No dia 27 de novembro de 1917, um cidadão chamado Ernesto Joaquim Maria dos Santos, popularmente conhecido por Donga, entrou na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e registrou a partitura de Pelo Telefone, que ficaria conhecido como o primeiro samba gravado no Brasil. Cem anos depois, o samba está aí, firme, forte, altivo, elegante, majestoso, popular e o maior sustentáculo da verdadeira e autêntica Música Brasileira.

O samba sobreviveu aos ataques de mediocridade espalhados pelo universo da música pelos meios de comunicação, os mais poderosos principalmente. Neles, o espaço esteve sempre reservado para as músicas comerciais, descartáveis, no rol do sertanejo, do pagode, do funk e de um forró de baixa qualidade e pouco criativo.
O samba resistiu porque é
capaz de aglutinar diferentes raças e classes sociais. Se enriqueceu ao receber
influências diversas, sem perder a riqueza do seu sincopado, o tom do lamento e
a variedade de temas. O historiador André Diniz tem uma frase lapidar, em seu
livro o Almanaque do Samba (editora Zahar):
“O samba é uma porta importante para entender a
diversidade da
cultura brasileira, as suas identidades.
Acho que o samba tem as duas coisas, a
construção modernista
da valorização da mestiçagem e, é claro, a escolha
pela
própria sociedade como um gênero
predileto nacional no século 20”.
Comemorar o século do samba
é um orgulho para nós, apaixonados pela música e pela cultura popular
brasileira. O samba não morreu, nem morrerá, jamais, e vai continuar a levantar
nossa estima e a preservar a boa música e o bom gosto. De Donga e João da
Baiana, passando por Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, João Gilberto,
Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, até Paulinho da Viola, Chico Buarque,
Caetano Veloso, Paulo César Pinheiro, e tantos outros, podemos dizer com
orgulho: O coração do brasileiro não bate, batuca!
Saravá, irmãos!
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