Tenho dito sempre que o dia 26 de julho
é uma data especial para a minha modesta e simples existência nesta passagem. Hoje
é Dia dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu. Foi em um 26 de
julho, no ano de 1980, que decidimos, eu
e a Stela, juntar os nossos trapinhos. Estamos fazendo as Bodas Prata Dourada, que
representam suavidade, riqueza e cuidados na relação.
Sobre o Dia dos Avós, esta data tem o
charme a mais porque nos tornamos avós do Juliano e da Martina. Com meus avós
maternos não pude ter o prazer da convivência. Minha avó Celina morreu quando
minha mãe ainda tinha nove anos. Tenho algumas poucas lembranças do meu avô
Edgar Barroso, que faleceu quando eu ainda era criança. Meus avós paternos, Ana
de Alencar Camapum e Antônio Pereira Camapum, estão sedimentados, de forma
carinhosa, na minha memória.
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Poesia de Itaney Campos, que veio junto com o presente de casamento: uma batedeira. |
São lembranças que sempre resgato neste
dia 26 de julho, do nosso casamento, dos Avós e de Nossa Senhora Santana, padroeira de Uruaçu.
Época também das barraquinhas, com seus leilões, correios elegantes e outras
tradições que quase não vemos mais.
São lembranças que nos fazem reviver
esses 42 anos de parceria, amizade, carinho e muito amor. Acrescentei mais
alguns versos ao poema que começou a ser elaborado quando fizemos 31 anos de
casados. Nesse ritmo, vai acabar ficando maior do que os Lusíadas, de Camões.
Beijos no coração a todos neste dia tão
especial.
O passar do tempo
José Carlos Camapum
Barroso
O amor, quando faz
Trinta e alguns anos,
Deixa a concha
De madrepérola,
Pois, ao sair do
papel,
Em plena lua de mel,
Enrolou-se no algodão.
Em meio a buquê de
flores.
Fez-se duro como
madeira,
Entrelaçada de
amores...
O sabor do açúcar
trouxe
O perfume da
papoula,
Que passou pelo barro
E foi virar cerâmica
(Sem quebrar a louça).
Ah... todos esses
anos...
Quantos desenganos
A envergar o aço,
A desafiar o abraço,
A rasgar seda, cetim.
O linho trouxe a renda
E as bodas viraram
marfim.
No resplandecer do
cristal,
A turmalina cor de
rosa
Desaguou na
turquesa...
Ao amor e sua beleza,
Juntou-se a
maioridade.
O que fazer agora,
então?
A água-marinha já não
Banha a mesma
porcelana...
Resiste a louça,
coberta
Em palha, guardada
Em opala, que desperta
O brilho fino da
prata...
Como passam os anos...
Novos, antigos
desenganos
Trazem um cheiro de
erva
Ao amor balzaquiano...
Tudo agora é pérola!
E a força do Nácar
ajudou
A passar trinta e um
anos.
Como não ficar
sozinho...?
Entre anos e
desenganos,
Vieram as Bodas de
Pinho.
E nós, em nosso ninho,
A aguardar indecisos:
O que será meu Deus
Essa tal Bodas de
Crizo?
Aos trinta e três
anos...
Melhor seria “Bodas de
Cristo”.
Os dias se passaram...
Agora podemos caminhar
Rumo às Oliveiras...
Símbolo da amizade,
Da paz e prosperidade.
Um ramo apenas
bastará,
A nos encher de
esperança.
Depois de tanta
turbulência,
Teremos “terra à
vista”.
Sinal de que a vida
continuará
A nos oferecer
conquistas!
Debaixo da Oliveira,
O tempo passa devagar,
Suas folhas são
perenes,
Nos deixam mais
serenos
A espera do amanhecer...
Árvore da
prosperidade,
Bendita e bem-vinda
Até que o sol possa
nascer.
Vamos caminhar pela
praia,
Onde os corais de uma
nova
Vida irão
resplandecer.
Corais sedimentados,
Incrustados e
fortalecidos
Pelos grãos de
areia...
Depósito compartilhado
De alegrias, dores e
amor...
Logo, logo, chegarão
As Bodas de Cedro,
Árvore de tronco
largo,
A sustentar sonhos
E lembranças tão
altos,
Distantes e altivos,
Que nem a vista
alcança.
Madeira de lei
A sustentar nosso
leito,
A fortalecer no peito
Mais um ano de
caminhada.
Essa a nossa estrada,
Com sabores e
dissabores
Superados pelo chá
Do Cedro-Rosa
E pelo óleo milagroso
Dessa madeira
vermelha.
Do alto de seus
galhos,
Podemos o futuro
avistar:
Há uma pedra no meio
Do caminho... no meio
Do caminho, uma pedra
há:
Nossa aventurina,
De tantas aventuras,
Com seus fluidos
benignos,
Pronta para nos
agasalhar.
Pedra esverdeada,
Que emociona e
purifica.
Traduz a maturidade
De uma vida tão rica
De prazer e
criatividade.
Aos 38 anos, então,
É tempo de comemorar
Com o vinho guardado
Em barril de carvalho.
Néctar dos deuses,
Balsamo de dores
A revigorar amores
Contidos nos corações.
E veio o mármore...
Rocha firme, calcário,
Sob pressão e calor,
Dá beleza ao casamento
E à vida, mais valor.
Novas bodas aos 40
anos,
Desta vez, a tão
sonhada
E cobiçada
esmeralda...
Pedra encravada
Entre a prata e o
ouro,
No amor incondicional
Guardada há 40 anos.
Estímulo ao coração
Nos traz renascimento...
Pedra do amor eterno,
Da fidelidade e
perseverança...
Lembranças que nos
fazem crianças
Jovens e adultos para
sempre,
Muito além da
eternidade.
Nos 41 anos de
casamento,
Juntaremos nossos
trapos,
Embrulhados em papel
de seda,
Até que a esmeralda,
Bem dilapidada e
conservada,
Se transforme em
ouro...
Conseguiremos alcançar
Outros tantos anos até
os 50...
Bodas de Prata Dourada,
A suavidade da caminhada
Longa e perseverante,
São a riqueza da
relação
Que num cuidado
constante
Enche de amor o
coração.
Logo chegará o Azeviche
Essa gema orgânica
natural
Que nos garante o equilíbrio,
Firmeza e a fortaleza ao casal.
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