segunda-feira, 28 de março de 2011

Japão das cerejeiras e tragédias atômicas





O Japão abalado por terremotos, destruído por tragédias atômicas e tsunâmicas, é o mesmo país que nesta época, todo ano, divulga para o mundo imagens belíssimas das cerejeiras floridas. É o mesmo Japão que este ano trocou o colorido belo das flores pelo cinza das fumaças radioativas, estúpidas e inválidas.
O Japão é ao mesmo tempo símbolo de tragédias e de reconstruções. O povo que experimentou, pela primeira vez, o potencial de uma explosão atômica, é o mesmo que reergueu o país em tão curto espaço de tempo, e fez com que o Japão se tornasse uma das maiores potências mundiais. Os japoneses vivem mais uma grande tragédia que abala o mundo. O número de mortos em consequência do terremoto e do tsunami do último dia 11 já passa de 11 mil. Existem 17.339 desaparecidos. Mais de 200 mil pessoas continuam desabrigadas em 1.900 abrigos. Pelo menos 18 mil casas foram destruídas e mais de 130 mil edifícios, danificados.
Em 1912, o prefeito de Tóquio doou três mil pés de cerejeiras para os Estados Unidos em sinal de amizade. Um presente para o mesmo país que, em 1945, jogaria duas bombas atômicas em solo japonês. As cerejeiras se multiplicaram ao longo do rio Potomac e de lagos que enfeitam a cidade de Washington. Atraem, todo ano, milhões de turistas, tamanha a beleza. Por ironia do destino, este ano, as cerejeiras de Washington vão ajudar a recolher recursos para o Japão. O período da florada branca e rosa é justamente agora, de 26 de março até 10 de abril. Uma parte da venda dos ingressos será revertida para as vítimas da tragédia japonesa, e o público será convidado a fazer doações.
Mais uma vez, na história da humanidade, o perfume e o colorido das flores são capazes de ajudar a superar tragédias, mesmo que nucleares. Vinícius de Moraes, o nosso “poetinha”, teve sensibilidade extraordinária ao compor os versos de Rosa de Hiroshima, musicados por Gerson Conrad. 
Para que não nos esqueçamos nunca do poder destruidor da natureza e das invenções humanas, criadas justamente para dominar a natureza, ouçamos Rosa de Hiroshima, na voz melodiosa de Ney Matogrosso. Vai nos ajudar também, com certeza, a lembrarmos sempre do poder e da beleza incalculáveis das flores.

2 comentários:

  1. Belo e emocionante texto, parabéns.
    O contraste na sequência de fotos é perturbador e nos alerta.
    E que bom que esta bela "Rosa de Hiroshima" de Vinícius e Gerson Conrad, magnificamente interpretada por Ney, nunca tenha saído do inconsciente coletivo. Que os trágicos versos do poeta sempre ecoem em nossas mentes...

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  2. Eu, que estive no Japão durante muitos anos, também vivenciei o grande terremoto.Vi imagens daquele imenso tsunami.Mas sempre acreditei, e acredito na plena recuperação desse povo.Que independente de guerras, ou desastres naturais, nunca deixou de lutar para reerguer o país destruído.Apesar de ter voltado para o Brasil, meu coração continua lá.O Japão sim, pode ser chamado de guerreiro.Com grande espírito de Samurai!E lhes desjo fprça e fé!Sempre!

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