terça-feira, 17 de abril de 2018

Dona Ivone Lara, aos 97 anos, vai buscar quem mora longe


Vai buscar essa saudade, sonho meu, sonho nosso, sonho de todos os que amam o samba e a Música Popular Brasileira. A Dama do Samba, dona Ivone Lara, esse ícone da nossa cultura, morreu nesta madrugada, na Coordenação de Emergência do Leblon, no Rio de Janeiro, onde estava internada desde sexta-feira (13), dia em que completou 97 anos de idade.
Compositora e intérprete de um talento excepcional, dona Ivone Lara era uma mulher forte, guerreira. Qualidades essas que foram lembradas pelos familiares no hospital. "Ela estava sempre procurando um caderninho para escrever uma música, estava sempre cantarolando pro neto. Até a última semana ela estava super bem, com a cabeça ótima. Ela estava muito fraquinha, mas a cabeça estava ótima", conforme contou ao G1 a nora Eliana Lara Martins da Costa.


Dona Ivone Lara teve forte influência musical da família. Sua mãe Emeretina Bento da Silva era cantora e emprestava sua voz de soprano a ranchos carnavalescos tradicionais do Rio de Janeiro, como o Flor do Abacate e Ameno Resedá. Seu pai José da Silva Lara era violonista de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos. Como ficou órfã muito cedo, dona Ivone foi criada pelos tios e com eles aprendeu a tocar cavaquinho, a ouvir samba e a ter aulas de canto com Lucília Villa-Lobos.
Ao se casar com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha, dona Ivone conheceu Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que viriam a ser seus parceiros em sambas de enredo históricos, como Os Cinco Bailes da História do Rio, em 1965.


Depois de se aposentar em 1977, dona Ivone Lara passou a se dedicar de forma mais intensa à música e compôs belas canções, como Nasci para Sofrer, que se tornou hino da escola de samba do seu coração. Fez também Acreditar, Mas Quem Disse Que Eu te Esqueço e Não Me Perguntes, entre tantos outros grandes sucessos.
O corpo de dona Ivone Lara será velado nesta terça-feira na quadra da escola de samba Império Serrano. A música popular brasileira está de luto.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

4º Prêmio Profissionais da Música agita semana cultural

Gustavo, o idealizador, e Menescal, o homenageado do PPM deste ano
Brasília começa hoje uma semana que pode ser considerada a mais musical da história da cidade e de um valor significativo para a cultura brasileira. Começam as atividades da 4ª edição do Prêmio Profissionais da Música (PPM), com shows, palestras, painéis, pitching, sessão solene e premiação em 53 categorias do universo da produção musical, disputadas por quase mil concorrentes de todo o Brasil.

Se todos os estados brasileiros tivessem um prêmio como o PPM, 
nossa cultura musical seria uma das três maiores do mundo,  
sem nenhuma dúvida. Fico muito feliz em ser homenageado por este 
evento que, por suas características, é único no Brasil”.
(Roberto Menescal)

O PPM existe e chegou ao nível em que se encontra graças ao músico e produtor Gustavo Ribeiro de Vasconcellos. Além de idealizador, Gustavo assumiu de corpo e alma a premiação, transformando-a em uma das maiores realizações da produção musical brasileira. O evento, que começa hoje e vai até sexta-feira, será uma homenagem a Roberto Menescal, um dos fundadores da bossa-nova e personalidade no mundo da música ainda hoje aos 80 anos de idade.

Alfonsina, uruguaia no 4º PPM
Quatro atrações internacionais estão programadas para esta semana. Incluem palestra com o produtor norte-americano Allen Johnston e shows com a norte-americana Layla Khepri, a uruguaia Alfonsina e o sul-africano Mphuzi Chauque. Vários espaços da cidade serão ocupados, como o Cota Mil Iate Clube, a Câmara Legislativa do Distrito Federal e o Pier 21. Paralelamente, casas de tradição musical da cidade como o Bar Brahma, Galeria Mundo Vivo, Café Savana, O’Rilley e Eye Patch Panda.
A programação 2018 ganhou reforço na parte musical, buscando uma aproximação maior com o público. Além dos artistas da cidade e finalistas que se inscreveram (73 inscrições), outras participações vão ajudar a movimentar a cidade nesses seis dias.
O shopping Pier 21 abrigará a maior parte da programação do evento. Em uma praça democrática, a curadoria foi feita de modo a prestigiar o máximo de variedades e estilos, passando pela viola caipira, rock nacional, música erudita e outros.

A matogrossense Estela Ceregatti é atração em Brasília esta semana
Nas apresentações nacionais estão: Tarot (DF); Lupa (DF); Joana Bentes (ES), Natália Carreira (DF) e Adriah (DF), com o projeto Canta que nem Mulher; Chico Lobo (MG); Káthia Pinheiro (Toccata); Estrela Leminski e Téo Ruiz (PR); Craca e Danni Negra (SP), Noite Catarina com John Müeller e Sarau Afro-Açoriano (SC) e Estela Ceregatti (MT).
A grade de showcases do PPM 2018 se estenderá por casas noturnas de Brasília com a mostra Curto Circuito Independente e contará com Cesinha Rodrigues, Tex Quarteto, Ray Tito e os Calabares, Seu Preto e Dhi Ribeiro, todos do Distrito Federal. A única que virá de fora será Camila Cortez, responsável pelo tributo a Elis Regina, atração da noite Happy-Hour com Menescal, no Bar Brahma.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Rio, sob intervenção, comemora 453 anos de beleza


O Rio de Janeiro faz hoje 453 anos. Ironicamente, sob intervenção federal. Justamente a cidade brasileira mais aberta a todos os cidadãos e cidadãs do mundo. Com seu Cristo Redentor de braços abertos para a baia de Guanabara, o Rio, mas especificamente o carioca, sempre recebe de forma acolhedora, deixando-nos à vontade para curtir e apreciar suas belezas e atrações, que são muitas.
Vejo o Rio de Janeiro não apenas como uma cidade. É também um estado de espírito. O astral, o humor e a disposição do visitante começam a melhorar quando se avista a cidade pela primeira vez. Aquela aproximação do Rio de Janeiro já compensa a viagem. Se chegamos de carro, então, melhor ainda. O sobe e desce da Serra do Mar, as curvas da estrada, o espalhar da vista em direção à Cidade Maravilhosa, tudo isso nos enche de contentamento. Imagino ser fantástica, também, a aproximação da cidade maravilhosa pelo mar.
Mesmo com o fantasma da intervenção e os índices altos de violência, não podemos esquecer que essa cidade, aos 453 anos, continua à disposição dos cariocas, brasileiros, estrangeiros, indígenas e alienígenas, com sua Baía de Guanabara a nos receber plenamente, o Cristo sempre redentor, e suas montanhas íngremes e ondas do mar o tempo todo a nos advertir: deixar esse cantinho não é fácil, meu irmão!


Cantado em versos e prosas, músicas, estampado em fotografias, cinemas, pinturas... o Rio é fonte inesgotável de inspiração. Suas belezas são naturais e opõem o azul do mar ao verde das matas, a imensidão do céu à limitação das serras, do concreto e das construções que desconstruíram os morros.
O Rio é tudo isso junto, amalgamado por uma energia sem precedentes e sem limites, embalado pelo ritmo do samba, o balanço da bossa-nova, a melodia do chorinho e os versos de Bandeira, Drummond e Vinícius. A musicalidade salta pelas bochechas de Pixinguinha, o queixo de Noel, o nariz de Cartola, os olhos de Chico e as orelhas de Ary Barroso. No peito, a batida forte de sambistas como Beth Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Candeia, Cartola, Monsueto, Silas de Oliveira, Martinho da Vila, Moacir Luz e tantos outros... E as belíssimas escolas de samba.
O Rio a ser lembrado e homenageado não é o da violência e da intervenção federal. Isso é passageiro e em breve será página virada da nossa história.


O Rio que está lá, hoje, a comemorar seus 453 aninhos de existência, sob o calor do Verão, o sol, a frescura das ondas e a ternura da brisa, que sopra pelo calçadão de Copacabana, os restaurantes, os bares e as ruas cheias de garotas de Ipanema, do Meier, do Leblon... esse é o Rio que habita nossas mentes e pulsa forte em nossos corações.
Infelizmente, estamos aqui, pobres mortais, a enfrentar mais um dia de trabalho, a torcer para que a sexta-feira chegue rapidamente e o fim de semana não seja tão quente. Vamos continuar a embalar o sonho de rever o Rio de Janeiro logo, antes que o Verão termine. Se não for possível, depois que ele passar e chegar o Outono, o Inverno, a Primavera...
Enquanto isso, vamos ouvir um pouco de música que traduza a grandeza do Rio. Tom Jobim e Frank Sinatra, e na sequência Chico Buarque, João Gilberto e Stan Getz.
Mais do que nunca é preciso cantar: Viva o Rio de Janeiro!




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Carnaval dos Amigos esquece a tradição e cai no lugar comum


Uma pena, mas, infelizmente, o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, a cada ano que passa, na mesma proporção que cresce, está perdendo sua identidade e ficando distante das motivações pelas quais foi criado. Lá, no longínquo 2003, quando o Bloco dos Amigos, sozinho, desceu a avenida, do restaurante Flamingo até o Vaca Brava, o sonho de todos era o de resgatar o verdadeiro carnaval, embalado pelas marchinhas, frevos, sambas de enredo e sambas afinados com o espírito da festa. Não é bem isso que salta aos olhos, fere os ouvidos e dói na alma, depois de terminada a 16ª edição da festa, no último sábado.


Confesso que acordei com uma ressaca moral no domingo, com gosto de quarta-feira de cinzas na garganta, pois, pela primeira vez não pude participar do Carnaval dos Amigos, que ajudei a criar e pelo qual tenho orgulho. A ressaca piorou mais ainda quando comecei a receber os comentários sobre a festa e, também, pelas matérias estampadas nos jornais. O Carnaval dos Amigos passou a ter de tudo em seu repertório: rock, música sertaneja, Anitta, funk e outras músicas que nada têm a ver com o Carnaval.
No salão em que se concentra o Bloco dos Amigos, no Flamingo ou no Oliveira’s Place, não se tocava esse tipo de música, exatamente porque a proposta sempre foi a de resgatar a tradição dos carnavais de salão e de rua, com bandas e as músicas condizentes. Este ano, abriram as porteiras e o repertório foi contaminado por músicas sertanejas e outras querelas que não têm identificação com o Carnaval. A justificativa, se é que ela existe, dada pelos organizadores, é a de que o Bloco dos Amigos se uniu ao do Zeferino, e este toca tais músicas.


A rigor, o bloco do Zeferino, ou qualquer outro, ao decidir participar do Carnaval dos Amigos deveria estar imbuído do mesmo espírito carnavalesco. Caso contrário, todos esses blocos deveriam e poderiam ter criado um outro carnaval, dentro de outros padrões e propostas. Nada contra. Poderiam imitar os carnavais de Salvador, com músicas baianas, axé, sertanejas, rock e um cordão de isolamento para cada bloco.
Esse lado triste e empobrecedor da festa fica ainda mais notório, e decepcionante, quando olhamos as fotos do Carnaval dos Amigos. Muita gente bonita, fantasiada, com fantasias criativas, interessantes, bem dentro do espírito carnavalesco. Fico imaginando todos esses personagens dançando no salão e nas ruas ao som de música sertaneja, rock’n’roll, Anitta...


Não dá. É muito triste e decepcionante. E eu fico me perguntando, cá com meus botões: tem solução para as próximas jornadas? Pouco provável, mas, fica o desafio para todos nós, admiradores, organizadores, participantes e todos aqueles que amam e curtem o verdadeiro carnaval.
Vamos refletir juntos? Antes tarde do que nunca.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O dia em que o publicitário nem sabe que é seu


Publicitário só não é mais desligado do que músico. Liguei para uma amiga. Queria dar a ela parabéns pelo Dia Mundial do Publicitário, que se comemora hoje. Ela fez a pergunta óbvia: “parabéns por quê, mesmo? ” Nem lembrava. Nove em cada dez publicitário não deve saber que o dia de hoje também é dedicado a eles. São tão especiais que as comemorações por essa profissão acontecem duas vezes no ano: neste 1º de fevereiro e no dia 4 de dezembro.
Provavelmente nem se lembram dessas coisas porque a cabeça deles anda num outro mundo: o da criatividade. Um universo que, para ser frequentado e vivido, exige sensibilidade, bom senso, autocrítica, bom gosto, cultura, em suma, uma inteligência refinada. Aprecio meus amigos publicitários. É tudo gente boa.


Tenho verdadeira paixão pelo poder de síntese. Aprendi a desenvolver, um pouco, essa habilidade no período em que fui editor de primeira página do Jornal de Brasília. O publicitário é necessariamente rico nesse quesito. Ou desenvolve essa qualidade ou não conseguirá dizer tudo que precisa ser dito em poucos segundos, com poucas palavras, num gesto só ou apenas uma imagem.

A profissão passou a ser reconhecida, no Brasil, a partir de junho de 1965, com a promulgação da Lei 4.680. Já existiam os cursos de Comunicação com especialização em Publicidade. A Lei veio apenas regulamentá-los. Desde então, passaram a propiciar formação mais ampla nas áreas de ciências humanas – psicologia, sociologia e antropologia –, com reforço em redação publicitária, linguagem publicitária e criação.
A questão da ética também é fundamental, nessa e em qualquer outra profissão. É só dar uma olhadinha na história para ver os riscos que corremos com publicidades enganosas. São conhecidos os exemplos de que uma mentira dita muitas vezes pode virar verdade; nem que seja por pouco tempo, mas será suficiente para provocar estragos. Salve a publicidade de bom-gosto, criativa e inteligente! Forte abraço para os amigos publicitários e um beijo grande para as amigas publicitárias. E até 4 de dezembro em novas e instigantes comemorações.




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Superlua volta a encantar em várias partes do mundo


Aprecio bastante os fenômenos da natureza. Principalmente os que envolvem a Lua. O amanhecer desta quarta-feira foi marcado por uma rara coincidência envolvendo o astro inspirador dos poetas e seresteiros. Em algumas regiões do planeta, o cidadão pode observar uma Superlua, uma Lua Azul e uma Lua de Sangue, esta última em decorrência de um eclipse lunar. A agência espacial americana, Nasa, está chamando essa junção de "Superlua Azul de Sangue" (Super Blue Blood Moon).
Infelizmente, no Brasil, o fenômeno ocorre na noite desta quarta-feira sem o eclipse, que poderá ser visto apenas em algumas localidades do extremo norte do país. Portanto, a maioria dos brasileiros poderá observar somente a Lua cheia em seu perigeu, o que se chama de Superlua e ocorre quando o satélite chega a um ponto muito próximo da Terra. Mesmo assim, de rara beleza.


A coincidência da Superlua com um eclipse não acontecia desde 1982. Ele pode ser visto melhor na América do Norte, Oriente Médio, Ásia, Rússia Oriental, Austrália e Nova Zelândia.
Esta Superlua é a terceira de uma série que começou em dezembro.
O termo Lua azul se refere a uma segunda Lua cheia em um mesmo mês, um fenômeno que ocorre em média a cada dois anos e meio. Já a Lua de sangue ocorre quando o astro não fica completamente negro durante o eclipse, visto que uma parte da luz do Sol, refletida pela atmosfera terrestre, alcança indiretamente a superfície lunar. Com isso, alguns raios solares também vazam, produzindo um reflexo avermelhado ou acobreado na Lua. Este fenômeno ocorre quando o astro alcança seu ponto orbital mais próximo à Terra.

O lado lunático da lua
(José Carlos Camapum Barroso)

A escuridão comeu a lua,
Em pleno céu de Brasília.
O homem que vinha pela rua
Nem notou, nem sentiu a mordida.

Então a lua, entristecida,
Meio amuada, meio contida,
Vestiu-se novamente de noiva:
Vagarosamente embranquecida.

São Jorge respirou, aliviado
Podia continuar a batalha
Eterna com o dragão, pela vida.

Os namorados, enternecidos
Beijaram-se aliviados, escondidos...
Temiam que a lua, enegrecida,
Jamais voltasse a produzir luar.

O que fazer pelas ruas, então?
Voltar ao lar, cabisbaixo,
Pro magnetismo da televisão?

- Não, não! Disse a lua constrangida.
- Eis-me aqui, noiva arrependida,
A clarear todas as noites de suas vidas.

E assim passou o eclipse lunar,
Como passa o passo do exibicionista.
E a lua, ainda lenta, continua a vagar...
Deixando a escuridão amortecida.



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Tristeza e impunidade nos 5 anos da tragédia em Santa Maria


Por mais incrível que possa parecer, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, está caindo no esquecimento. E o que restou, de fato, foi a impunidade, reinando sobre a nossa falta de memória, nossa incapacidade para dar sequência e consequência à indignação. O tempo passou rápido e a impunidade tornou-se presença marcante para quem visita hoje aquela cidade gaúcha.
Foi o que constataram repórteres da revista Veja, na edição da última semana. Numa bela e competente reportagem, mostraram que, da tragédia, restaram tristezas e impunidades. Sobrou também um processo em que o Ministério Público acusa a associação que representa os pais das vítimas de desrespeito para com as autoridades.  
Todas as tragédias acontecidas no Brasil desaparecem no tempo com sabor de impunidade. A da boate Kiss, que completa cinco anos neste 27 de janeiro de 2018, segue a mesma cartilha, embora tenha chocado o Brasil e o mundo, com saldo assustador de 242 jovens mortos de forma brutal, vítimas do descaso, irresponsabilidade e desleixo de autoridades, empresários e outras pessoas envolvidas naquele episódio.


Quantos pais ficaram sem seus filhos. Quantos filhos sem pais. Órfãos, talvez, de impunidades que marcaram tragédias anteriores. Dezenas de pessoas que sobreviveram àquela madrugada fatídica, ainda hoje vivem dramas difíceis de serem dimensionados. 
Quem, como nós, está distante de uma tragédia não consegue dimensioná-la adequadamente. Só nos resta rezar pela alma das vítimas fatais e pela plena recuperação dos que sobreviveram. Minha oração é essa abaixo, que já publiquei outras vezes e pretendo repetir por anos e anos. Desta vez, sai publicada em forma de vídeo. Quem sabe conseguiremos, assim, aplacar um pouco a dor de tantas famílias e alertar as autoridades para os riscos inerentes à impunidade.




"Concentra Mas Não Sai" desconcentra Goiânia neste sábado


Neste sábado, dia 27 de janeiro, o pessoal do Carnaval dos Amigos, em Goiânia, realiza o já tradicional Concentra, Mas Não Sai. Uma espécie de preparação para o grande dia, uma forma de desenferrujar as juntas da moçada e também da velha guarda, que ninguém é de ferro! O “Concentra” deste ano vai ser no Mercado Popular da Rua 74, a partir da 14h de sábado. Temos que elogiar o profissionalismo dessa turma. Carnaval não é coisa pra amadores.
Este ano, os organizadores pretendem reunir todos os blocos no Concentra. Além do Bloco dos Amigos, fundador da festa, vão aparecer por lá o Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, Imprensa, Rocket 07, do Cerrado, Cateretê, Meu Pai Te Ama, Butcherry e Bloco do Aê. A filosofia do Concentra, Mas Não Sai é concentrar bastante, mas não sair mesmo! Tem que cumprir a profecia do beato que dizia: folião bom, de raça, é aquele que, consciente, só dá uma volta na praça, volta e concentra novamente.

Tem sido assim, sempre. Todo mundo concentrado, tomando uma cervejinha bem gelada, embalados por bandas de músicas, que resgatam velhas e tradicionais marchinhas carnavalescas. De vez em quando alguém grita “ na hora”! Todos se levantam, puxados por palhaços e outros foliões fantasiados, uma bandinha de grandes músicos, dão uma volta na praça e retornam para os seus lugares. É o finge que sai, mas não sai!  
Tenho orgulho de ser amigo dos amigos do carnaval, e ter contribuído para o surgimento dessa festa maravilhosa. Lá nos primórdios, fizemos, em parceria com Jorge Luís Carvalho, algumas músicas para ajudar a animar a turma e mostrar a cara do que se pretendia fazer. Deu certo. Hoje o Carnaval dos Amigos faz parte das atrações turísticas de Goiânia e é festa consagrada em todo o Centro-Oeste. E o Concentra Mas Não Sai também ganhou notoriedade.
Chega de conversa, vamos ouvir música e começar a preparar o espírito para o que vem aí. Que tal um vídeo com a música Frevo Goiano? Ajuda a esquentar porque, daqui pra frente, serão dois fins de semana de doer os ossos, e o fígado. Mas, a gente aguenta!



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Minha mãe está entendendo até de vinho, pode?


Minha mãe agora está entendendo também de vinho. Mandou essa foto aí, via zapzap, e com o comentário esclarecedor de que é um Malbec, argentino, de boa qualidade. O nome do vinho é La Linda. Uma felícia, digitou errado, e logo veio a correção: *delícia. Brinca com dona Iracema... essa piauiense de São Raimundo Nonato é uma joia rara do universo nordestino.
Sempre apreciou, com moderação, uma dose de cachaça “da boa”, de alambique. Toma um conhaque também, mas diz que tem de ser bem pouquinho, pois “é muito forte”. Gosta mesmo é de uma cervejinha, geladinha, com um tira-gosto feito na hora – se for uma buchada ou uma dobradinha, melhor ainda.
Agora está apreciando também um bom vinho. Pode? E ainda me dá dica sobre qualidade do produto. Comentei que o vinho era La Finca, ela me corrigiu: “não é La Linda, Malbec argentino, de qualidade”. Para que não houvesse dúvida, mandou-me uma foto da garrafa. Aprende, ignorante! Agora, toda vez que for comprar, pedir ou encomendar um vinho, vou ligar antes para dona Ira. Não quero correr o risco de errar na qualidade do produto escolhido.
Ela esclareceu, cheia de modéstia, que “foi um pedido do Lucas, meu neto, que veio passar uns dias aqui com a mãe dele Juracema, em Camboriú”. Lucas é mais um que vai sair de lá escolado, depois de pegar umas aulas com a vozinha sobre bebidas e tira-gostos. Mozart, meu irmão, e a filha dele Domitila, também neta da vozinha, passaram uns dias por lá, entre o Natal e início deste ano. Voltaram entendendo até de cerveja belga e alemã.
Thiago, meu sobrinho e neto de dona Iracema, mora em Camboriú. Contou que depois da chegada da vozinha, ele está entendo de todas as bebidas e tira-gostos. Aprendeu até que um cochilo, depois do almoço, rejuvenesce e “recupera as forças para mais tarde”. 
Bom, essa parte, eu já sabia. Também, depois de 63 anos de convivência...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Carnaval dos Amigos vai às ruas de Goiânia com onze blocos


Pronto. Mês de janeiro nem acabou. Fevereiro está lá na frente, faceiro, com seu ar carnavalesco de sempre. Por isso mesmo, chega de assuntos sérios! Vamos falar do que interessa de verdade para o povo brasileiro: Carnaval! E mais especificamente sobre o Carnaval dos Amigos, aquela festa que acontece todos os anos, em Goiânia, desde o ano de 2003, quando o Bloco dos Amigos saiu às ruas pela primeira vez, dando início a esse que é atualmente um dos melhores carnavais do Centro-Oeste.
É hora de esquecer assuntos chatos como crise econômica, lava-jato, inflação, desemprego, preço dos commodities, estado islâmico, Donald Trump. A partir do início do mês de fevereiro, as águas vão rolar e nenhum desses temas descem a avenida. A não ser que seja para serem ironizados, esculhambados pelas fantasias e tema de marchinhas espirituosas.


Felizmente, de algumas décadas para cá, o verdadeiro carnaval, de rua, das marchinhas, frevos e outras delícias, ganhou espaço pelo Brasil afora. Extrapolou o eixo Rio-Bahia-Pernambuco, num colorido bem brasileiro, de cores e ritmos diversos e enlouquecedores. De norte a sul, de leste a oeste, os blocos estão na rua.
Foi neste contexto que surgiu o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, Goiás, que este ano comemora a sua 16ª edição. Como o próprio nome diz, nasceu do sonho de alguns amigos que adoravam curtir o Carnaval juntos, procurando sempre encontrar um local que pelo menos lembrasse a tradição dessa festa tão brasileira. No ano de 2003, pela primeira vez, saiu às ruas de Goiânia, o Bloco dos Amigos, depois de uma árdua e sofrida tarefa de concentração no Flamingo, às custas de muito chope, caipirinhas e feijoada.


Foi o suficiente para ser criada a tradição. Novos blocos foram surgindo, todos com a mesma filosofia de resgatar o verdadeiro carnaval de rua, dos blocos e da alegria, valorizando-se a espontaneidade. 
Este ano o evento acontece no dia 03 de fevereiro, primeiro sábado anterior ao sábado de carnaval. Pelo menos onze blocos já estão garantidos: Bloco dos Amigos, Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, Imprensa, Rocket 07, do Cerrado, Cateretê, Meu Pai Te Ama, Butcherry e Bloco do Aê. 
A novidade deste ano é Neguinho da Beija-Flor no palco principal, lá no Vaca Brava, onde tudo termina, mas não acaba. Outra novidade: O Bloco dos Amigos e o Zeferino estarão, juntos, no mesmo salão. Deu certo com essa marchinha,  composta por Jorge Luís Carvalho e este blogueiro, alguns anos atrás, e que estava meio esquecida em algum arquivo do computador aqui de casa.