segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Livro e manifestações, dois caminhos para a Liberdade

Icaraí, Niterói (RJ), onde tudo começou

Dois grandes acontecimentos pela liberdade marcaram minha vida nesse período pré-eleição do segundo turno para Presidente da República do Brasil. O primeiro deles foi o movimento das ruas puxado pelos jovens estudantes de Niterói (RJ) e potencializado pela adesão em massa de trabalhadoras e trabalhadores, idosos, aposentados ou não, de todos os recantos da País. O segundo acontecimento, foi ter terminado de ler a Ética de Baruch de Espinosa, obra-prima da humanidade, que trata justamente da passagem da servidão para a liberdade.

Os jovens foram sacudidos pela derrota no primeiro turno da proposta democrática e progressista para a de um candidato representante, antes e acima de tudo, do autoritarismo, do fascismo, resgatado e enaltecido pelo slogan “Deus Pátria e Família”. Os idosos foram arrancados de seus merecidos e duramente conquistados descansos das aposentadorias terrivelmente ameaçadas em suas remunerações e de serem encurtadas no espaço e no tempo.

Essa corrente humana, robusta e resistente, tomou conta das ruas, praças e avenidas para dizer ao mundo em alto e bom som: fascistas, non pasarán! Estavam – e ainda estão, tendo em vista o perfil do Congresso eleito – ameaçados, além das liberdades democráticas, os direitos humanos, sociais e econômicos da imensa maioria do povo brasileiro! Também a soberania brasileira ameaçada e sujeita aos sempre presentes interesses norte-americanos pelas nossas riquezas e pela nossa força de trabalho.

Todas as nossas conquistas, sonhos e projetos estavam – e ainda estão – ameaçados pelo discurso de ódio, que se tornou realidade no ataque às escolas, aos professores e aos jovens, para terem o controle da Educação. Ao mesmo tempo, ataques a artistas e produtores culturais mostraram o que sempre pensaram e ainda pensam os extremistas de direita, bolsonaristas e fascistas, sobre o papel da Cultura em nosso País. Manifestações de médicos, absolutamente contrárias ao juramento de Hipócrates, foram de negar alta hospitalar a pacientes que, supostamente, sairiam pra votar no candidato considerado de esquerda, até ameaça de morte ao cantor e compositor Chico Buarque de Holanda – claros exemplos de que, para essa gente, nem a saúde importa.

Obra-prima da Filosofia, recomendo muito

A obra-prima Ética, livro do filósofo e pensador Espinosa, demonstrada à maneira dos geômetras, escrita no século XVII, é um marco na visão de mundo de qualquer pessoa que pretenda alcançar a liberdade. Terminei de lê-lo na semana das comemorações da vitória da Democracia e dos Direitos Sociais sobre o obscurantismo. Tive a felicidade de participar de um grupo de estudos, orientado e conduzido pelo psicanalista Rafael Trindade, do site Razão Inadequada, o qual recomendo muito.

Aprendi com os jovens nas ruas e no livro de Espinosa, que a luta pela liberdade é árdua, exige esforços do corpo e da mente, de forma contínua, sublime e exemplar. Luta essa que tende ao infinito e, justamente porque compreende, pela razão e pela intuição, onde e por que vivemos em servidão, nos permite vislumbrar a eternidade e nos deixa bem mais próximo de Deus e, por consequência, da Natureza.

Ler ainda é o melhor remédio contra a ignorância. Lutar e sair às ruas em defesa dos direitos da população é o caminho para superar a servidão e alcançarmos a Liberdade.

Beijos no coração! Saudações democráticas! 

4 comentários: