![]() |
Foto: UYGAR ONDER SIMSEK / AFP |
O
mundo assiste, com boa dose de indiferença, as constantes mortes de refugiados
de guerras e da miséria que tomam conta de vários países em pleno século XXI.
Dezenas de tragédias já aconteceram desde a morte por afogamento do pequeno
Aylan Kurdi, o menino da foto que fez chorar o mundo, até a madrugada deste
domingo, quando guardas da fronteira turca mataram onze pessoas, que buscavam escapar
dos horrores da guerra civil na Síria. A maioria das vítimas era de uma mesma
família, entre elas duas mulheres e quatro crianças.
O
mundo globalizou a tecnologia, os negócios, mas não consegue abrir fronteiras
para salvação das pessoas que fogem, desesperadas, de conflitos armados, atos
terroristas e da fome. São barrados pelo mar bravio, a fúria das ondas, ou pelo
ódio que sustenta o nacionalismo das nações.
Mas
uma tragédia para as estatísticas do mundo de horrores. Outras quantas ainda
virão? Quantas mortes de mulheres e crianças indefesas serão necessárias para
que a humanidade consiga estabelecer a paz? Os países dessas regiões possuem
uma cultura invejável, que remonta a períodos anteriores a Era Cristã. Mas
nada disso sobrevive ao ódio, a intolerância e à falta de amor ao próximo.
Muito
triste.
Hoje
é domingo. Domingo pede cachimbo, mas não apenas o do descanso e do lazer, mas
essencialmente o da paz. Quem sabe a poesia e a música nos ajudam. Quem sabe
ainda alcançaremos a verdadeira humanidade.
Refugiados
José Carlos Camapum
Barroso
Há entre gotas de areia
Um oceano de ilusão...
Em cada grão do mar,
Lágrimas mediterrâneas,
Salgadas de indiferenças...
Tantos Aylan, tantos ais
Em nuvens de ingratidão!
Com balneário ao largo,
O bote da salvação desfaz
Um sorriso doce, maroto...
E faz selfie
a globalização.
Refugos dos refúgios...
Em que Bandeira estarão?
Belo Comentário. Lindo poema. Que as fronteiras se abram. Se tornem humanas. No mundo há lugar para muitos Aylan.
ResponderExcluir