sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Tempos de poesia, pintura e do Ipê-amarelo

                                                                                       Desenho de Emília Ulhoa 

Árvore sagrada
José Carlos Camapum Barroso
                    (Para Emília Ulhoa)

 Ipê, em pé, retorcido,
Em curvas exuberantes.
Árvore cascuda
Que não se curva
Ao vento, ao tempo,
Nem aos tormentos
Da nova civilização.
Casco que se curva
Pra fazer zumbir
Flechas certeiras
De civilizações antigas
E verdadeiras...

Galho que se curva
À beleza da flor
Do amarelo-amor
Roxo-vinho
Branco-ternura
Rosa-delicado

Ipê-Mirim, gigante
Na própria natureza
Pronto Paratudo
Para que possam ver
A Tabebuia sagrada
Nodosa e obscura
Que nos viu nascer

Pau-d’arco e flecha
A erguer moradia
A deslizar pelos rios
Sonhos e fantasias...
Árvore da cidade,
No campo e cerrado
Abraçada ao mundo
Que nos viu crescer.

Árvore centenária
Que não veremos morrer.

4 comentários:

  1. Fui lendo e relembrando os ipês que embelezaram nossa Brasília no período cinza e "sem vida" da seca, como um descanso aos olhos. Muito legal o poema e o blog Zé, passarei a acompanhar!

    Bjs, Ludmila Rocha.

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  2. Gostei imenso do texto, e igualmente do desenho. Brilhantes.

    Parabéns,
    Abraço

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    1. Valeu, Miguel. Grato pela sua participação. Grande abraço.

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