quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Saudade, essa palavra mágica, suave, doce e poética

 
Quantas vezes a palavra saudade aparece em letra de música? É até difícil fazer essa conta. Dezenas? Mais de cem, talvez? E, da mesma forma, em poesias, poemas, textos literários... Saudade é uma palavra diretamente associada às emoções. Talvez, por isso mesmo, o dicionário Aurélio traz a seguinte definição: Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.
Por ser assim tão associada às emoções, sobre ela criou-se o mito de que só existe essa palavra pra expressar tais sentimentos em Português. Em alemão (ajuda aí, Ana Laura Campos!), existe a palavra sehnsucht, que tem esse entre outros significados. Em polonês, a palavra tesknota tem sentido igual. Claro, as palavras mudam de significado, expressam a mesma coisa com colorações diferentes, dependo do contexto, de questões culturais e outras variáveis.
Mais isso não tem maior importância. Interessa mesmo é o fato de saudade ser uma palavra deliciosa, sonora, poética e agradável. Ninguém fica triste porque sente saudade. É um sentimento um pouco diferente, mais para o nostálgico, que nos faz viajar no tempo e no espaço, superando distâncias, na maioria das vezes à velocidade da luz. Ficamos tristes quando perdemos um ente querido, é verdade. Mas o sentimento não é exatamente esse quando sentimos saudade dessa pessoa.
Falar sobre saudade é tão difícil. Muito mais fácil é senti-la a nos envolver, de maneira suave, gentil, como se fosse uma velha companheira que sempre esteve entre nós e não pretende, jamais, nos deixar. Mas, ela vai embora da mesma forma que chegou, suavemente, sem arrancar pedaços...
 

Saudade
José Carlos Camapum Barroso

Quero sentir saudade
Mas a noite não deixa
O latido do cão assusta
A escuridão domina
O brilho das estrelas
E até a lua se escondeu

Como sentir saudade?
Saudade não se deseja
Somos desejados por ela
Saudade não se almeja
Não se determina quando
Nem por onde vai chegar
Mostra sua face, se instala
E nem avisa ao se afastar...

De repente, estamos sós?
Nem saudade existe mais?
Um vento bate na porta
A brisa sopra pela janela
Passos ecoam na calçada
Não ouço latido do cão
A lua traz réstia de luz
E um beijo doce na face.

A saudade foi se embora
Nem disse se vai voltar...
 
 


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