| Icaraí, Niterói (RJ), onde tudo começou |
Dois
grandes acontecimentos pela liberdade marcaram minha vida nesse período pré-eleição
do segundo turno para Presidente da República do Brasil. O primeiro deles foi o
movimento das ruas puxado pelos jovens estudantes de Niterói (RJ) e
potencializado pela adesão em massa de trabalhadoras e trabalhadores, idosos,
aposentados ou não, de todos os recantos da País. O segundo acontecimento, foi
ter terminado de ler a Ética de Baruch de Espinosa, obra-prima da humanidade,
que trata justamente da passagem da servidão para a liberdade.
Os
jovens foram sacudidos pela derrota no primeiro turno da proposta democrática e
progressista para a de um candidato representante, antes e acima de tudo, do
autoritarismo, do fascismo, resgatado e enaltecido pelo slogan “Deus Pátria e
Família”. Os idosos foram arrancados de seus merecidos e duramente conquistados
descansos das aposentadorias terrivelmente ameaçadas em suas remunerações e de
serem encurtadas no espaço e no tempo.
Essa corrente humana, robusta e resistente, tomou conta das ruas, praças e avenidas para dizer ao mundo em alto e bom som: fascistas, non pasarán! Estavam – e ainda estão, tendo em vista o perfil do Congresso eleito – ameaçados, além das liberdades democráticas, os direitos humanos, sociais e econômicos da imensa maioria do povo brasileiro! Também a soberania brasileira ameaçada e sujeita aos sempre presentes interesses norte-americanos pelas nossas riquezas e pela nossa força de trabalho.
Todas
as nossas conquistas, sonhos e projetos estavam – e ainda estão – ameaçados
pelo discurso de ódio, que se tornou realidade no ataque às escolas, aos professores
e aos jovens, para terem o controle da Educação. Ao mesmo tempo, ataques a
artistas e produtores culturais mostraram o que sempre pensaram e ainda pensam
os extremistas de direita, bolsonaristas e fascistas, sobre o papel da Cultura
em nosso País. Manifestações de médicos, absolutamente contrárias ao juramento
de Hipócrates, foram de negar alta hospitalar a pacientes que, supostamente, sairiam
pra votar no candidato considerado de esquerda, até ameaça de morte ao cantor e
compositor Chico Buarque de Holanda – claros exemplos de que, para essa
gente, nem a saúde importa.
A
obra-prima Ética, livro do filósofo e pensador Espinosa, demonstrada à maneira
dos geômetras, escrita no século XVII, é um marco na visão de mundo de qualquer
pessoa que pretenda alcançar a liberdade. Terminei de lê-lo na semana das
comemorações da vitória da Democracia e dos Direitos Sociais sobre o
obscurantismo. Tive a felicidade de participar de um grupo de estudos, orientado
e conduzido pelo psicanalista Rafael Trindade, do site Razão Inadequada, o qual
recomendo muito.
Aprendi
com os jovens nas ruas e no livro de Espinosa, que a luta pela liberdade é
árdua, exige esforços do corpo e da mente, de forma contínua, sublime e
exemplar. Luta essa que tende ao infinito e, justamente porque compreende, pela
razão e pela intuição, onde e por que vivemos em servidão, nos permite vislumbrar
a eternidade e nos deixa bem mais próximo de Deus e, por consequência, da
Natureza.
Ler
ainda é o melhor remédio contra a ignorância. Lutar e sair às ruas em defesa dos
direitos da população é o caminho para superar a servidão e alcançarmos a
Liberdade.
Beijos no coração! Saudações democráticas!















