma temporada
tentando debelar um câncer na capital do Estado. Lembro um pouco do velório, as
pessoas chorando muito e eu assustado com tudo aquilo. Depois, durante alguns
dias, o rádio ficou coberto com um pano preto. E eu sem entender o que estava
acontecendo. Além de perder meu avô, ainda não podia ouvir rádio? Explicaram-me
que era preciso guardar luto.
Adorava ir para casa do tio e padrinho Batista Coelho Barroso (de saudosa memória, foto ao lado), radioamadorista licenciado, que tornava as comunicações mais eficazes naqueles anos das décadas de 1950 e 1960, na pequena Uruaçu, encravada no coração do Brasil e do mundo - quiçá, do universo. Ele transmitia em PRK, um número tal, que já não me lembro, e com a deixa de Brasil-Guatemala-França. Sempre que falo do rádio, ou do radioamadorismo, lembro-me dele, que já nos deixou e foi surfar, com toda sua bondade e talento, em outras ondas desse imenso universo.
A
comunicação via rádio é fácil, direta, objetiva. O seu poder de difusão e de
penetração nas diversas classes sociais e pelo país afora é inestimável. Todos
amam o rádio, sejam radialistas, jornalistas, comentaristas, músicos, e até
mesmo, pasmem, os políticos!
Até
na criação do rádio tem dedo de brasileiro. O inventor, oficialmente, é o
italiano Guglielmo Marconi, que criou o "telégrafo sem fio", um
modelo inicial que se desenvolveu até o sistema que conhecemos hoje. Mas há
também quem atribua essa invenção ao padre brasileiro Roberto Landell de Moura,
que, em 1894, desenvolveu aparelho semelhante e efetuou a emissão e recepção de
sinais a uma distância de oito quilômetros, do bairro de Santana para os altos
da Avenida Paulista, em São Paulo. Religiosos fanáticos teriam destruído seu
aparelho e anotações por se tratar de pacto com o demônio, o que atrasou o
registro da invenção.
Ary Barroso (foto ao lado), merecidamente homenageado com o Dia do Radialista, era uma figura ilustre e folclórica do mundo do rádio. Flamenguista apaixonado, narrava os jogos de forma bastante peculiar. Quando o time adversário se aproximava da grande área do seu clube, em jogada perigosa, ele gritava: “Não quero nem ver!”. Se o Flamengo sofria um gol, então, ele acrescentava: “E deu-se a merda”.
O
rádio, os radioamadores e os radialistas merecem nossas homenagens. São
veículos de comunicação fantásticos, cheios de histórias curiosas e
intrigantes. Nessas ondas, podemos surfar com segurança e tranquilidade. Elas
não nos oferecem riscos, só contentamento.
















