domingo, 2 de setembro de 2012

Dia de se tirar o chapéu para os repórteres fotográficos

Uma imagem vale mais que mil palavras. É a frase que melhor expressa o valor do repórter fotográfico. Aquele sujeito que, além dos conhecimentos técnicos da arte de fotografar, precisa ter sensibilidade, coragem e paciência para fazer a fotografia mais compatível com a sua pauta, o evento que está cobrindo, ou mesmo o instante aleatório e casual que deseja registrar.
Repórter fotográfico tem que ter inspiração, além da transpiração do corre-corre diário para fotografar aquilo que é notícia. Esse talento não faltou ao fotógrafo do Jornal de Brasília, Carlos Menandro, que clicou essa foto acima de um circo na frente do Congresso Nacional, no ano de 1985, justamente em uma posição similar à da abóbada do Senado Federal.



Naquela época, eu era subeditor de Política do Jornal de Brasília. A foto saiu na primeira página e ganhou o Prêmio Esso de Fotojornalismo daquele ano. A repercussão foi assustadora, com dezenas de parlamentares se revezando na Tribuna da Câmara dos Deputados, então presidida por Ulysses Guimarães. Nos discursos, inflamados, os parlamentares foram protestar contra a canalhice que os comparava a um palhaço de circo. Detalhe: a Câmara, fazia vários dias, não conseguia quorum para votação de projetos; no dia da publicação da foto, o Plenário esteve lotado e o repórter fotográfico e o jornal foram atacados furiosamente.
 A equipe fotográfica do Jornal de Brasília, à época, era comanda pelo competente Cláudio Alves. Foi de lá que saiu o talento de Dida Sampaio. Esse eu vi sair de office boy da redação para repórter fotográfico, ganhando respeito nacional e hoje trabalha no jornal O Estado de São Paulo. São dele essas duas fotos acima tiradas em Havana, capital de Cuba.



Outro repórter fotográfico por quem tenho grande admiração é Orlando Brito. Tivemos oportunidade de trabalhar juntos em campanha eleitoral. Seu talento é inquestionável. Além de ser extremamente detalhista e perfeccionista é um observador atento do mundo que nos cerca. São suas essas duas fotos aqui publicadas sobre o interior, mais especificamente relacionadas às regiões do Nordeste e do Norte brasileiro. Na primeira delas, na Chapada do Araripe, região de fronteira entre o Ceará, Pernambuco e Piauí, o Seu Francisco carrega a mudança em uma carroça, juntamente com sua mulher e três filhos. Na outra, uma estradinha vicinal perto de Altamira, no Pará.
Com o trabalho desses três profissionais, rendo minhas homenagens ao talento e à competência dos repórteres fotográficos. Muitas vezes, eles colocam suas vidas em risco para garantir que a informação chegue a todos nós.
Parabéns!

4 comentários:

  1. Grande amigo e conselheiro, agradeço o carinho!
    Super abraço!

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  2. Comentários precisos, lentes aguçadas, mundo caleidoscópico. Valeu, Zé Carlos! Prá esses eu também tiro o chapéu (e os óculos, prá não dar reflexo).

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  3. Muito bonita a homenagem, bela escolha das fotos.

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  4. A foto de 1985 representa o dia 31/08/2016 dia do golpe parlamentar e instituição da ditadura civil no Brasil.

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