segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Minha mãe está entendendo até de vinho, pode?


Minha mãe agora está entendendo também de vinho. Mandou essa foto aí, via zapzap, e com o comentário esclarecedor de que é um Malbec, argentino, de boa qualidade. O nome do vinho é La Linda. Uma felícia, digitou errado, e logo veio a correção: *delícia. Brinca com dona Iracema... essa piauiense de São Raimundo Nonato é uma joia rara do universo nordestino.
Sempre apreciou, com moderação, uma dose de cachaça “da boa”, de alambique. Toma um conhaque também, mas diz que tem de ser bem pouquinho, pois “é muito forte”. Gosta mesmo é de uma cervejinha, geladinha, com um tira-gosto feito na hora – se for uma buchada ou uma dobradinha, melhor ainda.
Agora está apreciando também um bom vinho. Pode? E ainda me dá dica sobre qualidade do produto. Comentei que o vinho era La Finca, ela me corrigiu: “não é La Linda, Malbec argentino, de qualidade”. Para que não houvesse dúvida, mandou-me uma foto da garrafa. Aprende, ignorante! Agora, toda vez que for comprar, pedir ou encomendar um vinho, vou ligar antes para dona Ira. Não quero correr o risco de errar na qualidade do produto escolhido.
Ela esclareceu, cheia de modéstia, que “foi um pedido do Lucas, meu neto, que veio passar uns dias aqui com a mãe dele Juracema, em Camboriú”. Lucas é mais um que vai sair de lá escolado, depois de pegar umas aulas com a vozinha sobre bebidas e tira-gostos. Mozart, meu irmão, e a filha dele Domitila, também neta da vozinha, passaram uns dias por lá, entre o Natal e início deste ano. Voltaram entendendo até de cerveja belga e alemã.
Thiago, meu sobrinho e neto de dona Iracema, mora em Camboriú. Contou que depois da chegada da vozinha, ele está entendo de todas as bebidas e tira-gostos. Aprendeu até que um cochilo, depois do almoço, rejuvenesce e “recupera as forças para mais tarde”. 
Bom, essa parte, eu já sabia. Também, depois de 63 anos de convivência...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Carnaval dos Amigos vai às ruas de Goiânia com onze blocos


Pronto. Mês de janeiro nem acabou. Fevereiro está lá na frente, faceiro, com seu ar carnavalesco de sempre. Por isso mesmo, chega de assuntos sérios! Vamos falar do que interessa de verdade para o povo brasileiro: Carnaval! E mais especificamente sobre o Carnaval dos Amigos, aquela festa que acontece todos os anos, em Goiânia, desde o ano de 2003, quando o Bloco dos Amigos saiu às ruas pela primeira vez, dando início a esse que é atualmente um dos melhores carnavais do Centro-Oeste.
É hora de esquecer assuntos chatos como crise econômica, lava-jato, inflação, desemprego, preço dos commodities, estado islâmico, Donald Trump. A partir do início do mês de fevereiro, as águas vão rolar e nenhum desses temas descem a avenida. A não ser que seja para serem ironizados, esculhambados pelas fantasias e tema de marchinhas espirituosas.


Felizmente, de algumas décadas para cá, o verdadeiro carnaval, de rua, das marchinhas, frevos e outras delícias, ganhou espaço pelo Brasil afora. Extrapolou o eixo Rio-Bahia-Pernambuco, num colorido bem brasileiro, de cores e ritmos diversos e enlouquecedores. De norte a sul, de leste a oeste, os blocos estão na rua.
Foi neste contexto que surgiu o Carnaval dos Amigos, em Goiânia, Goiás, que este ano comemora a sua 16ª edição. Como o próprio nome diz, nasceu do sonho de alguns amigos que adoravam curtir o Carnaval juntos, procurando sempre encontrar um local que pelo menos lembrasse a tradição dessa festa tão brasileira. No ano de 2003, pela primeira vez, saiu às ruas de Goiânia, o Bloco dos Amigos, depois de uma árdua e sofrida tarefa de concentração no Flamingo, às custas de muito chope, caipirinhas e feijoada.


Foi o suficiente para ser criada a tradição. Novos blocos foram surgindo, todos com a mesma filosofia de resgatar o verdadeiro carnaval de rua, dos blocos e da alegria, valorizando-se a espontaneidade. 
Este ano o evento acontece no dia 03 de fevereiro, primeiro sábado anterior ao sábado de carnaval. Pelo menos onze blocos já estão garantidos: Bloco dos Amigos, Zeferino, Café Nice, Não Enche Meu Sax, Imprensa, Rocket 07, do Cerrado, Cateretê, Meu Pai Te Ama, Butcherry e Bloco do Aê. 
A novidade deste ano é Neguinho da Beija-Flor no palco principal, lá no Vaca Brava, onde tudo termina, mas não acaba. Outra novidade: O Bloco dos Amigos e o Zeferino estarão, juntos, no mesmo salão. Deu certo com essa marchinha,  composta por Jorge Luís Carvalho e este blogueiro, alguns anos atrás, e que estava meio esquecida em algum arquivo do computador aqui de casa.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Caminhar é uma arte que segue paralela aos sonhos


Mais um ano está começando. O que fazer? Buscar novos caminhos? Ou seguir, ajustando, estradas que percorremos no passado? Todo começo de ano é assim... Muitas dúvidas, poucas certezas e uma imensidão de sonhos a girar em nossos cabeças. Somos tocados por desejos, paixões e sonhos que mal cabem nas nossas mãos e nos escapam a todo momento.
O lugar ideal para guardar os nossos sonhos continua sendo o coração. A mente, basta que ela esteja aberta o suficiente para enxergar o mundo em sua grandeza. Uma dimensão que contempla a solidariedade, a caridade e o perdão. Se vamos atingir esse estágio, só o tempo nos dirá. O tempo que é senhor da razão.
Esse poema Caminhar, no vídeo abaixo, pode ser que nos ajude em mais essa empreitada. É vida que segue, amigos e amigas, cheia de desafios, mas que nos dará frutos se soubermos regá-la, dia a dia, com paciência e sabedoria.
Que a vida se realize em sua plenitude em mais um ano de nossa existência.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Passagem de ano é assim: nada de novo, nem de velho


Fim de ano é tempo de coisas novas e velhas ocuparem os espaços midiáticos, agora reforçados pelas redes sociais, onde se tem e se vê de tudo; inclusive, nada. Sempre descobrimos, ao final e ao cabo, que as coisas velhas não são tão velhas assim, e as novas não chegam a ser novidades no ritual repetitivo das passagens de ano. O final de 2017 não foge muito ao padrão de outros finais de ano. A diferença está no ano de 2018, que terá eleições em todo o Brasil e Copa do Mundo. O rol de expectativas é bem diferente.
Os desejos de Ano Novo são renovados, e vêm cheios de esperanças e sonhos. Todos temos certeza de que 2018 será melhor do que 2017, mesmo que algumas previsões apontem em direção contrária. Danem-se as previsões, principalmente as alardeadas pelos economistas de plantão. Eles sempre erram mesmo.


Devemos atentar, sim, para os institutos de pesquisas. Estes não erram nunca e garantem que o ano de 2018 será muito pior ou muito melhor do que este que chega ao fim.
Se as previsões não se confirmarem. Também não será o fim do mundo. Depois de 2018, virá o de 2019 e assim, sucessivamente. O mundo, como dizia o poeta maior Carlos Drummond de Andrade, é vasto. Ele continuará a dar sua volta elíptica em torno do sol; e nós, aqui na terra, continuaremos a sacudir a poeira e a dar a volta por cima.
Passagem de ano é bom para desejarmos o que há de melhor a todos. Faço minhas as palavras de Drummond no poema abaixo.


Os meus versos, também postados abaixo, são apenas uma pequena reflexão sobre este momento tão comemorado e comentado pelo mundo afora. Que 2018 encha os nossos olhos de alegria, a humanidade de poesia, e de música, os corações! Teremos mais chance de sermos felizes e enterrar de vez as previsões dos pessimistas. No mais, agradecer as graças alcançadas, de preferência ouvindo Gratias agimus tibi, de Bach.

Velho Ano Novo
José Carlos Camapum Barroso

Fim de ano é roupa branca,
Alma limpa e coração aberto,
O amor de sempre por perto
E um pipocar de esperanças.

Champanhe explode no ar
E os fogos, em artifícios,
Colorem o céu de ilusões...

Risos e abraços nos salões,
Gritos e choros nas calçadas
Cobertas de lágrimas e suor.
Papel picado e latas de cerveja...

Vai a noite, some a lua...
Os primeiros raios de sol
Trazem o ano novo pra rua.
Garis fantasiados de homens
Varrem restos de alegria.
O bar se fecha, abre a padaria.
Os jornais chegam mais cedo
A estampar notícias velhas
E as previsões de sempre.
O ano foi ruim! Este será bom!
O ano acabou... O mundo, não.
O mundo? É vasto o mundo.
Eu nem me chamo Raimundo
Muito menos, Drummond.

Desejos
Carlos Drummond de Andrade

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo.



sábado, 30 de dezembro de 2017

2017 foi um ano bem musical, apesar de tantos pesares

Por mais incrível que possa parecer, o ano de 2017 foi bom demais da conta para a música brasileira. No sentido de termos tido produção de coisas boas, de qualidade, e não no sentido de que elas tenham obtido sucesso e veiculação nos meios de comunicação. A indústria cultural, como sói acontecer, valorizou a produção de baixa qualidade musical, descartável e que assegura lucro fácil, e isso vai de Anita a Wesley Safadão, passando por tanto lixo cultural que anda por aí.
Mas, este ano entra para a história musical pelo belo disco de Chico Buarque de Holanda, Caravanas; pelo trabalho cuidadoso e talentoso de Mônica Salmaso, em Caipira; também pelo CD maravilhoso de João Bosco, Mano Que Zuera; pelo álbum duplo de Hermeto Pascoal, No Mundo dos Sons; e, como se não bastasse, fomos presenteados com Viajando Com o Som, uma gravação de 1976 de Hermeto com o Grupo Vice-Versa, que estava desaparecida, com quatro faixas inéditas; além de shows maravilhosos como o de Caetano Veloso com seus filhos, entre outros.


João Bosco, um mineiro cada vez mais carioca, mostra a cidade maravilhosa, em Quantos Rios e na faixa Ultra Leve, que tem a participação de Julia Bosco. O disco traz bons arranjos e destaques para instrumentos de sopro, com a presença sempre marcante do violão do cantor e compositor. Destaque também para a gravação do clássico Sinhá, composição em parceria com Chico Buarque.
Hermeto Pascoal dispensa comentários. Sua genialidade assusta. Não é à toa que o compositor Miles Davis o considerava “o músico mais impressionante do mundo”. No álbum duplo, No Mundos dos Sons, ele homenageia cidades, lugares e músicos que ele admirava, como Tom Jobim, Carlos Malta, Edu Lobo, Chick Corea, Astor Piazzolla, Miles Davis e Ron Carter.


Viajando Com o Som é de fato uma viagem pelo som e pelas infinitas possibilidades que a musicalidade dos artistas propicia. Em 1976, depois de um belo show no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, Hermeto e o Grupo Vice-Versa foram para o Vice-Versa Studio Session, do maestro Rogério Duprat, e gravaram quatro faixas: Dança do Pajé, Navumvavumpefoco, Natal e Casinha Pequenina. Essas quatro gravações estavam desaparecidas e foram agora resgatadas pela Far Out Recording.
Músicos que faziam parte desse Grupo Vice-Versa: Zé Eduardo Nazario (bateria), Zeca Assumpção (baixo), Lelo Nazario (piano elétrico), Toninho Horta (guitarra), o trio Mauro Senise, Raul Mascarenhas e Nivaldo Ornelas comandando a sessão de metais, além da cantora Aleuda Chaves.
Pois é, amigos e amigas aqui do ZecaBlog, 2017 foi um ano especial para a música brasileira, apesar de tantos pesares.
Que 2018 seja melhor ainda!




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Iracema faz 80 aninhos e voou para Camboriú

Iracema e Juarez (in memoriam) nos inesquecíveis bailes de Uruaçu
Minha mãe Iracema faz 80 aninhos de idade, hoje, dia 26 de dezembro, um dia depois que Jesus Cristo completou 2.017 anos a guiar nossos passos. Essa piauiense, como todo nordestino, é forte e vencedora. Foi batizada com o nome pomposo de Maria Iracema do Perpétuo Socorro Coelho Barroso. Depois, ao se casar, fez um corte substancial nesse nome de família real, passando a se chamar Iracema Barroso Camapum.
Ficou órfã com apenas nove anos de idade. A partir de então, passou a trabalhar na casa dos parentes, no pesado, cuidando das crianças menores, tirando água da cacimba, e carregando lata na cabeça. Até que veio pra Goiás, em pau-de-arara, de carona com Florisbela (dona Flor), que viria a ser nossa vizinha em Uruaçu.

Quase não embarca para a terra prometida. Dona Flor só tinha autorização para levar uma das filhas do viúvo Edgard Barroso, a caçula Enoy, sua única irmã. Os quatro irmãos já tinham vindo para Goiás com o pai. Quem garantiu o embarque dela, por incrível que pareça, foi uma mulher considerada “de vida fácil” (imaginem!). Quando viu minha mãe chorando, porque não iria embarcar, chutou o balde: “Essa menina não pode ser separada da irmã; isso é um crime, não se aparta duas irmãs dessa forma”!
Veio. Ajudou a constituir a imensa família Camapum Barroso que se espalhou pelo Centro-Oeste e Brasil afora. Não foi fácil sua vida na pequena Uruaçu, uma cidade em formação, sem água, luz, saneamento básico, muito tradicionalismo e uma boa dose de preconceitos, espalhados pelas ruas de terra, poeira e enxurradas.
Mas, seguiu. Venceu dificuldades. Ergueu uma família bonita, unida e que deve todo sucesso a ela. E ainda teve a capacidade, mesmo com pouco estudo, de ter uma visão moderna da vida, livre de preconceitos e distante das injustiças. Tem um rol de amizades de dar inveja.

Hoje, data do seu aniversário, está em Camboriú, Santa Catarina, visitando sua filha Juracema e curtindo praia e barzinho (foto ao lado). Com certeza, já recebeu dezenas de telefonemas de parentes e amigos de todos os cantos desse Brasil imenso. Tem dois aparelhos de celular, de operadoras diferentes, para baratear custos e poder falar mais tempo com tanta gente, inclusive as rápidas ligações para os “ficantes”. Ela recentemente descobriu que “ficar” é bem melhor do que namorar. Tem WhatsApp e conta no Facebook
Por tudo isso e muito mais, ostenta razões de sobra para comemorar seu aniversário. Como costuma dizer: “Tive mãe só por nove anos e sou mãe desde que completei 16 anos de idade”. E nós os quatro filhos respondemos: “Uma mãe incomparável, inigualável e insubstituível”. Melhor do que esta só a mãe de todas as mães, mas, essa está no céu!
Parabéns, dona Iracema, que essa data se repita por muitos anos!



sábado, 23 de dezembro de 2017

Natal é esperança de nova luz para o Ano Novo


A religiosidade é uma coisa boa nessa nossa curta passagem por esta vida. Desde que imbuída do espírito da caridade, do amor ao próximo e também do respeito por aquelas pessoas que praticam outras religiões, ou que não praticam religião nenhuma, ou não acreditam no mesmo Deus que acreditamos, ou até mesmo para com aqueles que não acreditam em nenhum Deus.
O espírito verdadeiramente cristão é aquele que professa, procura e pratica sempre o bem, sem olhar a quem. E isso não é fácil. Exige muita abnegação e humildade. Aliás, humildade é a palavra-chave nessa vida.
Final de ano traz sempre uma certa polêmica sobre qual festa é melhor, mais prazerosa: Natal ou Ano Novo? A desavença começa pelo recesso no ambiente de trabalho. Há aqueles que só tiram folga na semana natalina e os que preferem o fim de ano. A polêmica ganha contornos piores quando embalada por visões fundamentalistas, sejam elas expressas por religiosos ou pelos festeiros de carteirinha.


Estes últimos têm certeza que festa boa é o Réveillon e que as comemorações natalinas são cansativas, caretas e modorrentas. A turma do primeiro grupo só enxerga lascividade e pecado nas festas de fim de ano.
São duas comemorações bem distintas e cada uma com sua beleza própria e seu estilo marcante. Como é delicioso o momento natalino, em que as famílias, as pessoas mais próximas, reúnem-se para comemorar o nascimento de Cristo, e, por consequência enaltecer todos os bons ensinamentos que guiam uma parcela relevante da humanidade.
A Igreja Ortodoxa não comemora o nascimento de Cristo no dia 25 de dezembro, mas, no dia 7 de janeiro, pois não reconhece a reforma do calendário implantada pelo Papa Gregório, no ano de 1582, que corrigiu uma defasagem de treze dias entre a data do calendário e a data real das mudanças das estações – equinócio e solstício. Os ortodoxos continuam seguindo o calendário de Júlio Cesar, criado em 45 A.C.


Pelo mesmo motivo, só comemoram o Ano Novo no dia 14 de janeiro. Mas, na Rússia pagã, essa data estava associada ao fim do Inverno e início da Primavera, portanto, sempre comemorado no mês de março com o “renascimento da Natureza”. O Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, em 2016, foi comemorado no pôr do sol do dia 02 de outubro até o anoitecer do dia 04 de outubro, de domingo a terça-feira, marcando o início do ano 5777. Como de costume, serve para lembrar a criação do universo por Deus, bem como a aceitação da soberania d’Ele sobre o mundo.
A decoração de Natal é extensiva às comemorações de fim de ano. Servem para saldar o Ano Novo, depois de ter encantado as pessoas na chegada do menino Jesus. Todo ano é assim, aqui em casa. A Stela mostra seu extremo bom-gosto para decoração de casa e ambientes festivos. O vídeo abaixo mostra isso, com fundo musical de Wolfgang Amadeus Mozart.
É vida que segue cheia de esperanças e sonhos de renovação.


Luz natalina
José Carlos Camapum Barroso

Rainha que floresce
Na noite de Natal
É como um açoite
De esplendor celestial.

É dádiva de Deus!
Uma nova mensagem
A pulsar nos corações:
Há vida a nos embalar,
Esperança na Terra!
Basta abrir os olhos
Para que a luz possa entrar...

Luz que é divina,
Eterna e nos ensina
Um modo novo de cantar,
Amar, viver a vida.
Rainha-da-Noite e do dia
Dai-nos hoje, e sempre,
A esperança perdida.



sábado, 16 de dezembro de 2017

Aos que vivem e acreditam na existência


Dezembro é um mês para se pensar na vida. É tempo de renovação e propagação da luz que nos aponta caminhos e nos enche de esperanças. É um mês para lembrarmos daqueles que nos deixaram e dos quais temos dificuldades para aceitar que estejam ausentes.
É tempo de lembrar que a vida continua e que eles, os nossos entes queridos, continuam a fazer parte da nossa existência. São partes de nós, pedaços espalhados pelos caminhos de uma vida tão curta quanto cheia de mistérios.
Foi pensando nisso, e nessas pessoas, que escrevi os versos que se seguem.

Aos que vivem
José Carlos Camapum Barroso

 Viver é sonhar
Sonhos que foram e virão

Viver é afastar
Pesadelos de hoje e de então...

Viver é guardar
Os que se foram e jamais serão

...Parte da nossa existência
Abraço em consistência
Cheiro de uma essência
Com sabor de convivência...

Viver é deixar
Nas sombras do esquecimento

...Espinhos de sofrimento
Mágoas e ressentimentos
Dores e odores renitentes
Pensamentos resistentes...

Viver é andar
Como São Pedro sobre as águas

Viver é buscar
Consolo na reencarnação

Viver é amar
É caridade, justiça e perdão.


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Dia de Gonzaga é também do forró de cabo a rabo


Posso até estar equivocado, mas acredito que o Brasil inteiro hoje, de alguma forma, fez referência a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que nesta data faria 105 anos. Quanto mais por que hoje se comemora O Dia Nacional do Forró, e não poderia ser em outra data. Do Oiapoque ao Chuí, do Recôncavo Baiano a Ji-Paraná, no Mato Grosso, passando obviamente por Uruaçu (a cidade que fica no centro do Universo), alguém, neste dia, ouviu uma música do Lua, ou cantarolou um baião de sua autoria, ou dançou um xaxado em homenagem a sua doce figura.

Luiz Gonzaga nasceu, viveu e morreu como artista. Foi um apaixonado pelo seu povo, o nordestino pobre e sofrido. Amou o sertão, a caatinga, os gerais e o litoral desse Brasil tão imenso quanto desigual. Conciliou e reconciliou famílias afastadas por brigas sem pé nem cabeça. Ajudou músicos novos, como Dominguinhos, Fagner e tantos outros.
Gonzagão era pai de Gonzaguinha e filho de Januário, músicos de extraordinário talento. Januário fazia chover com sua sanfona de apenas oito baixos. E Gonzaguinha mostrou um Brasil novo, rebelde e inconformado com as injustiças sociais.
Luiz Gonzaga do Nascimento é Luiz porque nasceu no dia de Santa Luzia. Gonzaga porque este é o segundo nome de São Luiz Gonzaga. E Nascimento porque o menino nasceu no mês do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um cidadão com essa história na algibeira e todo o talento musical na alma só poderia se tornar um fenômeno da música brasileira.
Só poderia ser ele, Luiz Gonzaga, o ponto de referência para o Brasil homenagear o forró. 


O termo “forró”, segundo o folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, estudioso de manifestações culturais populares, vem da palavra “forrobodó”, de origem bantu (tronco linguístico africano, que influenciou o idioma brasileiro, sendo base cultural de identidade no brasil escravista). Significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem. 
A versão mais verossímil, apoiada pelo próprio historiador Câmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas.
Mas, nesses 105 anos de Gonzagão, o ideal mesmo é ouvir o próprio Luiz cantando sua tradicional Asa Branca, acompanhado de Orquestra Sinfônica. E um pouquinho de forró não nos fará mal algum...


sábado, 2 de dezembro de 2017

Dia Nacional do Samba quando cai num sábado...



Ari Barroso, mineiro, genial compositor de Aquarela do Brasil, foi conhecer a Bahia somente depois de ter feito o samba Na Baixa do Sapateiro. O dia? Era 2 de dezembro do ano de 1940. E, por isso mesmo, essa data acabaria se tornando o dia nacional para as comemorações do Samba. Era comum essa comemoração ficar restrita a Salvador e Rio de Janeiro. Hoje, não... felizmente. Ela se espalha pelo Brasil inteiro, assim como a paixão pelo samba e pelo futebol. E este ano, ainda por cima, caiu num sábado...
O samba cresceu e se desenvolveu até mesmo em São Paulo, onde poucos acreditavam que isso viria a acontecer. Vinícius de Morais chegou a dizer que São Paulo era o túmulo do samba. O poetinha dessa vez errou – e feio! Graças à população negra do Largo da Banana, na Barra Funda, o samba começou a fincar suas raízes, que frutificariam na Escola de Samba Camisa Verde e Branco. Das comunidades do Bixiga, os cordões carnavalescos fariam nascer a escola Vai-Vai. Isso tudo entremeado pelo talento de compositores como Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa.


As comemorações vão de Norte a Sul deste imenso Brasil. Percorrem o Norte e o Nordeste, passando pelo Centro-Oeste e desaguando em Porto Alegre. Até Brasília, capital da modernidade, tem seus espaços para os sambistas e apaixonados por esse ritmo tão brasileiro. Mas, tudo tem uma origem, e precisamos preservá-la.
No dia 27 de novembro de 1917, por exemplo, um cidadão chamado Ernesto Joaquim Maria dos Santos, popularmente conhecido por Donga, entrou na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e registrou a partitura de Pelo Telefone, que ficaria conhecido como o primeiro samba gravado no Brasil. Cem anos depois, o Samba está aí, firme, forte, altivo, elegante, majestoso, popular e consagrado como o maior sustentáculo da verdadeira e autêntica Música Brasileira.

O samba sobreviveu aos ataques de mediocridade espalhados pelo universo da música pelos meios de comunicação, os mais poderosos principalmente. Neles, o espaço esteve sempre reservado para as músicas comerciais, descartáveis, no rol do sertanejo, do pagode, do funk e de um forró de baixa qualidade e pouco criativo.
O samba resistiu porque é capaz de aglutinar tendências e de estancar preconceitos e diferença de toda e qualquer natureza. Se enriqueceu ao receber influências diversas, sem perder a riqueza do seu sincopado, o tom do lamento e a variedade de temas. O historiador André Diniz tem uma frase lapidar, em seu livro o Almanaque do Samba (editora Zahar):  


“O samba é uma porta importante para entender a
 diversidade da cultura brasileira, as suas identidades. 
Acho que o samba tem as duas coisas, a construção modernista
 da valorização da mestiçagem e, é claro, a escolha 
pela própria sociedade como um gênero 
predileto nacional no século 20”.

Comemorar o século do samba é um orgulho para nós, apaixonados pela música e pela cultura popular brasileira. O samba não morreu, nem morrerá, jamais, e vai continuar a levantar nossa estima e a preservar a boa música e o bom gosto. De Donga e João da Baiana, passando por Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, João Gilberto, Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, até Paulinho da Viola, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cartola, Dona Ivone Lara, Paulo César Pinheiro, e tantos outros! Podemos dizer com orgulho: O coração do brasileiro não bate, batuca!
Saravá, irmãos!