![]() |
Odessa e meus filhos Jordano e Ramiro, no Rio de Janeiro |
Exatamente há 16
anos, nesse mesmo Dia Universal de Deus, minha sogra Odessa de Freitas
resolveu, de forma abrupta e inesperada, trocar este mundo por um outro, talvez
melhor e mais grandioso. Foi mais uma vítima dos acidentes de trânsito, tão
frequentes nas metrópoles brasileiras. Mais um pedestre que entrou para as
estatísticas quando transitava pelas ruas de Goiânia, na Avenida 85, bem
pertinho do campo do Goiás, no dia 14 de junho de 2006, véspera de mais um Copa do Mundo de Futebol.
Durante todos esses
anos de ausência, pudemos perceber quanta falta faz uma pessoa de personalidade
marcante e presença constante em todos os episódios da família e dos amigos.
Nunca se furtou a percorrer distâncias e atravessar fronteiras para visitar um
parente ou um amigo.
Deixou muitas
saudades e uma gama de boas lembranças, principalmente pela personalidade que
ostentava: forte, determinada e de uma invejável capacidade de comunicação.
Dedicou boa parte da sua vida à família, aos amigos e amigas. Não os abandonava,
jamais, sempre dando atenção especial nos momentos bons e ruins da vida.
Quem não a conheceu,
perdeu uma extraordinária oportunidade de conviver com uma bela pessoa.
Sincera, muito franca e de uma presença de espírito impressionante. Adorava o
Rio de Janeiro, o Botafogo, Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Getúlio Vargas, mas
detestava Juscelino Kubitschek, Brasília e tudo que, por algum motivo,
lembrasse "o comunismo". Era da UDN do lenço vermelho.
Católica, devota do
padre Eustáquio. Era mineira da gema e
se orgulhava da sua gente.
Revirando nossos alfarrábios, descobrimos duas poesias que ela deixou, escritas de próprio punho. Demonstra seu lado romântico, mas também um pouco do modo duro e crítico como enxergava a vida. A poesia Regresso fala de alguns dias vividos na nossa querida Uruaçu, lá pelos idos de 1972.
Já o poema Tarde Demais nos remete a uma
surpreendente visão do amor, a alegria que ele nos traz, mesmo quando,
supostamente, ocorre em descompasso com o tempo.
Resgato esses dois
textos para matar um pouco a saudade dessa pessoa que ocupou um espaço
importante na vida de todos nós.
Dezesseis anos...
como o tempo passa rápido. Não se fazem ausentes, jamais, aquelas
personalidades que sempre estiveram presentes pela força do seu ser. Pessoas
assim são capazes de desafiar até o tempo. De fato, só poderia ter nos deixado
no Dia Universal de Deus...
A Odessa de Freitas,
minha sogra, mãe da minha mulher, avó dos meus filhos, bisavó dos meus netos,
dedico esta canção. Que ela possa ouvir, ao lado de Deus, acompanhada de
acordes celestiais.
Beijos no coração.
Canção de adeus
José Carlos Camapum Barroso
Vou andar sobre nuvens
E trocar estrelas no céu,
Lustrar o brilho da Lua
E filtrar os raios do Sol.
Acariciar o vento Oeste,
Antes que o sopro Leste
Traga a fúria dos Deuses.
Trocar a lua Nova,
Pelo brilho da Cheia
A refletir na branca areia
Os sonhos de então...
Bem acima dos montes
A plainar no Horizonte
Como o voo da Águia,
Verei a fonte dos rios,
O espelho dos Lagos
A refletir a grandeza
Da natureza Divina.
E nos olhos, lágrimas,
Gotas puras de orvalho,
Prisma de cristal...
Saudades de então...
Tão perto do infinito
Mas distante dos meus,
A gritarem bem forte:
Por que o vento Norte
Não ouve a voz de Deus?
Ventos de tanta altitude,
Não escolhem Latitude,
Apenas cobrem a Terra
No manto da sagração.
É folha de esperança!
Como choro de criança,
Que jorra do coração...
Saudades demais da minha mãe querida! Obrigada Zé, mais vez, com lindas palavras!
ResponderExcluirQue linda homenagem!!! Zezão, você podia digitar as poesias, está difícil de ler, principalmente para os amigos que ja carregam muitos janeiros kkkkk
ResponderExcluirLinda homenagem!
ResponderExcluirA querida prima da qual mantenho vivas lembranças de sua simpatia e grande carinho pelos seus parentes e amigos. Que Deus a tenha.
ResponderExcluir