sábado, 2 de maio de 2026

Dias da semana e os versos em cada um de nós

Os dias da semana têm conexões para todos os gostos, crenças, história e literatura. A semana de sete dias vem desde a antiguidade. Povos da mesopotâmia e hebreus relacionavam esse número à criação do mundo, às fases da Lua e a ritmos naturais que conseguiam observar. Continuou assim pelo Império Romano, pela expansão do cristianismo e do islamismo, até estabelecer-se como modelo da organização do trabalho.

Digo isso, e direi outras coisas correlatas, porque recebi pelo WhatsApp um poema belo e interessante falando dos dias da semana (leia abaixo). Veio do amigo, poeta, escritor, desembargador e membro da Academia Goiana de Letras (AGL), Itaney Campos, conterrâneo de Uruaçu. Em seus versos, o mestre passeia pelas considerações, fantasias diversas que se fazem sobre o que cada dia da semana representa em nossas vidas.

No Império Romano, os dias foram identificados com os sete corpos celestes que se destacavam: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Cada um ligado a um dia específico, tradição que influenciou muitos calendários ao redor do mundo, especialmente os de língua inglesa e francesa.

No português, o cenário atual começou a ser moldado na Idade Média, com forte influência do cristianismo. Em vez de manter nomes ligados a deuses e planetas, líderes religiosos passaram a usar uma nomenclatura voltada ao calendário litúrgico, em especial ao período da Páscoa.

O Domingo vem do latim “dies Dominicus”, dia do Senhor, reservado ao culto cristão. O Sábado do “shabbat”, em hebraico, ligado à ideia de descanso semanal. Os dias da semana, pela ordem, receberam a junção de “feiras”, entendidas como dias dedicados ao trabalho.

Pessoas amam a sexta-feira e destilam ódio à segunda-feira. Conheci alguém que, no domingo, logo depois da almoço, já expressava um tremendo mal humor, fechava a cara, respondia com monossílabos. No final do dia, início da noite, nem respostas dava. Mas, nas sextas-feiras, era outra pessoa, simpática, de boa prosa e humor contagiante.

Há quem guarde o sábado, outras, o domingo; uns mais, outros menos, piamente. Variações que deixam claro: o calendário não é apenas uma ferramenta prática, mas também retrata mudanças de crença, de poder e de organização social.

Bom dia, do Senhor! Divirtam-se com esse belo poema.

A Semana
Itaney Campos
 
Esfuma-se o domingo, desce a noite,
prenúncio da segunda tediosa,
a terça se inaugura feito açoite
sobre a quarta de cinzas, e uma idosa
quinta feira se irrompe no cenário.
 
Tudo é triste; e o mais triste é a oleosa
sexta que ali acena no calendário.
Em vão nos escondemos no opiário
da bebida, da estrofe mentirosa.
 
O sábado é de divórcio e de lamento;
Em cada verso, arde um esquecimento;
Em cada gesto, há um obituário.
 
O domingo é de sol, que tudo queima;
cortante como o frio em um poema,
é tecido do vento do calvário.

  

2 comentários:

  1. Legal demais as curiosidades sobre a semana e calendário... E o poema do Itaney é rico e belo no lirismo mais muito denso e triste nos fatos.Adorei.

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    1. Poema denso. O poeta retrata um momento triste de um personagem que olha a realidade dessa forma. Obrigado pela participação.

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