quarta-feira, 6 de julho de 2022

Poesia atiça nossas lembranças sobre um Dia de Domingo

 

As manifestações culturais da nossa querida Uruaçu, no interior de Goiás, estão sempre a nos revelar gratas surpresas. A mais recente delas foi uma poesia divulgada num grupo de WhatsApp, da lavra do professor Edson Arantes Júnior, que leciona História na Universidade Estadual de Goiás, Campus Norte, com sede em Uruaçu.

O professor-poeta teve a sensibilidade, e o talento, de tratar em versos um tema muito pertinente a todos nós interioranos, que é o domingo. Um dia especial não por ser o dia do descanso semanal. Até porque muitos optam pelo descanso no sábado.

Acontece que o domingo é repleto de lembranças e enriquecido por atividades culturais as mais diversas. No nosso tempo de criança, na pequena Uruaçu, era dia de colocar uma roupa melhor, um sapato limpo, pentear o cabelo e começar tudo pela missa matinal. Depois ouvir música, bater papo com os amigos, parentes, até o almoço, que geralmente oferecia no cardápio: frango, galinha e/ou uma apetitosa macarronada.

O poema Dia de Domingo, desse poeta, professor e doutor em História pela Universidade Federal de Goiás, tem a capacidade de nos fazer viajar no tempo e de nos sentirmos como se estivéssemos em um dia de domingo, sentado à mesa do almoço familiar, aguardando o tão esperado e tão bem-preparado prato domingueiro.

Com a palavra o poeta, sua poesia e esses versos condutores de nossas lembranças.


Dia de domingo

Edson Arantes Junior

 

Preso no tanque

Um frango gordo

Espera aflito

 

A velha pega

Mãos ágeis

Firma pés, cabeça

 

No fim do pescoço

Atraca o polegar

Rodopia as penas

Até estalar

 

Água fervente

Não pode esperar

Escalda bem

Pra limpar

 

Rapidamente ele está branco

No fogo ele sapeca

Daqui, dali

- tem de queimar bem,

Pra não ficar cheiro

 

Leva pra pia

Lava com bucha e sabão

Seca com esmero

Começa a cortar

 

-presta atenção, quem

Sabe abrir um frango

Termina com vinte um pedaços

 

- Já cortou? O velho perguntava

Uma velha frigideira

Pouco óleo

O figo no fogo

 

Só um pouco

Pra tirar gosto

Uma dose de cachaça

Um pedaço pro menino

 

Tinha angu e quiabo

O frango é novo

Cuidado

 

De novo o velho

Dividia a moela

Com o menino

 

O menino não inzonava pra comer

A velha contava um causo

Era tanta

Vida


Rouanet morre. Congresso ressuscita incentivos à Cultura

                                     Foto: Pedro Gontijo (Senado Federal)


O ex-ministro da Cultura Paulo Sérgio Rouanet morreu no último sábado (3/7). Mas, a lei de incentivo a cultura, que recebeu o nome desse admirável professor, poeta e pensador, está agonizando e sendo menosprezada desde o primeiro dia do governo Bolsonaro. O presidente e seus fanáticos seguidores, por questões ideológicas, elegeram a cultura como o mal maior a ser combatido initerruptamente.

Um dos alvos preferidos para esse combate foi a Lei Rouanet. Atacaram esse modelo de incentivo à cultura em várias frentes até torná-lo um caldo de galinha para doente em estado terminal. Ao mesmo tempo, criaram o modelo, unilateral e antidemocrático, de financiar cantores sertanejos com polpudas verbas públicas das prefeitura Brasil afora. Uma tragédia.

Como se não bastasse, o presidente Bolsonaro usou sua caneta Bic para vetar dois projetos fundamentais para o mundo cultural: A Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo. Juntas, somam quase sete bilhões de reais em incentivos a projetos culturais tão afetados pela pandemia da Covid-19.

Felizmente, na noite desta terça-feira (5/7), os dois vetos foram derrubados por senadores e deputados federais depois de uma ampla e irrestrita movimentação da classe artística. As duas leis já estão em vigor e vão revigorar a nossa cultura, tão sofrida nesse tempo de pandemia e de fascismo bolsonarista. O primeiro, está passando, passará; o segundo, no pasarán!

Desde as eleições de 2018 até os dias atuais, Bolsonaro e seus seguidores fazem críticas e ataques sistemáticos à Lei Rouanet. No fundo, são preconceituosos, trazem um viés ideológico de extrema direita, e tentaram imputar ao incentivo todas as mazelas possíveis e imagináveis. O caso mais recente foi o do cantor Zé Neto da dupla com Cristiano.

Com todas as letras o cantor disse: "Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet. Nosso cachê quem paga é o povo". Em meio à repercussão da polêmica, foi revelado que o show de Zé Neto e Cristiano, em Sorriso (MT), foi financiado com R$ 400 mil de verba da prefeitura. Nos dias seguintes, se tornaram conhecidos outros casos de shows de sertanejos realizados com dinheiro de prefeituras, ou seja, dinheiro público.

A derrubada dos vetos às leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo vem lavar a alma de todos envolvidos, de alguma forma, com a cultura brasileira. Ela sairá mais forte e vai, com certeza, superar esses anos de obscurantismo. O ZecaBlog tem orgulho de apoiar os artistas brasileiros, nos momentos bons e nos momentos de extrema dificuldade, como esse que começou no da 1º de janeiro de 2019.

Tempos melhores virão! Para a cultura e para o povo brasileiro. Salve a cultura e todos aqueles vivem e sobrevivem da arte.


quinta-feira, 23 de junho de 2022

Em Uruaçu, até fofoca num sábado vira crônica literária

 

Uruaçu, nossa terrinha, fonte de tantas inspirações, traz sempre boas e interessantes novidades no âmbito cultural. A mais recente foi uma crônica do músico Rodrigo Kramer, publicada no Facebook. O jovem tem uma banda de rock chamada Casulo Fantasma e organiza um movimento cultural denominado Coletivo Gaffurina, sobre o qual já escrevi neste espaço (para ler ou reler, clique aqui).

Li o texto, achei muito interessante, divertido e com valor literário. Com a autorização do autor, publico para deleite dos leitores do ZecaBlog. Boa leitura.


Um sábado recheado de fofocas

Rodrigo Kramer

Todo o sábado de manhã, saio pra tomar café com as minhas amigas, dona Fofinha e dona Jeitosa. Ficamos na porta da casa de dona Fofinha, sentados debaixo da sombra de um grande Oiti, tomando cafezinho quentinho, por ela preparado. Ali, fofocamos, sem pesar, descendo a língua em quem o universo nos inspira...

Eu sou o único homem e o mais novo também, mas meu espírito de fofoqueiro é antigo, tanto que me dou muito bem com as duas senhoras. Tomei um carinho por elas e elas por mim. Nos reunimos, os três, todo o sábado, para o nosso café com palavras... só não falamos quando a boca tá cheia…

No último sábado, fofocamos sobre o entregador de leite, que tinha caído de moto e perdido todo o leite. Estava bêbado o coitado. Ficou na farra naquele arraiá da prefeitura, e não se aguentou em pé o dia inteiro. Coitado do moço... (dona Jeitosa e dona Fofinha ainda pegavam leite com o leiteiro).

Mas, nesse sábado, nosso assunto era a dona “Vizinha Viúva”, que tinha arrumado um namorado, e estava tendo encontros amorosos, em plena manhã, inclusive naquele dia. Dona Jeitosa já começou:

– Vocês viram quem está aí, na casa da Viúva. É o namorado dela, outro dia ouvi gritos de assanhamento bem cedinho, não era nem oito horas da manhã, nem consegui me concentrar no café – comentou, e nós caímos na risada.

– Tava achando bom, curiá! – exclamou dona Fofinha.

– Eu não conheço. É pelo menos bonitão, o cidadão...? – Perguntei, achando que a Viúva escolhia mal seus companheiros – O último era careca!

– Mas era um careca charmoso – completa dona Jeitosa. – Esse é bonito, rico e bom de cama... isso foi a Viúva quem me disse, quando a encontrei no mercado… Só perguntei: “tá namorando?” Ela disparou a falar e ressaltou: “é bom de cama!”.

– Você só ouviu isso Jeitosa! – falou dona Fofinha. Disparamos a rir.

Enquanto estávamos tomando o cafezinho e imaginando, em segundo plano, a libidinagem que dona Viúva estaria fazendo com seu parceiro, a grande camionete do namorado, que estava estacionada em frente à sua casa, começou a descer, desengatada, pra cima de nós, ameaçando atropelar a gente, quase uma tentativa de homicídio…

Saltamos pro lado, em movimentos quase rápidos e acompanhados de alguns “uis” e “ais”, e do sonoro grito de dona Fofinha: “ai meu Deus!!!”. Logo em seguida o estrondo da camionete batendo contra o Oiti (quase uma explosão)...

Tanto barulho foi ouvido lá dentro da casa da Viúva. Saem os dois, a Viúva e o namorado, correndo. Ele de cueca e ela de toalha…

- Ai, meu Deus, o carro da firma, como vou explicar isso!?! Como eu vou pagar??? - diz o namorado da Viúva desesperado.

- Ai, meu Deus, alguém me segura que vou desmaiar! - Interfere dona Jeitosa, e se joga pra cima do moço de cueca…

Dona Fofinha, nesse momento, começa a desfiar o terço:

- Que pouca vergonha é essa aqui, na porta da minha casa e meu conjunto de porcelana tá todo quebrado e olha o que você fez com minha árvore tirou a sombra do lugar!

Olhei pra ela, como se tivesse feito um bem “Salvei minha xícara”.

O namorado da Viúva quase chorando lança um sonoro “professora!?!” pra dona Fofinha.

Ela olha pro rapaz, olha pra dona Jeitosa no colo do rapaz, se fingindo, olha pra Viúva de toalha, esticando o pano pra ficar mais comprido, volta o olhar pra mim, com minha cara de assustado, e pergunta:

- Uai meu filho eu dei aula pro cê? Tô aposentada, memória fraca... aceita um cafezinho?

Todos respiramos fundo e aliviados. O pior passou, e não fofocamos mais naquele sábado.


domingo, 19 de junho de 2022

Chico Buarque faz 78 anos e nos dá presente pra lavar a alma

Chico Buarque, que faz 78 anos, neste domingo (19/6), está de volta ao cenário musical num momento em que a cultura brasileira mais precisa dele e de outros talentos. Nunca a nossa cultura foi tão atacada, vilipendiada como nesses três anos e meio de total e completo desgoverno. O ataque à cultura brasileira é ideológico, e por isso mesmo precisa de resposta.

Nada melhor do que uma reação vinda dos artistas que mais representam a nossa cultura. Começou no ano passado com o álbum Sem Samba Não Dá, de Caetano Veloso. Segue com a canção Que Tal Um Samba?, lançada na última sexta-feira (17/9) por Chico Buarque de Holanda, e que dará nome à turnê de shows pelo Brasil, a partir do dia 6 de setembro.

O single já está em todas as plataformas digitais. O samba surge para esconjurar a ignorância e desmantelar a força bruta – um recado claro de Chico sobre o Brasil desses últimos anos e, obviamente, sobre a necessidade de sairmos dessa, quanto mais rápido, melhor.

Caetano Veloso, no álbum do ano passado, canta Sem Samba Não Dá. Na letra, ele diz que está “tudo esquisito, tudo muito errado, mas a gente chega lá”. Não tem como não lembrar do samba de Caetano ao ouvirmos o samba de Chico. Os dois seguem caminhos semelhantes quando é tão necessário que seja assim. A cultura brasileira precisa disso e agradece. Agradecemos.

Em seu single, Chico Buarque tem Caetano como inspiração na letra de Que Tal um Samba?. “Um filho com a pele escura/Com formosura/Bem brasileiro, que tal?/Não com dinheiro/Mas a cultura/Que tal uma beleza pura…”. Versos inspirados em Beleza Pura, que Caetano lançou em 1979.

Chico Buarque fará, com a nova música, uma série de shows em 11 cidades (já confirmadas) entre 2022 e 2023, começando por João Pessoa, no dia 6 de setembro. Depois, Chico Buarque faz shows em Natal (9 e 10/9), Curitiba (23/24), Belo Horizonte (5, 6, 7 e 8/10), Fortaleza (22 e 23/10), Porto Alegre (3 e 4/11), Salvador (11, 12 e 13/11) e Brasília (29 e 30/11) e Recife (9, 10, 11/12) ainda neste ano. Em janeiro, a turnê chega ao Rio de Janeiro e, em março, os shows serão em São Paulo.

“Que tal um samba?” foi gravada no estúdio da gravadora Biscoito Fino pelo mesmo grupo que acompanha Chico Buarque há anos, entre eles Luiz Cláudio (violão), João Rebouças (piano), Jorge Helder (baixo) e Jurim Moreira (bateria). Thiago Serrinha foi convidado para a percussão e Hamilton de Holanda para o bandolim.

A turnê contará com a participação de Mônica Salmaso em todas as apresentações. Ela fará números solo e duetos com Chico. A cenografia é de Daniela Thomas. Maneco Quinderé é responsável pela iluminação e Cao Albuquerque, pelos figurinos. Na direção musical e nos arranjos, Luiz Cláudio Ramos.

Que belo domingo para a nossa cultura. Aniversário de Chico Buarque. Música nova do compositor no seu melhor estilo. Pra lavar a nossa alma e levantar a cabeça, com a coluna ereta e o coração aberto, como sempre, para vivermos novos tempos.

Beijos no coração.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Odessa nos deixou no Dia Universal de Deus, há 16 anos

Odessa e meus filhos Jordano e Ramiro, no Rio de Janeiro

Exatamente há 16 anos, nesse mesmo Dia Universal de Deus, minha sogra Odessa de Freitas resolveu, de forma abrupta e inesperada, trocar este mundo por um outro, talvez melhor e mais grandioso. Foi mais uma vítima dos acidentes de trânsito, tão frequentes nas metrópoles brasileiras. Mais um pedestre que entrou para as estatísticas quando transitava pelas ruas de Goiânia, na Avenida 85, bem pertinho do campo do Goiás, no dia 14 de junho de 2006, véspera de mais um Copa do Mundo de Futebol.

Durante todos esses anos de ausência, pudemos perceber quanta falta faz uma pessoa de personalidade marcante e presença constante em todos os episódios da família e dos amigos. Nunca se furtou a percorrer distâncias e atravessar fronteiras para visitar um parente ou um amigo.

Deixou muitas saudades e uma gama de boas lembranças, principalmente pela personalidade que ostentava: forte, determinada e de uma invejável capacidade de comunicação. Dedicou boa parte da sua vida à família, aos amigos e amigas. Não os abandonava, jamais, sempre dando atenção especial nos momentos bons e ruins da vida.

Quem não a conheceu, perdeu uma extraordinária oportunidade de conviver com uma bela pessoa. Sincera, muito franca e de uma presença de espírito impressionante. Adorava o Rio de Janeiro, o Botafogo, Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Getúlio Vargas, mas detestava Juscelino Kubitschek, Brasília e tudo que, por algum motivo, lembrasse "o comunismo". Era da UDN do lenço vermelho.

Católica, devota do padre Eustáquio.  Era mineira da gema e se orgulhava da sua gente.

Revirando nossos alfarrábios, descobrimos duas poesias que ela deixou, escritas de próprio punho. Demonstra seu lado romântico, mas também um pouco do modo duro e crítico como enxergava a vida. A poesia Regresso fala de alguns dias vividos na nossa querida Uruaçu, lá pelos idos de 1972. 

Já o poema Tarde Demais nos remete a uma surpreendente visão do amor, a alegria que ele nos traz, mesmo quando, supostamente, ocorre em descompasso com o tempo.

Resgato esses dois textos para matar um pouco a saudade dessa pessoa que ocupou um espaço importante na vida de todos nós.

Dezesseis anos... como o tempo passa rápido. Não se fazem ausentes, jamais, aquelas personalidades que sempre estiveram presentes pela força do seu ser. Pessoas assim são capazes de desafiar até o tempo. De fato, só poderia ter nos deixado no Dia Universal de Deus...

A Odessa de Freitas, minha sogra, mãe da minha mulher, avó dos meus filhos, bisavó dos meus netos, dedico esta canção. Que ela possa ouvir, ao lado de Deus, acompanhada de acordes celestiais.

Beijos no coração. 

Canção de adeus

José Carlos Camapum Barroso


Vou andar sobre nuvens

E trocar estrelas no céu,

Lustrar o brilho da Lua

E filtrar os raios do Sol.

 

Acariciar o vento Oeste,

Antes que o sopro Leste

Traga a fúria dos Deuses.

Trocar a lua Nova,

 

Pelo brilho da Cheia

A refletir na branca areia

Os sonhos de então...

Bem acima dos montes

 

A plainar no Horizonte

Como o voo da Águia,

Verei a fonte dos rios,

O espelho dos Lagos

 

A refletir a grandeza

Da natureza Divina.

E nos olhos, lágrimas,

Gotas puras de orvalho,

 

Prisma de cristal...

Saudades de então...

Tão perto do infinito

Mas distante dos meus,

 

A gritarem bem forte:

Por que o vento Norte

Não ouve a voz de Deus?

Ventos de tanta altitude,

 

Não escolhem Latitude,

Apenas cobrem a Terra

No manto da sagração.

É folha de esperança!

 

Como choro de criança,

Que jorra do coração...


terça-feira, 7 de junho de 2022

Luta pela Liberdade de imprensa continua, companheiros!

O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa costuma ser comemorado, sempre, com protestos ou muito trabalho da parte dos jornalistas. Nesta terça-feira (7/6), não está sendo diferente para os profissionais de comunicação e para todos que amam a liberdade, acreditam numa imprensa livre e estão sempre dispostos a defender os seus direitos.

Liberdade de imprensa, esse direito sagrado, conquistado a duras penas, está assegurado em nossa Constituição. Mas, vira e mexe, tem algum poderoso de plantão querendo espremê-lo contra o parede e flertando com a ditadura, a censura e ameaçando de morte os profissionais de comunicação. Mas, os jornalistas vamos lutando, sobrevivendo e mantendo erguida essa taça que é um troféu de todas as sociedades democráticas.

Lembro dos bons tempos de redação, nos duros anos da ditadura militar, quando a luta para exercer com dignidade a profissão era diária. Depois veio a redemocratização e as conquistas puderam ser ampliadas, consolidadas, mas jamais deixaram de sofrer ameaças.

Um relatório da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) sobre violações à liberdade da expressão, divulgado em março deste ano, mostra um aumento de profissionais de imprensa vítimas de atentados, agressões, ameaças, ofensas e intimidações em 2021, na comparação com o ano anterior.

Segundo a Abert, 230 profissionais e veículos de comunicação sofreram algum tipo de ataque, 22% a mais do que em 2020. Lamentavelmente, o principal autor das ofensas ao longo de 2021 foi o presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório lista 46 ofensas à imprensa por parte do chefe do Executivo.

Já apoiadores do presidente foram responsáveis por oito episódios de agressão, cinco de ameaça e cinco de intimidação, o que é compreendido como uma resposta ao estímulo a ataques à imprensa por parte de Bolsonaro.

Bolsonaro não esconde sua preferência por um regime ditatorial, nem mesmo disfarça que é favorável à tortura e admirador de torturadores. Então, só nos resta ampliar a nossa luta pelas liberdades democráticas, defender as instituições e a imprensa livre.

Nos tempos de ditadura militar, um dos instrumentos de luta eram as canções de protesto, quando elas conseguiam driblar a censura prévia e chegar até o público.

Músicas como as de Sérgio Ricardo, passando por Geraldo Vandré (Pra não dizer que não falei das flores), Chico Buarque (Apesar de Você), Gonzaguinha (Comportamento Geral) e tantos outros.

Passados todos esses anos, de pleno exercício da democracia sem perder a vigilância, jamais, ouvi, fazem um cinco anos, uma canção de Marcelo Camelo em parceria com Dominguinhos. Liberdade tocou fundo na minha alma, neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Precisamos de coisas novas, assim. De gente nova, assim, dessa maneira, poética, sensível e entregue ao livre – e duramente conquistado – direito de sonhar.

O sonho não acabou, amigos. Os jovens repetem isso. A luta pela liberdade continua nas ruas, nas escolas, no trabalho, na poesia, nos versos da canção. Nos dias claros e nas noites que já não são mais tão escuras...

Aos amigos jornalistas um abraço forte, sem perder a ternura, jamais.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Estela Ceregatti mostra amadurecimento em novo álbum

O novo álbum de Estela Ceregatti traz uma cantora, compositora e artista amadurecida por anos de dedicação plena à arte e à cultura. Terra Força Mulher, lançado nesta sexta-feira (3/6), tem tudo a ver com a personalidade dessa mato-grossense, que é amada pelo povo da sua terra e vem conquistando o público brasileiro graças ao seu talento e dedicação.

O álbum, segundo Ceregatti, “é filho de um trabalho que vem sendo gestado em meu ventre, com todo meu amor, há mais de três anos e representa o momento mais importante da minha carreira”. O trabalho homenageia as mulheres que inspiraram a artista na vida e significa “um fôlego de profundas conexões com a minha terra natal, Mato Grosso”.

O álbum conta com composições mais antigas e composições recentes, além de parcerias que refletem o momento de transformações importantes da humanidade, com a pandemia do novo coronavírus e tantos outros desafios enfrentados.

Nas palavras de Estela Ceregatti, o novo trabalho traz “a temática da força feminina geradora de vida, onde o útero feminino é repouso dos cantos ancestrais que regem minha trajetória, teço também minha relação com a mãe terra e a necessidade do cuidar”. A artista explica que tudo isso é “o cuidar do sagrado feminino, cuidar do âmago da  vida, da natureza que nos cerceia, da Terra (de dentro da gente e de fora), de nossas raízes ancestrais indígenas-negras, brasileiras e do mundo que nos acolheu”.

A produção e os arranjos musicais são de Jhon Stuart, multi-instrumentista de raro talento e companheiro de Estela Ceregatti na vida e na arte. Os dois têm em comum também a filha Jhoana Ceregatti, que compôs, aos cinco anos de idade, a canção Aroeira, interpretada por ela e pela mãe.

Terra Força Mulher traz parcerias com cantoras e autoras brasileiras que faz parte do cenário musical de Estela e pelas quais confessa grande admiração, como: a indígena Márcia Kambeba (PA), Socorro Lira (SP) e Déa Trancoso (MG).

Também participam do álbum o Grupo de Clarinetes Viajando pelo Brasil (Bruno Avoglia, André Ferjan, Patrick Moreira e Efraim Santana), Quarteto de Cordas (Fernanda Pavan - Viola de Arco, Oliver Yatsugafu - Violino, Yndira Villaroel – Violino e Thieres Brandini – Violoncelo) e Quinteto Vocal Desvendar: Diná Vicente, Nathally Sena, Gabriela Hipólito, Ana Carla Espatódea e Felipe do Mato.

Um trabalho de gente grande, artista amadurecida pela dedicação plena ao trabalho e à cultura. Curtam nas plataformas digitais de Estela Ceregatti. Vale muito a pena.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Prostitutas são homenageadas no dia de hoje no mundo

Prostitutas sendo levadas para prisão na França

O mundo dedica o dia de hoje às prostitutas. Uma forma de homenageá-las por tudo que passaram, enfrentaram ao longo de anos, séculos e milênios. Uma profissão tão antiga, quanto desvalorizada, desrespeitada, coberta de preconceitos e humilhações.

Chegam até a dizer que são mulheres de vida fácil. Como assim? Não há vida mais difícil de ser vivida. Mesmo quando morrem, não são bem lembradas até mesmo pelos parentes mais próximos, como filhos e netos. Por mais justas e honestas que tenham sido, serão sempre relacionadas a atividades criminosas, coisas do demo, sinônimos do pecado.

O Dia Internacional da Prostituta foi criado na década de 1970, quando houve um forte perseguição a essas profissionais no território francês. No dia 2 de junho de 1975, cerca de 150 mulheres dessa profissão ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França, procurando chamar a atenção da sociedade para situação deplorável e injusta a que estavam submetidas.

Amensterdã, estátua homenageia prostitutas

As ações dessas prostitutas foram transmitidas pelos meios de comunicação para a França e para todo o mundo, inclusive o Brasil. Elas não se limitaram à invasão da igreja. Foram feitas passeatas nas ruas de Lyon, Marselha, Montpellier, Grenoble e em Paris, onde as colegas decretaram greve.

No dia 10 de junho, às 5h da manhã, as mulheres foram violentamente expulsas da igreja por uma ação da polícia. Mas, o recado ficou dado. Rompeu-se o silêncio. As prostitutas tiveram a coragem de denunciar o preconceito, a discriminação e as arbitrariedades, chamando a atenção para todo o tipo de violência que sofriam.

Por tudo isso, a data de hoje foi declarada oficialmente o Dia Internacional da Prostituta. E o ZecaBlog rende suas homenagens a essas trabalhadoras, com o poema abaixo e o vídeo musical.

Beijos, meninas!

Essas mulheres

José Carlos Camapum Barroso

 

Mulheres de vida fácil

Tão difícil o dia a dia

Mesmo quando notável

Não ganham honraria

 

Mulheres de vida fácil

Fácil mesmo, quem diria,

É o embalar afável

Do filho que não queria

 

Pela vida, bem sabia

Que o valor recebido

Nunca fora o que sonhou

 

Mesmo caro, não valia

O seu sonho escondido

Num velho jarro de flor


domingo, 29 de maio de 2022

Izabella Rocha inicia 3º álbum e promete um "jazz tropical"


Já está lançada a primeira canção que vai fazer parte do próximo álbum Bella ao Vivo, da cantora brasiliense Izabella Rocha, que será o terceiro de sua carreira. A escolhida foi “Presente de um Beija-Flor”, de Alexandre Carlo (Natiruts), um reggae bem brasileiro que ganhou uma roupagem jazzística, bem ao estilo da cantora.

Os álbuns anteriores de Izabella Rocha foram Gaia, em 2016, e simplesmente Bella, em 2021, em plena pandemia do novo coronavírus, registrado aqui no blog (para ler ou reler, clique aqui).

O novo álbum foi gravado no final do ano passado, com esmerada captação audiovisual, arranjos especiais e contou com a participação de músicos tarimbados como Misael Barros, Dido Mariano, Moises Alves, Renato Vasconcellos, Rodrigo Bezerra, Felipe Viegas, Carlos Cárdenas, Luiz Paulo Dourado Freire e André Freire.

Com essa releitura, a cantora inicia lançamento do novo álbum, previsto para ser lançado completo ainda este ano, de preferência antes do Natal. A cantora é uma das fundadoras e atual integrante da banda Natiruts e mostra, com o lançamento desse single, como será bonito e saboroso o terceiro álbum solo de sua carreira.


Na direção musical, assina o pianista e produtor Renato Vasconcellos.

E, na artística, a cineasta e diretora de teatro Luciana Martuchelli que também assina a produção pela TAO Filmes, em parceria com a Granmidia e KLanga Produções.

“Escolhi gravar Presente de um Beija-Flor por sua beleza e significado na minha vida musical. Foi o primeiro grande hit do Natiruts, que nos projetou no Brasil e no exterior e ainda carrega um pouquinho de Brasília na letra: ‘Eu vou surfar no céu azul de nuvens doidas/Da capital do meu país’. A música tem o mérito de ser o primeiro reggae nacional que em muito tempo realmente estourou, projetando o ritmo de maneira consistente no país." relembra a cantora.

Sobre a inspiração “jazz e afins” que marca o trabalho, explica: “O desafio de ‘Bella ao Vivo’ foi trazer músicas de vários estilos para dialogar com o jazz, mas harmonizando com as tantas referências que fazem da música brasileira tão singular. Podemos dizer que o álbum explora um ‘jazz tropical’, com um sotaque brasileiro e o nosso reggae ‘brazuca’ também está lá".

Com a palavra, e com a voz, essa excelente cantora da nossa música brasileira. Que tenha sucesso e consiga encantar o público como tem feito até aqui na sua carreira.