Amadeu Thiago de Mello, ou simplesmente Thiago de Mello, é um poeta amazonense, nascido na cidade de Barreirinha. Seu nome está liricamente vinculado à luta pela liberdade e contra qualquer tentativa de opressão. É bom que neste mês de março tenhamos oportunidade de comemorar os 90 anos de existência desse brasileiro tão distinto. Março é sempre um mês de nuvens pesadas, densas e assustadoras, capazes de cobrir o Brasil de leste a oeste, de norte a sul, com presságios nada alvissareiros.
Foi assim em 1964, às
vésperas do golpe militar que faria Thiago de Melo, e tantos outros talentos,
buscar refúgio no asilo político. O poeta amazonense foi para o Chile, onde
tornou-se amigo de Pablo Neruda e foi capaz de sobreviver, mesmo sendo preso e
ameaçado de morte, a mais um golpe militar bem ao estilo latino-americano. Foi dessa forma naquele ano e está
sendo assim neste mês de março, em que manifestantes têm a petulância de exibir
cartazes pedindo a volta dos militares.

É sempre bom relembrar
poetas como Thiago de Mello. Seus versos, seus sonhos e sua utopia continuam em
volta dele, do mundo que construiu e que preserva mesmo enfiado no coração da
floresta amazônica. Na entrevista citada, o poeta disse mais uma frase lapidar
e bem significativa para o momento atual: “Hoje, quem não escolher a utopia
corre o risco de cair no apocalipse”.
Façamos nossas homenagens aos
90 anos de Thiago de Mello, para que ele e os seus sonhos perdurem pela
eternidade. De minha parte, ofereço os versos abaixo dedicados aos poetas. E, a
seguir, o conjunto Tarancón cantando os versos de Madrugada Camponesa.
É... faz escuro, mas pelo menos
ainda estamos cantando...
PS - Thiago Barroso meu sobrinho querido ganhou esse nome em homenagem ao poeta.
PS - Thiago Barroso meu sobrinho querido ganhou esse nome em homenagem ao poeta.
Aos poetas
José Carlos Camapum Barroso
Somos
poetas,
Maior ou
menor,
Não
importa.
Neste
mundo,
Tal
dimensão
Não
existe.
Subsiste
Apenas a
dor,
Alegria
contida
Num mar
de amor.
Sorriso
franco,
Fala
mansa,
Olhar
distante...
E
observador.
Poetas,
somos,
Como
Drummond
Nos
ensinou...
Ferro de
Ferreira,
Bandeira
à mão,
Pena nos
dedos,
João no
coração.
Thiago a
cantar,
Lanterna à
mão,
Versos na
escuridão.
Somos
poetas
Enquanto
durar:
Dor de
injustiça,
Guerra
pela paz,
Fome de
comer,
Sede de
beber,
Razão
para viver...
Poeta,
somos,
Seremos,
sempre,
Enquanto
ser.
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