terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ao mestre, com carinho, um beijo, uma poesia e uma música


Que saudades da professorinha que me ensinou o bê-á-bá. Dona Ditosa, com sua levemente grave, mas alta e sonora voz, a deixar em nossas mentes, e também em nossos corações, os primeiros passos nesta sublime caminhada pelo conhecimento da língua portuguesa. Depois vieram outras, e outros: Artulina, Julieta e a tabuada, Vilanir e as noções preliminares de ciência, doutor Cristovam e o bê-á-bá da língua inglesa –, e tantos mais a transmitir conhecimento suficiente para nos permitir andar com as próprias pernas.
Professor é isso, e toda a gratidão do mundo ainda é pouca para homenageá-lo neste dia 15 de outubro, reservado aos mestres. O que fazer então? Talvez uma oração singela, mais de coração, pedindo ao bom Deus que os proteja e guarde de todos os males que assolam este mundo. Ou, melhor ainda, que lhes dê a vida eterna. Só os professores merecem a grandeza do infinito.
Lembro bem do professor Irani, funcionário do Banco do Brasil e que nos ensinava Geografia. Foi o primeiro mestre liberal na nossa trajetória. Permitia que os alunos ficassem à vontade nas suas aulas, inclusive podendo fumar em sala. Isso foi revolucionário no final dos anos 1960. Hoje, ele seria execrado em praça pública. Com o passar do tempo, mudam-se alguns valores...
Vi professor ser humilhado e ameaçado por aluno em sala de aula, mas isso era raro e nem por isso menos deprimente. Nesse sentido, parece que as coisas pioraram. É comum professor ser agredido por aluno nas escolas da sociedade moderna. Também é muito triste perceber que o dia de hoje foi marcado mais por protestos do que por homenagens aos professores. Sinal que a sociedade deseja melhor tratamento para a categoria, mas os governantes insistem em caminhar em outra direção.

"O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme, 
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudí-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo."
(Carlos Drummond de Andrade)

“Promover solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”. Isso está escrito no decreto federal nº 52.682, assinado pelo presidente João Goulart, que instituiu essa data há exatamente 50 anos. Já no decreto imperial de Dom Pedro I estava escrito, com clareza, o motivo pelo qual se implantava o ensino no Brasil: “Desenvolver a capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo".
Não se desenvolve essa capacidade sem o talento, a humildade, a paciência, a grandeza, o conhecimento, a dedicação e a honradez de um professor. Desejar aos mestres um salário digno, melhores condições de trabalho e uma aposentadoria decente, tudo isso é muito pouco. Mas, que coisa triste, nem isso eles ainda conseguiram!
Aos mestres, com carinho! Um beijo. E a frase lapidar da poetisa goiana Cora Coralina:

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”




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