quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Consciência Negra: Black is Beatiful, my brother

Zumbi do Palmares por Antonio Parreiras

Quem é branco tem dificuldade pra falar de racismo. Principalmente para sentir, dimensionar e avaliar todas as consequências desse fenômeno sobre as pessoas que foram, ou ainda são, vítimas de discriminações, preconceitos e injustiças raciais.

É preciso refletir um pouco sobre isso, não apenas porque no dia 18 de novembro se comemora o Dia Nacional do Combate ao Racismo, e no dia de hoje (20/11), presta-se homenagem à Consciência Negra, mas, acima de tudo porque temos compromissos, responsabilidades e deveres para com a sociedade. Querendo ou não, estamos construindo, ou pelo menos ajudando a construir, diariamente, um mundo que seja melhor e mais justo.

Se alguma evolução houve – acreditamos que sim – nos relacionamentos diversos entre negros, brancos e mestiços na sociedade brasileira, os créditos devem ser dados aos que historicamente foram e ainda são, de alguma forma, vítimas da discriminação. Foram eles, por meio da altivez, da compostura e do amor-próprio que nos forçaram e nos impuseram uma sociedade onde os direitos e os deveres devam ser iguais para todos, ou pelo menos reconhecidos como tais. 

E esse processo tornou-se cada vez mais efetivo pelas manifestações culturais e artísticas do povo brasileiro. O negro veio gradativamente se impondo e se apresentando com todo seu potencial – não apenas artísticos, mas também, e principalmente, intelectual – por meio da música, do teatro, do cinema, da dança, da literatura e de tantas outras manifestações desse Brasil tão rico culturalmente.


Cartaz de Latuff que foi quebrado pelo deputado-coronel Tadeu

Concordo plenamente com a música de Marcos e Paulo Sérgio Vale: Black is Beautiful, que coloco abaixo na interpretação magistral de nossa saudosa Elis Regina. Várias manifestações contra o racismo foram postadas hoje em blogs, no Facebook, Orkut, Twitter e tantas outras redes sociais. O ZecaBlog não poderia deixar passar em branco, nem em negro, muito menos em cinzas, um dia tão significativo como esse para cidadãos que se pretendem justos, íntegros e modernos. 

Do outro lado da moeda, o deputado coronel Tadeu (PSL) quebrou um quadro em exposição na Câmara com o desenho de um jovem negro assassinado e um policial com uma arma na mão. A obra é do artista plástico Latuff, que reagiu: “se fazem isso contra um cartaz, imagine contra gente de pele negra”. Ou seja, os arrogantes, autoritários e prepotentes racistas ainda estão soltos por aí.

PS – Meu abraço afetuoso e fraternal às amigas e amigos negros, brancos, pardos, morenos, mestiços, de qualquer outro matiz, ou matriz, que se queira qualificá-los. Homenageio a todos resgatando a memória do amigo Hamilton de Almeida, sobre quem já escrevi aqui neste blog. Um negro de coração negro até na alma. Sinceramente? Acho que sou um branco de alma negra. E tenho muito orgulho disso.



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