sábado, 26 de julho de 2014

Bodas de Oliveira e o sagrado prazer de uma bela convivência


Chegamos aos 34 anos de casados. Representados pelas Bodas de Oliveira. Árvore sagrada e tão citada em passagens da Bíblia. No ano passado, associei esta data às comemorações do Dia dos Avós, relembrando de Vovó Naninha e de meu avô Toinho, e também ao fato de ser o dia de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu (pra quem quiser ler este texto é só clicar aqui).
Hoje, pra comemorar as nossas Bodas de Oliveira, achei melhor acrescentar mais uma estrofe ao poema O Passar dos Anos e reproduzir aqui uma poesia que fiz dedicada Aos Noivos. Como sou muito agradecido à Stela por ter me aguentado durante tantos anos, reproduzo também a poesia que fiz dedicada a essa grande companheira. Espero que tudo isso ajude a alegrar o fim de semana dos casais, dos noivos e de todos aqueles que cultuam o prazer de uma boa convivência.
Ano que vem serão Bodas de Coral...


O passar do tempo
José Carlos Camapum Barroso

O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de flores,
Fez-se duro como madeira,
Entrelaçada de amores...

O sabor do açúcar trouxe
O perfume da papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... Todos esses anos...

Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram marfim.
No resplandecer do cristal,
A turmalina cor de rosa
Desaguou na turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a maioridade.

O que fazer agora, então?
A água-marinha já não
Banha a mesma porcelana...
Resiste a louça, coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da prata...

Ah... Como passam os anos...
Novos e novos desenganos
Trazem um cheiro de erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar ajudou
A passar trinta e um anos.

Como não ficar sozinho...?
Entre anos e desenganos,
Vieram as Bodas de Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de Crizo?
Aos trinta e três anos...
Melhor seria “Bodas de Cristo”.

Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas bastará,
A nos encher de esperança.
Depois de tanta turbulência,
Teremos “terra à vista”.
Sinal que a vida continuará
A nos oferecer conquistas.

Debaixo da Oliveira
O tempo passa devagar,
Suas folhas são perenes,
Nos deixam mais serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da prosperidade,
Bendita e bem-vinda,
Até que o sol possa nascer.
Vamos caminhar pela praia
Onde os corais de uma nova
Vida irão florescer.



Aos Noivos
José Carlos Camapum Barroso

O casamento
É o unguento
Da solidão.
É o remédio
Da alma
Que acalma
O coração.
O tempero,
Ora salgado,
Apimentado,
Que aquece
Os sonhos
E adoça
A visão.
Casamento
É momento,
Lá no futuro,
Ou no passado,
Sempre presente
No coração.

Juntem todos
Seus cacos,
Seus trapos,
Num prato,
E sirvam-no,
Dia após dia,
Regado a paixão.

 
Confissões
José Carlos Camapum Barroso
(Para Stela Márcia)

Confesso que vivi
E deixei de viver
Noites enluaradas
Namoradas que perdi
Outras que deixei
E as que nem tive
O prazer de sentir.

Confesso que vi
O tempo escorrer
Entre dedos frágeis
Mãos trêmulas
A suplicar perdão...
Disse sim, talvez,
Em vez de um não!
Menti num sorriso
Tênue, contido
Estacando lágrimas
Do fundo do coração...

Confesso que sofri
Sentimento doído
Que tinha na face
O prazer em si...
A confissão da dor
A repulsa do amor
A ilusão do porvir.
Busquei a felicidade
Longe, bem longe,
Lá no horizonte
Que a vista alcança
Mas o coração, frágil
Não arrisca medir.

Confesso que morri
Onde almas borbulham
Entre ferro e fogo
No inferno de Dante
No calor dos anjos
Onde a vida, em luz
Perpassa incólume
Os vitrais das catedrais
E extingue o tempo.

Confesso, acordei...
Era sonho de criança
Ilusão frágil do ser
Forma de esperança
Como a própria vida
Que se deixou de viver.



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