Não podemos nunca nos esquecer das nossas origens. Temos que ter um olho aqui, nas riquezas culturais desse imenso Brasil, e outro em Portugal. Toda vez que fazemos isso, surge uma grata e agradável surpresa. Foi assim com o grupo Deolinda, que já recebeu comentários em dois post (para ler ou reler, clique aqui e/ou aqui).
Neste fim de semana passado, o amigo
Nélio Bastos deu o ar da sua graça – depois de um longo e tenebroso inverno – e
veio nos visitar, na companhia de Vanilda, Ícaro e de dois CDs de António
Zambujo: Outro Sentido, com gravações
entre 2007 e janeiro de 2009, inclusive em estúdios do Rio de Janeiro, e Guia, gravado entre dezembro de 2009 e
fevereiro de 2010, trazendo duas belas homenagens a Vinícius de Moraes.
Zambujo é talento puro! Muito bom
intérprete, ótimo músico, um extraordinário bom gosto na escolha do repertório
e uma produção impecável. As letras das músicas gravadas em seus discos são
maravilhosas, o que é uma coisa rara no universo musical de hoje.
Consta que ainda pequeno, ele se
apaixonou pelo Fado, principalmente pelas vozes de Amália Rodrigues, Maria
Teresa de Noronha, João Ferreira Rosa e tantos outros cantores geniais de
Portugal. Com oito anos, começou a aprender clarinete. Ainda jovem, mudou-se
para Lisboa e passou a frequentar o conhecido Clube do Fado, no bairro de
Alfama. Ganhou concursos de fado e, logo, logo, conquistou lugar em um musical
de Amália Rodrigues.
Ao ouvir os CDs, percebi também que já
conhecia alguma coisa de seu trabalho por canções tocadas no rádio, em
interpretações de Zé Renato, Ivan Lins e Roberta Sá, que foram gravadas no Rio
de Janeiro, como Se Tu Soubesses, Bilhete e Fado Partido. Pesquisei mais um pouco, e descobri uma verdadeira
pérola – o vídeo de uma gravação, em estúdio, em que Zambujo canta com Roberta
Sá e é acompanhado pelo violão do gaúcho Yemandu Costa. A canção Eu Já Não Sei é de Domingos Gonçalves
Costa e Carlos Gonçalves.
Outra pérola está no disco Guia. Uma composição genial do português
Miguel Araújo Jorge, chamada Readers
Digest, que está no segundo vídeo abaixo. Vale a pena conhecer a fundo o
trabalho desse talentoso músico português. Valorizar o que é bom sempre traz
bons fluídos – e nós, da banda de cá do Oceano Atlântico, estamos precisando
muito de bons exemplos. Depois do Axé, do Breganejo, do Funk, do Pagode
Sem-Vergonha e dos Michel Telós da vida, a mediocridade ganhou dimensões
assustadoras.
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