Minha avó Naninha, Ana de Alencar Camapum, figura esquálida, pequena, de pouca visibilidade, não se enquadrava naquele exemplo clássico de vó. Não era de nos agasalhar no colo, fazer gracinhas, dengos e outras peripécias que tanto entusiasmam as crianças. Mas gostava de presentear. Costumava aproximar-se de nós com um dinheirinho enrolado na mão, dizendo: “toma meu filho, pra comprar um refrigerante”.

Nossos
avós nos ensinaram a sermos caridosos, solidários e a fazer orações antes de
dormir – rezar um Padre-Nosso, uma Ave-Maria e concluir, dizendo: “Com Deus me
deito, com Deus me levanto, na graça de Deus, Espírito Santo”. Amém.
São
lembranças que veem à memória neste dia 26 de julho, dos Avós e de Nossa
Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Época também das barraquinhas, com seus
leilões, correios elegantes e outras tradições que quase não se vê mais.
É também
a data do meu casamento com a Stela, que nesta noite chega aos 36 anos de
vivência, convivência e sobrevivência (leia texto abaixo).
Como
tempo passa a rápido, mas as lembranças ficam guardadas nos nossos corações.
O Tempo
José Carlos Camapum Barroso
O tempo do relógio
Não é como o dos
Sentimentos
Que passa como
Passa o vento...
Tempo de relógio
É compassado,
Ritmado, perene...
O tempo da alma
Geme, resistente.
Não passa, ou passa
Tão urgentemente
Que o coração
Não pressente
O descompasso
Entre dor e lamento...
Ah... O tempo?
É o espaço entre
O momento que se foi
E o que ainda virá...
Entre o fogo aceso
E a chama apagada
Em nossa mente...
Onde o amor, presente,
E a dor, ausente,
Tocam-se suavemente.
Ah... O tempo?
Vingança divina
De deuses em ruína,
Na imensidão do Universo,
Na exatidão dos versos
De um poeta qualquer...
Quão desmedido é o tempo!
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