terça-feira, 19 de abril de 2016

Dia de índio precisa voltar a ser todos os dias


Desde 1940, comemora-se hoje o Dia Nacional do Índio. Costumamos expressar, nessas datas comemorativas, que o dia do homenageado é todos os dias! No caso das nações indígenas não é bem assim. Jorge Ben Jor registrou, com muita propriedade, que na verdade Todo Dia Era Dia de Índio, numa bela canção interpretada por Baby do Brasil. Deixou de ser assim depois que o homem e o progresso avançaram sobre as terras indígenas, sua cultura e suas tradições. A partir daí, só sobrou o dia 19 de abril para essa gente, que na verdade é a nossa gente!
A rigor, há muito pouco para se comemorar nesta data, apesar dos esforços empreendidos por pessoas, grupos e instituições em várias regiões do Brasil. São muitas as ameaças aos povos indígenas, às suas terras e principalmente à sua cultura. Não apenas pela violência dos grileiros, invasores e pelo avanço do desmatamento em regiões da Amazônia, Pará e Mato Grosso, mas também pela crescente opção do nosso desenvolvimento pela construção de barragens hidrelétricas.
Em meio a tantas ameaças, existe a constatação de que o povo indígena não sucumbiu à pressão majoritária dos brancos e mestiços. Pelo contrário, o contingente populacional dos índios vem se recuperando progressivamente. Esse processo tem se revelado nas últimas décadas de forma lenta, porém segura. A atual população é estimada em 818 mil indígenas, com cerca de 503 mil vivendo em aldeias.

                                                                                        Desenho de Emília Ulhôa
O que se deve homenagear nessa data de hoje é esse espírito de preservação do índio brasileiro e também as pessoas e instituições que atuam, de forma desprendida e idealista, na defesa dessa cultura que representa nossas verdadeiras raízes. Destaco duas pessoas especiais nesse processo: a amiga Sinvaline Pinheiro, que está à frente do Memorial da Serra da Mesa, em Uruaçu, Goiás, e a antropóloga e artista plástica, Emília Ulhôa, que sempre esteve à frente da luta pelos povos indígenas, quilombolas e ciganos.
Em Uruaçu, na Serra da Mesa, começa hoje e vai até o dia 24 deste mês, a VIII Semana Indígena, que tem em sua perspectiva a ideia de que “em vez de querer ensinar aos índios, o homem branco deveria ter a humildade de aprender com eles que o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo”. Na pauta, palestras, danças, feiras, pinturas corporais, trocas de sementes e rituais indígenas de povos como os Kaiapó, Kariri-Xocó, Xavantes, Ava-Canoeiro e alguns convidados.

Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. 
Tentei salvar os índios, não consegui. 
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. 
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. 
Mas os fracassos são minhas vitórias. 
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

(Darcy Ribeiro)

Nesta data, como não poderia deixar de ser, é imprescindível lembrar do marechal Rondon, dos irmãos Vilas Boas – Cláudio, Leonardo e Orlando, e da figura inabalável de Darcy Ribeiro. Todos eles deixaram uma contribuição relevante para que o Brasil ainda tenha viva, atuante e preservada a nação indígena.
Já falamos demais. Vamos ouvir músicas e saudar os índios Brasil!



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