Certa vez, perguntaram-me, de chofre:
"qual é a coisa que você mais aprecia nesta vida?" Ponderei se não
poderia ser mais de uma... pelo menos duas. Concordaram. Aí respondi, com
firmeza:
- Mulher e música!
Minha mulher, que estava do meu lado,
interferiu:
- Não necessariamente nesta ordem, né?
É. Tive de concordar. A música vem em
primeiro lugar. Entre muitas outra razões pelo fato de ter sido uma criação e
produção, ao longo de milênios, de mulheres e homens. Tenho convicção plena de
que as ilustres representantes do sexo feminino não querem ser, nem se
consideram, mais importantes nesta existência do que a música, esta arte que
nos contagia, inebria e entontece.
Neste Dia Nacional da Mulher, peço
licença à música e aos músicos para render minhas homenagens e referências a
elas que ficaram relegadas ao segundo lugar entre as grandes paixões da minha
vida. E começo por lembrar e advertir a todos para o fato de que essa data de
hoje é desconhecida da imensa maioria dos brasileiros e brasileiras.
Data essa que foi criada, em junho de 1980,
justamente para reforçar o desenvolvimento e a reeducação social e os direitos
que as mulheres têm, devem ter, na sociedade. Esse dia foi escolhido por ser a
data de nascimento da enfermeira Jerônima Mesquita, que nasceu no ano de 1880 e
morreu em 1972.
Jerônima, em sua trajetória, desenvolveu laços de estreita amizade
com duas importantes
personalidades na luta pela libertação da mulher: Bertha Lutz e Stela Guerra
Duval, consolidando,
juntas, uma atuação pioneira e relevante na conquista de direitos para as
mulheres. Ela foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso
Feminino, no ano de em 1922, quando o modernismo brasileiro
abria portas para um visão diferente e ousada da sociedade.
Jerônima foi também uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto
feminino, participando ativamente do movimento sufragista de 1932. Com
Bertha Lutz e Maria Eugênia, em 14 de agosto de 1934, lançaram um manifesto à
nação, que ficou famoso como Manifesto Feminista.

Em 1947, ao lado de um grupo de companheiras fundou
o Conselho Nacional das Mulheres (Rio de Janeiro). Jerônima
destacou-se também por ser a fundadora da Associação das Girl Guides do Brasil
(primeiro nome da Federação de Bandeirantes do Brasil), em 1919. O Movimento
Bandeirantes apresentou-se e se consolidou como uma proposta de educação
pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais
atuante nas mudanças da sociedade. O nome Bandeirantes foi escolhido por
significar “aqueles que abrem caminho”.
Para uma mulher abrir caminho numa sociedade tão
preconceituosa e machista como a nossa, nunca foi tarefa fácil. Imaginem,
então, nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX,
incluindo aí duas grandes guerras mundiais e o surgimento do nazismo e do
fascismo na Europa.
Pois é, amigas e amigos aqui do ZecaBlog,
não podemos deixar passar despercebida data tão importante e significativa para
nossa existência enquanto seres humanos. Nos dias atuais, essa visão mais
inclusiva e justa das pessoas na sociedade anda em baixa. Por isso mesmo, é
preciso preservar memórias...
Mulher
José Carlos Camapum Barroso
Nem com uma flor
Se bate numa mulher.
Ela é fonte de amor,
Pétala do bem-me-quer.
Nem com um buquê
De rosas deve apanhar...
Se nãos sabes por quê?
Logo, logo saberás
Ponhas num vaso
O buquê de flores.
Em cima, por acaso,
Um cartão de amores.
Em volta espalhes
Rosa, lírio, jasmim...
Como a lembrares
Um canto do jardim.
Verás, então, surgir
Nos lábios da mulher
Um sorriso, elixir
Para dor qualquer...
No rosto, corado,
Verás a expressão
De um ser amado
A revelar gratidão.
E olhos... brilhantes,
Marejados de prazer,
Desejos cintilantes
Estarão a oferecer
Abraços e beijos
Regados de emoção...
Revelam desejos
Que brotam do coração.
Saberás que mulher
Não é para apanhar.
Mas, sim, para ser
Objeto do verbo amar.
José Carlos Camapum Barroso
Se bate numa mulher.
Ela é fonte de amor,
Pétala do bem-me-quer.
De rosas deve apanhar...
Se nãos sabes por quê?
Logo, logo saberás
O buquê de flores.
Em cima, por acaso,
Um cartão de amores.
Rosa, lírio, jasmim...
Como a lembrares
Um canto do jardim.
Nos lábios da mulher
Um sorriso, elixir
Para dor qualquer...
Verás a expressão
De um ser amado
A revelar gratidão.
Marejados de prazer,
Desejos cintilantes
Estarão a oferecer
Regados de emoção...
Revelam desejos
Que brotam do coração.
Não é para apanhar.
Mas, sim, para ser
Objeto do verbo amar.
Linda homenagem. Poesia e música.
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