sábado, 12 de maio de 2018

Sábado é dia de poesia e de homenagens a Portugal


Porque hoje é sábado, segue aí um vídeo com poesia para homenagear Portugal. Esse país que é origem e fim para muitos brasileiros. Temos hoje muitos amigos e parentes que estão trocando o Brasil para morar naquele belo país da península Ibérica. País que está arraigado na nossa cultura. Nos inspirou na música e na poesia e hoje recebe influências da cultura brasileira. Portugal de Camões e Fernando Pessoa, do fado de Amália Rodrigues e tantas outras belezas artísticas. Vamos ouvir o poema e pensar um pouco nos patrícios e patrícias, na cultura milenar desse povo tão próximos de nós. Hoje é sábado, dia de poesia.




Soneto a Portugal
José Carlos Camapum Barroso


Habito num mundo pobre de sonhos
Que nem poetas arriscam mais sonhar.
E na rua, com olhares tristonhos,
Quem vê pedra, não enxerga o mar.

Este mar por onde navegou Camões
Nada, nada, nem sal nos serve mais...
Apenas ondas de doces ilusões
Versos quebrados, parados no cais.

Portos que um dia ouviram Pessoa
Dizer sonetos, canções imortais,
Ouvem apenas uma onda que ecoa

Murmúrios e soluços banais.
Nem a revolução nos abençoa...
E cravos não são flores, são jornais.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Mulher, música e poesia, tudo a ver nesta data


Certa vez, perguntaram-me, de chofre: "qual é a coisa que você mais aprecia nesta vida?" Ponderei se não poderia ser mais de uma... pelo menos duas. Concordaram. Aí respondi, com firmeza:
- Mulher e música!
Minha mulher, que estava do meu lado, interferiu:
- Não necessariamente nesta ordem, né?
É. Tive de concordar. A música vem em primeiro lugar. Entre muitas outra razões pelo fato de ter sido uma criação e produção, ao longo de tantos séculos, de mulheres e homens. Tenho convicção plena de que as ilustres representantes do sexo feminino não querem ser, nem se consideram, mais importantes nesta existência do que a música, esta arte que nos contagia, inebria e entontece.
Neste Dia Nacional da Mulher, peço licença à música e aos músicos para render minhas homenagens e referências a elas que ficaram relegadas ao segundo lugar entre as grandes paixões da minha vida. E começo por lembrar e advertir a todos para o fato de que essa data de hoje é desconhecida da imensa maioria dos brasileiros e brasileiras.


Data essa que foi criada, em junho de 1980, justamente para reforçar o desenvolvimento e a reeducação social e os direitos que as mulheres têm, ou devem ter, na sociedade. Esse dia foi escolhido por ser a data de nascimento da enfermeira Jerônima Mesquita, que nasceu no ano de 1880 e morreu em 1972.
Jerônima, em sua trajetória, desenvolveu laços de estreita amizade com duas importantes personalidades na luta pela libertação da mulher: Bertha Lutz e Stela Guerra Duval, consolidando, juntas, uma atuação pioneira e relevante na conquista de direitos para as mulheres. Ela foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, no ano de  em 1922, quando o modernismo brasileiro abria portas para um visão diferente e ousada da sociedade.
Jerônima foi também uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, participando ativamente do movimento sufragista de 1932. Com Bertha Lutz e Maria Eugênia, em 14 de agosto de 1934, lançaram um manifesto à nação, que ficou famoso como Manifesto Feminista.

Em 1947, ao lado de um grupo de companheiras fundou o Conselho Nacional das Mulheres (Rio de Janeiro). Jerônima destacou-se também por ser a fundadora da Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da Federação de Bandeirantes do Brasil), em 1919. O Movimento Bandeirantes se apresentou e se consolidou como uma proposta de educação pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais atuante nas mudanças da sociedade. O nome Bandeirantes foi escolhido por significar “aqueles que abrem caminho”.
Para uma mulher abrir caminho numa sociedade tão preconceituosa e machista como a nossa, nunca foi tarefa fácil. Imaginem, então, nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, incluindo aí duas grandes guerras mundiais e o surgimento do nazismo e do fascismo na Europa.
Pois é, amigas e amigos aqui do ZecaBlog, não podemos deixar passar despercebida data tão importante e significativa para nossa existência enquanto seres humanos. Nos dias atuais, essa visão mais inclusiva e justa das pessoas na sociedade anda em baixa. Por isso mesmo, é preciso preservar memórias...


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Dia do Engraxate, uma profissão que também é arte


Infância no interior era uma delícia. Naqueles idos dos anos 1960/1970, na pequena Uruaçu, onde para se chegar da capital do estado precisaria percorrer pelo menos 240 quilômetros de estrada de terra, então, era como viver distante de todas as novidades e modernidades, inclusive a televisão. O charme era ser bom de bola, um artista na arte de atirar o pião, o bilboquê, a finca, bolinha de gude, empinar pipa e saber nadar para não morrer afogado nos córregos e rios que naqueles tempos ainda tinham água.
Lembrei-me deste cenário porque esta sexta-feira (27/04) é o Dia do Engraxate. E eu fui um deles naquelas ruas e avenidas de Uruaçu, carregando uma caixa nas costas e anunciando “vai graxa” a um bom número de interessados. Na Europa, do pós-guerra, a profissão de engraxate já entrara em decadência. Mas, no interior do Brasil, estava em plena efervescência. E a nossa turma disputava mercado, espaço e discutíamos preço de uma engraxada como se fôssemos adultos.


Meu avô Antônio Pereira Camapum, vovô Toinho, foi quem me estimulou a começar cedo a trabalhar, exercer alguma atividade capaz de engradecer e formar o cidadão. Vendi pirulito enrolado no palito, laranja, e ele abriu uma caderneta para anotar os créditos. Mas, o que eu gostava mesmo era de engraxar. Estar na rua, no convívio com os moleques e ouvir causos e histórias dos adultos.
Fácil perceber como a profissão de engraxate foi sumindo e hoje quase não existe mais. Meu filho Ramiro Barroso, quando tinha seus dez anos, mais ou menos, estava indo com a mãe dele, minha mulher Stela, para a escola – na época, o INEI da L2 Sul de Brasília. De repente, cruzaram com um engraxate na calçada, com sua caixa de madeira nas costas, enorme. E ele gritou, cheio de entusiasmo:
- Mãe! Que fera a mochila daquele moleque! Você viu?
Em outras palavras, o garoto filho de um engraxate, não sabia, na década de 1990, o que era uma caixa de engraxar, ao ponto de confundi-la com uma mochila. Sinal dos tempos.

Joaquim formou em Direito engraxando em Goiânia (Foto Adriano Zago - G1)
Uma amostra de que a profissão de engraxate ainda existe e resiste a ajudar pessoas na arte de sobreviver, descobri, alguns anos atrás, ao ler uma matéria do G1 que contava a história de Joaquim Pereira, um rapaz de 24 anos, que formou em Direito, numa faculdade particular, custeando os estudos com o trabalho de engraxate.
Outro alento, foi conhecer o Anderson Almeida, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, que ganhava a vida e cresceu profissionalmente, sustentando-se e à sua família com o trabalho de engraxate. Atendia bem não só aos ilustres deputados e deputadas, mas a todos os empregados e visitantes. Anderson, graças à invenção das redes sociais, hoje é meu amigo aqui no Facebook.
É... amigos e amigas, a profissão de engraxar enfrenta o risco de extinção, mas ainda mostra o ar da graça por esse Brasil imenso. Profissão essa que é arte e tem suas raízes na cultura da sobrevivência do povo mais simples.
Parabéns! E viva os engraxates, sempre.

Engraxate
José Carlos Camapum Barroso

Engraxate que bate
Na caixa fora do ritmo
Não faz nem pro gasto...
Se o pano não repica,
Jamais sairá o brilho
Que o sapato do fulano
Merece e reivindica.

Se o “vai graxa, aí”
Sai desafinado, então
O coro do esculacho
Vem a uma só voz
Desisti-lo da profissão.

Engraxar é uma arte
Que exige dedicação,
Compasso na hora
Que bate na madeira,
Leveza quando a mão
Acaricia o legítimo
Couro da burguesia.

Suor de engraxate
Escorre pelo rosto
Se mistura à graxa
Pelo pescoço e mão
Até ser tragado pela
Grandeza do coração.

Engraxar é uma arte
Não morre na profissão.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Dona Ivone Lara, aos 97 anos, vai buscar quem mora longe


Vai buscar essa saudade, sonho meu, sonho nosso, sonho de todos os que amam o samba e a Música Popular Brasileira. A Dama do Samba, dona Ivone Lara, esse ícone da nossa cultura, morreu nesta madrugada, na Coordenação de Emergência do Leblon, no Rio de Janeiro, onde estava internada desde sexta-feira (13), dia em que completou 97 anos de idade.
Compositora e intérprete de um talento excepcional, dona Ivone Lara era uma mulher forte, guerreira. Qualidades essas que foram lembradas pelos familiares no hospital. "Ela estava sempre procurando um caderninho para escrever uma música, estava sempre cantarolando pro neto. Até a última semana ela estava super bem, com a cabeça ótima. Ela estava muito fraquinha, mas a cabeça estava ótima", conforme contou ao G1 a nora Eliana Lara Martins da Costa.


Dona Ivone Lara teve forte influência musical da família. Sua mãe Emeretina Bento da Silva era cantora e emprestava sua voz de soprano a ranchos carnavalescos tradicionais do Rio de Janeiro, como o Flor do Abacate e Ameno Resedá. Seu pai José da Silva Lara era violonista de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos. Como ficou órfã muito cedo, dona Ivone foi criada pelos tios e com eles aprendeu a tocar cavaquinho, a ouvir samba e a ter aulas de canto com Lucília Villa-Lobos.
Ao se casar com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha, dona Ivone conheceu Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que viriam a ser seus parceiros em sambas de enredo históricos, como Os Cinco Bailes da História do Rio, em 1965.


Depois de se aposentar em 1977, dona Ivone Lara passou a se dedicar de forma mais intensa à música e compôs belas canções, como Nasci para Sofrer, que se tornou hino da escola de samba do seu coração. Fez também Acreditar, Mas Quem Disse Que Eu te Esqueço e Não Me Perguntes, entre tantos outros grandes sucessos.
O corpo de dona Ivone Lara será velado nesta terça-feira na quadra da escola de samba Império Serrano. A música popular brasileira está de luto.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

4º Prêmio Profissionais da Música agita semana cultural

Gustavo, o idealizador, e Menescal, o homenageado do PPM deste ano
Brasília começa hoje uma semana que pode ser considerada a mais musical da história da cidade e de um valor significativo para a cultura brasileira. Começam as atividades da 4ª edição do Prêmio Profissionais da Música (PPM), com shows, palestras, painéis, pitching, sessão solene e premiação em 53 categorias do universo da produção musical, disputadas por quase mil concorrentes de todo o Brasil.

Se todos os estados brasileiros tivessem um prêmio como o PPM, 
nossa cultura musical seria uma das três maiores do mundo,  
sem nenhuma dúvida. Fico muito feliz em ser homenageado por este 
evento que, por suas características, é único no Brasil”.
(Roberto Menescal)

O PPM existe e chegou ao nível em que se encontra graças ao músico e produtor Gustavo Ribeiro de Vasconcellos. Além de idealizador, Gustavo assumiu de corpo e alma a premiação, transformando-a em uma das maiores realizações da produção musical brasileira. O evento, que começa hoje e vai até sexta-feira, será uma homenagem a Roberto Menescal, um dos fundadores da bossa-nova e personalidade no mundo da música ainda hoje aos 80 anos de idade.

Alfonsina, uruguaia no 4º PPM
Quatro atrações internacionais estão programadas para esta semana. Incluem palestra com o produtor norte-americano Allen Johnston e shows com a norte-americana Layla Khepri, a uruguaia Alfonsina e o sul-africano Mphuzi Chauque. Vários espaços da cidade serão ocupados, como o Cota Mil Iate Clube, a Câmara Legislativa do Distrito Federal e o Pier 21. Paralelamente, casas de tradição musical da cidade como o Bar Brahma, Galeria Mundo Vivo, Café Savana, O’Rilley e Eye Patch Panda.
A programação 2018 ganhou reforço na parte musical, buscando uma aproximação maior com o público. Além dos artistas da cidade e finalistas que se inscreveram (73 inscrições), outras participações vão ajudar a movimentar a cidade nesses seis dias.
O shopping Pier 21 abrigará a maior parte da programação do evento. Em uma praça democrática, a curadoria foi feita de modo a prestigiar o máximo de variedades e estilos, passando pela viola caipira, rock nacional, música erudita e outros.

A matogrossense Estela Ceregatti é atração em Brasília esta semana
Nas apresentações nacionais estão: Tarot (DF); Lupa (DF); Joana Bentes (ES), Natália Carreira (DF) e Adriah (DF), com o projeto Canta que nem Mulher; Chico Lobo (MG); Káthia Pinheiro (Toccata); Estrela Leminski e Téo Ruiz (PR); Craca e Danni Negra (SP), Noite Catarina com John Müeller e Sarau Afro-Açoriano (SC) e Estela Ceregatti (MT).
A grade de showcases do PPM 2018 se estenderá por casas noturnas de Brasília com a mostra Curto Circuito Independente e contará com Cesinha Rodrigues, Tex Quarteto, Ray Tito e os Calabares, Seu Preto e Dhi Ribeiro, todos do Distrito Federal. A única que virá de fora será Camila Cortez, responsável pelo tributo a Elis Regina, atração da noite Happy-Hour com Menescal, no Bar Brahma.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Rio, sob intervenção, comemora 453 anos de beleza


O Rio de Janeiro faz hoje 453 anos. Ironicamente, sob intervenção federal. Justamente a cidade brasileira mais aberta a todos os cidadãos e cidadãs do mundo. Com seu Cristo Redentor de braços abertos para a baia de Guanabara, o Rio, mas especificamente o carioca, sempre recebe de forma acolhedora, deixando-nos à vontade para curtir e apreciar suas belezas e atrações, que são muitas.
Vejo o Rio de Janeiro não apenas como uma cidade. É também um estado de espírito. O astral, o humor e a disposição do visitante começam a melhorar quando se avista a cidade pela primeira vez. Aquela aproximação do Rio de Janeiro já compensa a viagem. Se chegamos de carro, então, melhor ainda. O sobe e desce da Serra do Mar, as curvas da estrada, o espalhar da vista em direção à Cidade Maravilhosa, tudo isso nos enche de contentamento. Imagino ser fantástica, também, a aproximação da cidade maravilhosa pelo mar.
Mesmo com o fantasma da intervenção e os índices altos de violência, não podemos esquecer que essa cidade, aos 453 anos, continua à disposição dos cariocas, brasileiros, estrangeiros, indígenas e alienígenas, com sua Baía de Guanabara a nos receber plenamente, o Cristo sempre redentor, e suas montanhas íngremes e ondas do mar o tempo todo a nos advertir: deixar esse cantinho não é fácil, meu irmão!


Cantado em versos e prosas, músicas, estampado em fotografias, cinemas, pinturas... o Rio é fonte inesgotável de inspiração. Suas belezas são naturais e opõem o azul do mar ao verde das matas, a imensidão do céu à limitação das serras, do concreto e das construções que desconstruíram os morros.
O Rio é tudo isso junto, amalgamado por uma energia sem precedentes e sem limites, embalado pelo ritmo do samba, o balanço da bossa-nova, a melodia do chorinho e os versos de Bandeira, Drummond e Vinícius. A musicalidade salta pelas bochechas de Pixinguinha, o queixo de Noel, o nariz de Cartola, os olhos de Chico e as orelhas de Ary Barroso. No peito, a batida forte de sambistas como Beth Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Candeia, Cartola, Monsueto, Silas de Oliveira, Martinho da Vila, Moacir Luz e tantos outros... E as belíssimas escolas de samba.
O Rio a ser lembrado e homenageado não é o da violência e da intervenção federal. Isso é passageiro e em breve será página virada da nossa história.


O Rio que está lá, hoje, a comemorar seus 453 aninhos de existência, sob o calor do Verão, o sol, a frescura das ondas e a ternura da brisa, que sopra pelo calçadão de Copacabana, os restaurantes, os bares e as ruas cheias de garotas de Ipanema, do Meier, do Leblon... esse é o Rio que habita nossas mentes e pulsa forte em nossos corações.
Infelizmente, estamos aqui, pobres mortais, a enfrentar mais um dia de trabalho, a torcer para que a sexta-feira chegue rapidamente e o fim de semana não seja tão quente. Vamos continuar a embalar o sonho de rever o Rio de Janeiro logo, antes que o Verão termine. Se não for possível, depois que ele passar e chegar o Outono, o Inverno, a Primavera...
Enquanto isso, vamos ouvir um pouco de música que traduza a grandeza do Rio. Tom Jobim e Frank Sinatra, e na sequência Chico Buarque, João Gilberto e Stan Getz.
Mais do que nunca é preciso cantar: Viva o Rio de Janeiro!




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Carnaval dos Amigos esquece a tradição e cai no lugar comum


Uma pena, mas, infelizmente, o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, a cada ano que passa, na mesma proporção que cresce, está perdendo sua identidade e ficando distante das motivações pelas quais foi criado. Lá, no longínquo 2003, quando o Bloco dos Amigos, sozinho, desceu a avenida, do restaurante Flamingo até o Vaca Brava, o sonho de todos era o de resgatar o verdadeiro carnaval, embalado pelas marchinhas, frevos, sambas de enredo e sambas afinados com o espírito da festa. Não é bem isso que salta aos olhos, fere os ouvidos e dói na alma, depois de terminada a 16ª edição da festa, no último sábado.


Confesso que acordei com uma ressaca moral no domingo, com gosto de quarta-feira de cinzas na garganta, pois, pela primeira vez não pude participar do Carnaval dos Amigos, que ajudei a criar e pelo qual tenho orgulho. A ressaca piorou mais ainda quando comecei a receber os comentários sobre a festa e, também, pelas matérias estampadas nos jornais. O Carnaval dos Amigos passou a ter de tudo em seu repertório: rock, música sertaneja, Anitta, funk e outras músicas que nada têm a ver com o Carnaval.
No salão em que se concentra o Bloco dos Amigos, no Flamingo ou no Oliveira’s Place, não se tocava esse tipo de música, exatamente porque a proposta sempre foi a de resgatar a tradição dos carnavais de salão e de rua, com bandas e as músicas condizentes. Este ano, abriram as porteiras e o repertório foi contaminado por músicas sertanejas e outras querelas que não têm identificação com o Carnaval. A justificativa, se é que ela existe, dada pelos organizadores, é a de que o Bloco dos Amigos se uniu ao do Zeferino, e este toca tais músicas.


A rigor, o bloco do Zeferino, ou qualquer outro, ao decidir participar do Carnaval dos Amigos deveria estar imbuído do mesmo espírito carnavalesco. Caso contrário, todos esses blocos deveriam e poderiam ter criado um outro carnaval, dentro de outros padrões e propostas. Nada contra. Poderiam imitar os carnavais de Salvador, com músicas baianas, axé, sertanejas, rock e um cordão de isolamento para cada bloco.
Esse lado triste e empobrecedor da festa fica ainda mais notório, e decepcionante, quando olhamos as fotos do Carnaval dos Amigos. Muita gente bonita, fantasiada, com fantasias criativas, interessantes, bem dentro do espírito carnavalesco. Fico imaginando todos esses personagens dançando no salão e nas ruas ao som de música sertaneja, rock’n’roll, Anitta...


Não dá. É muito triste e decepcionante. E eu fico me perguntando, cá com meus botões: tem solução para as próximas jornadas? Pouco provável, mas, fica o desafio para todos nós, admiradores, organizadores, participantes e todos aqueles que amam e curtem o verdadeiro carnaval.
Vamos refletir juntos? Antes tarde do que nunca.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O dia em que o publicitário nem sabe que é seu


Publicitário só não é mais desligado do que músico. Liguei para uma amiga. Queria dar a ela parabéns pelo Dia Mundial do Publicitário, que se comemora hoje. Ela fez a pergunta óbvia: “parabéns por quê, mesmo? ” Nem lembrava. Nove em cada dez publicitário não deve saber que o dia de hoje também é dedicado a eles. São tão especiais que as comemorações por essa profissão acontecem duas vezes no ano: neste 1º de fevereiro e no dia 4 de dezembro.
Provavelmente nem se lembram dessas coisas porque a cabeça deles anda num outro mundo: o da criatividade. Um universo que, para ser frequentado e vivido, exige sensibilidade, bom senso, autocrítica, bom gosto, cultura, em suma, uma inteligência refinada. Aprecio meus amigos publicitários. É tudo gente boa.


Tenho verdadeira paixão pelo poder de síntese. Aprendi a desenvolver, um pouco, essa habilidade no período em que fui editor de primeira página do Jornal de Brasília. O publicitário é necessariamente rico nesse quesito. Ou desenvolve essa qualidade ou não conseguirá dizer tudo que precisa ser dito em poucos segundos, com poucas palavras, num gesto só ou apenas uma imagem.

A profissão passou a ser reconhecida, no Brasil, a partir de junho de 1965, com a promulgação da Lei 4.680. Já existiam os cursos de Comunicação com especialização em Publicidade. A Lei veio apenas regulamentá-los. Desde então, passaram a propiciar formação mais ampla nas áreas de ciências humanas – psicologia, sociologia e antropologia –, com reforço em redação publicitária, linguagem publicitária e criação.
A questão da ética também é fundamental, nessa e em qualquer outra profissão. É só dar uma olhadinha na história para ver os riscos que corremos com publicidades enganosas. São conhecidos os exemplos de que uma mentira dita muitas vezes pode virar verdade; nem que seja por pouco tempo, mas será suficiente para provocar estragos. Salve a publicidade de bom-gosto, criativa e inteligente! Forte abraço para os amigos publicitários e um beijo grande para as amigas publicitárias. E até 4 de dezembro em novas e instigantes comemorações.




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Superlua volta a encantar em várias partes do mundo


Aprecio bastante os fenômenos da natureza. Principalmente os que envolvem a Lua. O amanhecer desta quarta-feira foi marcado por uma rara coincidência envolvendo o astro inspirador dos poetas e seresteiros. Em algumas regiões do planeta, o cidadão pode observar uma Superlua, uma Lua Azul e uma Lua de Sangue, esta última em decorrência de um eclipse lunar. A agência espacial americana, Nasa, está chamando essa junção de "Superlua Azul de Sangue" (Super Blue Blood Moon).
Infelizmente, no Brasil, o fenômeno ocorre na noite desta quarta-feira sem o eclipse, que poderá ser visto apenas em algumas localidades do extremo norte do país. Portanto, a maioria dos brasileiros poderá observar somente a Lua cheia em seu perigeu, o que se chama de Superlua e ocorre quando o satélite chega a um ponto muito próximo da Terra. Mesmo assim, de rara beleza.


A coincidência da Superlua com um eclipse não acontecia desde 1982. Ele pode ser visto melhor na América do Norte, Oriente Médio, Ásia, Rússia Oriental, Austrália e Nova Zelândia.
Esta Superlua é a terceira de uma série que começou em dezembro.
O termo Lua azul se refere a uma segunda Lua cheia em um mesmo mês, um fenômeno que ocorre em média a cada dois anos e meio. Já a Lua de sangue ocorre quando o astro não fica completamente negro durante o eclipse, visto que uma parte da luz do Sol, refletida pela atmosfera terrestre, alcança indiretamente a superfície lunar. Com isso, alguns raios solares também vazam, produzindo um reflexo avermelhado ou acobreado na Lua. Este fenômeno ocorre quando o astro alcança seu ponto orbital mais próximo à Terra.

O lado lunático da lua
(José Carlos Camapum Barroso)

A escuridão comeu a lua,
Em pleno céu de Brasília.
O homem que vinha pela rua
Nem notou, nem sentiu a mordida.

Então a lua, entristecida,
Meio amuada, meio contida,
Vestiu-se novamente de noiva:
Vagarosamente embranquecida.

São Jorge respirou, aliviado
Podia continuar a batalha
Eterna com o dragão, pela vida.

Os namorados, enternecidos
Beijaram-se aliviados, escondidos...
Temiam que a lua, enegrecida,
Jamais voltasse a produzir luar.

O que fazer pelas ruas, então?
Voltar ao lar, cabisbaixo,
Pro magnetismo da televisão?

- Não, não! Disse a lua constrangida.
- Eis-me aqui, noiva arrependida,
A clarear todas as noites de suas vidas.

E assim passou o eclipse lunar,
Como passa o passo do exibicionista.
E a lua, ainda lenta, continua a vagar...
Deixando a escuridão amortecida.



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Tristeza e impunidade nos 5 anos da tragédia em Santa Maria


Por mais incrível que possa parecer, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, está caindo no esquecimento. E o que restou, de fato, foi a impunidade, reinando sobre a nossa falta de memória, nossa incapacidade para dar sequência e consequência à indignação. O tempo passou rápido e a impunidade tornou-se presença marcante para quem visita hoje aquela cidade gaúcha.
Foi o que constataram repórteres da revista Veja, na edição da última semana. Numa bela e competente reportagem, mostraram que, da tragédia, restaram tristezas e impunidades. Sobrou também um processo em que o Ministério Público acusa a associação que representa os pais das vítimas de desrespeito para com as autoridades.  
Todas as tragédias acontecidas no Brasil desaparecem no tempo com sabor de impunidade. A da boate Kiss, que completa cinco anos neste 27 de janeiro de 2018, segue a mesma cartilha, embora tenha chocado o Brasil e o mundo, com saldo assustador de 242 jovens mortos de forma brutal, vítimas do descaso, irresponsabilidade e desleixo de autoridades, empresários e outras pessoas envolvidas naquele episódio.


Quantos pais ficaram sem seus filhos. Quantos filhos sem pais. Órfãos, talvez, de impunidades que marcaram tragédias anteriores. Dezenas de pessoas que sobreviveram àquela madrugada fatídica, ainda hoje vivem dramas difíceis de serem dimensionados. 
Quem, como nós, está distante de uma tragédia não consegue dimensioná-la adequadamente. Só nos resta rezar pela alma das vítimas fatais e pela plena recuperação dos que sobreviveram. Minha oração é essa abaixo, que já publiquei outras vezes e pretendo repetir por anos e anos. Desta vez, sai publicada em forma de vídeo. Quem sabe conseguiremos, assim, aplacar um pouco a dor de tantas famílias e alertar as autoridades para os riscos inerentes à impunidade.