Neste domingo de um período ainda eleitoral, véspera do Dia
das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida – padroeira do Brasil (!) –, peço
licença para falar mais uma vez sobre um dos maiores problemas da humanidade: o
feminicídio.
Apesar de uma tímida redução de 3,2% no período de janeiro a
julho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, o Brasil
registrou o triste número de 848 feminicídios nos sete primeiros meses de 2026.
Como se não bastasse, o país mantém uma média de aproximadamente quatro
mulheres assassinadas por dia em razão de gênero.
O Sudeste do Brasil – não o Nordeste (!) – tem o maior
número de casos, 302 no período pesquisado. O Sul e o Centro-Oeste – não o Nordeste
(!) - foram as regiões que apresentaram
alta, enquanto as demais apresentaram queda.
Além da minha luta dia a dia, nas redes sociais, acrescentou
aqui um simples poema para se somar a luta contra essa vergonha da humanidade.
Luta que é de todos nós.
Beijos nos corações femininos.
Feminicídio José Carlos Camapum Barroso Matam
é por que não amam O
ideal de ser humano. Tecem
ódio e proclamam Fúrias,
fúrias! Ano a ano... Desamor
corre no sangue, Numa
alma embrutecida, Veia
vertida, exangue Ante
a grandeza da vida. Matam
o ser que os ama Novo
amor feminino... Graça
e glória do Divino Espírito
Santo consola Pai,
filho, neto, irmão... Espelhos da criação.
Os
“Contos Sombrios”, de Bruna Presmic, além do anunciado “Sem Final Feliz”, logo
no subtítulo, não têm sequer final em uma ou outra das doze narrativas que nos
envolvem do começo ao fim de um livro lançado em 2023, mas que somente agora
tive o prazer e a satisfação de lê-lo. Nos envolvem por serem um bom passa
tempo, sem abrir mão de valores literários que levam a reflexões sobre os
nossos dias e sobre a alma humana.
Sem
histórias, sem reflexões, sem literatura, impossível sobreviver no mundo de
hoje, permeado pela superficialidade transitória que não resiste a algumas
dezenas de visualizações, meia dúzia de curtidas e três ou quatro comentários.
Se for um stories, então, já vem com prazo de validade...
“Contos
Sombrios – Sem Final Feliz” é um tapa na cara desse universo rico em tecnologia,
mas pobre de conteúdo, assustadoramente descartável. Trata-se de uma obra
grandiosa, com textos repletos de personalidade e de criatividade, bem ao estilo
dos livros de cabeceira, aqueles que não nos abandonam jamais e temos orgulho
de indicá-los aos amigos e amigas.
Seis
contos e seis microcontos (sobre desencontros) que criam um universo literário
envolvente, com personagens marcantes e histórias surpreendentes. Encontros
impossíveis, medos intrínsecos, conflitos humanos e consequências fatais. Tudo
muito bem entrelaçado, alinhavado, em narrativas que nos fazem imaginar que
existem belezas nas sombras, aconchegos na solidão, grandeza na fragilidade e
um olhar do presente sempre voltado para o futuro.
Ao
apresentar sua obra, Bruna Presmic revela que as histórias “são escritas para
que possa refletir as diversas faces da solidão e entender que nem sempre estar
sozinha é uma coisa ruim”.
Recomendo
a obra aos leitores e leitoras do ZecaBlog. Mas, faço, neste final, uma
advertência que a autora faz no início do livro: “Cuidado, contém solidão”.
Meu pai Juarez e meu padrinho Batista (In Memoriam)
O
Dia dos Pais é comemorado em diferentes datas nesse mundão de Deus. Em
Portugal, seguindo a tradição católica, nossos patrícios homenageiam a
paternidade no dia 19 de março, dia de São José, marido de Maria, a mãe de
Jesus.
Nos
Estados Unidos, a tradição teria começado na cidade de Spokane, depois se
espalhou para todo o estado de Washington, até ser oficializado, em 1972, pelo
então presidente Richard Nixon, quando instituiu o Father’s Day.
Já
no Brasil, teria sido comemorado pela primeira vez no dia 14 de agosto de 1953,
pelo publicitário Sylvio Bhering, adquirindo posteriormente a tradição de ser
no segundo domingo de agosto.
Dezenas
de países comemoram o Dia dos Pais no terceiro domingo do mês de junho,
inclusive vários dos nossos vizinhos sul-americanos. A Alemanha homenageia os
pais 20 dias depois do domingo de Páscoa, dia da Ascensão de Cristo.
Ramiro pai dos meus netos Juliano e Martina
Enfim,
existem datas e origens diversas sobre essa comemoração. Alguns historiadores dizem
que essa tradição começou há quatro mil anos, quando um jovem, na Babilônia,
teria moldado em argila uma mensagem para o seu pai, desejando-lhe sorte, saúde
e longa vida.
Mas,
o importante mesmo é que não nos esqueçamos de render nossas homenagens aos
pais, por tudo aquilo que eles representam na família, principalmente pelo papel
que passaram a exercer no lar depois da emancipação feminina.
Querendo
ou não, passamos a exercer a função de pai em uma dimensão bem mais grandiosa, mais
próxima daquela que as mães sempre exerceram com profunda e louvável
naturalidade.
Ser
pai é saber homenagear seu pai, seu avô, bisavô, mesmo que eles não estejam
mais entre nós. Saber louvar e agradecer àqueles que tal função exerceram em
nossas vidas mesmo sem serem os pais biológicos. Há muito deles por aí. Em nome
de todos e eternamente agradecido, ergo minhas mãos para o céu para saudar o
sempre querido padrinho João Batista Coelho Barroso.
Beijos
para os pais, os filhos e os espíritos santos!
A
extrema-direita brasileira, vestida com pele do bolsonarismo rude e ignaro, não
gosta do que é genuinamente brasileiro. Preferem falar e escrever (mal) em
inglês do que em português; enrolam-se, literalmente, na bandeira americana ou na
de Israel; consideram chiquérrimo bebericar uma dose de uísque, mas, apreciar
uma boa cachaça, é desprezível, coisa de “cachaceiro” ou de “pinguço” – termos que
brotam de suas bocas com uma generosa dose de preconceito e discriminação.
Chamam
qualquer pessoa de “cachaceiro” pra lembrar a ela sua origem pobre, humilde, lá
dos cafundós do Judas de onde nunca deveriam ter saído. Os que saem, e
sobressaem, são atacados com ódio porque estão a ocupar um espaço que não lhes
pertence, posto que sempre esteve reservado aos bem-nascidos, aos herdeiros
naturais de um sistema seletivo, sempre pronto a ecoar: não há sociedade para
todos!
Cachaça,
sim, há para todos, apreciadores ou não, desse produto genuinamente brasileiro,
que, muito além do prazer e do contentamento, gera riqueza, emprego e pesa
favoravelmente em nossa balança comercial. Os “patriotas entreguistas” não
sabem, e nem querem saber, que os Estados Unidos reconheceram, em abril de 2013,
a cachaça como bebida exclusiva e genuinamente brasileira, jogando por terra o
maior preconceito para com essa bebida tão nacional quanto o samba e a paixão
pelo futebol.
A
cachaça é a segunda bebida mais vendida no Brasil, perdendo apenas para a
cerveja, que é fermentada. Cerca de 6,9 litros de cachaça são consumidos por
cada brasileiro anualmente. No mundo, a bebida é o terceiro destilado mais
consumido, perdendo apenas para a coreana Soju (destilado de arroz) e a Vodca,
em segundo lugar.
A “marvada” da
cachaça, que depois virou bendita, surgiu em meio aos escravos, adquiriu a
pecha de bebida de gente desqualificada e sem classe. Foi manipulada pelos
nossos colonizadores para estimular o trabalho dos escravos e depois proibida
porque podia estimular rebeliões. Ao ser proibida, ficou melhor ainda e virou
orgulho nacional, obrigando os portugueses a voltar atrás na proibição.
Em
outras palavras, temos ótimas cachaças produzidas a partir da cultura dos
negros e dos colonizadores portugueses e, mais recentemente, de imigrantes
alemães no Sul do país. Essa mistura brasileira é de enlouquecer qualquer
sulista dos Estados Unidos. Também deixa desorientada a extrema-direita
bolsonarista a espalhar ódio destilado e preconceito fermentado em caldeiras de
ressentimentos e egoísmos que estão nas raízes do Brasil colonial.
Tomarei
uma dose, quiçá duas, entre as tantas maravilhosas cachaças que tenho no meu Armário
das Recordações, em homenagem ao povo brasileiro, aos que acreditam numa
sociedade melhor, mais justa e cada vez mais livre de preconceitos e
discriminações de qualquer espécie. Vou ouvir Cachaça Mecânica, do bom, velho e
eterno Erasmo Carlos. Claro, não pode faltar a Marvada Pinga que nos “atrapaia”,
ao mesmo tempo em que nos orienta e nos engrandece, com o mestre Rolando Boldrin e seus "causos bãos".
PS
- Antes que eu me esqueça: “beba com moderação”, e, “se beber, não dirija”, e, “se
dirigir não beba, seja o motorista da vez”.
Os
amantes das charges têm muito o que comemorar. Foi lançado, no mês de maio, um
livro que se mostra atrativo a começar pelo título: Curvilineando. Depois,
pelo autor, o geólogo Diniz Tamantini Ribeiro, formado pela UnB, paulistano de
nascença, viveu em Brasília e em vários estados brasileiros, com um cultura
universal e um visão de mundo acolhedora, realizadora e, principalmente,
revolucionária.
Diniz
começou a desenhar no ambiente universitário emprestando seu talento à luta de
então pelo fim da ditadura militar e a redemocratização do país. Na mineração,
teve oportunidade de agregar aos traços, culturas diferentes, influencias diversas,
sempre enriquecidos pelo bom-humor e pelo humanismo que lhes são peculiar.
Além
de apaixonado pela família – a esposa Adélia, os filhos Tomás e Elisa, e o neto
recém-nascido Iberê – é um agregador de amigos, colecionador de histórias e um
eterno incentivador das atividades culturais. Convivendo há dez anos com o
Parkinson, abriu mais uma janela para comunicar-se com o mundo da forma que
sempre lhe foi peculiar: alegre e otimista.
Diniz, com Adélia e os filhos Tomás e Elisa
Em
sua obra, os traços retilíneos, raros, conduzem-nos, com segurança, a um lugar
distante, desconhecido, bem pra lá do infinito, sem que nos percamos na jornada
prazerosa e instrutiva. Mas, são as
curvas que delineiam as charges, nos mostram o belo, o engraçado, o irônico e
as aventuras vividas e presenciadas ao longo de uma luta não apenas para
sobreviver, mas principalmente para que todos vivam e o mundo sobreviva a
tantas intempéries.
Suas
charges nos fazem refletir com inteligência sobre a vida. No embalo dos traços
curvos, nos identificamos com os desafios de nossa existência e as incertezas
de um futuro que, dia a dia, estamos descontruindo.
O
amigo e artista sempre conseguiu ser leve, alegre e claro. Com bem diz no
prefácio de Curvilineando, a artista Cláudia Lyrio, Diniz “tem uma graça alegre
de quem olha a vida conclamando seus amigos a partilhar pensamentos os quais
parecem tantas vezes simples, mas manifestam aguda crítica ao contexto do mundo
em que vivemos”.
O
ZecaBlog recomenda essa obra, lembrando o velho e eterno ditado: rir ainda é o
melhor remédio.
Serviço: Desenhos
no Instagram - @diniztribeiro Comprar
o livro – Contato pelo (031)984661192
Todos
que amam a música estamos de parabéns! A partir deste ano, no dia 1º de novembro,
passa a ser comemorado o Dia do Profissional da Música. Foi sancionada, no
último 11 de junho, a Lei nº 7.905/2026, que institui a data no calendário de
comemorações culturais no Distrito Federal. O projeto é do deputado Gabriel
Magno (PT-DF) e o autor da ideia é o músico Gustavo Ribeiro Vasconcellos, idealizador
do Prêmio Profissionais da Música.
Segundo
Gustavo, a criação dessa data é mais do que uma homenagem, trata-se de um
importante passo para a valorização dos profissionais que atuam na criação,
produção, educação, pesquisa, difusão e preservação da música.
O
deputado Gabriel Magno ressaltou que a lei é importante não apenas por criar a
data comemorativa, mas também porque “institui responsabilidades por parte do
poder público e da sociedade civil de pensar e articular políticas públicas de
fomento, de valorização, de respeito à memória desse profissionais que têm ou
tiveram um papel importante na construção democrática no Distrito Federal”.
Gustavo
lembrou que a data foi escolhida por ser o primeiro de novembro o “Dia de Todos
os Santos”, portanto, nada mais justo e coerente do que homenagear “todos os
profissionais da música”. O autor da ideia adiantou que já está trabalhando em
várias frentes culturais para que a primeira comemoração da data, no próximo
novembro, seja à altura daqueles que dedicam suas vidas à música.
Os dias da semana têm conexões para todos os
gostos, crenças, história e literatura. A semana de sete dias vem desde a antiguidade.
Povos da mesopotâmia e hebreus relacionavam esse número à criação do mundo, às
fases da Lua e a ritmos naturais que conseguiam observar.
Continuou assim pelo Império Romano, pela expansão do cristianismo e do islamismo,
até estabelecer-se como modelo da organização do trabalho.
Digo isso, e direi outras coisas correlatas,
porque recebi pelo WhatsApp um poema belo e interessante falando dos dias da
semana (leia abaixo). Veio do amigo, poeta, escritor, desembargador e membro da Academia
Goiana de Letras (AGL), Itaney Campos, conterrâneo de Uruaçu. Em seus versos, o mestre
passeia pelas considerações, fantasias diversas que se fazem sobre o que cada dia
da semana representa em nossas vidas.
No Império Romano, os dias foram identificados com
os sete corpos celestes que se destacavam: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter,
Vênus e Saturno. Cada um ligado a um dia específico, tradição que influenciou
muitos calendários ao redor do mundo, especialmente os de língua inglesa e
francesa.
No português, o cenário atual começou a ser
moldado na Idade Média, com forte influência do cristianismo. Em vez de manter
nomes ligados a deuses e planetas, líderes religiosos passaram a usar uma
nomenclatura voltada ao calendário litúrgico, em especial ao período da Páscoa.
O Domingo vem do latim “dies Dominicus”, dia do
Senhor, reservado ao culto cristão. O Sábado do “shabbat”, em hebraico, ligado
à ideia de descanso semanal. Os dias da semana, pela ordem, receberam a junção
de “feiras”, entendidas como dias dedicados ao trabalho.
Pessoas amam a sexta-feira e destilam ódio à
segunda-feira. Conheci alguém que, no domingo, logo depois da almoço, já
expressava um tremendo mal humor, fechava a cara, respondia com monossílabos.
No final do dia, início da noite, nem respostas dava. Mas, nas sextas-feiras,
era outra pessoa, simpática, de boa prosa e humor contagiante.
Há quem guarde o sábado, outras, o domingo; uns
mais, outros menos, piamente. Variações que deixam claro: o calendário não é
apenas uma ferramenta prática, mas também retrata mudanças de crença, de poder
e de organização social.
Bom dia, do Senhor! Divirtam-se com esse belo
poema.
O
universo de contos infantis é muito rico na literatura brasileira. Uma obra,
lançada no início deste ano, veio enriquecer ainda mais esse cenário. Trata-se
de A Vida Alegre de Laura, de Ítalo Campos, psicanalista, poeta e escritor
que mora em Vitória (ES), mas tem raízes bem fincadas em Uruaçu (GO), terra que
tem revelado muita gente talentosa no mundo das artes.
O
conto é uma estilização da obra de Clarice Lispector – “A Vida Íntima de Laura”
-, um de seus livros mais conhecidos no universo infantojuvenil. Em sua obra,
Ítalo cria uma personagem anônima, também tornada autora de livros. A outra que
faz parte da história, como não poderia deixar de ser, é uma galinha a quem
Laura deu o nome de Clarice Lispector.
Além
da personagem principal, outras circulam pelo ambientes familiares e por locais
que têm relação com a vida real do autor. Realidade e ficção se misturam de
forma graciosa, alegre (como o próprio título revela) e bem infantil, com
desenhos que reforçam essas características, graças ao talento do ilustrador
Ivan Filho.
Mostrei
o livro para os meus netos Juliano e Martina (foto acima). Acharam “bem legal”, deram
risadas e querem agora conhecer o tio Ítalo pessoalmente. Quem sabe em uma viagem à
Uruaçu, a cidade do autor e do vovô Zé, onde tudo se encontra, e fica no centro
do Brasil, do Mundo e, quiçá, do Universo. Fácil chegar lá, difícil é sair...
Ítalo
Campos tem dez livros publicados e participa, como organizador, da publicação
de outros cinco livros. Um escritor experiente que desenvolveu uma boa técnica,
inclusive para atingir o público infantil, que é exigente, gosta de uma linguagem
simples, direta, sem requintes e malabarismos ornamentais. O ZecaBlog recomenda a obra.
Serviço:
Para adquirir a obra, valor de 38 reais, entre em contato com o autor pelo WhatsApp 27 99932-4499.
A
Praça Paulo Pestana tornou-se realidade na última quinta-feira (26/3). É uma
homenagem ao extraordinário jornalista, cronista e acima de tudo ser humano que
foi Paulinho Pestana, nascido no Paraná, brasiliense de coração, morador do
Lago Norte e frequentador assíduo da Quituart, a feirinha onde a praça foi inaugurada
pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, com a presença de
familiares, amigos e conhecidos do homenageado.
Paulinho
deixa seu nome não apenas na praça, mas também no jornalismo em que atuou com
competência e criatividade, bem como no âmbito da política, onde se destacou
como assessor de rara sensibilidade, senso de equilíbrio e visão de futuro.
Ficará lembrado pelo talento para transformar pequenas e corriqueiras coisas da
vida em crônicas extraordinárias e acontecimentos inesquecíveis.
Como
amigo, dispensa comentários. Todos sabemos quanto fazia questão de estar e de manter
os amigos por perto, próximo do coração, junto da alma e a uma distância sempre
suficiente para que a conversa fosse em voz baixa, mansa e gentil. Tínhamos
muitas afinidades, mas a maior delas, com certeza, se deu no mundo da música,
essa arte que encanta a humanidade há milênios, capaz de unir pessoas, juntar
comunidades e pacificar nações.
Foto: Marcelo Ferreira/CB D.A Press
A
Praça Paulo Pestana é um projeto bonito, convidativo, com seu bancos, estacionamentos,
entremeado de árvores e grama, moderno, elegante, funcional e equilibrado com
as coisas desse mundão de Deus, especialmente com as pessoas e o meio ambiente.
Projeto
arquitetônico de Max Martins, foi construída pela Novacap, empresa que faz
parte da história de Brasília e é a queridinha da cidade. Tudo em sintonia e harmonia
com a personalidade de Paulo Pestana, um ser humano grandioso, desses que fazem
falta, sempre.
A
praça está aí para perpetuar a memória desse grande amigo, acolher turistas e
visitantes. Parodiando a viúva Zelinda Lucca, companheira do Paulinho por 42
anos, a praça é a sala de estar da família, dos amigos e moradores do Lago
Norte.
Felicidade talvez seja um dos temas
mais interessantes da humanidade. O que exatamente é a felicidade? O que é ser
feliz? É apenas um momento de alegria ou estado permanente de equilíbrio e paz, pronto a nos dar uma sensação de felicidade verdadeira? Os filósofos,
psicólogos e outros estudiosos já se debruçaram muito sobre este tema tão
instigante.
A ONU foi sábia ao
criar o Dia Mundial da Felicidade, que se comemora em 20 de março, desde 2012.
Parece mais um desses golpes publicitários, mas não é. Trata-se de uma
oportunidade a mais para refletirmos sobre o assunto. Provocou, por exemplo, um
interessante debate, naquele mesmo ano de 2012, sobre a iniciativa do Butão, país
asiático que em 1970 criou a meta da Felicidade Nacional Bruta, reconhecendo a
supremacia da felicidade sobre a renda.
Talvez seja interessante não confundir alegria com
felicidade. A primeira é momentânea, de curta duração, superficial. A felicidade deve ser buscada e alcançada como um estado de espírito a
ser disseminado ao longo da vida.
Felicidade
Fernando Pessoa
Se estou só,
quero não estar,
Se
não estou, quero estar só,
Enfim,
quero sempre estar
Da
maneira que não estou.
Ser
feliz é ser aquele.
E
aquele não é feliz,
Porque
pensa dentro dele
E
não dentro do que eu quis.
A
gente faz o que quer
Daquilo
que não é nada,
Mas
falha se o não fizer,
Fica
perdido na estrada.
Sempre achei que a felicidade depende
da nossa capacidade de aceitação, sem que seja confundida com submissão ou
qualquer forma de comodismo. Aceitação da vida como ela é, das nossas reais
possibilidades e da consciência de que a ambição tem limites. Inclusive, e
principalmente, o limite de que o excesso de ambição de uns podem redundar na
infelicidade de outros.
Ambição demais pode nos levar à
situação paradoxal de achar que a felicidade nunca chega, ou pelo menos não
chega na dimensão que almejamos, ou que estamos sempre a desejar. Ao olhar muito
para o horizonte, distante e às vezes inalcançável, corremos o risco de a
felicidade passar, ou estar, debaixo do nosso nariz sem que sejamos capazes de enxergá-la, de usufruí-la.
(Foto: @zaw latt/Agora)
Ontem, foi dia de São José, que é um
exemplo clássico de aceitação. É também padroeiro dos artesãos, marceneiros e
carpinteiros. Profissões que estão impregnadas de arte, principalmente a arte
da paciência e do zelo. Paulinho da Viola, músico, instrumentista, compositor e
cantor é também marceneiro. Não sei por que, mas Paulinho sempre me transmitiu
a sensação de uma pessoa de bem com a vida, portanto, com uma considerável
chance de ser realmente feliz.
Abaixo poesia e alguns vídeos musicais. Música é o melhor caminho pra se buscar a felicidade. Que o bem maior desse Dia Mundial da Felicidade se estenda através dos tempos às amigas e amigos aqui do blog.