terça-feira, 16 de outubro de 2012

Uma velha foto e um jornalismo que não volta mais

O amigo e grande jornalista José Ribamar Oliveira, que também foi colega de Universidade de Brasília e dos primeiros passos da retomada do movimento estudantil, depois dos anos obscuros da ditadura militar, postou essa foto acima no Facebook. Que momento de rara felicidade do amigo! Graças a esse fenômeno ainda mal estudado da comunicação on line (e também tão mal explorados pelos próprios usuários das redes sociais), a foto repercutiu em série.
Velhos e novos amigos, jornalistas da antiga e da nova geração, fotógrafos e curiosos estão deixando por lá seus comentários e nos fazem compreender o verdadeiro valor de uma fotografia. A foto foi tirada na redação do Jornal de Brasília - o jornal que todos universitários gostariam de ter feito ainda na Faculdade. Uma experiência por onde passaram muitos (quase todos) dos jornalistas, fotógrafos e revisores desse mal compreendido mundo da notícia.
Na foto, tirada às vésperas do jogo do Flamengo que o tornaria campeão do mundo, estão em pé, da esquerda para a direita: José Carlos Camapum Barroso (ou simplesmente, eu), Sylvio Guedes (nossa memória viva), Otoni (teletipista, pasmem! e filho do jornalista conhecido como Velhinho), Gladston Holanda e o diagramador Reginaldo Feitosa; agachados: Bartolomeu Rodrigues (o grande Bartô), Ribamar Oliveira (o velho Riba), o Fofão (trabalhava na fotocomposição, pode?!) e José Cruz (grande jornalista do mundo esportivo).
Cruz era gremista e Ribamar, santista. Mas ambos se juntaram a nós, flamenguista, pra vibrar com aquele time que tinha Zico, Adílio, Júnior, Andrade e tantos outros craques. Tempos em que o futebol ainda permitia essa junção de torcedores contra os times de outros países. Flamengo, naquele jogo, era realmente o Brasil.
E a redação do Jornal de Brasília era experiência pura. Quase todos recém-saídos da Faculdade, passavam por ali – onde se fazia um jornalismo dinâmico, inteligente e moderno como Brasília – jornalistas que depois iriam se consagrar, outros que já se aposentaram ou continuam na ativa, ou nas assessorias de comunicação e de imprensa, ou já nos trocaram por uma redação mais elevada, ou que sobreviveram e continuaram combalidos por essa difícil profissão.
Entre mortos e feridos, já passaram por lá, além dos que estão na foto, Jorge Bastos Moreno (hoje no Globo), Helena Chagas (com Dilma Rousseff), Gutenberg (um dos idealizadores daquela casa), o próprio Ivan Godoy (que não está na foto, embora inicialmente eu o tenha confundido com o Gladston), Maria do Rosário, Ana do Dubeux, Carlos Honorato, Carlos Alberto Sáfadi (que trabalhou com João Goulart), Negreiros, Gérson Menezes (o Gersinho), André Gustavo Stumpf, Armando Rollember, Juarez Pires, Maria do Rosário, Assis Moreira (por onde anda?), Ademir Malavasi, Nelson Penteado, José Luiz, Hamilton Almeida, o grande Máximo, o velho Joca, Geísa, Bolão, Carlão, o saudoso Antônio Beluco Marra, Lourenço Cazarré, Artur Cabeça, Cláudio Cunha e tantos outros que eu prefiro parar por aqui. Dá pra escrever uma enciclopédia só citando nomes.
O Jornal de Brasília é isso. Tem tudo a ver com a nossa história, com o jornalismo que se propôs e se propõem a fazer na capital da República. A foto é histórica e guarda, em preto e branco, tons que hoje estão apagados do jornalismo, como a máquina de escrever, o teletipo, a fotocomposição e a lauda. Ainda saltam dessa fotografia os jornalistas que nos deixaram muito cedo, outros que se foram não tão cedo assim, mas fazem uma falta enorme, e ainda aqueles que desistiram da profissão e acharam que vale mais a pena ir pra roça plantar batatas.
Aos vencedores, portanto, as batatas. Aos que ainda conseguem sobreviver, as batatas fritas, como tira-gosto de um chope bem gelado, regado a base de um bom destilado, que todo jornalista que se preza adora e porque também ninguém é de ferro. Como diria Chico Buarque, em Retrato em Branco e Preto, “já conheço os passos dessa estrada/Sei que não vai dar em nada/Seus segredos sei de cor”.



2 comentários:

  1. Da amiga e jornalista Lúcia Leal, recebi o seguinte comentário sobre o post do Jornal de Brasília:
    "Zezão, eu também confundi essa pessoa com o Ivan Godoy...rs. Só reconheci você, o Sylvio e o Cruz. Parabéns por mais um belo texto, Zezão. Ler sobre o Jornal de Brasília me emociona. Devo tudo a ele e, claro, às pessoas que passaram por lá. Ah, lendo seu texto, eu lembrei do Luiz Adolfo Pinheiro. Beijo"

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    1. Bem lembrado, Lúcia. Luiz Adolfo Pinheiro foi um grande jornalista, um amigo de todas as horas e de uma simpatia imensurável. Quanto ao Jornal de Brasília, compartilhamos do mesmo sentimento: aquela é a nossa casa.
      Beijos.

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