terça-feira, 26 de julho de 2016

Bodas de cedro, a força e a grandeza da madeira de lei

 

Há 36 anos, resolvemos, eu e Stela, juntar nossos paninhos, nossos trapos, retratos e outros penduricalhos. Coube tudo num baú, que carregamos até hoje, lado a lado, cada um sustentando uma das alças desse peso conjunto. A vida é assim, cada um leva um fardo com o peso que Deus lhe deu por missão. Mais leve quando encontramos alguém para dividir essa carga. Os encargos tornam-se prazerosos e temos condição de apreciar melhor as coisas boas da vida.

Este ano, estamos sob o signo das bodas de cedro, madeira forte, altiva, que resiste ao tempo e ao vento, e ainda é capaz de ser medicinal, com seus óleos e chás milagrosos. Desde o ano de 2011, venho adicionando a um poema as diversas facetas de um casamento visto pela ótica das bodas (para ver o início, clique aqui). 
Como já disse outra vez, pelo andar da carruagem, vai acabar ficando maior que Os Lusíadas de Camões.
O casamento é união de esforços, sonhos e desejos na busca de um bem comum. Se não houver essa visão mágica da vida, tudo terá sido em vão. Ou, como diria o poetinha Vinícius de Moraes, “tudo isso não adianta nada/ se na selva escura e desvairada/ não se souber achar a grande amada/ para viver um grande amor”.
Mestre e ilustre poeta, eu estou no time dos que souberam fazer essa escolha.
Ano que vem, estaremos regidos pela aventurina, uma pedra de bons fluidos...

O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso

O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores.
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses anos...

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Como passam os anos...
Novos e novos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.

Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal que a vida continuará
A nos oferecer conquistas!

Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia,
Onde os corais de uma nova
Vida irão resplandecer.

Corais sedimentados,
Incrustados e fortalecidos
Pelos grãos de areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista alcança.

Madeira de lei
A sustentar nosso leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira vermelha.
Do alto de seus galhos,
Podemos o futuro avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos benignos,
Pronta pra nos agasalhar.
Aí, serão 37 anos,
Outra história pra contar.

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